segunda-feira, 18 de março de 2013

Me, myself and I VI

Em 1997, fui bastante poética quando escrevi o índice da monografia apresentada no âmbito da disciplina de Seminário de Investigação do 4.º ano do meu curso. Rezava assim:
  • Agradecimentos.
  • À guiza de prefácio ou confissões da escriba.
  • Introdução: Pena e tinteiro, Malinowski e internet ou propostas metodológicas.
  • Capítulo I: Dos arrabaldes mouriscos à popularidade de um bairro alfacinha ou análise histórico-geográfica da Mouraria; O ano da Peste ou sinopse histórica da Procissão.
  • Capítulo II: Da ermida de São Sebastião à capela de Nossa Senhora da Saúde ou origem da capela do culto; Somos vossos Irmãos e vossas Irmãs ou a Real Irmandade de Nossa Senhora da Saúde e São Sebastião.
  • Capítulo III: Nas vésperas do grande dia ou os preparativos da Procissão da Saúde; Nossa Senhora da Saúde dormiu fora esta noite ou a Procissão de Velas da Mouraria à Sé.
  • Capítulo IV: Velas, promessas música e Militares ou uma Procissão de Acção de Graças; A viagem dos Santos da religião católica ou o papel dos vários santos; Venha a nós o Vosso Reino ou o povo como o grande participante.
  • Considerações Gerais.
  • Bibliografia.
  • Anexos.
E depois, a escriba (:D) abria cada capítulo da seguinte forma:
  • I - Miguel Torga (Diário IV, pp. 22-23): ...'A ciência social não é ainda uma ciência controlada, onde as reacções estejam previstas, com cadinhos para o ouro e chaminés para a escória. Aqui é preciso aceitar tudo, porque trigo e joio fazem parte do mesmo corpo, sem possibilidade de separação. Daí multiplicidade, partidas, controvérsias, oposição. E isto é força, é dialéctica, é criação. A uniformidade social é a monotonia de um batatal. E a história perdoa tudo, menos a monotonia.'
  • II - Eça de Queiroz, A Cidade e as Serras, pp. 94-95.
  • III - Ernst Cassirer, Essai sur l'Homme, p. 43.
  • IV - Marcel Mauss, Ensaio sobre a Dádiva, p. 185.
  • V - Mircea Eliade, Tratado de História das Religiões, p. 582.

Tive 16 valores com esta brincadeira :)


(OMG, eu discuti com o Mesquitela Lima 'a monotonia de um batatal'!)

8 comentários:

  1. ah, eu gosto. tudo o que estudei era árido, com nomes ainda mais áridos e citações, só em latim ou alemão, de modo que nunca as fazia :)

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    1. :)
      já não me lembrava disto. agora rio-me da ousadia e da ingenuidade.

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  2. Adorei a citação do Torga. Acho que ele continua a ter razão. E esta frase é lapidar : 'Aqui é preciso aceitar tudo, porque trigo e joio fazem parte do mesmo corpo, sem possibilidade de separação.'
    Esta frase, sintetiza de certa forma, o que é viver a vida.
    Bjs.

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    1. não transcrevi a citação completa. começava assim '... Apresenta-se ao homem a sua salvação numa bandeja onde está escrito que não se pode ter confianaça nele (..) Crer no homem é o dever fundamental do homem, e só se podem provar a liberdade e o amor, dando-os.'
      adoro o Torga :)
      bjs.

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  3. Deves olhar para este trabalho com muito carinho, volvidos tantos anos. :)


    beijinho.

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    1. ah, Mark, claro que sim! :) apesar de algumas incorrecções, fruto da inexperiência, gostei muito de o fazer. estive a relê-lo de uma ponta à outra. afinal, menti - mas não me lembrava, tive um diário há anos, só que era o diário de campo :D
      bjs.

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