segunda-feira, 23 de julho de 2012

Putas de Lisboa

Ricardo Bargão encenou a peça "Putas de Lisbooa", que está no Teatro-Estúdio Mário Viegas.

Fui vê-la ontem.

Não achei uma grande, fabulosa peça, são três testemunhos entre dezenas recolhidos pelo encenador no mundo da prostituição em Lisboa, um travesti brasileiro, um prostituto jovem e uma prostituta não muito nova. Três monólogos que se juntam a meio da cena, quando se conhecem na prisão.

Dos três actores, o que mais se salienta é o que faz a personagem do travesti, que mais retira gargalhadas da plateia, de resto, os outros dois actores são fracos, e ela, por se ter estreado ontem, estava muito nervosa, tensa e isso manifestou-se na pouca qualidade da representação.

No fundo, é uma comédia, mascarando-se as agruras dessa vida com risos fáceis, os actores interagindo com alguns homens da plateia, estes rindo, participando, nervosos, com as mulheres/namoradas ao lado.

Destaca-se o strip integral (mas tapado por um sapato) do prostituto e o show de cabaré (fraquinho também), no fim.

Não me custou o preço que está no link, mas 8€, pela Letsbonus (é verdade que, para mim, não valia o preço normal, mas o grupo de teatro não tem nenhum apoio do Estado, apenas a colaboração do TEMV, que cedeu a sala).

E, para não variar, aconteceu mais um episódio bizarro, mais uma das famosas coincidências. Como é usual, levei um livro, desta vez o do GM que falei num  post anterior, "O homem que odiava a a chuva e outras estórias perversas". No metro, depois da peça, estava embrenhada na história de uma mulher que tem um filho drogado e estava a desabafar com o padre a sua triste vida, quando assisti (entre um olho no burro - o livro - e outro no cigano - a cena), a um drogado a passar um extraordinário sabão a um rapaz, pedia dinheiro, que tinha fome, que não comia há dias, etc. e este mundo e o outro - o rapaz manifestamente incomodado já não sabia para onde se virar. O drogado desistiu dele e dirigiu-se a mim, eu que estava encostada junto à porta, a ler até chegar a minha estação, Sete Rios. Lá repetiu a cena, mas eu não lhe dei muito tempo, se decorreram uns 10 segundos foi muito, até eu esticar o braço, olhá-lo bem nos olhos (estava embrenhada no conto e assustada por aparecer exactamente o mesmo tipo de personagem à minha frente - não que eu tenha medo de agarrados, mas também não lhes alimento o vício) e declarar: "Não. Afaste-se já!". Segundos depois, a porta abriu-se e eu saí.

De tantos contos que o raio do livro tem, tinha que me calhar ler exactamente aquele naquela altura...

6 comentários:

  1. O nome da peça lembrou-me de imediato um livro que comprei às escondidas dos pais, na Bertrand do Vasco da Gama, deveria ter uns quinze anos, de seu nome "Puta de Prisão". O livro abordava histórias verídicas de prostitutas de rua nos anos 80. Relatos que foram recolhidos pela nutricionista Isabel do Carmo e outras colegas que conviveram de perto com essas mulheres (elas estiveram presas por causa dos atentados das FP 25 de Abril, dividindo o espaço prisional com elas). É um livro muito forte, para mais com aquela idade, mas abriu-me os olhos...

    Essa peça deve ser interessantíssima, uma vez que aborda esse submundo de forma cómica e, além disso, caricatura a figura do "travesti", também de si uma vítima das malhas da prostituição. O gigolo e a "prostituta não muito nova" são o espelho do que deambula por essas ruas.

    Quanto às coincidências: joga no Euromilhões! xD



    beijinhos :*

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  2. confesso que não gostei muito, talvez se tivesse sido encenado de outra forma, mantendo o lado cómico, mas com outra profundidade,enfim, mas que sei eu de críticas teatrais? :D. só posso manifestar a minha opinião.
    muito mais interessantes devem ser os testemunhos do teu livro.
    bjs.

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  3. Porcaria de coincidência :)

    Beijinho Grande

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  4. Francisco, já fazem parte de mim, agora até estou em pulgas pela seguinte.
    :D
    bjs.

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  5. Sobre a peça, de certa forma é bom ler o que escreves, pois foi menos uma que perdi...
    A cena do metro é usual e toda a gente devia proceder como tu.

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  6. João, não perdeste assim grande coisa, digo eu. foi o segundo drogado que apanhei. na baixa-chiado estava outra, esta mais simpática e mais limpa, certo. e bem gira que era. puta da droga, essa é a verdade... não deixo de ter pena deles.
    bjs.

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