segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Os gatos



Os amantes febris e os sábios solitários
Amam de modo igual, na idade da razão,
Os doces e orgulhosos gatos da mansão,
Que como eles têm frio e cismam sedentários.

Amigos da volúpia e devotos da ciência,
Buscam eles o horror da treva e dos mistérios;
Tomara-os Érebo por seus corcéis funéreos,
Se a submissão pudera opor-lhes à insolência.

Sonhando eles assumem a nobre atitude
Da esfinge que no além se funde à infinitude,
Como ao sabor de um sonho que jamais termina;

Os rins em mágicas fagulhas se distendem,
E partículas de ouro, como areia fina,
Suas graves pupilas vagamente acendem.


Charles Baudelaire, As flores do mal
 

9 comentários:

  1. muito bem. sabe bem ler isto logo pela manhã.
    sabes quem foi o tradutor do poema?

    ResponderEliminar
  2. Fernando Pinto do Amaral. é a referência que encontro na internet, publicada pela Assírio e Alvim. Não encontrei na biblioteca municipal, por isso fiei-me na pesquisa online.
    Está esgotado :(

    ResponderEliminar
  3. Pausa... para deixar um bjo.
    Depois passo a ler melhor. :)

    ResponderEliminar
  4. Fizeste recuar ao musical "Cats",

    Adorei :)

    Bjs

    ResponderEliminar
  5. a sério? nem pensei nisso.
    ainda bem que gostaste :)
    bjs.

    ResponderEliminar
  6. Tenho alguma dificuldade com o Baudelaire, em francês não consigo lê-lo...
    Lindo este poema.

    Bjs e boa semana.

    ResponderEliminar
  7. encontrei-o em francês também, por isso é que queria ler a obra traduzida em português, mas não consigo encontrá-la.
    obrigada.
    passem um belo dia :)
    bjs.

    ResponderEliminar
  8. É um poema lindíssimo. Não é de fácil interpretação, o que o torna um desafio ainda maior. ;)


    beijinhos :*

    ResponderEliminar