quarta-feira, 2 de maio de 2012

Um Homem na Cidade



Agarro a madrugada
Como se fosse uma criança
Uma roseira entrelaçada
Uma videira de esperança
Tal qual o corpo da cidade
Que manhã cedo ensaia a dança
De quem por força da vontade
De trabalhar nunca se cansa.

Vou pela rua
Desta lua
Que no meu Tejo acende o cio
Vou por Lisboa maré nua
Que desagua no Rossio

Eu sou um homem na cidade
Que manhã cedo
Acorda e canta
E por amar a liberdade
Com a cidade se levanta

Vou pela estrada deslumbrada
Da lua cheia de Lisboa
Até que a lua apaixonada
Cresça na vela da canoa

Sou a gaivota
Que derrota
Todo o mau tempo no mar alto
Eu sou o homem que transporta
A maré povo em sobressalto

E quando agarro a madrugada
Colho a manhã como uma flor
À beira mágoa desfolhada
Um malmequer azul na cor

O malmequer da liberdade
Que bem me quer como ninguém
O malmequer desta cidade
Que me quer bem que me quer bem!

Nas minhas mãos a madrugada
Abriu a flor de Abril também
A flor sem medo perfumada
Com o aroma que o mar tem
Flor de Lisboa bem amada
Que mal me quis que me quer bem!

5 comentários:

  1. Que bela escolha musical para começar um novo dia.

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  2. Ary... e o domínio das palavras.
    A voz doce e quente do Carlos do Carmo.
    Também J.L. Tinoco.
    Foi belo este bocado!
    Bjs

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  3. João, Pedro, peço desculpa por apenas hoje ter publicado os vossos comentários. ontem estive no posto médico por causa daquela dor de garganta que me incomodava desde a semana passada e não estava muito bem disposta para aceder à net.
    já estou um bocadinho melhor, hoje.

    gosto tanto de Carlos do Carmo.

    bjs.

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  4. Vi-te no blogue do Hórus, mesmo agora! hehe
    Vim aqui deixar um beijinho.
    E as melhoras :)

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  5. a colocar a leitura em dia. obrigada. bjs.

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