- Se não páras com isso, ainda levas mais. – a mãe disse, à mesa do jantar.
A criança fungou. Nas lágrimas deslizava, irremediavelmente, o sonho perdido, que se derramava a seus pés.
- Sinceramente, que ideia a tua! – a mãe prosseguiu – Que haveriam de pensar de nós?
O pai disfarçou o olhar e baixou a cabeça. Mastigou devagar a batata cozida e engoliu a vergonha.
A criança mordeu o lábio inferior, tentando reter os soluços.
- Eu só queria… - a tentativa de verbalizar o seu desejo resultou numa bofetada que lhe rachou o lábio e a deitou da cadeira abaixo.
Olhou-a, de olhos esbugalhados, com sangue e lágrimas que se enleavam na língua. Notou o sabor acre e salgado, como das outras vezes, mas agora doía-lhe mais. Sentiu um abandono tão grande, como se o ardor dos dedos cruéis da mãe fosse um prenúncio dos dias difíceis por que teria que passar.
- Basta! – o pai levantou-se. Fora a gota de água.
- Se apoiares essa ideia maluca, eu vou-me embora – ela ameaçou.
Ele ajoelhou-se, abraçou a criança e limpou-lhe o sangue com as pontas dos dedos.
- Serás a mais bonita virgem maria da peça da escola – garantiu-lhe.
Ouviram a cadeira a arrastar, a porta a bater, os dias cinzentos a afastarem-se.
O rapazinho ergueu os olhos marejados para o pai e perguntou timidamente:
- Prometes?
Envergando um manto azul celeste e contemplando um menino jesus deitado nas palhinhas, todo ele resplandecia, qual estrela de belém.
(a pensar se irei enviar para o 3.º pixel)
Faz muito mais sentido assim, Margarida.
ResponderEliminarE claro que a vais enviar ao Sad...
sim, suponho que sim, era isto mesmo que queria escrever, tal e qual. :)
ResponderEliminarirás pois. está óptimo.
ResponderEliminarestou a lembrar-me de uma troca de emails com o sad, na qual referi que estava cansada, com o concurso das lombadas e os contos e as postagens seriam mais espaçadas. mas foi antes de saber do pixel. portanto, a culpa é do sad, se continuo a publicar afincadamente :D
ResponderEliminarGostei imenso. Claro que também tens que concorrer com este, está muito bem conseguido.
ResponderEliminarBjs.
então ainda bem que o fazes; passar à tua porta é sempre uma experiência extraordinária
ResponderEliminaré incrível como nos surgem estas coisas, assim num repente...
ResponderEliminarobrigada :)
bjs.
inseri o pronome 'todo' ficando 'todo ele'... soa-me melhor.
ResponderEliminarcreio que não seja para pensar, mas sim para concorrer...
ResponderEliminargostei muito... :)
obrigada, Francisco.
ResponderEliminarirei, sim.
bjs.
beijinhos grandes
ResponderEliminarAcho que este texto deve concorrer mesmo! Muito bom!
ResponderEliminarobrigada, namorado. seguirei os vossos conselhos, sim :)
ResponderEliminarTão intenso como a bofetada da mãe.
ResponderEliminarÉ um encanto passar por cá e ler estes escritos :D
obrigada, Weasley :)
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