quarta-feira, 24 de outubro de 2012

ECE

'ECE' é o acrónimo de 'em caso de emergência'. Usa-se no telemóvel com o contacto de emergência da pessoa que queremos que seja contactada se sofrermos um acidente.

Quando fui internada, na semana passada, dei o contacto do meu padrasto. É a primeira vez que o menciono aqui e é a pessoa mais próxima de uma figura paterna. É o pai da minha irmã F. e foi o companheiro da minha Mãe durante 23 anos.

Nunca fomos muito próximos e nunca tive com ele aquela intimidade de o tratar por 'tu', como os meus primos, que logo começaram a chamá-lo por 'tio A.'  Aproximámo-nos mais há uns 10 anos e ao logo dos anos, principalmente quando a minha Mãe ficou doente e visitava amiúde o hospital S. Bernardo, em Setúbal, antes de ficar internada, fomos ficando cada vez mais próximos.

Não existe uma manifestação de afectos entre nós, não há beijos nem abraços, excepto nos aniversários, mas é um grande defeito nosso, porque nenhum dos dois é expansivo nas suas emoções.

Todavia, está sempre presente quando eu preciso, foi ele que esteve no hospital e que conversou sem problemas com a família da minha companheira de quarto, uma senhora de 74 anos que, por coincidência, tinha o mesmo nome que a minha Mãe.

12 comentários:

  1. Margarida
    é muito bom quando ganhamos confiança com alguém, pois nunca se sabe quando precisamos de ajuda.
    Por outro lado também é bom ganhares confiança em quem te segue, para assim abrires algo mais da tua vida aqui neste cantinho que é teu.
    As tuas melhoras.

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  2. (cá estou)

    as relações familiares são, como diz uma canção do Camané, complicadíssima teia. durante muito tempo achei que tinha uma família "normal", mas só aos poucos, e de maneira subtil, é que lhe fui descobrindo as disfuncionalidades. confesso que isso algumas vezes me causou desgosto. mas continuo de certo modo, a acreditar nas virtudes do afecto e da capacidade de o demonstrar (mesmo quando não o faço)

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  3. João, um dos meus defeitos é q não consigo confiar nas pessoas no imediato. por vezes, levo anos a confessar que preciso de um ombro amigo.
    eu sei q não é fácil abrir-me aqui, mas ganhei coragem e o q está feito, feito está e acho que vocês merecem saber mais um pouco sobre mim.
    bjs.

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  4. miguel, infelizmente após a morte da minha Mãe a família afastou-se. ela era o grande suporte e ligava muito aos outros irmãos, os meus tios, preocupava-se sempre com eles. depois, devido a acasos tristes, fomos ficando mais afastados. todavia, é mais importante neste momento a família q sempre me foi mais chegada e que sei que se eu precisar, como preciso, estão aqui num instante.
    bjs.

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  5. Há pessoas que são centrais na vida de uma família e são elas as verdadeiras catalisadoras das vivências e dos afectos, como certamente era o caso da tua Mãe. Geralmente quando partem, tudo isso desaparece, mas no teu caso ainda bem que houve uma aproximação ao teu padrasto, porque pelo que contas, está lá sempre que precisas e isso é muito importante mesmo que não haja manifestações físicas de afecto.

    Beijo grande Margarida e continuação das melhoras.:)

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  6. Mesmo na família há sempre escolhas.
    Como na vida, nas amizades...
    Desejo-te as melhoras.
    bjs

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  7. Lá porque não se anda aos beijos e abraços todos os dias, não significa que não gostamos :)

    Já diria a minha avó:

    "Na cadeia e no Hospital, é que tu vês quem te quer bem e quem te que mal"

    Beijinho muito grande de melhoras

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  8. obrigada, Pedro. desejo que tb passes um bom dia.
    bjs.

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  9. Francisco, sou apologista desse dito, até pq já fui à cadeia visitar um familiar, bem como ao hospital.
    obrigada.
    bjs.

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  10. Margarida, ainda bem que tens um padrasto que, pese embora a não manifestação de afectos entre vós, está lá quando é necessário.

    Eu também tenho um padrasto, mas as nossas relações são frias. Toleramo-nos, sobretudo. Jamais o considerei algo parecido com um "pai", visto que felizmente ainda tenho um, apesar de morar longe, e porque não o sinto como tal.


    bj.

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  11. Mark, é certo que na minha adolescência e início da idade adulta, nunca o considerei como pai nem nunca lhe pedi conselhos de qualquer espécie. só há poucos anos é que me acostumei à palavra 'padrasto' e como tb está doente, preocupo-me com ele como ele se preocupa comigo.
    a relação com o teu pai é muito especial, apesar da distância que vos separam. tenho pena que não se vejam muitas vezes.
    bjs

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