sexta-feira, 17 de julho de 2015

Férias


   Vou fazer como a Batá. Continuação de bom trabalho/boas férias (riscar o que não interessa).

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Taxi


   Segunda semana consecutiva no cinema, ontem, ao fim da tarde, dia do espectador nos UCI, sala bastante composta.
   Proíbe-se um realizador de exercer a sua profissão, mas o realizador, engenhosamente, filma clandestinamente; nasce um manifesto de liberdade, de crítica ao regime, um grito rebelde contra a intolerância do Irão. Um filme político, corajoso, divertido, vencedor do Urso de Ouro em Berlim.
   As cenas divertidas e caricatas são substituídas, à medida que o filme avança, por episódios sérios, intensos, tendo o sexo feminino (a sobrinha, a mulher das rosas) um papel preponderante.
   

    Omitindo os créditos finais e eventuais represálias aos actores amadores,  'Taxi' é um filme a não perder.
   Fica a crítica do jornal online Observador (link aqui).

segunda-feira, 13 de julho de 2015

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Reading

   Há uns dias, fui à biblioteca devolver o Paul e a Flannery e trouxe o Jo para fazer companhia ao Edmund e à sua famosa trilogia autobiográfica (estou a ler ao mesmo tempo 'A Vida Privada de Um Rapaz' e 'Um Belo Quarto Vazio', que termina com 'Sinfonia A Despedida'. 
   Depois destes livros, vou esconder o cartão da biblioteca. Quero colocar em dia a minha pilha até ao fim do ano.

(título roubado descaradamente ao Eolo).

quarta-feira, 8 de julho de 2015

terça-feira, 7 de julho de 2015

O Céu Que Nos Protege


   Escrito em 1949 e publicado em 1989 pela Assírio & Alvim, narra em três partes a viagem de Port, Kit, casados, e Tunner, um amigo, pelo vasto e misterioso deserto do Sahara: Livro Primeiro: 'Chá no Sahara'; Livro Segundo: 'A Aresta Aguda da Terra' e Livro Terceiro: 'O Céu'. Os primeiros são viajantes, o segundo, turista, essa é a diferença.
   Até ler este romance, nunca me tinha deparado com uma descrição tão dolorosa sobre a morte, a morte mais dilacerante e solitária de um ser humano: «Sinto-me muito doente. Sinto-me horrível. Não há razão para medos, mas tenho medo. Por vezes não me encontro aqui, e não gosto disso. Porque estou tão longe e sozinho. Ninguém consegue lá chegar. É demasiado longe. E aí estou só. » (...) «Tão só que nem me ocorre a ideia de estar só »...
   Incapaz de lidar com essa morte, ela nega a realidade e refugia-se no deserto. A relação com os dois árabes, a submissão de uma ocidental num mundo masculino, é a única forma de sobrevivência. A narrativa de Bowles consegue contornar o abuso do acto. Não há adjectivos violentos, mas uma entrega em busca de protecção. E disfarçada de um jovem, a relação do árabe com esse 'aparente' homem torna-se normal aos olhos das outras mulheres.
   As marcas ficam para sempre, o terror da perda, a loucura, solidão dali para a frente e um refúgio naquele mundo tão diferente do seu.
   Bernardo Bertolucci adaptou este romance em 1990. Deixo três vídeos de 'Um Chá no Deserto': o início do filme, a maravilhosa banda sonora e parte do fim, onde aparece o autor do livro, Paul Bowles. O monólogo está descrito na p. 197 do romance, logo após a tragédia:
   'Esquecera aquela tarde de Agosto, há pouco mais de um ano, quando se tinham sentado sozinhos sobre a relva debaixo dos bordos, vendo o temporal a varrer o vale do rio e a subir na direcção deles, e então o tema fora a morte. E Port dissera: «A morte vem sempre a caminho mas o facto de não sabermos quando chegará parece afastar a natureza finita da vida. É essa terrível precisão que odiamos tanto. Mas, como não sabemos, pensamos que a vida é um poço inesgotável. No entanto, tudo acontece apenas um certo número de vezes, na verdade um número muito reduzido. Quantas vezes mais recordarás uma certa tarde da tua infância, uma tarde que é, tão profundamente, uma parte do teu ser que nem podes conceber a tua vida sem ela? Talvez mais quatro ou cinco vezes. Talvez nem tanto. Quantas vezes mais contemplarás a lua cheia a erguer-se? talvez vinte. E, no entanto, tudo parece ilimitado.»




segunda-feira, 6 de julho de 2015

Mais um fim-de-semana

   Tive outra noite de insónia. Não sei se é da idade, mas durmo cada vez menos. Deitei-me depois da meia-noite e às quatro da madrugada acordei. Dei umas voltas na cama, puxei a colcha para cima e tentei adormecer de novo. Lá consegui. Acordei antes das seis e levantei-me meio a dormir. Não podia repetir a brincadeira da semana passada, embora o desejasse. Não convém abusar, não só porque ficaria com menos dias de férias, mas colocaria à prova a paciência da chefe, já de si uma santa. Além disso, há trabalho para finalizar.
   Por ter faltado na segunda, no sábado acordei à hora habitual, sem despertador. Pensei que fosse sexta-feira (o que eu agora me rio a pensar nisto) e levantei-me, embora com aquela sensação de ‘será que é mesmo sexta?’ Não é sábado?’ Rituais matinais fora do quarto até que parei na cozinha e sim, confirmei que era mesmo sábado. Ainda pensei em aproveitar, já que estava levantada, em ir fazer a habitual caminhada de 5 quilómetros (ir ao Seixal e regressar a casa), mas deixei-me de tais pensamentos e regressei à cama. Acordei a meio da manhã. Desde que reportei aqui o episódio musical do vizinho do primeiro andar que ele tem estado silencioso. Almocei e fui a Lisboa, para a visita da tarde. Tirando este compromisso, não faço grande coisa ao sábado. Preciso de um dia para descansar. Infelizmente, como a casa não se limpa sozinha, é ao domingo que meto mãos à obra. Normalmente, também é neste dia que uma pessoa pensa no que não deve, entre a lavadela do chão e a limpeza do pó. E procurei conforto na comida, despachando quase um pacote de bolachas.
   Assim, depois de me estafar nas limpezas, culpada por ter quase estragado a dieta, tomei banho, agarrei nuns corsários, numa camisola, nos ténis, no mp3 e fui arejar a pinha. Fiz os 5 quilómetros da praxe e regressei a casa ao início da noite.
   Foi um dos raros dias que não li. Estava cansada, mas sem sono. Sentei-me no sofá, com uma caneca de chá de ervas, e vi o filme na Fox Life, 'Enough Said' ('Basta de Conversa'), com um sensível e simpático James Gandolfini e a sempre divertida Julia-Louis Dreyfus.
   Gandolfini faleceu em Junho de 2013. Deixo aqui o trailer para recordar como ele era um excelente actor. O filme também teve boas críticas.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Discworld XV


   Estive a procurar aqui no blogue a última entrada sobre a Batá Maria. Foi em Junho do ano passado. Incrível como um ano passou tão rápido.
   Esta fotografia tem umas duas semanas. A Batá costuma andar pela casa toda (excepto no meu quarto, que está sempre fechado) e a foto foi tirada no quarto-de-banho.
   Mas a minha menina tem estado murcha. Agora, pouco come, pouco se mexe, só interagiu mais quando lhe tirei a carapaça velha. Teve de ser. Ela roçava-se cheia de cócegas, já tinha a nova toda por baixo e bastou levantar as lâminas com cuidado para saltarem.
   Ontem à noite, finalmente, pôs dois ovos. Eu sabia que estava na altura, estava enjoada, pobre Batá, cheia de ovos. Mas ainda não saíram todos. No ano passado, conseguiu pôr uma dúzia deles, mais coisa menos coisa.
   Esta madrugada, pensei que estivessem mais uns quantos na água, mas não. Tem quase vinte anos e julgo que lhe custa cada vez mais esta situação. Vamos ver se logo à noite, quando eu chegar a casa, tenha conseguido botar para fora uma meia dúzia de ovos e recomece a comer. Estou preocupada por não comer e por não se mexer muito. Eu sei. Muita paz e sossego nestas situações é o que se quer, mas uma 'mãe' preocupa-se. Sou super-protectora para com os meus bichos.
   Ah, repararam nas garras dela? A última vez que a levei ao veterinário para cortar as unhas foi há uns três anos. Depois de passar este mal-estar, terá de ir à patacure sem falta.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Nunca haverá outra vez

   "Prosseguiu mais devagar. Trouxera alguns figos, que tirou da algibeira e devorou. Ao completar a curva do rio, deu de caras com o sol no poente, ao olhar para um pequeno vale entre duas colinas suavemente ascendentes e nuas. Na extremidade havia uma colina mais íngreme, avermelhada e num dos lados uma abertura escura. Como gostava de cavernas esteve tentado a lá ir. Mas as distâncias eram enganadoras, e não devia faltar muito para anoitecer; além disso não se sentia com energia suficiente. «Amanhã venho mais cedo e vou até lá», disse para consigo. Ficou a contemplar melancolicamente o vale, a língua à procura das sementes de figo entre os dentes, com as pequenas e tenazes moscas sempre a agarrarem-se à cara. Ocorreu-lhe que um passeio pelo campo era uma espécie de resumo da própria passagem pela vida. Nunca se tem tempo para saborear os pormenores; diz-se: outro dia, mas sempre com a convicção oculta de que cada dia é único e final, de que nunca haverá regresso, de que nunca haverá outra vez."

Paul Bowles, O Céu que nos Protege, pp. 111-112.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Flannery O'Connor - Antologia Indispensável


   Clara Pinto Correia traduziu e escreveu a introdução, na qual conta como descobriu esta autora quando estava nos EUA a tirar o doutoramento. E ficou pasmada e adorou. Adorou as histórias estranhas, esquisitas, perturbadoras, que descrevem a complexidade das relações humanas.
   Nesta selecção de seis contos, Flannery O'Connor mostra-nos as pessoas que viviam no Sul dos Estados Unidos da América na primeira metade do século passado, perversas, loucas, desdenhosas, racistas, inconstantes, arrogantes, sob uma aparente normalidade. Finais felizes? Só nos contos de fadas. Não há aqui poética nem doçura. A prosa de Mary Flannery O'Connor é dura, cruel, violenta.
   Os contos desta antologia são: 'Os Homens Bons não São Fáceis de Encontrar', 'A Gente Sã do Campo', 'As Costas de Parker', 'O Festival de Partridge', 'O Preto Artificial' e o 'Juízo Final'.
   Abundam, infelizmente, as gralhas nesta publicação da Dom Quixote de 1996. Parece que houve uma grande euforia em trazer as histórias à estampa, em detrimento de uma edição cuidadosa. Apesar de tudo, gostei, pelo que classifiquei com 4* no Goodreads.