domingo, 29 de abril de 2012

Leituras na casa-de-banho

 
É um hábito que tenho, desde pequena.

Ler na casa-de-banho faz parte da rotina. Quando a natureza chama, lá agarro num livro, num jornal (normalmente a Dica da Semana, que recolho da caixa do correio), no folheto do hipermercado, e lá me sento.

Tenho tido algumas boas ideias nesta posição, rascunhos de posts, notas para não esquecer de fazer algo, pensamentos filosóficos.

Gosto de ler coisas leves e divertidas na casa-de-banho.

Durante anos, tive sobre o autoclismo livros da Disney, carradas deles.

Quinze, vinte minutos, minutos longos com o rabo enfiado na sanita, há muito que a vontade foi satisfeita, ficavam as marcas nas nádegas e nas coxas, as páginas lidas, relidas, livros fechados, que voltavam para a pilha.

Isto surge a propósito deste post.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Onde estavas no dia 25 de Abril de 1974?

Estava em Benguela.

Tinha 6 meses e 24 dias.

Um ano e alguns meses depois, os meus pais, avós e tios eram agraciados com o epíteto de "retornados".

segunda-feira, 23 de abril de 2012

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Poesia

Acordar...

Quando acordo apetece-me olhar o fim da lua
Como as gaivotas rebolam no riso da maresia

              Manhãs que sucedem às tuas mãos


Sandra Costa, Sob a luz do mar, p.34

quarta-feira, 18 de abril de 2012

terça-feira, 17 de abril de 2012

Mad Men

Don Draper, tens bom gosto; a tua nova mulher é muito melhor que a sonsa da tua ex...

Mas vamos ao mais importante: quando regressas à TV lusa? 

 



A versão "Simpsons":

domingo, 15 de abril de 2012

Aristogatos V

Foi um pássaro que bateu as asas na Tailândia e fez estremecer o prédio? Foi um avião que rasou o telhado?
Não. Foi a super-Alice.

Saltou da cama para o topo do estúdio.

Nunca uma transportadora durou tão pouco tempo.

A culpa, claro, é minha. Refilei comigo própria: “Ana Margarida, quem te mandou guardar a caixa ali em cima?”

(dá imenso jeito ter dois nomes próprios. Aliás, a única justificação de eles existirem são estas situações: acentuá-los bem em situação de ira: ANA MARGARIDA!

Agradeço à minha mãe a sua excelente escolha. Se tivesse escolhido apenas um nome, o seu resultado não seria tão eficaz. Uma Ruuuuuuuuuuuuuuuuuute!, uma Mariaaaaaaaaaaaaaaaaaana!, uma Caroliiiiiiiiiiiiiiiiina! não iria surtir o mesmo efeito.)

De seguida, como não tivesse acontecido nada, encontro a Alice a dormir placidamente…


sábado, 14 de abril de 2012

Procurar a coragem para que fosse abraço



Sábado à tarde

Perdia meia hora,
parado em frente ao espelho,
mudava de camisa...vestia-me outra vez.
Fechava a porta à chave... acendia um cigarro,
e ensaiando os gestos...passava já das 3,
vestia o meu casaco, corria sem parar,
e à porta do cinema, morria de pensar,
que talvez não viesses,
não pudesses entrar...
num filme para adultos...até te ver chegar.

Sábado à tarde no cinema da avenida,
mal as luzes se apagavam...
acendia o coração...

Sábado à tarde... era uma noite bonita...
noite que sendo infinita ...
cabia na minha mão...

Perdia meia hora, num gesto do meu braço
a procurar coragem ...
para que fosse abraço.
Chegava o intervalo, fumava sem prazer
e os gestos que ensaiara, morriam ao nascer
por fim vencia o medo, quase sem te ver,
esquecia os meus dedos...
cansados de tremer...
por sobre o teu joelho...
esperando a tua mão...
num filme para adultos ...
crescíamos então...

Sábado à tarde no cinema da avenida,
mal as luzes se apagavam...
acendia o coração...

Sábado à tarde... era uma noite bonita...
noite que sendo infinita ...
cabia na nossa mão...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Abraço que cura

Esta história passou-se esta manhã (vou tentar descrevê-la de memória, porque me pareceu muito mal tirar o caderno do saco e anotá-la com eles à minha frente).

Uma mãe e o seu filho adolescente (é visível a Deficiência Mental do jovem) sentam-se junto a mim no comboio. O rapaz passou o tempo a inquirir a mãe (já de uma certa idade). A mãe, umas vezes paciente, outras a suspirar, cansada, lá lhe respondia.

- Amanhã vamos a Coimbra, Mãe? Saímos em Sete Rios e compramos o bilhete, está bem, Mãe?

 - Está bem, João, compramos o bilhete em Sete Rios.

- Vamos a Coimbra, Mãe?

- É só em Maio, João. Estamos em Abril.

- Mas vamos a Coimbra, Mãe?

- Sim, João. Vamos a Coimbra.

- Tu não podes ficar doente, Mãe. O João fica preocupado.

- Todos ficam doentes, João. Eu também.

[e eu ouvia - já não conseguia concentrar-me no "Juliano".]

- Tu não podes ficar doente, Mãe. - repetiu o João.

[ele estava sentado ao meu lado e a mãe à sua frente.]

- Oh, João... - ela suspirou, sorrindo.

- Dá-me um abraço, Mãe. - o filho inclinou-se e abriu os braços - Tu não podes ficar doente.

- Sim, João, com os teus abraços a Mãe não fica doente. - disse ela, abraçando-o muito.

[não tive coragem de pedir um abraço ao João, mas tenho a certeza que mo teria dado e curado as minhas dores.]

Juliano

"Logo a seguir às muralhas da cidade deixei a carroça. Então, como alguém que adormeceu sobre um livro de história, entrei no passado. Estava agora naquela antiga via - conhecida simplesmente como A Via - que vai das portas até à ágora e continua até à acrópole. Estava agora dentro da história. No presente, eu era uma parte do passado e, simultaneamente, parte do que estava por vir. O tempo abria-me os seus braços e no seu sereno abraço eu via o todo: um círculo sem princípio nem fim."

Gore Vidal, Juliano, D. Quixote, 1990. p. 120.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Agamémnon vim do supermercado e dei porrada ao meu filho


Esta peça estará na Politécnica de 19 a 28 de Abril (6 sessões).

É uma reposição e, como tal, tem apenas uma sessão grátis, limitada à lotação do teatro, que será no dia 19. É necessário telefonar (já aceitam marcações, confirmei).

É-me impossível ir nesse dia, mas tenciono ir na última sexta-feira.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Música para a alma

Levanto-me com as galinhas, isto é, pelas 6:15. O despertar está marcado pelas 6:00, hora em que as notícias da TSF se fazem ouvir. Depois, necessito daqueles minutos de preguiça, pois acordo devagar, muito devagar.

De há uns momentos para cá, fruto da conjuntura, das desgraças, das políticas de sarjeta, e, acima de tudo, porque logo pela manhã farto-me de vozes, da publicidade, de jingles idiotas, passei a ouvir música clássica noutra telefonia que tenho no WC. Absorvente, o som invade o quarto-de-banho, o corredor, atinge os gatos (que continuam a dormir, excepto a alucinada Alice), entra na cozinha e eu tomo o pequeno-almoço, atiro pedaços de pão à Batá, encosto-me na cadeira, fecho os olhos e sim, penso que desta forma é que devem começar sempre os dias.

terça-feira, 10 de abril de 2012

I'll be your fever



Do what you did yesterday, go on repeating
'Cause my heart's only on fire when you are the teacher
You take the torch and I follow the leader
You'd be my master and I'll be your fever

You told me your past was taken by thieves
Since then you've been running in search of reliefs
You don't know when it's coming, I don't know either
You'd be my master and I'll be your fever

The angels are singing, words written for you
Trumpets are telling of your beauty and truth
But you've been working it out for yourself like some overachiever
So just be my master and I'll be your fever

But you knew this is all I need, no more or no less
Your highness I bow to thee and to thee this I confess
I was lost in a forest but now I'm a believer
So you'd be my master and I'll be your fever

So do what you did yesterday go on repeating
'Cause my heart's only on fire when you are the teacher
You take the torch and I follow the leader
You'd be my master and I'll be your fever

You'd be my master and I'll be your fever
You'd be my master and I'll be your fever

Simon's Cat vs Margarida's Cat


A Alzheimer atacou em força para eu ter-me esquecido de aviar a receita de sertalina. Só assim se justifica o facto de ter passado à frente dos meus olhos a veia maluca e eu ter dito "aceito receber uma gata de 6 meses em casa. Será maravilhoso!"

Desde roer as plantas, passando por beber a água da piscina da tartaruga, rasgar o isolamento da cabine para entrar no duche e roubar a esponja, saltar para o lava-loiças ou para a mesa da cozinha (bem, esta parte os outros também fazem...), e comer que nem um abade... o raio da gata come tanto que me dá cabo do orçamento felino do mês. Como é impossível deixar dois tipos de ração, uma júnior e outra veterinária para os velhotes, ela come da deles, a Royal Canin Renal Special. 

"Vale mais alimentar um burro a pão-de-ló!" ou "Mas tu pensas que eu ando a roubar carteiras para te alimentar, Alice?" são as expressões que há um mês mais se ouvem por casa. E ela olha para mim com aqueles olhos lindos, lindos, e ronrona e estende-se no chão de barriga para o ar e eu desisto e esqueço tudo e não me importo se me destruir outros cortinados, outro sofá, escarafunchar no armário (adora armários), porque a recompensa é eu poder abraçá-la, amá-la e ela estender-se no meu colo, satisfeita, e dar-me a possibilidade de, uma vez ou outra, poder ter o privilégio de ser a sua dona (quando, no fundo, no fundo, eles é que mandam em nós).