sexta-feira, 1 de julho de 2016

Leonardo Padura - Um Passado Perfeito



   Este é o primeiro livro com o tenente Mario Conde, que sonhava em ser escritor como Hemingway. Polícia em Havana, trinta e quatro anos, fumador inveterado, melhor amigo do Magricela, da bebida e dos cozinhados da Josefina.
   O desaparecimento de um colega do liceu leva-o a mergulhar no passado e a enfrentar a sua grande paixão da adolescência.
   Um romance policial, o segundo que leio com o peculiar Mario Conde, mais um dos meus heróis, e Leonardo Padura fá-lo terno, romântico, mas também desencantado, um herói noir perdido nas recordações de uma Havana de outro tempo.
   É daqueles livros impossíveis de largar, a ler nas viagens de comboio, à hora do almoço, em casa, não pela história do desaparecimento, mas pelas emoções e tumultos que suscita no amargurado Mario Conde e pela maneira como Padura o faz, com uma melancolia e uma ternura, mas também com muito humor e é uma pena que a maior parte dos livros, da colecção Noites Brancas, da Asa, esteja esgotada (mas não na versão original, já reservada).

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Comida

No Ibiza, um pequeno restaurante familiar na esquina da João XXI com a avenida de Roma, pedi meia dose de costeletas à salsicheiro, apenas com batata frita e salada de alface e cenoura, porque me apetecia comida caseira, reconfortante, e eu que há tanto tempo não comia umas costeletas, estas do fundo, tão tenras, e as salsichas cortadas aos pedacinhos, com o molho de manteiga, nem me lembrei do colesterol, mas, sim, lembrei-me dos pratos deliciosos da José, a mãe do Carlos Magricela, já não magricela, agora que está inválido, a Josefina de 'Um Passado Perfeito', com o tenente Mario Conde, que estou quase, quase a terminar, e é uma maravilha, uma pequena maravilha.

sábado, 25 de junho de 2016

Sobre o desfiladeiro

'... a casa antiga passou a ser a ala antiga e a parte nova, que é tão excitante que mal posso esperar que a vejas, foi construída mesmo sobre o desfiladeiro. Acho pouco provável que haja outra casa igual no mundo, na minha modesta opinião. O terraço faz-me pensar num velho cartoon na New Yorker, com dois homens a apreciarem a vista do Grand Canyon e um a dizer ao outro: "Já quiseste cuspir até um quilómetro e meio, Bill? Tens aqui a tua oportunidade.' - em conto O Eco.

Paul Bowles, À Beira da Água, Quetzal, Junho 2016.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

terça-feira, 14 de junho de 2016

Zero a zero

   A Redonda diz que a TV é só bola, só bola e não há notícias.
   Concordo.


(este é um grande disco-homenagem. As covers são excelentes. Tenho-o há anos).

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Haruki Murakami


Nem sei bem o que fazer.
Estava tão bem na ignorância, até ler esta notícia.
Mas tenho de dar uso ao Kobo...

Paul Teroux à conversa com Pico Iyer


   O Miguel partilhou, no G+, esta bela conversa entre escritores, o Pico Iyer (que não conhecia. Li, pela primeira vez, uma sua história, na mais recente Granta Portugal) e o Paul Teroux. PT é fabuloso. Sim, é uma longa conversa (1h18m), mas vale a pena, porque é bastante interessante. Discorre não só sobre viagens mas também sobre pobreza, 'filantropia telescópica', livros, claro, sobre livros, autores e leitores e Bruce Chatwin, na parte das questões (por coincidência,li-o há dias).
   Para quem não tiver a paciência para ouvir a conversa integral, o Miguel sugere um pedaço - entre os 55' e a 1h. Eu proponho não só esse bocadinho, mas também o fim da conversa. Ora, mas, na verdade, aconselho, mesmo, que a oiçam do princípio ao fim.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

My barber, my dry-cleaning lady and my bodega guy

Não é em Nova Iorque, mas poderia escrever sobre a minha cabeleireira, duas ruas abaixo da minha casa (que comenta sempre como gosta do meu forte cabelo); sobre o casal que tem a loja de limpeza a seco, que fica a um minuto de casa, e que me estragou os cordões de uma canadiana. Estive à espera dois meses pelo casaco arranjado, mas continuo a lá ir, quando encontro a porta aberta (estando mais vezes fechada do que aberta), porque, apesar desse incidente, o serviço é bom e barato; ou sobre as pessoas dos três cafés que vou saltitando na semana, à hora do almoço, entre a Avenida de Roma, a Praça do Areeiro e a Avenida Almirante Reis, todas muito simpáticas e acho que já me conhecem, embora eu não diga 'É o costume'.

Três histórias sobre relações de amor e perda em Nova Iorque, no The New Yorker (link).

domingo, 5 de junho de 2016

Robert Hayden - Monet's Waterlilies

Le Bassin des Nympheas, 1904, Denver Art Museum


Today as the news from Selma and Saigon
poisons the air like fallout,
I come again to see
the serene, great picture that I love.

Here space and time exist in light
the eye like the eye of faith believes.
The seen, the known
dissolve in iridescence, become
illusive flesh of light
that was not, was, forever is.

O light beheld as through refracting tears.
Here is the aura of that world
each of us has lost.
Here is the shadow of its joy.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Lembretes

Acabei de gravar um lembrete no outlook em como tenho de imprimir os lembretes de trabalho para deixar à minha colega, antes de ir de férias...