quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Vida e morte

'De tempos a tempos, uma enfermeira usava uma máquina elétrica para lhe aparar a barba e, com a ajuda de uma pequena tesoura de pontas arredondadas, cortava-lhe os pelos brancos que lhe saíam do nariz e das orelhas. Também lhe arranjava as sobrancelhas. Apesar de ele estar inconsciente, continuavam a crescer. Vendo aquele homem ali deitado, Tengo deu por si a interrogar-se, incapaz de distinguir com clareza a diferença entre a vida e a morte. Existe realmente, à partida, uma diferença assim tão grande? Não será que pensamos que essa diferença existe apenas por se tratar de uma pura convenção?'

Haruki Murakami, 1Q84 - 3, pp. 48-49 .

4 comentários:

  1. Consequentemente, só partem aqueles a quem a morte, nos que ficam, não passou de uma mera etapa. Por vezes a morte sentimental antecede a física. Isto num plano estritamente sociológico.

    Talvez seja uma convenção. A morte será encarada como o fim enquanto nada se provar para além de si mesma.


    bjo :*

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  2. ou não. utilizando as tuas palavras, enquanto nada se provar, a morte pode não ser o fim.
    é só uma acha para a fogueira :)
    bjs.

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