quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Há 20 anos

Conheci o Luís. 

Se não me falha a memória, era primo dos meus primeiros patrões. Em Novembro de 91, meses depois de terminar o secundário, fui trabalhar para uma loja nas Amoreiras. O Luís teria a mesma idade que eu, mais ano, menos ano, e dava uma mãozinha nas alturas mais complicadas, como os sábados à tarde e por altura do Natal, por exemplo; ele não falava muito, era simpático, delicado, introvertido.

Pelo Natal desse ano, ofereceu-me o livro “As Melhores Histórias de Oscar Wilde”.

  
É um dos meus mais queridos livros; inclui as histórias “O Gigante Egoísta”, “O Rouxinol e a Rosa”, “O Amigo Fiel”, “O Príncipe Feliz”, “O Foguete Extraordinário” e “O Jovem Rei”, histórias que ele contava aos seus filhos Cyril e Vyvyan quando eram pequenos. Até aquele momento, nunca tinha lido nada completo dele, apenas extractos em livros. 

My own father was quite different; he had so much of the child in his own nature that he delighted in playing our games. (…) He told all his own written fairy stories suitably adapted for our young minds, and a great many others as well… Cyril once asked him why he had tears in his eyes when he told us the story of “The Selfish Giant”, and he replied that really beautiful things always made him cry”. 
(relato de Vyvyan em Oscar Wilde, A Biography, H. Montgomery Hyde, p.106)

Há quase 20 anos que não sei nada do Luís. No final de Dezembro de 92, deixei aquele trabalho e estive mais de 5 anos sem entrar nas Amoreiras.

2 comentários:

  1. É triste perder o rasto de um amigo...

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  2. amigo... estranho pensar agora, mas ele tinha uma sensibilidade para o que as pessoas gostavam (se bem que eu falava muito de livros, é certo). o que terá sido dele?

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