terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Uma questão de identidade

Tinha o bilhete de identidade caducado desde o dia 14. Completo desleixo, confesso, e pensar que teria de me enfiar numa Loja do Cidadão ou reservar uma hora para tirar o Cartão do Cidadão não me motivava muito.

Fui daquelas pessoas que gozou o BI até ao final. Nunca me interessou tirar o CC porque era novidade, não que eu gostasse muito do BI, enfiava-se no bolso de trás das calças de ganga e ficava um pouco saído (no tempo em que não usava carteira); ficava esquecido no bolso de dentro do blusão de ganga e lá ía à máquina de lavar...

Afinal, demorei menos de meia hora. Descobri um departamento do CC na Defensores de Chaves, junto ao Campo Pequeno e ontem, como tinha algum tempo livre, resolvi o assunto.

Desconhecia a existência daquele lugar, pouca gente, tratamento simpático, tirei duas fotografias, porque na primeira o cabelo estava todo no ar, amansei-o um bocado, embora a franja na segunda foto tenha ficado esquisita (nada fora do vulgar). Houve sorrisinhos e piadas acerca de haver um cabeleireiro na vizinhança...

O departamento do CC está aberto até às 7H ou 7,30H , não fixei a hora certa, o que é óptimo.

Depois, ainda pensei em ir ao cinema ao fim da tarde, mas depois achei que já tinha tido a minha quota-parte de despesa (15 €), de modo que vou deixar para amanhã, que é dia do espectador no El Corte Inglés, fazendo-se a coisa por 4,5 €.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Dá-me a tua mão

Dá-me a tua mão

Dá-me a tua mão.

Faz dela o espelho da minha

e, lentamente,
define os contornos dos meus dedos
pelos teus.

Sente o prelúdio de ritmo
do meu pulso e observa

como o respirar absorve
o desaguar de duas linhas
côncavas

na mesma íntima existência.

Sou a tua mão.


Sandra Costa, Sob a luz do mar, Campo das Letras, 2002

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Tindersticks em Lisboa

Actuam no dia 26 de Março, no cinema S. Jorge. Estarei lá.


All the love

All the love
all the love inside me
is on its way
is on its way to find you
don't try to hide
from my love for you

all the love
all the love inside me
is on its way
is on its way to find you
like the tide
I'll always return to you

and all the love
all the love inside you
it's for me
in the dunes, in the tall grass
you sit and smiled
you're the only one
that could ever tease me

all the love
all the love inside you
feels my stare
getting closer to you
on the shore
sing your love
to the stars
that are guiding me back to you

all the love
all the love inside me
feels your breath
upon my back and
hears your song
that calls me home
if I could tell you
of all the things I've seen

all the love
all the love inside them
got locked away
for its own protection
for so long
became just a memory

and all the love
all the love inside them
twisted into hate
they have no choice to
pass on the fear
pass on the pain
they pour it down into the child
into the man
into the world
that learned to love
the gun that's in his hand

all the love
all the love inside me
fell like it drowned
in a dirty ocean
looked at the stars,
looked at my hands
and my fingertips
trembled at the thought of touching you

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A Senhora que se segue

É Scarpetta.
(até que enfim!)

Quarta-feira cultural

Ontem, pelas 5 da tarde, vi a exposição "Escultura no Picadeiro", no Antigo Picadeiro do Colégio dos Nobres, no Museu Nacional de História Natural e da Ciência. Grátis.

Depois, acabei de ler o Torga sentada no Jardim do Príncipe Real: sem preço (não me sentei em nenhuma esplanada dos quiosques de lá, foi mesmo num banco de madeira no centro).

Pelas 7 (um pouco mais tarde, devido a um problema técnico), assisti à peça "Dias de Vinho e Rosas", no Teatro da Politécnica: 5 €. Muito boa. Aconselho.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Saudade

escuta amor

talvez num dia
em que de mim já nada mais exista
te lembres de dois braços
que te abraçaram convulsivamente
nessa altura
deixa que os lábios te sangrem
deixa que o sangue
te corra pelo peito

e as mãos
essas
abandona-as…

Mário Henrique Leiria
em Cem Poemas Portugueses do Adeus e da Saudade, selecção, organização e introdução de José Fanha e José Jorge Letria, Terramar, 2002

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O Caçador

"Os passos eram de Matilde, sorrateira, a saltar um bardo e a sumir-se na vinha.

- É boa!... - murmurou outra vez intimamente, agora noutro tom.

Mas ainda o seu espanto não acabara, já o Avelino do lado do monte, lépido, deslizava para o meio da ramagem.

Riu-se. Desta vez riu-se com a sua mansidão habitual, sem barulho, enternecidamente, como se estivesse nos velhos tempos e visse no azul do céu dois pintassilgos a voar para o mesmo ninho.

Infelizmente, os namorados a desaparecerem, e sobre eles, de nariz no rasto, uma perseguição de rafeiro, o Travassos, que, por acaso, caminhava direito à arma do caçador.

O Tafona nem teve tempo de pensar. Parou a respiração e encolheu-se quanto pôde atrás do esconderijo.

O abelhudo vinha apressado e chegou a tiro.

- Alto lá! - ordenou-lhe então, sereno, mostrando o corpo.

O Travassos estacou, apalermado. Por fim viu quem era e falou-lhe:

- Sou eu, ó ti Zé!

- Bem sei. Mas não te mexas.

- O Travassos, ti Tafona. Deixe-me ir salvar a infeliz!

A tremer e de olhos esgazeados, o zeloso coscuvilheiro não conseguia perceber. Mas o Tafona tinha-lhe friamente a espingarda ao peito, e ninguém na aldeia confiava na alma solitária do caçador.

- Alto, e nem rugir nem mugir! Aquelas coisas querem-se na paz do Senhor..."

Miguel Torga, Novos Contos da Montanha, Circulo de Leitores, 2002.

Lady Meryl II

Ontem fui ver a Dama de Ferro.
 
A interpretação intensa de Meryl Streep, não como a grande Dama de Ferro, Primeira-Ministra durante 10 anos, que enfrentou a greve dos mineiros, o desemprego, a crise das Malvinas, o IRA, a incapacidade de se ajustar aos novos tempos, sendo obrigada a demitir-se, mas como uma MT velha, demente, alucinando com Denis, o marido morto, é magistral.

Contudo, a figura política e histórica de MT merecia mais, muito mais do que a resignação, transmitida na lavagem da chávena, no fim. MT, que aos 24 anos, no auge da força e sempre com o apoio do marido, se recusou a ser apenas uma mãe que fica em casa a lavar as chávenas de chá.

Desaparece finalmente a imagem de Denis, anos depois da sua morte, quando MT arruma todas as suas roupas, o perfume, assegurando-lhe que fica bem, mas aquela cena da lavagem, na sua figura aprumada e solitária, deprimiu-me.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Yves St Laurent

A RTP2 passou ontem o documentário "Yves St Laurent Amor Louco".

Segundo o resumo da RTP, depois da morte de Yves St Laurent, o seu companheiro de sempre, Pierre Bergé, decidiu vender a enorme colecção de arte privada do criador. Foi considerado o leilão do século. Cada peça conta uma história da vida pessoal de St Laurent e Bergé. Realizado por Pierre Thorreton, este filme reúne raro material de arquivo, extraordinárias fotografias e filmes, imagens exclusivas das casas e da vida de ambos. L´amour Fou conta sobretudo a sua história: uma história de amor, de arte e de ética. Premiado em 2010 no Festival de Toronto.

Recordo uma parte da entrevista, em que é perguntado a YSL do que ele tinha medo, tendo respondido "ficar careca". À pergunta "o que o faria feliz naquele momento?" respondeu, sorrindo, "uma cama grande e cheia".

Ao pesquisar no Google, encontrei este interessante artigo da revista Máxima.

Fim-de-semana magenta

Tenho frieiras na mão direita que demoram a passar. Uma, mais ruim, baptizei-a de "frieira do rato" e obriga-me a usar uma luva nas corridas de fim-de-semana. Transformei-me, à força, em blogger meia-fashionista.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Coincidências

I – O meu avô materno chamava-se Baltasar, o meu avô paterno Nicolau.
II – A minha mãe e a minha avó paterna partilhavam o mesmo nome.
III – A minha tia materna mais velha e a minha tia paterna mais nova partilham o mesmo nome.
IV – Os meus pais nasceram no mesmo ano, a minha mãe em 10/02 e o meu pai em 02/10.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Richard Zimler

Acabei de ver uma entrevista a este escritor na RTP2. (já tinha visto há muito tempo, mas tinha-a apanhado quase no fim. - li O Último Cabalista de Lisboa, a Sétima Porta e os Anagramas de Varsóvia).

Para ele, o melhor romancista português é Miguel Torga. Para mim também. De momento, estou a reler os Novos Contos da Montanha; já tinha lido Bichos, Contos da Montanha e Rua, obras reunidas num único volume.

Este livro faz parte de uma colecção publicada pelo Circulo de Leitores em 2002.


Aristogatos

Joana à janela

Farrusco e o atacador

Bia em pleno exercício

All together now!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Igualdade?

Licia Ronzulli, eurodeputada italiana, já tinha levado a filha recém-nascida para uma sessão no Parlamento Europeu. Simbolizou, com esse gesto, as dificuldades que as mulheres ultrapassam diariamente para conciliar a vida laboral com a familiar.


Na passada quarta-feira, a pequena Vitória também votou.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Post atrasado

De um exemplar antigo do JL encontrado nas arrumações, escolhi um dos três poemas, então inéditos, de Fernando Assis Pacheco.

Desversos

Trinta anos depois continuo revoltadíssimo
V. Ex.ª foi de uma grande falta de chá
nem eu precisava de Angola – nunca!
nem Angola de mim – o que hoje parece claro

V. Ex.ª argumentava nos corredores
que eram ordens do dr. Salazar
ora adeus mandasse-o mas é a ele
tinha bom corpo para apanhar porrada

e mesmo V. Ex.ª podia ter feito
uma perninha como eu fiz em Zala
não sou de rancores nem pouco mais ou menos
mas aquela merda estava mal parada

sabe V. Ex.ª o pasmo e a aflição
quando se caía em alguma emboscada?
umas vezes olhava pelo rabo do olho
outras fingia de morto e mijava-me

depois voltava-se ao acampamento
para a ternura dos cães e a tarimba rasa
um duche ao ar livre um cigarro infeliz
o gole de cerveja a atirar para o amargo

houve um dia de dia entre todos cinzento
que eu me senti o maior dos miseráveis
funesta ideia – e fui a correr esconder
a arma de serviço por sinal uma Walther

a esta hora já enterraram V. Ex.ª
com as competentes honras militares
mas a verdade é sempre para se dizer
trinta anos passados não me esqueço de nada

Fernando Assis Pacheco, Lisboa, 24/25.X.94, em JL, inéditos, 20 de Novembro de 1996

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Há 20 anos

Conheci o Luís. 

Se não me falha a memória, era primo dos meus primeiros patrões. Em Novembro de 91, meses depois de terminar o secundário, fui trabalhar para uma loja nas Amoreiras. O Luís teria a mesma idade que eu, mais ano, menos ano, e dava uma mãozinha nas alturas mais complicadas, como os sábados à tarde e por altura do Natal, por exemplo; ele não falava muito, era simpático, delicado, introvertido.

Pelo Natal desse ano, ofereceu-me o livro “As Melhores Histórias de Oscar Wilde”.

  
É um dos meus mais queridos livros; inclui as histórias “O Gigante Egoísta”, “O Rouxinol e a Rosa”, “O Amigo Fiel”, “O Príncipe Feliz”, “O Foguete Extraordinário” e “O Jovem Rei”, histórias que ele contava aos seus filhos Cyril e Vyvyan quando eram pequenos. Até aquele momento, nunca tinha lido nada completo dele, apenas extractos em livros. 

My own father was quite different; he had so much of the child in his own nature that he delighted in playing our games. (…) He told all his own written fairy stories suitably adapted for our young minds, and a great many others as well… Cyril once asked him why he had tears in his eyes when he told us the story of “The Selfish Giant”, and he replied that really beautiful things always made him cry”. 
(relato de Vyvyan em Oscar Wilde, A Biography, H. Montgomery Hyde, p.106)

Há quase 20 anos que não sei nada do Luís. No final de Dezembro de 92, deixei aquele trabalho e estive mais de 5 anos sem entrar nas Amoreiras.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Amor III

Sem preconceitos.

Domingo de manhã

Os gatos acordaram-me cedo. Aninhei-me com eles no sofá, embrulhados num velho cobertor que nos acompanham nos tempos frios, e comecei a fazer zapping na TV. Parei no Mezzo e fiquei a ouvir, maravilhada, a Paixão Segundo São Mateus, de Bach.

Tive muita pena de ter apanhado o concerto a meio.

Infelizmente, não encontrei um vídeo da Ensemble Akadêmia no youtube, pelo que optei por este:

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Desafogar a vista

Jean Dujardin, Brad Pitt e George Clooney

Adele

A grande vencedora dos Grammys: seis nomeações, seis prémios.

Não precisa de ser magra, dançar meia nua e passear em fatos extravagantes. 

O "21" é um grande álbum.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Liberdade

"Quando souberem do triunfo, pensava, ficarão loucos de alegria. Como vale a pena agora viver! Em vez da monótona labuta de andar ao peixe junto dos barcos de pesca, temos uma razão para estarmos vivos! Podemos subtrair-nos à ignorância, podemos encontrar-nos como criaturas excelentes, inteligentes e hábeis. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!" (p. 26)

"- Onde estão os outros, Henrique? - perguntou em silêncio, já familiarizado, com a telepatia fácil que estas gaivotas usavam em vez dos gritos e dos guinchos. - Porque somos tão poucos aqui? No lugar de onde eu vim havia...

- ...milhares e milhares de gaivotas. Eu sei. - Henrique abanou a cabeça. - A única resposta que encontro, Fernão, é que tu és um daqueles pássaros que se encontram num milhão. Quase todos nós percorremos um longo caminho. Fomos de um mundo para outro, que era praticamente igual ao primeiro, esquecendo logo de onde viéramos, não nos preocupando para onde íamos, vivendo no momento presente. Tens alguma ideia de por quantas vidas tivemos de passar até chegarmos a ter a primeira intuição de haver na vida algo mais que comer, ou lutar, ou ter uma posição importante dentro do Bando? Mil vidas, Fernão, dez mil! E depois mais cem vidas até começarmos a aprender que há uma coisa chamada perfeição, e ainda outras cem para nos convencermos de que o nosso objectivo na vida é encontrar essa perfeição e levá-la ao extremo. A mesma regra mantém-se para os que aqui estão agora, é claro: escolheremos o nosso próximo mundo através daquilo que aprendermos neste. Não aprender nada significa que o próximo mundo será igual a este, com as mesmas limitações e pesos de chumbo a vencer.

Abriu as asas e, voltando-se de frente para o vento, continuou:

- Mas tu, Fernão, aprendeste tanto de uma só vez que não tiveste de passar por mil vidas para chegar a esta." (pp. 51-52)

A História de Fernão Capelo Gaivota, Richard Bach, Moraes editores, 3.ª edição, 1974

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Poesia

Untitled IV


Edwin Smith, A House on the Edge of the Village of Irsina, 1963


No livro das igrejas abandonadas, há um poema
sobre milagres e folhas de cerejeira que caem uma
de cada vez ao chão de uma igreja sem tecto. Quando
se acabam as folhas vermelhas e a árvore se inclina
à brancura do inverno, deixa de haver nomes ou sinais
que abriguem qualquer pedido. Caísse ainda uma
das folhas que agora servem de cama às duas ovelhas
que lá dormem e eu apanharia a roupa do estendal
antes que o vale ficasse sem luz e aguardaria junto a esta
mesma árvore aquele preciso momento em que todas
as histórias acabam com um final feliz ou em que os
milagres são uma casa iluminada pelas sombras.

[Sandra Costa]


Nota: Referência ao livro de Tonino Guerra, O livro das Igrejas abandonadas, Assírio & Alvim, 1997 e ao poema «As folhas da cerejeira» (p. 45).

Um canto perfeito: o blogue da Sandra

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Design

Cá está uma ideia fabulosa e barata: transformar cabides em suportes para posters (sim, são iguais aos meus cabides das calças de ganga). Tenho uma paixão por cartazes, pelo que vou aproveitar esta dica.

 
Imagem retirada de TheDesignerPad.

Amor II

Coração sem Imagens
ao António Ramos Rosa
Deito fora as imagens.
Sem ti, para que me servem
as imagens?

Preciso habituar-me
a substituir-te
pelo vento,
que está em qualquer parte
e cuja direcção
é igualmente passageira
e verídica.

Preciso habituar-me ao eco dos teus passos
numa casa deserta,
ao trémulo vigor de todos os teus gestos
invisíveis,
à canção que tu cantas e que mais ninguém ouve
a não ser eu.

Serei feliz sem as imagens.
As imagens não dão
felicidade a ninguém.

Era mais difícil perder-te,
e, no entanto, perdi-te.

Era mais difícil inventar-te,
e eu te inventei.

Posso passar sem as imagens
assim como posso 
passar sem ti.

E hei-de ser feliz ainda que
isso não seja ser feliz.

Raul de Carvalho
em Poemas de Amor, Antologia de Poesia Portuguesa, organização e prefácio de Inês Pedrosa, Dom Quixote, 2.ª edição, 2001

(para a minha mãe)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Comics

Uma das minhas bandas-desenhadas preferidas é "Pérolas a Porcos". Gosto do cinismo e do sarcasmo do Rato, da inocência e da ternura do Porco, da inteligência do Bode, da inquietação  da Zebra face aos seus perseguidores Crocodilos, da estupidez destes, do Stephan Pastis que aparece nas tiras. Dá-me imenso gozo vê-lo a gozar com ele próprio e não se levar demasiado a sério.

Antes de ontem, uma troca de emails entre antigos colegas de trabalho versou sobre uma anedota do capitão do Costa Concordia. O email tinha as fotografias de diversas motos e respectivos pilotos e o navio inclinado (nada pára a imaginação dos portugueses). Um dos colegas perguntou a razão do acidente e dado que ninguém sabia, respondeu "dada a localização geográfica, quis experimentar o itálico).

Este foi o meu comentário à sua resposta:

Dezasseis anos

A Bia partilha a minha vida há 16 anos. Queria muito ter um gato e recebi-a em Abril de 1996, tinha ela 2 meses, por isso não sei em que dia exacto de Fevereiro nasceu. Há anos, estipulei o 9.

Teve três ninhadas, um parceiro perdido em 2010 (saudades, Pitágoras!), tem um filhote de 14 anos e 10 meses (Farrusco) e uma cria adoptada  de 11 (Joana). 

No ano passado, foi operada a tumores mamários, embora esteja esterilizada há anos.

Parabéns, Bia!

Bia na elíptica (haja alguém que lhe dê uso).

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

1Q84

Gostava de escrever uma bela e profunda crítica sobre 1Q84, mas há gente profissional

Rendo-me às evidências, restando-me esperar pelos 2 volumes que faltam (não me incluo nas pessoas fantásticas que conseguem ler quase 1000 páginas em inglês...).

Não é fácil ser-se verde

Andrew Bird na BSO do filme dos Marretas. Não está na minha lista de filmes para ver. Não gosto muito de musicais e os Marretas tiveram a sua época. Restam-me as memórias da minha infância e é assim que quero recordar-me deles. E do Jim Henson, que fazia a voz do Cocas...


Andrew Bird vai lançar o novo álbum "Break It Yourself" em Março.

Até lá, é bom relembrar "Fitz and the Dizzyspells" (Noble Beast e Armchair Apocrypha são os únicos CD's dele que tenho).

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Oscar Wilde

"I love him and always loved him", Wilde wrote to Reggie Turner shortly after his arrival. "He ruined my life, and for that reason I seem forced to love him more: and I think that now I shall do some lovely work. Bosie is himself a poet, far the best of all the young poets of England, an exquisite artist in lyric and ballad. It is to a poet that I am going back. So when people say how dreadful of me to return to Bosie, do say NO. Say that I love him, that he is a poet, and that, after all, whatever my life may have been ethically, it has always been romantic - and Bosie is my romance. My romance is a tragedy of course, but it is none the less a romance - and he loves me very dearly, more than he loves or can love anyone else, and without him my life was dreary". (p. 337).

Oscar Wilde, A Biography, H. Montgomery Hyde, Penguin, Classic Biography, 2001.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Frio

Não tinha frieiras há 30 anos... Foram aparecer logo na mão direita... prurido, muito prurido. Só com muita força de vontade é que não desato a coçar os dedos até ao osso.

O Artista

Já tinha visto a apresentação no cinema e irei vê-lo logo que possível.

Ainda mais com Jean Dujardin. Dizem que é o George Clooney francês. Para mim, é muito melhor que o Clooney.


Quem não se lembra dele no “Pequenas Mentiras entre Amigos”?

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Navio-escola Sagres

Está a comemorar 50 anos ao serviço da Marinha Portuguesa. Foi construído em 1937, nos estaleiros da Blohm & Voss, em Hamburgo, tendo recebido, na altura, o nome de Albert Leo Schlageter.

Desde 1962, o navio-escola Sagres tem realizado anualmente viagens de instrução com cadetes da Escola-Naval, à excepção de 1987 e 1991, quando foi modernizado.

É também utilizado na representação da Marinha e do país, funcionando como embaixada itinerante de Portugal.

Encontra-se no cais de Alcântara e visitei-o ontem.




sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Friends

Ontem fui almoçar com amigos e antigos colegas de trabalho no bar da FNAC do Alegro. Quatro homens e uma mulher. Gostei muito. Não é hábito estar com eles; de facto, desde o ano passado que não os via, inclusive um deles há mais de 2 anos.



Um empregado da FNAC passou um tempo a arrumar os DVD's do Noddy e da Dora no escaparate em frente ao bar. O Noddy estava sempre a cair. Acabámos por rir, porque o rapaz voltava a colocá-los e eles voltavam a cair, fazendo jus à cantilena "abram alas para o Noddy!"

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Teatro

Ontem, na Comuna.
“Eu amo-te. Tu amas-me. Tu amas o Otto. Eu amo o Otto. O Otto ama-te. O Otto ama-me.” 
 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Scarpetta


No início da série, Kay Scarpetta é uma médica-legista-chefe que trabalha em Richmond, Virgínia. A par com Pete Marino, o tenente bruto da polícia, e do agente do FBI, e anos mais tarde, seu amante (ela era divorciada e ele casado), o profiler Benton Wesley, e da sua sobrinha Lucy, investiga as vítimas de homicídios violentos.

Scarpetta é a heroína dos romances policiais de Patricia D. Cornwell. A originalidade e o sucesso desta série, a par do perfeccionismo, credibilidade e realismo da sua escrita, deve-se ao facto de as personagens envelhecerem ao longo dos livros. No primeiro livro ,Post-Mortem (de 1990, mas publicado pela Editorial Presença em 1998), Scarpetta tinha 35 anos (é preciso ler “Predador”, o penúltimo livro publicado por cá, para se saber a sua idade, se não tivermos paciência para a calcular ao longo das histórias). Entretanto, no último livro publicado cá, “O Registo dos Mortos”, ela ronda os 50 e tal anos.

Lucy, a sobrinha, em “Post-Mortem”, tem 10 anos; ao longo do tempo, cresceu, tornou-se agente do FBI, meteu-se em apuros, a sua homossexualidade colocou-a, por diversas vezes, em risco, forçando-a, por fim, a abandonar o Bureau.

Cornwell, para dar credibilidade ao enredo, investiga profundamente os cenários, as armas, o software informático, a evolução da internet, a academia do FBI, as aeronaves, como os helicópteros ou o jacto de Lucy nos últimos livros. Até a descrição dos maravilhosos cozinhados italianos de Scarpetta faz surgir água na boca.

Nos primeiros livros, Scarpetta era narradora participante. A história desenrolava-se de acordo com o seu ponto de vista, sentia-se a crueldade dos homicídios, o sofrimento das vítimas, dávamos conta das suas poucas relações sociais, apercebíamo-nos da quantidade de cigarros que fumava e do whisky que bebia não tão moderadamente. É interessante o facto que, ao longo do tempo, esses vícios acabarem por se reduzir. Se Scarpetta, no inícios dos anos 90 do século passado, aparece como uma mulher com os vícios comuns, no século XXI, a heroína acaba por dar o exemplo e comportar-se de uma forma mais saudável. Consegue parar de fumar e o whisky não é bebido tantas vezes como no início da série.

A partir de “A Mosca da Morte” (Editorial Presença, 2005), desaparece essa vertente que eu gostava. A narrativa de Kay Scarpetta já não existe e isso desiludiu-me um pouco, mas era necessário para o desenvolvimento das personagens; as histórias são cada vez mais densas e isso compensou aquela perda.

As cenas desenrolam-se, por vezes, em vários livros. Os vilões desenvolvem-se, sádicos, têm cúmplices, mulheres fracas, inseguras e carentes.

Em “O Registo dos Mortos” (publicado em Portugal em 2010), Scarpetta continua a trabalhar na sua área, mas há muito que deixou de trabalhar para o Estado. Vive em Charleston, na Carolina do Sul, e abre um serviço de consultoria de medicina legal, continuando a investigar mortes violentas.

Depois de “O Registo dos Mortos”, Patricia D. Cornwell publicou mais três livros, ainda não traduzidos em português (Scarpetta, The Scarpetta Factor, Port-Mortuary e Red Mist). Enquanto não chegam, sigo Scarpetta na página da escritora no facebook.


Os romances policiais são um dos géneros de leitura que gosto. Sherlock Holmes, Poirot, Miss Marple há muito que fazem parte da minha pequena biblioteca. Ruth Rendell, Ross Macdonald e Peter Lovesey, publicados pela Caminho policial, fazem, também, parte dela. 

Fotografias das minhas estantes foram publicadas no blogue “Estante de Livros”, nas quais eu referia que um dos meus escritores preferidos era Haruki Murakami. Mas isso fica para outro post.