domingo, 26 de agosto de 2012

Gato


Que fazes por aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhor de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesadelo lento e lesto,
fofo no pelo, frio no olhar!
De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?


Alexandre O'Neill
Abandono Vigiado, 1960

8 comentários:

  1. Muito giro o poema e a imagem que escolheste!

    Bom fim de semana!

    bjs

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  2. No Egipto, eram considerados animais sagrados :)

    Beijinhos grandes e Bom Domingo

    P.S - Estás melhor :)

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  3. :)
    sim, obrigada. está inchado e vai ficar negro, mas já não manco.
    bjs.

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  4. Não se conseguiria arranjar nada melhor para descrever, singelamente, um gato. :)

    A imagem, opá, recuso a dizer algo de tão fofinha que é. *_*


    beijinhos :*

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  5. adorei a imagem, Mark, um gato suspenso no infinito. gosto de cidades à noite, as luzes fascinam-me.
    bjs.

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  6. O sentido de equilíbrio dos gatos é notável. Tal como o poema.

    Bjs.

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