segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Não passarão

Não desesperes, Mãe!
O último triunfo é interdito
Aos heróis que o não são.
Lembra-te do teu grito:
Não passarão!

Não passarão!
Só mesmo se parasse o coração
Que te bate no peito.
Só mesmo se pudesse haver sentido
Entre o sangue vertido
E o sonho desfeito.

Só mesmo se a raiz bebesse em lodo
De traição e de crime.
Só mesmo se não fosse o mundo todo
Que na tua tragédia se redime.

Miguel Torga, Poemas Ibéricos - 1952-1965, Antologia Poética, Circulo de Leitores, 2001, p. 163.

10 comentários:

  1. não sou grande conhecedor (nem admirador) da obra de Torga, sobretudo da prosa. mas estou sempre determinado em lhe pegar a sério, um dia, sobretudo as diários.
    não ser torguista em Coimbra é quase um crime de lesa-pátria, e se calhar até foi isso que sempre me fez afastar dele, só para irritar os coimbrinhas.

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  2. gosto imenso dos Contos. os diários fiquei a meio, está um marcador na página abandonada há tempos. leio, poiso, volto a ler, largo, leio outros e assim por diante. esta mania que eu tenho de ler aos soluços.

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  3. Ah! Torga. Quanto saber, quanto valor... tanto. tanto!
    Torga é indispensável em tantos momentos.
    Li com prazer o poema, obrigado Margarida.
    Bjs

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  4. ora essa, Pedro. tenho muito gosto em partilhar.
    bjs.

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  5. :)
    bjs. boa semana, as melhoras, chá e miminhos é a melhor receita.

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  6. Eu gosto imenso do Torga. Digamos que ganhei um carinho especial durante o Secundário, à custa de um texto que constava no livro de Português. :3


    bjo.

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  7. Miguel
    e que tal um "puxão de orelhas", mesmo carinhoso?

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