domingo, 16 de dezembro de 2012

Resistência

Há vinte anos, 'Resistência' foi uma das bandas que mais ouvi no walkman Philips preto. Um presente bem puxado da minha mãe, considerando que lá por casa não havia discos de música nem íamos a concertos, pois o dinheiro do seu salário não dava para tudo.

Quando saí de casa, pelos 18 anos, Lisboa foi o meu destino, para estudar e trabalhar. Em 91, ano da famosa PGA, não fiz específicas, embora tivesse terminado o secundário com média de 15, e não entrei na faculdade, o que não me fez mal nenhum (entrei dois anos depois, o que me permitiu conhecer, entretanto, a cidade).

Claro que ganhando o ordenado mínimo naqueles anos, não fui a concertos durante muito tempo. A bolsa pagava o quarto, depois consegui arrendar a minúscula casa na Mouraria com o IAJ (acho que era assim que se chamava, incentivo de apoio jovem, agora é a Porta 65), não pagava propinas, mas isso não dava para luxos, excepto os livros, comprava imensos.

Como não podia, então, ir aos concertos, e naquele tempo não tinha leitor de CD, comprei um anos mais tarde (ainda o tenho - Philips, claro), comprava cassettes, tanto das bandas como virgens, que pedia para me gravarem com os sucessos da altura.

Isto a propósito da 'Resistência', que actua por estes dias no Campo Pequeno. Ainda pensei em ir, aquelas coisas impulsivas que surgem no momento, mas logo se descartam. Fui à Ticketline ver o preço, e nem pensar! A nostalgia não compensa tanto dispêndio. Aliás, nada podia macular o sentimento que ainda perdura do concerto do Zambujo.

Assim, vou limitar-me a ouvir as cassettes de 20 anos da 'Resistência ao vivo no armazém 22', na minha velhinha mini-aparelhagem Philips (sim, tenho uma tara por esta marca).


6 comentários:

  1. Querida Margarida, fui vivendo contigo essas doces memórias à medida em que ia lendo. :')
    Sabes, tenho uma meia-irmã bastante mais velha do que eu, logo, lembro-me de ver um walkman da Sony, preto, cá por casa também. :) Ela era fanática por bandas de metal, rock, etc, apesar de também ouvir a Mariah. Muito ecléctica, portanto.

    Curiosamente, gosto muito de bandas portuguesas dos anos 80: Heróis do Mar, Rádio Macau, Táxi...


    bjo.

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  2. lembro-me de o jack se estragar, qd colocava os fones, fui várias vezes a uma loja numa transversal às portas de santo antão arranjá-lo, até q pifou de vez. aí comprei o leitor de cd's.
    apesar de todas as dificuldades, foram bons tempos.
    bjs.

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  3. fico a pensar se esta gente, ao fim de tantos anos, só se reúne por causa da crise e assim ganha uns cobres com os nostálgicos...

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  4. Eu nunca fui fanático por música.
    Gosto de música, principalmente de boa música: clássica, jazz, canções francesas, e alguma música de bandas e vocalistas boas.
    Nunca tive auriculares nem muitas cassetes, tive alguns bons discos de vinil, ainda tenho alguns CD's que continuo a gostar de ouvir e quanto a concertos vi alguns memoráveis: David Bowie, Tina Turner, Stones, Santana, Paul Simon, Betânia, Matogrosso, Caetano, e Amália, muitas, muitas vezes...

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  5. eu ouvi muitas cassettes, era a única maneira de me manter acordada no 100 até são bento, pois entrava muito cedo no trabalho no convento de jesus (ao raiar da manhã). agora só uso os fones quando faço as caminhadas na marginal.
    tenho poucos cd's, acho-os caros e entre eles e os livros, prefiro os livros.
    nos últimos anos tb vi bons concertos, mas há 20 anos não, não podia.

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