quinta-feira, 29 de novembro de 2012

After dark

'Aproxima-se a meia-noite, o ponto alto da sua actividade já passou, mas o metabolismo vital que assegura a vida continua a trabalhar incessantemente, produzindo o basso contínuo que reproduz os murmúrios da cidade, um som monótono, sem altos nem baixos, se bem que prenhe de pressentimentos.'

Haruki Murakami, After Dark, Os Passageiros da Noite, p. 7, casa das letras, 2008.

[grandioso é o parágrafo que abre este romance (estou a relê-lo)]

As lombadas da Rosa Carioca

A Rosa, autora do blogue 'Pensamentos e Sentimentos' apresenta as seguintes frases:

'Adoecer, como um romance, O velho que lia romances de amor.'


'A cabana, (a casa na praia); a morada do ser: uma professora muito maluquinha!'


'Sala de aula: que espaço é esse? Ensinamos demais, aprendemos de menos. O mundo é fácil: A paz também se aprende!'


'Tieta do Agreste: Amar depois de amar-te.'


'A filha do capitão, Teresa Baptista cansada de guerra (uma vida de cão); 1 km de cada vez.'

'Profissão Professor: o vendedor de sonhos; nunca desista dos seus sonhos!'

'Como vencer na vida sendo Professor? Aprender a aprender. (Se você finge que ensina, eu finjo que aprendo). Era dos extremos!'

'Mágoa da escola. O último segredo: Assinei o diploma com o polegar.'

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O blogue

Limpei a coluna da esquerda. Estou a arranjar espaço para os contos das 250 palavras. Não levem a mal ter retirado os seguidores e os blogues.

A contagem só me interessa a mim, por isso também saiu.

Um dia destes, mudo o esquema.

As lombadas do João Máximo

O João, autor do blogue 'Index ebooks', concorreu, via google+, com a seguinte foto:


'Passada toda a paixão, quando tudo se desmorona, ao cair da noite as velas ardem até ao fim, em busca do tempo perdido.'

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

As lombadas do João Roque

O João, autor do blogue 'whynotnow', concorreu com as seguintes frases:

'Encontro à beira rio, amor sem resistência: abraço!'.

'Ao cair da noite, uma casa no fim do mundo: outras vozes, outros lugares.'

'Valsas nobres e sentimentais e a Canção de Tróia, para a sua jukebox'.

Também participou, via google+, com a seguinte foto:


'Enquanto a Inglaterra dorme, Mister Norris muda de comboio; e de repente, um anjo...Agora ou Nunca! Um instante de abandono...que farei quando tudo arde?'

domingo, 25 de novembro de 2012

As lombadas do Francisco

O Francisco, do blogue 'Um Deus Caido do Olimpo' concorreu com as seguintes frases (a primeira não ilustra lombadas, porque ele não gostou da maneira como ficavam. Estás desculpado, Francisco):

'O Segredo; A linguagem das pedras; Dicionário do nome das Terras; Muitos corpos, uma só alma; O Principezinho.'

'As pequenas memórias... O segredo do 13º Apóstolo: "O Fim da História e o último homem"'

'A última aula " O novo Kamasutra Ilustrado" Satisfação Garantida...'


'Ultima aula: "História de Arte" O amanhecer da humanidade; Incas, Maias e Astecas; Roma; e, a Europa Ocidental. Faz bem ou faz mal?'

Lendo as lombadas IV

Vou começar a divulgar as participações (poucas mas boas) do concurso. Até ao momento, aceitaram o desafio o Francisco, o João Roque, o João Máximo e o Arrakis.

Espero que sirvam de inspiração e surjam mais lombadas criativas até 8 de Dezembro. 

Aos que não têm blogue, mas gostariam de participar, só têm que enviar a foto das lombadas e a frase para o meu email. Boa sorte! :)


sábado, 24 de novembro de 2012

Lendo as lombadas III

Está a decorrer o concurso 'Lendo as lombadas' até dia 8 de Dezembro.  Depois, agregarei num post todas as frases que concorreram, para ser mais fácil a votação.

De 9 a 17 de Dezembro, podem votar apenas numa, na que mais gostam.

Podem concorrer com quantas frases quiserem, juntando as lombadas dos livros, de forma inteligível (e original e criativa, etc.). O mínimo são dois livros.

O vencedor da frase mais votada receberá, como prémio, (ena, que original! :D), um livro.

Esta é mais uma contribuição minha:


'Admirável mundo novo: inquietude, horas más, vagas de fogo.'

(eu não posso concorrer nem votar nas vossas frases, pelo que me livro desta árdua tarefa).

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Angústia

A minha menina vai dar sangue. Estou à espera da veterinária para a levar. Estou com o coração nas mãos e só regressará amanhã à tarde.

Mas quem sai aos seus, não degenera. Quem sabe se os meus bigodes um dia precisem...

A Farsa da Rua W II

Foi uma peça fantástica. Durou um pouco mais de 1 e meia, com intervalo, mas valeu a pena. 

Três grandes actores no papel de um pai e dois filhos adultos, refugiados num apartamento pobre, num prédio alto, na Rua Walworth, em Londres. Todos os dias, sempre da mesma maneira, representam cenas do passado: o funeral da mãe, o frango assado, ah, as saudades do frango assado da mãe, dois pequenos torturando um cão e um miúdo da vizinhança, recordando a saída deles da Irlanda. Todos os dias, exactamente da mesma forma. Porque a rotina traz segurança. Todos estão presos ao passado.

Até que um dos filhos regressa a casa com o saco errado do supermercado. A partir daí, o exterior, na figura da rapariga da caixa, entra na vida deles e coloca tudo em causa e o fim adivinha-se, trágico.

Se puderem, não percam. Às terças e quartas é a 5 € (dia do espectador).

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Viagens nas minhas terras

Anteontem, tive uma conferência na Baixa, e por nessa altura ainda não ter comprado o passe de comboio, devido a ter estado doente, apanhei o barco até Lisboa. No regresso a casa, depois de palmilhar meia Baixa, ter subido até ao Príncipe Real para ir buscar o bilhete de teatro e descido até ao metro da Baixa-Chiado, porque precisava resolver uns assuntos de voluntariado nos Anjos, regressei, novamente, de barco. Apanhei o autocarro para casa (estava mesmo de rastos, pois moro aqui há tantos anos e costumo ir a pé até casa, digamos que são uns 2,5 km ou coisa que o valha). No autocarro, entraram uns miúdos do 5.º ano, antigo 1.º ano do ciclo, isto no meu tempo (1983, onde estás...). Os rapazinhos que ficaram ao meu lado, mas em pé, eram uma graça, super-simpáticos, e, dado que não convivo com miúdos, fiquei agradavelmente surpreendida por eles se divertirem com jogos que, supostamente, seriam mais indicados para as meninas (ou então estou completamente enganada, mas não me lembro, há quase 30 anos, de os meus colegas brincarem assim). O jogo chamava-se picachu e eles batiam com as mãos juntas, primeiro do lado esquerdo e depois do direito, depois em cima e em baixo enquanto cantarolavam 'picachu, primeiro em cima, depois em baixo, primeiro eu, depois tu' (estou a citar de cor, pode não ser exactamente assim). E era tão engraçado vê-los, no meio do autocarro, assim, ao fim da tarde.

Ontem, tive uma reunião na 24 de Julho e apanhei o 13, ou 713, não percebo a razão do 7, enfim, na Pampulha até ao Rato, porque queria ir à Politécnica. Sentaram-se duas raparigas de uns 13 anos, que subiram na Lapa, atrás de mim. Tive a prova que sou mesmo suburbana e povinho, mas achei tão estranho elas tratarem-se por você. Simpáticas, hipsters, bonitas, mas tão 'e a minha avó vai oferecer-me uma viagem a Londres e eu queria um blackberry, mas não sei se o meu pai mo dá, e você...' Preconceito, sei-o bem, mas não deixo de preferir os meus meninos picachu.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O momento

'Alheio à mudança de estação, Tengo vivia cada dia à imagem e semelhança do anterior. Procurava, na medida do possível, ser um observador discreto. Esperava em silêncio que o momento chegasse, retendo o fôlego e apagando todo e qualquer indício da sua presença.'

Haruki Murakami, 1Q84 - 3, p. 94.

domingo, 18 de novembro de 2012

Lendo as lombadas II

Aqui está a minha segunda participação.


'O que diz Molero? Na hora H, fazes-me falta!'

Como é óbvio, a pontuação é necessária.

O desafio termina no dia 8 de Dezembro e podem concorrer com quantas frases quiserem.

Actualizando: a minha participação serve como exemplo. Desde já, estou excluída do passatempo :) 

Lendo as lombadas

O desafio que vos proponho é publicarem uma frase com os títulos de livros.

Aqui está a minha:


'Enquanto Salazar dormia, pela estrada fora, tudo o que resta, na hora H, o amor nos tempos de cólera'.

Não é nada fácil escrever sem verbos. Faz sentido? 

Depois, reunirei as frases, com respectivo autor e link para o seu blogue, num post, para ser escolhida a melhor frase.

O autor da frase vencedora, votada como a melhor, mais original, mais imaginativa, receberá um livro no sapatinho. :)

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A Farsa da Rua W

Depois das violentas inundações, o Teatro da Politécnica vai reabrir na próxima quarta-feira, com a apresentação da peça 'A Farsa da Rua W', de Enda Walsh.

Acabei de telefonar e ainda tinham entradas gratuitas para a peça, pelo que reservei um bilhete.

Vida e morte

'De tempos a tempos, uma enfermeira usava uma máquina elétrica para lhe aparar a barba e, com a ajuda de uma pequena tesoura de pontas arredondadas, cortava-lhe os pelos brancos que lhe saíam do nariz e das orelhas. Também lhe arranjava as sobrancelhas. Apesar de ele estar inconsciente, continuavam a crescer. Vendo aquele homem ali deitado, Tengo deu por si a interrogar-se, incapaz de distinguir com clareza a diferença entre a vida e a morte. Existe realmente, à partida, uma diferença assim tão grande? Não será que pensamos que essa diferença existe apenas por se tratar de uma pura convenção?'

Haruki Murakami, 1Q84 - 3, pp. 48-49 .

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Aristogatos XIII

Confesso, pois, que eles mandam em casa. Retirei um grande vaso onde estava há tantos anos, porque a Alice deitava-se nele, desfrutando do sol que batia no canto do armário.

Agora, são eles que dormem lá...

O velho armário de tijolo burro feito pelo antigo dono continua por cá. Serve perfeitamente. Não sou esquisita e os gatos também não.



terça-feira, 13 de novembro de 2012

Contos das 250 palavras

Como devem ter reparado, iniciei uma rubrica chamada 'Contos das 250 palavras'.

O desafio que vos coloco é escreverem na caixa de comentários um máximo de cinco palavras, que serão o título dos contos, o meu presente para vocês na quadra que se aproxima. Nada de consumismo desenfreado por aqui, a não ser, espero eu, imaginação e boas leituras.

As histórias, todas, terão 250 palavras, incluindo o título. A caixa de comentários é vossa e a coragem desta empreitada, minha. Oxalá esteja à altura. em-me forças.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

23h. Toujours pas de validation.

Arrakis, aqui.

O primo alemão bate à porta

Chegar à porta de casa e reparar que não tem as chaves. Descer três andares, porque deixou-as penduradas na caixa do correio. Ir à cozinha com a garrafa de meio litro para encher de água, poisar na bancada, porque olha para a Batá e regressa à sala. Chega a sentar-se, a enroscar-se, até que se lembra onde raio deixou a garrafa. Tira a roupa da corda, pensa em outra coisa qualquer e esquece metade da roupa pendurada na corda. Coloca a cafeteira ao lume para fazer cevada, até que se lembra, dois minutos depois, que se esqueceu de a encher de água. 

De momento, ainda me lembro do nome dos gatos, da tartaruga, do número do BI, NIF, telemóvel e da data de nascimento. Quando me esquecer deles, estou tramada.

domingo, 11 de novembro de 2012

Andrew Bird

Foi um concerto bonito. A Aula Magna não estava cheia, as pessoas chegavam aos poucos, compondo a sala e, com algum atraso, Andrew Bird subiu ao palco.

Não desiludiu o seu público fiel, trauteei as que sabia de cor, gostei, senti-me rendida nas cadeiras muito poucos confortáveis da sala.

Apenas uma ressalva. A meio do concerto, abandonou as cordas eléctricas e aproximou-se do público, ele, a sua banda, dois rapazes com a viola e o contrabaixo, tão intimista, como se fosse um velho amigo a regressar a casa, e era, e se concentrou na parte esquerda do palco, onde o microfone estava previamente colocado, para deleite do público dessa ala. O restante, o da parte direita, sentiu-se colocado de parte, eu senti-me um bocadinho, e estava um pouco à direita do meio do anfiteatro. Ele fechava os olhos, cantava, balançava o braço esquerdo ao som das palavras e mergulhava nas canções.

Apesar disso, foi agradável e passei um momento excelente.

sábado, 10 de novembro de 2012

Cantares do Mondego

'Cantares do Mondego', apresentado pelo João Braga, foi transmitido a noite passada, na 2. É um programa antigo, de 2004, mas valeu muito a pena ter estado acordada até às tantas, para assistir a tão bonitas baladas, que não escutava há imenso tempo e interpretadas por variados e tão bons artistas, e ter tido a possibilidade de ver extractos de cantigas do Adriano Correia de Oliveira. Muito bom!

Fartei-me de procurar mais sobre este programa, mas só encontrei a página do facebook e da rtp.
Escolhi este vídeo de Fernando Machado Soares, um dos ilustres convidados do programa, que actuou na gala 'Amália Rodrigues'.
 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A caridadezinha burguesa

O pior, Senhora Dona Isabel, são aqueles que não comem bifes há tanto tempo, nem arroz com salsichas, às vezes é esparguete com atum, marca dos hipermercados, que o que conta é a intenção, vamos ajudar os pobrezinhos, faz-nos bem à alma cristã, aos pobrezinhos que mandam os filhos para a escola cheios de fome, às vezes lá vai uma carcacinha com marmelada, tão bem-vinda nos pacotes do Banco Alimentar, mas a maioria tem fome, muita fome, e é pobre há muito tempo.

Simon's cat

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Doação de medula

Depois do post do silvestre, este é o meu reforço.

Na altura que o fiz, não conhecia ninguém pessoalmente com leucemia (excepto a tia-avó Adozinda, que faleceu era eu criança), mas uma colega tinha uma amiga doente. Reunimo-nos e fomos doar medula ao CHS. Foi no horário normal, à tarde, e a presidência foi solidária, fornecendo o transporte e, claro, a dispensa do trabalho.

As condições são simples: se têm entre 18 e 45 anos, 50 kg de peso (no mínimo), não são portadores de doenças crónicas ou autoimunes e não receberam uma transfusão de sangue desde 1980.


A roseira

Dividia as duas casas, a da Adozinda e a da Maria. Plantada há décadas, antes da partida para Angola, pela Maria, marcava o limite da casa da família, antes una, depois dividida pela roseira e pelo muro. Separadas as casas, uniu as crianças nas brincadeiras.

A roseira dos netos da Maria, era, também, dos netos da Adozinda. A roseira tinha ramos desengonçados, as pétalas caiam tropegamente no pátio, no caminho para a cozinha, no Verão. Os espinhos grandes partiam-se dos ramos que nasciam no tronco rugoso, cheio de nódulos, por onde subiam as formigas e as abelhas zumbiam e quando uma delas picava, a avó Maria colocava uma faca fria no dedo, depois de tirado o ferrão com uma pinça. E resultava.


As abelhas existiam, como existia a roseira, as rosas cor-de-rosa e os espinhos, os picos que os netos colavam na palma da mão direita com um bocado de cuspo e pediam um ‘passou bem’ às pessoas que passavam em frente às casas da Adozinda e da Maria.


Ou colados no chafariz do Povo. O Povo era um largo que tinha um chafariz com uma torneira que se carregava com bastante força até permitir que a água jorrasse. Diariamente, era utilizado pelas velhotas míopes, com dedos calejados, grossos, mãos enrugadas e cansadas e velhas para crianças de sete, oito anos, que não se importavam em magoá-las, era um divertimento cruel e elas sabiam quem eram os fedelhos, os netos da Adozinda e da Maria, unidos pela roseira.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Weeds

Weeds foi uma série que segui durante vários anos. Recordo-me de estar de férias em São Pedro de Moel (que novidade...) e de ver o primeiro episódio na 2. Adorei desde o primeiro minuto. A música, o argumento, o humor, as personagens, criando desde cedo uma afinidade com o filho mais novo, Shane (lembro-me da cena da banana, das várias bananas). Até comprei uns CD's com os temas das duas primeiras temporadas.

Depois, com os anos e as interrupções na tv, desinteressei-me. Nos últimos tempos, apanhei 'Weeds' novamente no canal MOV e, agora, na 2, que transmite a 8.ª e última temporada.

Gosto imenso do novo genérico. Esta abertura está fantástica e resume a saga da família Botwin, principalmente as aventuras e desventuras de Nancy.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Leituras pela madrugada

Fui para a cama relativamente cedo, ainda não tinha acabado o 'câmara clara', dedicado ao riso, exposição gratuita patente no Museu da Electricidade. Parei na parte do riso e as manifestações do poder, mas simplesmente porque não gosto da PMP, tentei gostar, mas não me cai no goto, pronto. Resolvi ler na cama e continuei a ler pela noite adentro. São cada vez mais frequentes estas insónias, mas não estou muito preocupada, dado que tenho os sonos trocados e muitas vezes deito-me na cama à tarde e acabo por dormitar.

Acabei, por fim, o 'red mist' e comecei  a ler 'maligna', da Joanne Harris. É uma escritora que gosto muito, pelo que tenho todos os seus livros, embora os dois últimos ('sapatos de rebuçado' - a continuação de 'chocolate' e 'o rapaz de olhos azuis') não tenha apreciado por aí além, senti que faltava algo que me prendesse à história como os outros, um arrebatamento e o mistério que me envolvesse no enredo.

Estou a gostar deste livro, tinha-o comprado há meses, depois li o 1Q84 , 1 e 2, entretanto meterem-se outros pelo meio e 'maligna' foi ficando na estante. É o primeiro romance dela, publicado há vinte anos e tem laivos de gótico, o que me agrada imenso, desenrolando-se em Cambridge.

O volume 3 de 1Q84 também continua lá, no mesmo sítio onde o coloquei há mais de um mês. É de propósito. Sinto que, se começar a ler, perdem-se os laços que criei com Tengo e Aomame há tanto tempo e não quero isso. Se começar a folhear o livro e a ler as primeiras linhas da primeira página, esfuma-se tudo, as duas luas, o amor deles, aquele universo tão Murakami e não quero isso, não para já.

domingo, 4 de novembro de 2012

O blogue tem um nome

Retirei a imagem e coloquei um nome. 

Agradeço que o actualizem nas vossas listas, já que o endereço é o mesmo :)

Discworld IX

A fotografia está tremida, mas a gorda Batá adora pão acabado de fazer. Aqui está ela a arrastar-se com um pedaço de miolo até à água.
(a foto tem mais de duas semanas. Tirei-a antes da operação.) 

sábado, 3 de novembro de 2012

The Shining

Desde que o miguel comentou no g+ sobre o Batman e o Jack Nicholson que desejo isto: ver de novo 'The Shining' (grande falha não o ter em DVD). Pois a 2 está a repeti-lo.

Adoro este filme, perdi a conta ao número de vezes que o vi, mas é como se fosse sempre a primeira vez. Não é que goste muito de filmes de terror, Freddy Krueger e afins, mas 'The Shining' tem um dos melhores actores de todos os tempos e muitas das cenas clássicas de terror psicológico. 

Hoje vai ser noitada, mas após uns dias menos bons, estou a melhorar de novo. Esta é a minha recompensa. Há alguém que gosta muito de mim :)

So, so true

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Segredo

Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar.
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...

Miguel Torga, obra completa, Antologia Poética, Diário VIII - Coimbra, 4 de Maio de 1956, p. 321.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

À memória da Céu

Não preciso de menos que todos os meus amigos
mas dizem-me que a teus ouvidos já a voz não soa
nem sabes já como neste mês de outubro
chega a ser agradável passear por lisboa

Não comes castanhas não sentes o frio
nem mais connosco te sentas à mesa
Qual é a tua nacionalidade
tu que antes eras portuguesa?

Cansaste-te e foste-te embora
não passarão por ti mais primaveras
fosses pra onde fosses foste decerto
para o país donde afinal eras

As coisas todas pouco mudaram
sabem-nos bem alguns bocados
e no entanto tudo mudou
já não nos sentimos por ti olhados

Falamos de ti no passado
como se tu estivesses morta
mas tu és tudo e tivesse eu casa
tu passarias à minha porta

Não preciso de menos que todos os meus amigos
não te vemos mas estás connosco
se não ao lado dentro de nós
no frio de março no calor de agosto

Nos dias de hoje ou nos tempos antigos
não preciso de menos que todos os meus amigos

Ruy Belo, Todos os Poemas, Homem de Palavra[s], p.229.

(não te chamas Céu e outubro foi ontem. Pela primeira vez em dois anos não te vou ver, mas terás flores acompanhadas de saudade, muita saudade. )