sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A mãe diz

A minha mãe tinha duas expressões castiças. Só ela as dizia e hoje, apenas eu as repito. Ouvi-as centenas de vezes que já nem penso nelas, fogem da boca para fora no momento.

A primeira é "se tivesse um sino partia a cabeça". Serve para ilustrar um comportamento anormal, por exemplo, um colega do trabalho podre de bom que mal fala com os colegas um dia dirige-se a mim, comum mortal, e sorri e cumprimenta e eu, baixinho, "se tivesse um sino partia a cabeça".

A segunda é a resposta à pergunta "o que há para jantar?", mas só aplicada ao meu irmão. Assim, "O que há para jantar?" era respondido com a frase: "bifes de cabeça chata."

Em relação à ultima expressão, há que ter muito cuidado com o homem que a pergunta; se for um amigo de confiança, não há problema; se for o progenitor do namorado é melhor manter a boca fechada.

Café au lait

Há uns anos atrás, era eu caloira nas lides de encontros de trabalho europeus, tive que organizar uma reunião no serviço onde então trabalhava. O projecto onde estava inserida tinha financiamento europeu e os colegas eram de diversos países europeus. Os nórdicos dominavam e da Europa do sul, apenas eu representava Portugal. 

Na arte de bem receber, pedi ao cozinheiro do refeitório um típico prato português e calhou o famoso cozido à portuguesa.Todos almoçaram e depois fomos até ao bar para o usual café. A holandesa, a dinamarquesa e as duas colegas suecas pediram um café au lait.

Eu: mau, então comeram um cozido à portuguesa e agora vão beber uma meia-de-leite?

Hoje, passados estes anos, eu, após uma caldeirada, também bebi um café au lait. Hoje sou sueca.

Mondego

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Vida

Ouvi hoje de manhã na Antena 2, no pequeno bloco noticioso das 7, uma notícia sobre a diminuição de apoios aos doentes oncológicos. Só retive este tipo de doentes, embora a notícia faça referência a outros. 

Fez-me um bocado de impressão, mais, parei para reflectir sobre o que ouvi e é isso: o que vale a vida humana? Se não há dinheiro que chegue para tratar todos os doentes, escolhem-se os que têm menos probabilidades de morrer. 

"... fará sentido, por exemplo, aplicar um tratamento de 50 mil ou 200 mil euros a um paciente com uma esperança de vida de dois meses de vida, independentemente da qualidade de vida."

Flightless Bird American Mouth

 

(só por esta canção, valia a pena ter visto o filme...)

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Oslo, 31 de Agosto


 (mais aqui e aqui)

Um longo dia na vida de um toxicodependente em recuperação que vai a Oslo para uma entrevista de trabalho numa revista.

Um filme dramático, triste, onde se adivinha o fim de Anders, incapaz de se adaptar à sua nova situação.

Brilhante a abertura do filme, na qual os habitantes de Oslo discorrem sobre a sua cidade, Oslo que acaba por ser o destino previsível de Anders, após não conseguir falar com a irmã, Nina, e a sua antiga namorada, Iselin. Os pais, por outro lado, estão ausentes e colocaram a casa à venda.

Anders acaba por passar a madrugada com três amigos. No dia 31 de Agosto, deixa-os e dirige-se para a casa dos pais, o último abrigo.

Os sons da cidade, as conversas no café, a música na discoteca e na festa dos 30 anos da amiga, a que toca no rádio no táxi, a peça que Anders dedilha no piano em casa dos pais são a banda sonora do filme.

Com Anders Danielsen Lie , num papel intenso e realista.

 

Lourenço Marques

Guilherme de Melo, Raízes do Ódio, Editorial Notícias, 2.ª edição, 1990.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Me, Myself and I III

O Hórus enviou-me um conjunto de perguntas, no âmbito do "Liebster Award".

Aqui estão as respostas:

1 – Qual a tua cor favorita?  Azul.

2 – Qual a tua viagem de sonho? Gostaria de conhecer o Japão. Um dia, quem sabe...

3 – Partilha algo engraçado sobre ti. Uma vez, tinha eu uns cinco anos, depois de rapar a taça do bolo que a minha avó fez, enfiei-a na cabeça. Quando a minha mãe viu, passou-se. Eu, com o cabelo empastado da massa do pão-de-ló! :D

4 – Qual a música mais especial para ti? Porquê?  Não tenho "A" música especial. Umas ou outras associo-as a momentos especiais. "O sopro do coração", dos Clã, foi muito querida num dia muito especial em Junho de 2003. Hoje, é uma doce lembrança.

5 – Se tivesses uma Máquina do Tempo, onde gostavas de ir? Porquê? Sem dúvida, o Japão dos séculos XV, XVI. Acho que essa paixão começou quando vi o "Shogun", na TV, em miúda.

6 – Qual a tua maior qualidade? Força. Não sou muito forte fisicamente, mas tenho uma grande força de vontade.

7 – Qual o teu maior defeito? Desconfiança. Até conhecer muito bem as pessoas, não consigo falar muito sobre mim. A confiança ganha-se aos poucos.

8 – Se pudesses mudar algo na tua vida, o que mudavas? O que é passado, é passado, mas se pudesse, iria procurar uma pessoa que desapareceu da minha vida era eu pequena e perguntava-lhe: porquê?

9 – Encontras a lamparina mágica e dela sai um génio que te concede um desejo. O que pedirias? Ter a possibilidade de ver crescer aqueles que amo, tornarem-se pessoas íntegras, responsáveis e sonhadoras, também.

10 – Qual a maior loucura que fizeste até hoje por amor? Não faço grandes loucuras. Ofereço noites em hotéis, em vez de comemorar algo em casa.

11 – Dá um título para o livro que é a história da tua vida. Não me ofereças Louboutin. Dá-me o Borges. :D

Gostaria que o Abacalhoado Misterioso respondesse a este desafio, ou o seu novo alter ego. :)

Blogue

Tu és a mulher da minha vida

Quando no sábado à tarde, a meio da minha corrida, fui à biblioteca, tinha na ideia procurar o livro de Baudelaire "As flores do mal". Não o encontrei, mas não podia sair de lá com as mãos à abanar. Trouxe o romance "Raízes do ódio", de Guilherme de Melo, e "As canções de António Botto". Dentro deste, encontrei este papel:


O último registo de devolução do livro data de 5 de Julho de 2008. 

Quatro anos depois, imagino-os a viver uma bonita história de amor.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Fatal Shore

Os gatos



Os amantes febris e os sábios solitários
Amam de modo igual, na idade da razão,
Os doces e orgulhosos gatos da mansão,
Que como eles têm frio e cismam sedentários.

Amigos da volúpia e devotos da ciência,
Buscam eles o horror da treva e dos mistérios;
Tomara-os Érebo por seus corcéis funéreos,
Se a submissão pudera opor-lhes à insolência.

Sonhando eles assumem a nobre atitude
Da esfinge que no além se funde à infinitude,
Como ao sabor de um sonho que jamais termina;

Os rins em mágicas fagulhas se distendem,
E partículas de ouro, como areia fina,
Suas graves pupilas vagamente acendem.


Charles Baudelaire, As flores do mal
 

domingo, 23 de setembro de 2012

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Ano do Brasil em Portugal

Este fim-de-semana, há concertos gratuitos no Terreiro do Paço.

Sábado, pelas 22H00, actuam Ney Matogrosso e os Monobloco.

Domingo, pelas 6 da tarde, actua o meu querido Zeca Baleiro :), entre outros grandes artistas, como Martinho da Vila e Carminho.

A não perder.

Bansky animado

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Consultório médico

Tenho as pernas inchadas junto aos tornozelos. Não são os pés, não é por causa do calor. A minha colega diz que é retenção de líquidos. Bebo mais de um litro de água no trabalho. É verdade que não vou muitas vezes à casa-de-banho.

Será que a mãe do Speedy faz consultas via Skype?

Olhos



quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Bonsái

No final deste filme, Emília morre e Júlio encontra-se sozinho. Na realidade, Júlio já estava sozinho muitos anos antes da morte de Emília. Mas o que importa é que no fim, Emília morre e Júlio não. Júlio vive e Emília não. O resto é apenas ficção. Assim começa o filme.

No presente, Júlio, solitário e tímido, é contratado para transcrever um romance de um popular escritor chileno, Gazmuri. No entanto, é despedido antes de iniciar o trabalho. Para a vizinha, Blanca, com quem partilha a cama e a história, omite essa parte. Para perpetuar a mentira, ele, um aprendiz de escritor, compra quatro cadernos pautados e tinta permanente e decide escrever a história do seu primeiro amor, como se fosse o manuscrito de Gazmuri, "Bonsái".

Oito anos antes, Júlio, um estudante de literatura, solitário e tímido, apaixona-se por Emília. Partilham o gosto pelos livros e lêem Proust em voz alta.

Pelo aniversário dela, ele oferece-lhe uma planta, e depois de lerem um conto sobre um casal apaixonado que tinha um bonsai como símbolo da sua relação, Emília afasta-se e a relação acaba. 

Voltando ao presente, Júlio vive rodeado de livros, e à medida que o seu romance se desenvolve, encontra a melhor amiga de Emília, que lhe comunica que ela regressou ao Chile depois de anos de ausência.

Júlio vende os seus livros e compra um bonsai, na esperança de reatar o amor com Emília, mas Emília morre, no fim. Júlio refugia-se em Proust, chorando a perda daquele amor.

Um história de amor, livros e blá, blá, blá.

"Bonsái" é uma co-produção do Chile, Argentina, Portugal e França.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Onze anos

No dia 11 de Setembro de 2001, estava de férias em S. Pedro de Moel com um namorado, no parque de campismo do Inatel.

Nesse dia, tínhamos ido passear a Leiria e estávamos a almoçar num restaurante no centro da cidade, quando vimos as notícias na TV e o mundo mudou.

Aristogatos XI

Dormir é muito bom, é muito bom. É bom, camarada...






segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Elmano Sancho

É muito esquisito ver o Elmano Sancho em dois spots publicitários na tv, um do continente e outro do macdonalds, no mesmo intervalo, ainda por cima.

Eu gosto do ES. É um excelente actor, com um timbre inconfundível; associo-o ao palco, por isso é que estranho vê-lo naqueles papéis.

Manjericão

Chega-me ao nariz o cheirinho do manjericão que a minha colega me ofereceu, vindo directamente do seu jardim.

Agora é que vou engordar com as pizzas do Jamie Oliver.
 

Insónia II

domingo, 9 de setembro de 2012

Jogos Paralímpicos - II

Está a ser muito bonita a cerimónia de encerramento dos Jogos Paralímpicos.

Para além da participação dos Coldplay, que gosto muito e tenho muita pena de não os ter visto no Porto, os restantes participantes nesta cerimónia são fantásticos.

Assim se comprova que, apesar da deficiência,  eles são os verdadeiros heróis.

Discworld VIII

A Batá é muito fotogénica e não recusa uma foto.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Foto

 Aqui

Feliz aniversário

Como anunciei anteriormente, fui à estreia de "Feliz aniversário", dos AU, na quarta-feira, ao Teatro da Politécnica.

Confesso que não tenho jeito para descrever peças, pelo que apenas deixo a nota de que vale muito a pena ver, não só pela excelente representação, mas igualmente pelo cenário e pelos figurinos da época. 

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Ética

Não gosto de um colega que começou a trabalhar no meu núcleo há uns meses. Acho-o arrogante, egocêntrico, mandão, mau colega, mesmo.

Hoje, tive a confirmação do seu mau carácter. No meu serviço, existe um sistema informático de gestão de documentos. Praticamente todos os meus trabalhos (informações, relatórios) foram consultados por ele. Não teria problemas se outros colegas, com quem me dou muito bem, fizessem isso (aliás, nem o fazem, conforme vi), mas este rapaz é execrável.

Posso saber quem consultou os meus documentos acedendo ao histórico e lá estava o nome dele. Pouquíssimos trabalhos não foram cuscados por ele, possivelmente porque esteve de férias. Julgo que, brevemente, irá tratar dessa falha.

Estou tão zangada que só me apetece fazer um print-screen do histórico de um relatório que ele não abriu, anexado a um email com o seguinte texto:  - Olha lá, R., esqueceste-te de ver este. Nem parece teu.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Os cabelos parecem choupais

Há uns dois anos, conheci, no caminho para a estação de comboio, de manhãzinha, uma menina de 10 anos. Sabia que tinha 10 anos, ou para lá caminhava, porque se dirigia para a escola secundária Alfredo dos Reis Silveira, que existe perto da minha casa, que tem alunos desde o 5.º ao 12.º ano.

A princípio, a menina usava dois totós. Resquícios da primária, pensei eu. Quando eu tinha a idade dela, melhor, desde os 6 aos 10, também usei totós. A minha mãe, e por extensão, toda a família, chamava-os de puxos. Eu tinha dois puxos, risco ao meio e sem franja.


Quando entrei para o 1.º ano do ciclo, ainda os usei uns tempos, depois, deixei-me deles, achava-os demasiado infantis e estava, de facto, a crescer. Passei a usar rabo-de-cavalo, mas chegava ao fim do dia com o cabelo desgrenhado e praticamente solto do elástico. Depois, usei bandolete. Tinha imensas, verdes, amarelas, castanhas, vermelhas.

A menina do início deste texto vi-a de novo há uns meses. Deixou de usar os totós, o cabelo estava solto. Ela, mais velha, estava no 6.º ano.

Agora, aproxima-se um novo ano lectivo. A jovenzinha terá, agora, 12 anos e vai entrar para o 7.º ano.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Domingo cultural - Belém II

Mente sã em corpo são gratuitamente.

A fonte na Praça do Império ressuscita de meia em meia hora.

As bandeiras do Museu da Marinha a esvoaçar.

Tantos anos em Lisboa e não conhecia a Coluna dos Távoras, no Beco do Chão Salgado.

O céu e a luz que mais nenhuma cidade do mundo tem.