domingo, 10 de fevereiro de 2013

Da Poesia Que Posso

Há uma certa maré nas coisas humanas
Espero pelo verão como por outra vida
no inverno é que o verão existe verdadeiramente
É o dia em que segundo alguns jornais
john hoare e david johnstone iniciam
a travessia do atlântico num barco a remos
É o dia das grandes travessias
o mar a vida isso que importa?
Dios qué bueno es el gozo por aquesta mañana
aqui na orla da praia mudo e contente do mar
Ao chegar aos cinquenta sessenta anos
Quando os fizer talvez pense nisso
e não agora a tanto tempo de distância
Agora sou do cúmulo da tarde
desta tarde no início do outono
ou do início desta tarde de outono
Só depois é que pergunto que fazer de tudo isto
que torna o cid meu contemporâneo
Dios qué bueno es el gozo por aquesta mañana
de um dia em que me achei mais pachorrento
Manhã ou tarde? primavera ou outono?
Não sei pouco me importa
Pouco me importa o quê? Não sei
(o resto vem no pessoa
Pessoa é o poeta vivo que me interessa mais)
Basta a cada dia a sua própria alegria
e é grande a alegria quando iguala o dia

Ruy Belo, Homem de Palavra[s]


Ao miguel, que faz anos no mesmo dia que a minha mãe e se antes estava triste, agora estou feliz.

7 comentários:

  1. e eu estou mais feliz, Margarida. muito obrigado, uma prenda maravilhosa, com a vantagem ainda de ser um poema que eu não conhecia.
    e
    "Basta a cada dia a sua própria alegria
    e é grande a alegria quando iguala o dia"
    poderia ser um motto, uma sentença de vida, ou mesmo uma oração.

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    1. sim, o fim é perfeito. ainda bem que gostaste. :)

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  2. Adorei a prenda do Miguel e parabéns a ele :)

    Bjs

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  3. Sabes que me deu para telefonar de Belgrado ao Miguel a da-lhe os parabéns? E ele ficou radiante! E eu fiquei feliz por ele ter ficado radiante...
    Afinal não custa nada ser feliz!

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