terça-feira, 29 de Julho de 2014

Quinta da Regaleira e Lisboa

Ontem foi dia de ir até à Quinta da Regaleira, em Sintra. O João F. (do blogue Vírgulas do Destino) visitou a família, que vive aqui perto, e convidou-me para ir com ele a Sintra. Nunca tinha lá ido e não estava nos meus planos de férias (e logo no primeiro dia útil de férias fiz uma maratona que não só contemplou a lindíssima Quinta, como, pela parte da tarde, fomos a Lisboa. Mas já lá vamos).

Apanhámos o mesmo comboio para Sintra, eu em Campolide, ele na Amadora, e antes das 10h00 já estávamos na vila. Foi um pulinho a pé até ao centro histórico, mais outro até à Quinta da Regaleira, demorado para apreciar a vista e tirar umas dezenas de fotos :)

Chegámos cedo, não havia fila, cada um pagou 6 € para a visita livre, que incluía a visita ao palacete. Deixámos a visita à residência para o fim e, mesmo assim, acabámos por não ver tudo. Saímos da Quinta pelas 13h30, mais ou menos, e comemos qualquer coisa em Sintra, antes de regressarmos a Lisboa.

Deixo um pequeno apontamento histórico sobre a Quinta da Regaleira, antes de passar para as fotografias: a Quinta da Regaleira era a residência de veraneio da família Carvalho Monteiro, um exuberante palacete concebido em estilo manuelino. António Augusto de Carvalho Monteiro era conhecido pela alcunha de Monteiro dos Milhões, graças à sua enorme fortuna (para saberem mais sobre esta ilustre personalidade, leiam um resumo aqui). Em finais do século XIX, adquiriu em hasta pública o palacete, que antes tinha pertencido à 1.ª Baronesa da Regaleira (para informações adicionais, consultem esta página).













Na parte da tarde, passeámos por Lisboa. Saímos na estação do Rossio, subimos até ao Largo do Carmo, passámos a Trindade, o Camões, entrámos nas ruelas do Bairro Alto, desembocámos na Rua de O Século, virámos à esquerda na Rua da Academia de Ciências (o João queria ir à Assembleia da República), descemos as escadinhas, lá tirou a foto para recordação, fomos até à Rua de S. Paulo, caminhámos até ao Cais do Sodré, descansámos num banco à sombra, muita gente na relva e à beira-rio. O passadiço de madeira e a Ribeira das Naus estão fantásticos, aquela margem está linda, só apetecia descalçar e molhar os pés, moidinhos de tanto caminharmos, depois, lá subimos o Arco da Rua Augusta.


 Por fim, fomos até Alfama. Lanchámos num café simpático, mistura de loja de recordações e café de bairro, e descemos uma calçada por onde passa o eléctrico 12 até ao Martim Moniz. Do outro lado da praça, fomos até à rua do Hospital de S. José, a Rua do Arco da Graça (eu morei nessa rua há mais de vinte anos), e apanhámos o metro na Praça da Figueira até ao Areeiro. O João tem família na margem sul, pelo que apanhámos o 'meu' comboio até Coina (e é 'Cóina', João, e não 'Côina' - olha a pronúncia do norte :p) e assim se passou um belo dia, embora muito cansativo.

Obrigada pela sugestão da visita à Quinta da Regaleira, aconselho vivamente. E Lisboa também está linda :)

domingo, 27 de Julho de 2014

Alice in laundryland

O lugar preferido da Alice para apanhar sol é em cima da máquina de lavar a roupa.

César - o imperador do colo

Informo que o miúdo já se assenhorou do colo, sendo que não é nada fácil actualizar o blogue assim. E ele atento ao que escrevo sobre sua excelência.

Desafio literário X

Mais nove livros lidos. Em cima, à esquerda, os dois últimos policiais da colecção do delegado Espinosa, do escritor brasileiro Garcia-Roza. Os dois receberam cinco estrelas no Goodreads. Globalmente, os nove livros são excelentes e lêem-se muito rapidamente, tirando o último, 'Céu de Origamis', que tem um pouco mais de 200 pp. no kobo. Mas, como estou de férias, não me preocupo com horários (se bem que, pelas sete da matina, tenho uns gatos-despertadores a arranharem a porta).

sábado, 26 de Julho de 2014

Snowpiercer - Expresso do Amanhã


O primeiro filme das férias e o terceiro em quatro dias. Depois do Nimas e do Monumental, fico pela minha banda e ao preço simpático de 2 € até ao fim do mês, no RioSul Shopping.

Snowpiercer (leiam a crítica - vá, uma boa crítica, no Cinecartaz aqui) é bom, é muito bom. De facto, é um grande filme de ficção científica. Nas primeiras carruagens, de luxo, vivem os ricos, os que puderam adquirir os melhores lugares, o que têm acesso à melhor comida, a todos os privilégios que o dinheiro pode comprar; nas últimas carruagens subsistem os miseráveis, os pobres cuja mão-de-obra escrava é utilizada sem reservas, controlados pelo medo e pela força das armas.

E, desta forma, vivem duas sociedades desconhecidas uma da outra num comboio que percorre eternamente o planeta gelado, morto, consequência do aquecimento global; não se misturam, sendo que cada um tem o seu lugar, é uma sociedade estratificada, distópica, a humanidade reduzida a umas dezenas de carruagens de um comboio que rola sem fim ao longo do planeta.

Um filme com um final surpreendente e que merece ser visto no grande écran. Conta com excelentes actores: uma irreconhecível Tilda Swinton, John Hurt, Jamie Bell (o Billy Elliot - sim, um rapaz fez-se um belo homem), Chris Evans e Ed Harris (adoro-o).

sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Férias!

Apanhar sol...

 
Beber muita água...

 Ler...
 
Escrever...

Violette

Ando em modo de férias há uns dias, isto quer dizer que me deito para lá da meia-noite, mas continuo a levantar-me antes das seis. Ontem não foi excepção;  fui ao Monumental ver o filme 'Violette' e cheguei a casa tardíssimo.

O filme conta a história de Violette Leduc, uma escritora francesa que conhece Maurice Sachs e que a incentiva a escrever, do seu amor não correspondido por Simone de Beauvoir, a sua mentora, que, à semelhança de Sachs, adora a sua escrita, os seus fortes e ousados romances, a sua história conturbada, e estimula-a a escrever sobre as relações lésbicas no colégio interno, o casamento falhado, o aborto, o relacionamento difícil com uma mãe super-protectora. Violette, filha bastarda, considera-se feia e desinteressante e tem medo de ficar sozinha para sempre. Contudo, são essas características e a sua baixa auto-estima que a levam a escrever com tanto arrojo.

Emmanuelle Devos é Violette, Sandrine Kiberlain é Simone, num drama psicológico biográfico sobre uma escritora francesa que não conhecia.

quarta-feira, 23 de Julho de 2014

Bat-day

Esta quarta-feira é o dia do Batman, de acordo com o jornal  Público, a ler aqui.

Recupero a foto que coloquei nos primórdios deste blogue, isto é, há mais de dois anos. Certo, não é o super-herói, a não ser que, como o João Roque comentou, o gato se chame Batman :p

 

terça-feira, 22 de Julho de 2014

Elvira

Sim, já fez um ano no fim de Maio e está rechonchuda. Parece uma foca. O César corre atrás dela, brincam os dois, mas quando se chateia, bufa-lhe. Assim como que para dizer: já chega, César! E olha-o de uma maneira muito imponente. Ele é um gato muito novo e bastante reguila, mas ela impõe-se. Põe-te quedo, miúdo!

É assim Que a Perdes


Yunior, de 'A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao' está de regresso. Yunior é um jovem dominicano que cresce num arrabalde, oriundo de uma família emigrante e dono de uma linguagem cáustica, ordinária, onde os palavrões abundam com naturalidade.

As histórias retratam a perda de amores, relações falhadas, e Yunior, o garanhão dominicano, faz sexo, não, ele não faz sexo, mas eu omito o palavrão, a torto e a direito, engana a namorada, uma, outra e outra vez.

Díaz tem estilo, se tem, não ficamos indiferentes, rimos com os palavrões, porque é assim que falam os machos latinos, e há uma ironia que perpassa pelos vários contos, mesmo quando estão carregados de tristeza (a morte do irmão, o sofrimento da mãe, a sua ligação à Igreja).

«Olhas para as suas pernas incríveis e para o seu entrepernas, para essa ainda mais incrível pópola que amaste de forma tão inconstante nos últimos oito meses. Só quando ela avança furiosa na tua direcção é que tu sais finalmente do carro. Atravessas descontraidamente o relvado, propulsionado pelo derradeiro gás da tua revoltante sinverguënceria. Hey, muneca, dizes, prevaricando até ao fim. Quando ela se põe aos gritos, tu perguntas: Querida, que se passa? Ela chama-te:

brochista
reles filho da puta
intrujão dominicano

Declara que.
tens um pénis pequeno
não tens pénis sequer
e pior do que tudo, que gostas de ratas em caril

(o que é muito injusto, tentas dizer, já que a Laxmi é da Guiana, mas ela não te ouve.)» 


Em Agosto do ano passado fiz uma directa a ler 'A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao' e escrevi este post. Antes, tinha-o descoberto numa colectânea de histórias sobre a infância e adolescência, de Richard Zimler e Rasa Sekulovic, mencionada aqui. O conto de Díaz, intitulado 'Invierno' é repetido em 'É assim Que a Perdes' e foi aqui que me apaixonei pela sua escrita brutal.

Querem saber quem é Junot Díaz: basta escutarem com muita atenção (e darem umas gargalhadas no fim) este conto lido pelo próprio. Sim, reconhecem a personagem? :)


Junot Díaz: 'How to Date a Brown Girl (Black Girl, White Girl, or Halfie)'

segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Always look on the bright side of life - Monty Phyton Live

 

E assim terminou o espectáculo 'Monty Phyton Live (mostly), com transmissão ao vivo da Arena 02 de Londres para todo o mundo em diversas salas de cinema. Era previsível este número final, faltava a memorável canção. Comovi-me, claro. Cinco septuagenários que apresentaram os sketches dos MP que todos conhecemos, que vimos na televisão há décadas, que revemos no youtube vezes sem conta e que sabemos de cor. Sim, já não estão na sua melhor forma, enganaram-se em algumas palavras, riram noutras tantas vezes, retomaram os diálogos deixados a meio depois de uns improvisos, mas que importa? São os Monty Phyton! John Cleese, Terry Gillian, Eric Idle, Terry Jones, Michael Palin e Graham Chapman, que apareceu em diversos clipes. Chapman que desapareceu tão precocemente (1941-1989). Quatro décadas após a sua separação - eu tinha meses - juntam-se e trazem Carol Cleveland, uma actriz que participou na maioria dos seus sketches.

E que momentos hilariantes. Chorei a rir, um dos improvisos que mais me deu gozo foi o boneco dos dois juízes gays que, no momento em eles despem a toga e ficam em lingerie feminina, um deles pergunta se foi o colega quem tratou do divórcio do Cleese. 'Qual, um dos quatro, os quatro?' (sem legendas, os improvisos surgiam inopinadamente). Que delícia! :)

Numa justa homenagem a Chapman, brincaram com a sua ausência, intitulando também este espectáculo de 'One Down, Five To Go'.

E, a não ser que Cleese volte a divorciar-se nos próximos tempos e gaste outra pipa de massa - uma das razões pelas quais eles se juntaram, disseram na brincadeira em conferências de imprensa, mas a brincar, a brincar... - esta foi a derradeira oportunidade de os ver a actuar juntos. Um mimo!