terça-feira, 30 de outubro de 2012

Homem que vens de humanas desventuras

Homem que vens de humanas desventuras,
Que te prendes à vida e te enamoras,
Que tudo sabes e que tudo ignoras,
Vencido herói de todas as loucuras;

Que te debruças pálido nas horas
Das tuas infinitas amarguras -
E na ambição das coisas mais impuras
És grande simplesmente quando choras;

Que prometes cumprir e que te esqueces,
Que te dás à virtude e ao pecado,
Que te exaltas e cantas e aborreces,

Arquitecto do sonho e da ilusão,
Ridículo fantoche articulado
- Eu sou teu camarada e teu irmão.

António Botto

domingo, 28 de outubro de 2012

Intimissimi



Mas não quero deixar os leitores masculinos de mãos, ah, ok, a abanar. No site encontrei uns boxers engraçados. Já sei o que hei-de oferecer pelo Natal.


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Chroniques diplomatiques

Obrigada, Senhor Embaixador, já me alegrou o dia!

Sou como a folha caída

Não me chamem pelo nome
Que me deram ao nascer;
Sou como a folha caída
Que não chegou a viver.

Se eu sem riquezas nasci,
Cheguei a sonhar com elas
Na esperança de ser alguém;
Mas bem depressa deixei
A tortura de quem quer
Conquistar o que não tem.
Os nervos mortos, na terra
Dos meus planos iludidos,
Mentiram à própria fome!
Por isso nesta indiferença
Peço apenas: - e é tão pouco!,
Não me chamem pelo nome.

Sou como a folha caída
Pisada por quem passeia
Alheio à luz e à beleza;
E de todas as venturas,
Só me encontro nos silêncios
Que tem a minha tristeza.
Perdi-me no sofrimento
Que nos dão as aparências
Que julgamos entender...
Da vida não quero nada;
E não me falem no nome
Que me deram ao nascer.

Sou como flor esquecida
Nos canteiros da ilusão
De um jardineiro traidor,
Sou como fonte discreta
Entre folhagens cantando
Tristes cantigas de amor;
Ao fim de tanta vileza
Já não me posso iludir
Com as promessas da vida!
Tudo em mim sabe a derrota,
E até da morte duvido
- Sou como a folha caída.

Sou como tudo que passa
No giro do pensamento
De uma criança a brincar;
E os meus mais débeis desejos
Morrem aos ais na lembrança
De quem se esqueceu de amar;
Nada no mundo me prende;
Nem a saudade de um beijo
Num momento de prazer!,
- Pobre corpo sem destino,
Renúncia firme de artista
Que não chegou a viver.

António Botto

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Capítulo final

Esta é a última vez que escrevo sobre a minha condição física. Eu sei que estou doente, tive uma crise à hora do almoço que me forçou a tomar o analgésico antes da hora, que se lixe.

Chorei, chorei e gritei tanto que os vizinhos não me bateram à porta, porque trabalham e regressam à noite. Também blasfemei, não as disse todas e mais algumas, mas pensei e acho que se for para o céu, não estarei à direita do senhor, com sorte ficarei no quinto balcão, mas acho que não irei, as boas raparigas vão para o céu e as más para todo o lado, prefiro ir para todo o lado depois.

Quero escrever sobre os meus gatos, sobre a tartaruga, colocar imagens, músicas, textos do que estou a ler, do que vi na tv, como ontem na tvi 24, e que me lembrou 'As vinhas da ira', as tempestades de areia, os okies e um cágado.

É o próximo passo, estou doente, mas não moribunda. Há mais vida para além das compressas e do odor a medicamento que o meu corpo exala e que eu não gosto nada, mas paciência. Melhores dias virão.

Souvenirs

Tratavam-me pelo primeiro nome, eu estranhava. Não estou habituada.
Fui operada no Hospital da Luz. Sim, paguei bem e tenho seguro de saúde, porque não quis esperar no mínimo três meses num público (o hospital afecto à minha residência é o Garcia de Orta, não sei o tempo de espera para as cirurgias e nem me informei, quis despachar o assunto e optei pelo modo mais rápido). Felizmente, ainda posso pagar este serviço, mas não fui de férias para fora no Verão.

Ainda tenho a nódoa negra das agulhas. Já não me lembrava o quanto custa ser picada nas mãos.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Nigella's moment

A vantagem de se ter uma irmã a trabalhar na telepizza são os toppings extra. Sou uma privilegiada.

Agora vou beber uma água das pedras e deitar-me.

ECE

'ECE' é o acrónimo de 'em caso de emergência'. Usa-se no telemóvel com o contacto de emergência da pessoa que queremos que seja contactada se sofrermos um acidente.

Quando fui internada, na semana passada, dei o contacto do meu padrasto. É a primeira vez que o menciono aqui e é a pessoa mais próxima de uma figura paterna. É o pai da minha irmã F. e foi o companheiro da minha Mãe durante 23 anos.

Nunca fomos muito próximos e nunca tive com ele aquela intimidade de o tratar por 'tu', como os meus primos, que logo começaram a chamá-lo por 'tio A.'  Aproximámo-nos mais há uns 10 anos e ao logo dos anos, principalmente quando a minha Mãe ficou doente e visitava amiúde o hospital S. Bernardo, em Setúbal, antes de ficar internada, fomos ficando cada vez mais próximos.

Não existe uma manifestação de afectos entre nós, não há beijos nem abraços, excepto nos aniversários, mas é um grande defeito nosso, porque nenhum dos dois é expansivo nas suas emoções.

Todavia, está sempre presente quando eu preciso, foi ele que esteve no hospital e que conversou sem problemas com a família da minha companheira de quarto, uma senhora de 74 anos que, por coincidência, tinha o mesmo nome que a minha Mãe.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Balanço

Vantagens:
  • acordar às 10,30 em vez das 06,10;
  • deitar-me à 1,30 em vez das 23,00;
  • ver todos os programas de tv que me apetece. À noitinha, na sic mulher, vejo "The block", um programa sobre obras australiano que já tinha visto na cabo há décadas. Tantos anos depois (a série que está a dar é de 2004), ainda acho a Kirsten uma cabra.
  • tomar conta da Bia, nos momentos menos maus. Está com uma infecção urinária e, depois de tantos comprimidos, a primeira vez que a ouvi fazer xixi na areia, pensei que era mesmo o melhor som do mundo. 
  • usar e abusar da minha nova tara: fazer xixi no bidé cheio de água morna. Custa-me muito fazer força no vazio da sanita, de modo que uso este método. É um alívio e suspiro de satisfação. 
  • estar de fato de treino velho em casa. Pijama é só para a cama; calças velhas, camisola esburacada, peúgas com borbotos é fashion.
  • comer às horas que me apetece. Ainda não almocei, mas não tenho muita fome. Estou à espera que o arroz integral seque, mais uns salteados e está pronto. Sim, sou muito inventiva na cozinha.

Desvantagens:
  • pois, estar mesmo doente. Aquelas quezílias que temos, um colega idiota, uma resposta torta não interessa. É tudo relativo.  Se não temos saúde, estamos feitos.
  • daqui a dois meses receber um belo de um corte no salário.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Dirty talk

Ah, fuck, fuck, fuck!

Acordo de madrugada uma hora depois de me deitar, comprimidos tomados, com dores excruciantes que parecem que me estão a tirar as entranhas, e é só o que sai da boca. Muitas e muitas vezes.

domingo, 21 de outubro de 2012

Knockout II

Acordei cedo, tomei banho, comi, tomei a medicação, deitei-me no sofá e li o gr. Comentei alguns blogues, queria comentar muitos mais, a morte da "emmanuelle", do Manuel António Pina, do map que gostava de gatos, que escrevia no jn, a sua morte que tb li em outros blogues, no aventar, no terrorist, na devida comédia, no sorumbático, etc., mas não tive cabeça, não tenho cabeça para grandes reflexões.

Ouvi o pierre bachelet n vezes, obrigada, miguel, nunca a vi no cinema, apenas na TV e acho que até foi na 2, pela noitinha. Sempre gostei de mulheres com o cabelo curto, com o pescoço à mostra.

Depois baixei a tampa do portátil, fechei o olhos e dormi três horas. Acordei com três gatos em cima de mim, mas sem muitas dores e  agora depois de almoçar (as três gavetas do meu congelador estão cheias de caixas com comida feita, é só colocar no micro-ondas), terei que ir à farmácia do centro comercial, porque ontem não tinham o omeprazol e se não o tomo fico com o estômago às voltas. 

Mas continuo com sono, muito sono.

sábado, 20 de outubro de 2012

Knockout

- Anestesista: então, quantos quilos pesa?
- Eu: 60, 61, 61 e meio...
(...) 
Acordei no recobro.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Let's Do It

Telefonei para a linha de apoio do meu seguro de saúde. Estive à espera minutos infindáveis, mas valeram a pena só para estar a ouvir a Ella.

Preparativos de última hora

Fazer sopa, fazer pão, fazer iogurtes. Assim, quando regressar a casa, no final da semana, não terei trabalho.

Lembrei-me (a tempo) que não tinha um roupão. Fui a correr à Women's Secret, no RioSul, e aproveitei para gastar o meu cheque de aniversário que a WS me ofereceu.


Para passar o tempo, levo apenas "Red Mist". Nada como a última aventura da Scarpetta. Saltei dois livros da Cornwell, descobri que um dos seus colegas tinha sido assassinado (isto no livro anterior, mas já o sabia quando fui consultar o site da autora), mais a novidade de a Lucy, a sobrinha, já não estar com a Jaime.


Como não tinha gostado tanto do útimo livro que li, fiquei agradavelmente surpreendida por Cornwell ter voltado à opção da Scarpetta como narradora participante.

(como sempre, estou a conter-me para não ir directamente para as últimas páginas e desvendar esta aventura policial).

 

Crazy eyes

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Não passarão

Não desesperes, Mãe!
O último triunfo é interdito
Aos heróis que o não são.
Lembra-te do teu grito:
Não passarão!

Não passarão!
Só mesmo se parasse o coração
Que te bate no peito.
Só mesmo se pudesse haver sentido
Entre o sangue vertido
E o sonho desfeito.

Só mesmo se a raiz bebesse em lodo
De traição e de crime.
Só mesmo se não fosse o mundo todo
Que na tua tragédia se redime.

Miguel Torga, Poemas Ibéricos - 1952-1965, Antologia Poética, Circulo de Leitores, 2001, p. 163.

domingo, 14 de outubro de 2012

Figura jacente

Meu rosto nasce desta condição horizontal
de quem tem a cobri-lo todo o seu cansaço
Deus teve para mim morte mais rasa
do que a morte que o sol encontra entre as águas
Desfez-se a curva última da estrada
nada ficou após meus gastos passos

Ninguém morrera ainda tanto como eu
só tive de estender um pouco mais o corpo
Sobre o meu rosto passam uma a uma as gerações
e vem lavar-me a água os velhos pés
E diz-me Deus, tão acessível como o mar nas praias:
- Tu és cada vez mais aquilo que tu és

Há entre as oliveiras sítio para o sol
e a brisa da infância canta rindo nos ramos
entre o cheiro do giz e as canções da escola

Deus é perto de mim como uma árvore

Ruy Belo, O Problema da Habitação

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Banalidades

Gostava que a Fertagus usasse o zapping. Mas não, não usa.

Tive que comprar um cartão "viva viagem", porque o meu passe de 30 dias acabou no dia 7 e como só farei quatro viagens de comboio até entrar de baixa, comprei títulos, melhor, carreguei com oito viagens: 5+3 (fica mais barato o conjunto de 5 viagens).

Tenho outro cartão carregado com zapping para viagens de transporte em Lisboa (cp, metro e carris - uso muito esporadicamente a cp).

Em vez de simplificarem a vida, complicam. Já me enganei várias vezes nos cartões, passando o zapping no leitor da Fertagus e, no do metro, o viva viagem da Fertagus.



************

Abriu uma sapataria Guimarães no RioSul. Em boa hora. Abriu no sábado passado, mas só ontem ao fim da tarde é que passei por lá. Fui atendida por três jovens muito simpáticos, aproveitando para experimentar botas de caminhadas, mas só tinham números para homens. 

Gosto de sapatos masculinos, de cores sóbrias, simples. 

Há que tempos que estou à procura de umas botas clássicas de camurça, castanhas,  de sola rasa. Mais uma vez, caí na secção masculina, mas não gostei. As que lá estavam eram um bocado abiqueiradas, para além de não existirem no meu tamanho. Eu cá não gosto de bicos nos sapatos, bem entendido.

Tive umas botas muito parecidas com a foto em baixo que me duraram anos. Por fim, tive de as deitar fora, porque o forro rompeu-se e as solas ficaram gastas de tanto palmilhar este mundo e o outro.

Já sabem, se encontrarem umas botas destas em tamanho 37, apitem!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Ah, poder ser tu, sendo eu!

Ei-lo que avança
de costas resguardadas pela minha esperança
Não sei quem é. Leva consigo
além de sob o braço o jornal
a sedução de ser seja quem for
aquele que não sou
E vai não sei onde
visitar não sei quem

Sinto saudades de alguém
lido ou sonhado por mim
em sítios onde não estive
Há uma parte de mim que me abandona
e me edifica nesse vulto que
cheio de ser visto por mim
é o maior acontecimento
da tarde de domingo
Ei-lo que avança e desaparece
E estou de novo comigo
sobre o asfalto onde quero estar

Ruy Belo, Aquele Grande Rio Eufrates

Sublinhados meus.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Cemitério dos Prazeres

O Cemitério dos Prazeres foi construído por ocasião da epidemia de cólera morbus que assolou a cidade de Lisboa em 1833, servindo os moradores da parte ocidental da cidade. Era neste lado da cidade que se localizavam a maioria das residências ilustres e por este motivo estão sepultadas neste cemitério muitas das principais personagens da nossa história contemporâneas.

Este cemitério é um museu a céu aberto, possuindo elementos importantes para o conhecimento da história contemporânea de Portugal, a atitude perante a morte, a arquitectura, a escultura ou a heráldica (site da CM de Lisboa).


Há umas semanas fui visitá-lo. A visita guiada contou com a explicação de técnicos da Junta de Freguesia dos Prazeres.

De entre as imensas fotos que tirei, destaquei as imagens da dor, belíssimos exemplares de estatuária fúnebre.


 







 







segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Machados e expressões maternas



Quando eu tinha cinco anos, ia ficando sem o dedo médio da mão direita. A minha avó estava a cortar um ramo de um pinheiro e eu meti a mão para tirar um bocado da corcódoa para brincar (as brincadeiras com as corcódoas resumiam-se a alisá-las no chão de cimento da eira ou do pátio, fingir que eram pequenos barcos e colocá-los nos ribeiros que iam regar as terras. Também eram óptimas para atirar às pessoas, não pesavam muito, mas o tiro era certeiro).

A minha avó segurava o machado e raspou-me no dedo. Desatei num berreiro, mais outro porque levei umas palmadas no rabo, a sorte é que nem foi preciso levar pontos e nessa altura aprendi mais uma expressão da minha mãe: "vê lá se saem as tripas gordas que as magras não cabem!". E ela dizia isso a rir e eu a chorar.

sábado, 6 de outubro de 2012

Benetton: Jesus and Devil french kissing

António Botto

Cala-te, não jures mais.

De que serve a tua jura
Se a dúvida que me deste
Não se destrói nem apaga?
E o nosso amor,
Nessa dúvida infinita
Anda perdido - e naufraga!

Cala-te, não jures mais.

- Que os restos do meu afecto
Esmoreçam como flor
Que murcha se alguém a colhe.

Não fales tão alto - adeus!

Receio que alguém nos olhe.


*****


Conversando a sós contigo
Desfruto o prazer imenso
De não pensar no que digo
E de dizer o que penso.

E mais uma vez
Afirmo
Sem receio de que seja desmentido:
- A maior felicidade
É ser-se compreendido.


*****


Não sei se te quero
- Mas quando não posso ver-te,
Sou um cego.

Se levanto a minha mão
E não a sinto apertada
Ou envolvida nas tuas,
Não a vejo - não sei dela...

E é necessário
Que o teu abraço me abrace,
E a tua boca me beije,
Para sentir o meu corpo
- Para me sentir a mim...

Aqui tens,
Porque procuro prender-te:
Perdoa, mas sou assim.


*****


Duvido que venhas
- Consciente ou verdadeiro,
Tantas vezes, visitar-me.
Falas - dizes-me tais coisas
E beijas com tanta violência
Meu corpo frágil, vibrante,
Que desejo que me fujas
No beijo de um outro amante!

E no entanto -
Se a tua ausência prolonga
O sofrimento suave
Da saudade que me queima
Quando vejo que não vens,
Penso em ir buscar-te, exigindo
As certezas da minha alma
- Porque as tens!

Gosto de ti, porque é belo!

Chamas-me doido? - bem sei.
Mas tu és mais doido ainda
Porque me levas sorrindo
Para os abismos da carne
Onde me perco e onde sofro
A morte do meu pudor...

Não, não digas nada -
E não falemos de amor!

Mas como poderia
Gostar de outra maneira
Se eu olho para ti
E sinto que te dou
A minha vida inteira?

E sofro perdidamente
Na sensualíssima loucura
Do teu abraço que falha
Quanto tento ir mais além!

Sim, não sei como vai ser!

O drama desta afeição,
Alastra, já me faz medo,
E penso que não convém
Porque deixou de ser nosso!

Isto acaba qualquer dia;
- Sou eu, sou eu que não posso!

Abro a janela. Respiro.
As árvores distingiram
O verde das suas folhas
No silêncio -
Da tarde primaveril.

Isto acaba qualquer dia
- Já não tem continuidade!...

Mas onde quer que tu fiques,
Longe ou perto - amor profundo
Que atinge todos os céus,
A tua vida é a minha
E os teus caminhos são os meus!



As Canções de António Botto, Editorial Presença, 1980

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Farta vilanagem

Costumo fazer as minhas compras online de três em três meses, mais ou menos. Como estava a precisar de doses industriais de areia dos gatos, produtos de limpeza e uns poucos de higiene, uns e outros congelados, cereais e leite de soja, resolvi utilizar o vale de desconto de dez euros que o Jumbo online me ofereceu pelo meu aniversário, para compras acima dos cinquenta euros.

Não havia a marca de leite que costumo beber e as outras compras só as seleccionei após as comparar com o Continente online. A diferença entre as duas cadeias era relativamente pouca, cinco, seis cêntimos, uns produtos eram mais caros no Continente, outros, no Jumbo, mas a maioria deles tinha o mesmo preço tanto num como no outro, por isso comprei-os até alcançar o orçamento estimado. 

Quando finalizei as compras, aceitando pagar por multibanco na recepção da encomenda, em casa, li isto na mensagem que recebi no gmail:


Há tantos anos que faço compras no Continente online e nunca me apareceu isto. É certo que há três meses que não utilizo este tipo de plataforma.

Mas que raio? Então o Jumbo não paga aos seus funcionários para exercerem este tipo de actividade? Estou a pagar um trabalho em duplicado? Sei que os trabalhadores de lá ganham uma miséria, mas estes 3% não são para eles, cairão directamente nos cofres do Jumbo.

Pelas minhas contas rápidas de cabeça, que não me quero chatear muito com isto, devo ter poupado uns três euros, o que não compensou o serão que fiz, perdendo tempo nos dois sites, comparando os preços, quando podia estar a colocar a leitura em dia.

A filha mais velha da minha mãe aprendeu a lição. Vai cingir-se ao Continente online.

IRS

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Quatro quilos e oitocentas


Por que hoje é o Dia Mundial do Animal.

Desenrascanço

O carregador do portátil pifou. Andei pela casa toda a procurar carregadores compatíveis, incluindo os de telemóveis antigos e o da aparafusadora eléctrica.

O único que funciona é o da Satinelle. Sim, não posso mexer no portátil enquanto ele está ligado, mas desenrasca e carrega a bateria.

Super Diva - ópera para todos

Uma abordagem diferente de um género musical há muito afastado da televisão. Um programa imperdível, na RTP2.

 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Então o meu aniversário foi assim...

Em anos anteriores, eu celebrava o meu aniversário jantando fora com a família, raramente no dia 1, porque era hábito viajar. Aproveitava e oferecia a mim própria uns dias fora de casa.

Este ano, contudo, não foi possível. Não só devido à crise financeira que grassa por este lado, mas também devido a um pequeno problema de saúde. Assim, resolvi fazer o jantar em casa e comprar um bolo.

Fiquei deliciada com os gatos, a Bia nunca se afasta das pessoas, já o sei, e nem se mexeu da poltrona quando chegaram. A Joana e a Alice esconderam-se, assustadas, como sempre fazem, mas a grande surpresa foi o Farrusco. Não teve medo, aceitou as brincadeiras do S., o meu sobrinho de um ano. Como a minha mãe dizia, se tivesse um sino partia a cabeça. Nunca o tinha visto comportar-se assim, até miou, ciumento, porque eu estava a dar toda a atenção à criança.

A Bia, paciente, igualmente não se importou com os abraços do pequeno. 

Gata de 16 anos sofre nas mãos do S.

No início do jantar anunciei que terei que ser operada. Não é um cirurgia muito complicada, mas ando há uns dias desconfortável com dores. Já nem consigo correr uma hora sem parar, aliás, nem meia-hora. Não vou dizer o que tenho, não é nada complicado, mas quero despachar isto o mais depressa possível, de modo que a operação está marcada para daqui a duas semanas.

Só espero estar em condições para me mexer sem muitas dores em Novembro, porque já tenho o bilhete para o concerto do Andrew Bird e nem que a vaca tussa e eu vá de soro na mochila, mas estarei na Aula Magna sem falta.

Resumindo, tenho a operação entalada entre dois concertos, porque irei ao do Leonard Cohen este domingo. Foi o presente que me ofereci a mim própria, em vez da viagem.