sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Palácio do Fim

Foi a primeira peça deste ano, nos Artistas Unidos, no Teatro da Politécnica, a que assisti na passada quarta-feira, dia de estreia, logo, gratuita.

Encenada por Pedro Carraca a partir de um texto da dramaturga canadiana Judith Thompson, apresenta três monólogos que contam a história de três vidas reais antes da invasão do Iraque pelas tropas americanas.

A primeira personagem é uma militar americana que acabou julgada em tribunal marcial por ofensas a prisioneiros de Abu Ghraib (as fotos das pirâmides humanas correram mundo). Um monólogo violento, cru, raivoso.

A segunda personagem é um inspector de armas britânico que colocou em causa a capacidade bélica do regime de Saddam Husseim e que, misteriosamente, se suicidou.

"Uma coisa é morrer durante seis anos, outra coisa é morrer para sempre."

A última personagem é uma militante comunista que sobreviveu à tortura pela polícia secreta do ditador iraquiano em 1963, num antigo palácio que albergava as salas de tortura de Saddam (o Palácio do Fim) e que acabou por morrer durante os bombardeamentos americanos a Bagdad. A parte das torturas ao seu filho de oito anos provocou-me um nó na garganta e lágrimas que a custo contive.

Não foi nada fácil assistir a 1h40 de uma peça controversa e polémica, horrível em algumas partes. É tão diferente das que costumo assistir. Saí de lá com um sentimento de impotência e de tristeza tão grandes e a pensar por que é que as pessoas cometem tamanhas atrocidades.

14 comentários:

  1. lembro-me bem desse britânico que se suicidou por causa do escândalo das armas de destruição maciça. acho que na altura até escrevi um texto sobre o assunto.

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  2. Também me lembro desa história...mas esse não morreu para sempre!

    Beijinho

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    1. é uma frase da personagem. penso que a reproduzi bem. à beira da morte, num bosque, ele conta a história que provocou a denúncia, o assassinato de uma família iraquiana sua amiga.

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  3. Por vezes o Ser Humano é capaz de fazer as maiores atrocidades contra o seu semelhante e não só :(

    Bjs

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    1. sim, cada vez mais. somos uns bárbaros.
      bjs.

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  4. É preciso de ter coragem para assistir a uma peça assim!

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    1. sim, costumo pesquisar o autor da peça antes de assistir, mas não conhecia o texto. foi dura, sem dúvida.

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  5. É pena não haver matiné no domingo...

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  6. Parece ser uma peça cada vez mais adaptada à sociedade actual...

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  7. Eu recordo-me de ver fotos de prisioneiros iraquianos torturados pelas tropas aliadas. Correram o mundo. Aliás, pese embora tentassem evitar que visse notícias sobre guerras e afins na televisão, tenho ideia de sair da cama e ver o pai, sentado, a observar o começo dos bombardeamentos sobre Bagdade, em directo. :|

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    1. não foi há assim tantos anos. agora vemos um recrudescimento dos filmes sobre o médio oriente. o 0:30, hora negra, sobre a captura de Bin Laden, é isso um exemplo. como a lembrar-nos que a guerra existe e a tortura e as atrocidades são justificadas.
      bjs.

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