quinta-feira, 24 de Abril de 2014

Três dedos abaixo do joelho

   'Na altura em que se comemoram os 40 anos sobre a Revolução dos Cravos', voltamos a apresentar Três dedos abaixo do joelho. A peça nasce duma visita à Torre do Tombo para consultar o arquivo da censura durante a ditadura salazarista. A ironia por trás de Três dedos abaixo do joelho é que transforma os censores em dramaturgos, usando os seus relatórios como o texto do espectáculo. Um censor escreveu que "nenhum corte deve ser perceptível ao público" e esta peça seguiu à risca essa instrução. Destruindo as fronteiras entre as palavras de Shakespeare ou as de um censor, Três dedos abaixo do joelho usa o teatro para revelar o pensamento por trás dos mecanismos da censura e transforma o legado daqueles que oprimiram a liberdade artística e política num instrumento em que se aponta o que é perigoso e importante no teatro. O Mundo Perfeito chama-lhe "uma doce vingança".
   Vencedor do Prémio Autores SPA/RTP para Melhor Espectáculo de Teatro de 2012; Vencedor do Globo de Ouro para Melhor Espectáculo de Teatro de 2012', in folheto de divulgação.

A peça, de Tiago Rodrigues/Mundo Perfeito e com Gonçalo Waddington e Isabel Abreu, tem entrada livre no dia 25 de Abril e é às 21h30.

Quem quiser celebrar este dia comigo, basta responder em comentários, sms ou email até sexta-feira, ao início da tarde. Pelas 15h30, estarei na bilheteira do Teatro Municipal Maria Matos. Cada pessoa tem direito a até 4 entradas gratuitas.

O TM Maria Matos, para quem não conhece, fica junto à estação de comboios Roma/Areeiro.

quarta-feira, 23 de Abril de 2014

Dia Mundial do Livro

Obrigada pela imagem, João Roque.

A UNESCO instituiu em 1995 o Dia Mundial do Livro. A data foi escolhida por ser um dia importante para a literatura mundial - foi a 23 de Abril de 1616 que faleceu Miguel de Cervantes e a 23 de Abril de 1899 nasceu Vladimir Nabokov.

Este dia serve, ainda, para chamar a atenção para a importância do livro como bem cultural, essencial para o desenvolvimento da literacia e desenvolvimento económico.

Aproveito  a efeméride para recordar o post sobre o Biblioburro, que escrevi em Junho do ano passado.

terça-feira, 22 de Abril de 2014

A Gata do Bairro de Lata


 VIDA IV

   Isto foi o princípio de uma nova era. Agora, quando se sentia atacada pela fome, dirigia-se à porta do prédio e aquela boa impressão que o negro lhe provocara ia aumentando. Até então nunca tinha compreendido aquele homem. Agora era um amigo, o único que tinha.
   Um dia apanhou uma ratazana. Ia a atravessar a rua em frente do edifício novo quando o amigo abriu a porta para deixar sair um homem muito bem vestido.
   - Bolas! Olha-me só para aquele gato! - exclamou o homem.
   - É verdade, senhor - respondeu o negro. - É a minha gata, senhor. É um verdadeiro terror para os ratos. Já deu cabo de quase todos. É por isso que está tão magrinha.
   - Bem, não a deixes morrer à fome - disse o homem com o ar de um proprietário. - Não podes alimentá-la?
   - O homem da carne vem cá regularmente, senhor. Um quarto de dólar por semana, senhor - disse o negro, achando que tinha direito aos quinze cêntimos extra pela «ideia».
   - Está bem; eu pago.


   Desde então, o negro já a vendeu várias vezes, sempre com a consciência tranquila porque sabe muito bem que é só uma questão de dias até a 'Analostan Real' voltar. Ela aprendeu a tolerar o elevador e até a subir e a descer nele. O negro afirma convictamente que um dia ela ouviu o homem do talho quando estava no último andar e conseguiu carregar no botão e chamar o elevador que a levou para baixo.
   Está outra vez lustrosa e linda. Não é apenas um dos quatrocentos gatos que formam o círculo íntimo em roda do carrinho do homem da carne - é também reconhecida como a rainha dos pensionistas.
   Mas, apesar da sua prosperidade, da sua posição social, do seu nome real e do falso pedigree, o maior prazer da sua vida é escapulir-se para o bairro de lata quando anoitece, pois agora, tal como nas vidas anteriores, no fundo não passa, nem nunca passará, de uma gatinha suja de um bairro de lata.

Ernest Thompson Seton 

segunda-feira, 21 de Abril de 2014

What Maisie Knew


'O Que a Maisie Sabe', em português, foi o filme que vi no Monumental na semana passada.  Baseado no livro de Henry James, pelos olhos da mais doce e bela menina de seis anos - uma angélica Onata Aprile -  deparamo-nos com seu dia-a-dia, o divórcio litigioso dos seus pais, as constantes discussões entre eles, e o porto de abrigo que encontra nas figuras do padrasto e da madrasta. Novos e equilibrados pais, que não são mais do que casamentos de interesse para que cuidassem da pequena Maisie. Pois os seus progenitores à beira da meia-idade estão demasiado ocupados com as sua profissões, uma mãe vocalista numa banda rock e um pai director de uma galeria de arte.

Mais uma produção independente a chegar a Portugal depois de ter passado por meio mundo. O filme é de 2012.  Se possível, não percam.

domingo, 20 de Abril de 2014

Uma Outra Voz

Uma pessoa está a guardar-se para a Feira do Livro, que está aí a chegar, mais especificamente para aquelas horas nocturnas com os grandes descontos, mas vai dar uma volta, vê este livro, começa a folhear, lê o seguinte excerto:

'Esta é uma estória de ficção baseada em histórias reais. João Francisco Carreço Simões, ou Ti Carreço, como era conhecido na família, era tio-avô da minha avó. A sua vida serviu de inspiração à personagem principal desta estória, de nome João José Mariano Serrão. Durante a sua viagem a Angola, em finais dos anos 20 do século passado, Carreço Simões escreveu um diário, que se terá posteriormente extraviado. Dessa viagem restaram apenas as fotografias, incluídas no final deste livro.'

E compra!
 
Gabriela Ruivo Trindade, Uma Outra Voz, Prémio LeYa 2013, 1.ª edição, Abril de 2014.

Desafio literário VI


Mais cinco lidos. Como podem ver, aumentei, pela segunda vez, o número de livros. Nada difícil de alcançar, considerando que os policiais do Luiz Alfredo Garcia-Roza lêem-se num piscar de olhos e são livros com um pouco mais de centena e meia de páginas (em ebook).

sábado, 19 de Abril de 2014

Confidência

   Mãe!
   Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei! Traze tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue! verdadeiro, encarnado!
   Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
   Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede Eu prometo saber viajar.

   Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
   Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.

   Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
   Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!

Almada Negreiros - Obras Completas - 4 - Poesia


Há quatro anos, perdi a minha Mãe.

quinta-feira, 17 de Abril de 2014

O Regresso a Casa, de Harold Pinter

Hoje, ao fim da tarde, vou comprar o bilhete para a próxima quarta-feira, dia do espectador, para esta peça, que está em exibição no Teatro Nacional D. Maria II. Custa 8,00 €. Será às 19h00 (o meu horário preferido).

'O Regresso a Casa' é uma peça encenada por Jorge Silva Melo e tem um elenco de luxo, como o João Roque e o Miguel puderam comprovar no domingo passado.

Assim, quem estiver interessado em me acompanhar, basta estar na bilheteira do Teatro hoje, a partir das 18,30/18,45. Quem não me conhece pessoalmente, basta olhar para o chão e procurar a rapariga dos botins que foram objecto de um post há umas semanas :)

segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Borboleta em Cinza


O Edu ofereceu-me este livro. O João e o Luís, o Miguel e o João Roque também receberam presentes semelhantes.

E eu, assim em jeito de agradecimento, retribuo com este vídeo.

(as gatas são as deusas desta casa, a escura é a Alice e a branca é a Elvira).

Boa semana!

:)