quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Com um brilhozinho nos olhos

   A Lídia e eu tínhamos combinado um almoço com o Miguel há uns tempos. Convidei o Mark, que não conhecia a Lídia, e ontem, finalmente, almoçámos os quatro. O Miguel e a Lídia não se viam há bastante tempo e reuniram-se mais cedo.
   Eu fui ter com eles à hora do almoço. Tínhamos combinado mais ou menos um ponto de encontro, na Rua Marquês da Fronteira, no Bairro Azul. Mal eu subi as escadas do metro de S. Sebastião, avistei o Mark e, segundos depois, ouvi chamar por mim. Era a Lídia e o Miguel, que estavam mais atrás.
   A conversa prolongou-se muito depois da hora do almoço. Fomos os últimos a sair da sala do restaurante. Não tínhamos planos, ou melhor, os planos que havia envolvia estarmos ainda juntos até à hora de o Miguel ir apanhar o comboio de regresso a casa.
   A felicidade é um dia como o de ontem.

   E com um brilhozinho nos olhos
   Guardei um amigo
   Que é coisa que vale milhões.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

O Meu Tio - Verão com Jacques Tati

 

   Um Nimas muito bem composto ontem, na sessão das 19 h de 'O Meu Tio'. Como tinha sido a sessão anterior e, previa-se pelo público à entrada, sala igualmente quase cheia na da noite. Segunda-feira é dia mais barato e Tati bem merece este ciclo que a Medeia proporciona.
   Cenas deliciosas, um Monsieur Hulot grandioso, e não falo apenas da altura de Jacques Tati. Muitas risadas na sala e muitas crianças, neste fim de férias grandes.
   Verão com Jacques Tati a não perder. Se não todos os filmes, pelo menos à segunda-feira.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Taci e riposa: qui si spegne il canto

   A Lídia e eu almoçámos no início do mês, numa quarta-feira, num pequeno restaurante no Bairro Azul; trocámos livros, trocámos novidades, a Lídia, a sua viagem à Grécia, eu, as minhas férias.
   Já na passada terça-feira, disse, praticamente, 'Olá e adeus' a um blogger em Sete Rios, na companhia do Francisco. Depois, caminhámos, nesse fim de tarde ventoso, até pararmos na mesma rua onde tinha almoçado raia com arroz de pimentos com a Lídia. Eu e o Francisco partilhámos uma tosta de queijo e um chá de frutos vermelhos e muita conversa. Regressámos a Sete Rios quase pelo mesmo caminho passavam poucos minutos das oito da noite. 
   Já não estava com estes amigos há uns tempos. Gosto destes pequenos grandes encontros, espaçados assim no tempo, com comida caseira e boa conversa, sem pressas.
   E agora? Bem, estou quase, quase a terminar o livro que a Lídia me emprestou, 'O Pintor de Batalhas', de Arturo Pérez-Reverte. Um livro poderoso, sobre um ex-fotógrafo de guerra que decide a pintar um mural circular sobre o horror, a maldade, o caos, tendo por fonte as guerras por onde passou em trinta anos de actividade e a perda da mulher que amava, Olvido. Olvido é uma grande personagem; Pérez-Reverte desenha sempre mulheres fortes, destemidas, aventureiras, grandiosas e além da sua época. Estou a lembrar-me, por exemplo, de Lolita Palma, do extraordinário 'O Assédio', que se desenrola em 1811.
   Esta Olvido, por seu lado, é sombria, só o seu nome diz tudo. E foi Olvido, a dada altura, que referiu a Faulques, a personagem deste romance, o pintor de batalhas, este verso: 'Taci e riposa: qui se spegne il canto'. Cala-te e repousa: aqui se acaba o canto, assim está no romance.
  Este livro bebe em muitas fontes, desde pinturas de batalhas ao longo dos séculos, a poemas como este, de Andrea de Chirico/Alberto Savìnio) (no romance, é mencionado como Alberto de Chirico); é uma pequena maravilha.
   Fui pesquisar. Não conhecia. A obra chama-se 'Tragedia dell'infanzia'; o primeiro verso referido por Olvido faz parte deste poema que encontrei na p. 21 da tese de doutoramento «Tra Morte e verbo: la metafora saviniana della morte dalla Poesia al Teatro», de Leili Maria Kalamian (em pdf), pesquisada na internet (consegui guardar).

Taci e riposa Qui si spegne il canto
Della tua vita Dell'antico pianto
Torna più grave l'eco affievolita
In questa sosta in cui l'incanto
Muore Cedi alla serena
Pace la fronte in cui si smaga
La voce di sirena.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Férias


   Vou fazer como a Batá. Continuação de bom trabalho/boas férias (riscar o que não interessa).

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Taxi


   Segunda semana consecutiva no cinema, ontem, ao fim da tarde, dia do espectador nos UCI, sala bastante composta.
   Proíbe-se um realizador de exercer a sua profissão, mas o realizador, engenhosamente, filma clandestinamente; nasce um manifesto de liberdade, de crítica ao regime, um grito rebelde contra a intolerância do Irão. Um filme político, corajoso, divertido, vencedor do Urso de Ouro em Berlim.
   As cenas divertidas e caricatas são substituídas, à medida que o filme avança, por episódios sérios, intensos, tendo o sexo feminino (a sobrinha, a mulher das rosas) um papel preponderante.
   

    Omitindo os créditos finais e eventuais represálias aos actores amadores,  'Taxi' é um filme a não perder.
   Fica a crítica do jornal online Observador (link aqui).

segunda-feira, 13 de julho de 2015

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Reading

   Há uns dias, fui à biblioteca devolver o Paul e a Flannery e trouxe o Jo para fazer companhia ao Edmund e à sua famosa trilogia autobiográfica (estou a ler ao mesmo tempo 'A Vida Privada de Um Rapaz' e 'Um Belo Quarto Vazio', que termina com 'Sinfonia A Despedida'. 
   Depois destes livros, vou esconder o cartão da biblioteca. Quero colocar em dia a minha pilha até ao fim do ano.

(título roubado descaradamente ao Eolo).

quarta-feira, 8 de julho de 2015

terça-feira, 7 de julho de 2015

O Céu Que Nos Protege


   Escrito em 1949 e publicado em 1989 pela Assírio & Alvim, narra em três partes a viagem de Port, Kit, casados, e Tunner, um amigo, pelo vasto e misterioso deserto do Sahara: Livro Primeiro: 'Chá no Sahara'; Livro Segundo: 'A Aresta Aguda da Terra' e Livro Terceiro: 'O Céu'. Os primeiros são viajantes, o segundo, turista, essa é a diferença.
   Até ler este romance, nunca me tinha deparado com uma descrição tão dolorosa sobre a morte, a morte mais dilacerante e solitária de um ser humano: «Sinto-me muito doente. Sinto-me horrível. Não há razão para medos, mas tenho medo. Por vezes não me encontro aqui, e não gosto disso. Porque estou tão longe e sozinho. Ninguém consegue lá chegar. É demasiado longe. E aí estou só. » (...) «Tão só que nem me ocorre a ideia de estar só »...
   Incapaz de lidar com essa morte, ela nega a realidade e refugia-se no deserto. A relação com os dois árabes, a submissão de uma ocidental num mundo masculino, é a única forma de sobrevivência. A narrativa de Bowles consegue contornar o abuso do acto. Não há adjectivos violentos, mas uma entrega em busca de protecção. E disfarçada de um jovem, a relação do árabe com esse 'aparente' homem torna-se normal aos olhos das outras mulheres.
   As marcas ficam para sempre, o terror da perda, a loucura, solidão dali para a frente e um refúgio naquele mundo tão diferente do seu.
   Bernardo Bertolucci adaptou este romance em 1990. Deixo três vídeos de 'Um Chá no Deserto': o início do filme, a maravilhosa banda sonora e parte do fim, onde aparece o autor do livro, Paul Bowles. O monólogo está descrito na p. 197 do romance, logo após a tragédia:
   'Esquecera aquela tarde de Agosto, há pouco mais de um ano, quando se tinham sentado sozinhos sobre a relva debaixo dos bordos, vendo o temporal a varrer o vale do rio e a subir na direcção deles, e então o tema fora a morte. E Port dissera: «A morte vem sempre a caminho mas o facto de não sabermos quando chegará parece afastar a natureza finita da vida. É essa terrível precisão que odiamos tanto. Mas, como não sabemos, pensamos que a vida é um poço inesgotável. No entanto, tudo acontece apenas um certo número de vezes, na verdade um número muito reduzido. Quantas vezes mais recordarás uma certa tarde da tua infância, uma tarde que é, tão profundamente, uma parte do teu ser que nem podes conceber a tua vida sem ela? Talvez mais quatro ou cinco vezes. Talvez nem tanto. Quantas vezes mais contemplarás a lua cheia a erguer-se? talvez vinte. E, no entanto, tudo parece ilimitado.»




segunda-feira, 6 de julho de 2015

Mais um fim-de-semana

   Tive outra noite de insónia. Não sei se é da idade, mas durmo cada vez menos. Deitei-me depois da meia-noite e às quatro da madrugada acordei. Dei umas voltas na cama, puxei a colcha para cima e tentei adormecer de novo. Lá consegui. Acordei antes das seis e levantei-me meio a dormir. Não podia repetir a brincadeira da semana passada, embora o desejasse. Não convém abusar, não só porque ficaria com menos dias de férias, mas colocaria à prova a paciência da chefe, já de si uma santa. Além disso, há trabalho para finalizar.
   Por ter faltado na segunda, no sábado acordei à hora habitual, sem despertador. Pensei que fosse sexta-feira (o que eu agora me rio a pensar nisto) e levantei-me, embora com aquela sensação de ‘será que é mesmo sexta?’ Não é sábado?’ Rituais matinais fora do quarto até que parei na cozinha e sim, confirmei que era mesmo sábado. Ainda pensei em aproveitar, já que estava levantada, em ir fazer a habitual caminhada de 5 quilómetros (ir ao Seixal e regressar a casa), mas deixei-me de tais pensamentos e regressei à cama. Acordei a meio da manhã. Desde que reportei aqui o episódio musical do vizinho do primeiro andar que ele tem estado silencioso. Almocei e fui a Lisboa, para a visita da tarde. Tirando este compromisso, não faço grande coisa ao sábado. Preciso de um dia para descansar. Infelizmente, como a casa não se limpa sozinha, é ao domingo que meto mãos à obra. Normalmente, também é neste dia que uma pessoa pensa no que não deve, entre a lavadela do chão e a limpeza do pó. E procurei conforto na comida, despachando quase um pacote de bolachas.
   Assim, depois de me estafar nas limpezas, culpada por ter quase estragado a dieta, tomei banho, agarrei nuns corsários, numa camisola, nos ténis, no mp3 e fui arejar a pinha. Fiz os 5 quilómetros da praxe e regressei a casa ao início da noite.
   Foi um dos raros dias que não li. Estava cansada, mas sem sono. Sentei-me no sofá, com uma caneca de chá de ervas, e vi o filme na Fox Life, 'Enough Said' ('Basta de Conversa'), com um sensível e simpático James Gandolfini e a sempre divertida Julia-Louis Dreyfus.
   Gandolfini faleceu em Junho de 2013. Deixo aqui o trailer para recordar como ele era um excelente actor. O filme também teve boas críticas.