No sábado passado, a minha junta de freguesia
realizou uma recolha de alimentos às portas do hipermercado onde costumo ir. Comprei, como faço sempre quando há uma campanha do Banco Alimentar,
algumas conservas e massas, alimentos não perecíveis e não muito caros. Se
pudesse, oferecia muito mais. Senti-me mais triste, emocionada e solidária. Hoje, por eles, amanhã, quem sabe, por mim.
A classe média são milhares de pessoas como eu, que vêem os seus direitos, muito a custo adquiridos 38 anos após o 25 de Abril,
a escoar por entre os dedos. Direitos como uma vida digna, um trabalho meritório e
estável, serviços de saúde, educação, transportes a preços acessíveis, desaparecem
a olhos vistos.
A minha freguesia não é, apenas, envelhecida e pobre; desempregados novos não conseguem encontrar um novo trabalho perto de casa, como tiveram durante anos. Assim,
Lisboa é o destino para milhares deles, milhares que atravessam o rio todos os
dias, a todas as horas, milhares que conseguem um novo trabalho na restauração, na hotelaria,
no pequeno comércio dos centros comerciais, nas limpezas, muitos deles por turnos. E se antes a ligação Seixal-Lisboa e vice-versa tinha carreiras fluviais a horas mais tardias, agora, graças à sua extinção, as pessoas são forçadas a ir por Cacilhas e depois
apanharem o autocarro para casa. O triplo do tempo, mais de 30 euros que custa este novo passe.
Sei de casos que as pessoas são forçadas a esperar pelo
primeiro barco de regresso a casa, ao Seixal, às primeiras horas da manhã, porque a
diferença para o passe mais caro serve para comprar a comida do dia-a-dia,
porque se não fosse isso tinham que ir pedir ao Centro Social, ao Banco
Alimentar, à Igreja, e têm vergonha. Não são pobres, não têm direito a isenções
no hospital, nem subsídios, são a classe que faz mover Portugal, são o exército
invisível, como uma trabalhadora, numa reportagem na televisão, disse, um dia
destes.
Hoje é Dia do Trabalhador, do que resiste, luta, reivindica, daquele que se recusa a ser pisado, humilhado e subjugado. Daquele que, embora se sujeite a condições vergonhosas, nunca baixa os braços, porque sonha um amanhã melhor.
Hoje é Dia do Trabalhador, do que resiste, luta, reivindica, daquele que se recusa a ser pisado, humilhado e subjugado. Daquele que, embora se sujeite a condições vergonhosas, nunca baixa os braços, porque sonha um amanhã melhor.
O que é incrível é que ainda há gente, um brasileiro que segue o meu blog, que não sabe o que se comemora neste dia...
ResponderEliminarAs condições de vida, em Portugal, deterioram-se a cada dia... O país afunda numa situação sem precedentes. O pior de tudo é que as expectativas para o futuro são nulas... :/
ResponderEliminarMark, julgo que ainda vão piorar, eles dizem que não, mas só estarão contentes quando estivermos na miséria e sem forças para estrebuchar... pensam eles.
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