quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Viagens nas minhas terras

Anteontem, tive uma conferência na Baixa, e por nessa altura ainda não ter comprado o passe de comboio, devido a ter estado doente, apanhei o barco até Lisboa. No regresso a casa, depois de palmilhar meia Baixa, ter subido até ao Príncipe Real para ir buscar o bilhete de teatro e descido até ao metro da Baixa-Chiado, porque precisava resolver uns assuntos de voluntariado nos Anjos, regressei, novamente, de barco. Apanhei o autocarro para casa (estava mesmo de rastos, pois moro aqui há tantos anos e costumo ir a pé até casa, digamos que são uns 2,5 km ou coisa que o valha). No autocarro, entraram uns miúdos do 5.º ano, antigo 1.º ano do ciclo, isto no meu tempo (1983, onde estás...). Os rapazinhos que ficaram ao meu lado, mas em pé, eram uma graça, super-simpáticos, e, dado que não convivo com miúdos, fiquei agradavelmente surpreendida por eles se divertirem com jogos que, supostamente, seriam mais indicados para as meninas (ou então estou completamente enganada, mas não me lembro, há quase 30 anos, de os meus colegas brincarem assim). O jogo chamava-se picachu e eles batiam com as mãos juntas, primeiro do lado esquerdo e depois do direito, depois em cima e em baixo enquanto cantarolavam 'picachu, primeiro em cima, depois em baixo, primeiro eu, depois tu' (estou a citar de cor, pode não ser exactamente assim). E era tão engraçado vê-los, no meio do autocarro, assim, ao fim da tarde.

Ontem, tive uma reunião na 24 de Julho e apanhei o 13, ou 713, não percebo a razão do 7, enfim, na Pampulha até ao Rato, porque queria ir à Politécnica. Sentaram-se duas raparigas de uns 13 anos, que subiram na Lapa, atrás de mim. Tive a prova que sou mesmo suburbana e povinho, mas achei tão estranho elas tratarem-se por você. Simpáticas, hipsters, bonitas, mas tão 'e a minha avó vai oferecer-me uma viagem a Londres e eu queria um blackberry, mas não sei se o meu pai mo dá, e você...' Preconceito, sei-o bem, mas não deixo de preferir os meus meninos picachu.

12 comentários:

  1. São crianças... cada vez mais infantis. As meninas tendem a imitar o que ouvem - daí o tratamento por você.
    bjs

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  2. as meninas eram 'tias', Pedro, muito... sempre me fez impressão esse tratamento.
    bjs.

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  3. Também prefiro os putos do picachu :)
    Não gosto nada de gente 'afectada' pecebe? lol XD
    Bjs.

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  4. não assim tão afectadas, rico :D.
    mas, aos ouvidos mais atentos, era perceptível.
    não gosto, mas também não sou desse berço. :)
    bjs.

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  5. Bom prefiro os meninos, vai-se lá saber o porquê?! :)

    Sempre me fez confusão o tratamento na terceira pessoa. Depois, foi-me passando, agora acho a maior caturreira hahahahahahahahahahahah

    Adoro o Stá a ber?! O quê?! Milher...

    beijinhos grandes

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  6. bjs, Francisco, goza bem as férias :)

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  7. São tratamentos de gente que pretende passar uma imagem que realmente não tem - abomino.
    Os miúdos do picachu mostram que a inocência se mantém até uma certa idade pré-adolescente. Durante 4 anos fui professor de miúdos dessa idade e pude comprová-lo; mas só no sexo masculino, pois as miúdas dessa idade já são mais "crescidinhas"...

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  8. sim, também achei isso, os rapazes eram muito infantis, inocentes.

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  9. Eu sorri ao ler o teu texto. E fi-lo por dois motivos: pela inocência dos meninos e pela descrição das meninas. :)


    Lapa... :)
    Anyway, sabes, os meus pais sempre se trataram por "você" e é um costume na minha família que se faça assim. Nem sempre se trata de "pedantismo"; às vezes, as pessoas são educadas nesse sentido e agem naturalmente. Evidentemente, quem ouve e não está habituado pode retirar daí ilações negativas. As minhas primas são assim, por exemplo. :)

    Todos somos iguais e todos merecemos o mesmo respeito. A dignidade não deveria conhecer "classes".


    E agora, como é de bom tom, um beijinho (mas só um!), ahah :*

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  10. Mark, confesso que estava à espera do teu comentário.
    como comentei depois, não cresci a tratar as pessoas dessa forma, daí não gostar e fazer-me confusão. não o considerei pedantismo, aliás, como escutava a conversa (sei que não é bonito, mas as raparigas estavam atrás de mim e era impossível não o fazer), reparei no tom bastante educado e inteligente com que conversavam (sim, para além da viagem a Londres e do telemóvel, falaram da escola e dos colegas, sem os criticar). achei isso muito bom. tomara que todos fossem assim. tens toda a razão, a dignidade e o respeito e a educação não deviam ter 'classes'. e em abono da verdade, como utilizadora de transportes públicos, o 'povinho' é muito malcriado. fico cheia de vergonha quando em dez palavras que oiço, nove são asneiras. não fui educada assim.
    e como as conversas são como as cerejas, lembro-me na aldeia os velhotes não usarem o 'você', mas o 'vossemecê'.
    beijinho aceite, um só, pois então. :)

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  11. eu do que mais gostei, foi mesmo da tua escrita. tu escreves tão bem, Margarida, de uma maneira tão simples e correcta, e és tão observadora, tens uma maneira encantadora de captar e transmitir determinados pormenores que fazem toda a diferença. qualquer história é boa quando és tu que a contas.
    ainda um dia destes reli a história que tu escreveste para o Pixel II, e continuo a gostar imenso dela, a comover-me com o protagonista. foi essa história que me trouxe tão desarmadamente até ti.

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  12. oh, eu acho que sou bastante ingénua e simples. nunca fiz um curso de escrita criativa, mas leio muito e aprendo aos poucos.
    mas não se compara ao modo como tu escreves, que gosto muito.

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