segunda-feira, 25 de março de 2013

Suite Francesa

'Oh, meu Deus, era aquilo a guerra... Um soldado inimigo nunca parecia estar sozinho - um ser humano diante de outro; era sempre seguido, acossado por todo o lado por um povo inumerável de fantasmas, os fantasmas dos ausentes e dos mortos. As pessoas não se dirigiam a um homem, mas a uma multidão invisível.'
p. 322


Escrito em plena tormenta da História, Suite Francesa descreve quase em directo o Êxodo de Junho de 1940, que reuniu numa desordem trágica famílias francesas de todos os quadrantes, das mais abastadas às mais modestas. Com grande ventura, Irène Némirovsky persegue as inúmeras pequenas cobardias e os fracos gestos de solidariedade de uma população à deriva. Cocottes abandonadas pelos amantes, grandes burgueses enojados com a populaça, feridos abandonados em quintas... Pouco a pouco, o inimigo toma posse de um país inerte e amedrontado.

Ucraniana de origem judaica, IN nasceu em Kiev, em 1903, e conheceu o sucesso aquando da publicação do seu primeiro romance David Golder (1929). Após a capitulação da França em 1940, refugia-se numa aldeia, antes de ser detida pela polícia francesa e ser deportada para Auschwitz e assassinada, no Verão de 1942. Com treze anos, Denise, a sua filha mais velha, leva na sua fuga uma mala com uma dolorosa relíquia: o derradeiro manuscrito da sua mãe.

É um romance assombroso, intimista, implacável, desvelando com uma lucidez extraordinária a alma de cada francês durante a ocupação, para além de estar enriquecido e completado pelas notas e pela correspondência de IN.

15 comentários:

  1. Deve ser um livro muito interessante. Esse período foi dramático e ninguém melhor para o descrever do que quem o sentiu na pele.
    Bjs e boa semana.

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    1. é um livro assombroso. comprei-o há uns anos e agora voltei a lê-lo. muito bom. aconselho a leitura.
      bjs.

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  2. É um periódo da história francesa muito interessante. E ainda com tanto por contar e compreender. Confesso que nunca percebi, no meio de um complexo esquema de batalhas de terreno, como foi possível uma rendição tão fácil a favor dos alemães.

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    1. como referi ao Arrakis, aconselho a leitura. para além de documentários e leituras, não me posso pronunciar muito sobre este tema, mas os franceses declararam guerra à Alemanha aquando da invasão da Polónia, mas, basicamente, não deram muito crédito a uma eventual invasão de França, como se viu, depois, em 40 e com o regime de Vichy que, posteriormente, foi instalado.
      não é apenas um romance de guerra, aliás, a guerra está presente, mas as histórias são sobre a vida quotidiana dos franceses, ricos e pobres, da cidade e do campo, quando os alemães vivem em casa dos primeiros e da convivência que acaba por surgir, simpatias, amizades...

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  3. não posso dizer mal dos correios. enviei este livro na quinta, chegou na sexta. registado, claro.

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    1. Miguel, ... aliás Margarida ;) Os correios estão um must, só trocam o nome dos remetentes e colocam-nos em alerta durante o fim-de-semana a conjecturar que desconhecido nos poderia enviar algo registado!... ;)

      Estou desejosa de começar o livro... É um período terrível na história de França... Muito obrigada. Bjs

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  4. Despertou-me o apetite, Margarida. Vou por na lista de compras na segunda segunda feira de Abril da Bertrand ( passe a publicidade...)
    Beijinho

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    1. há algum tempo que não o encontro na bertrand. todavia, estão lá dois da IN que gostaria de comprar, mas... logo verei. quero despachar os que tenho ainda para ler.
      espero que goste. é um livro muito bom
      bjs.

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  5. A ocupação é um período da História que marcou indelevelmente os franceses. Aliás, grande parte da política francesa após a II Grande Guerra reflecte esses traumas. Jamais conceberam que podiam ser invadidos pelos nazis. Pergunto-me o que teria sido de nós todos caso a invasão da URSS não tivesse corrido mal e caso os E.U.A não tivessem entrado na Guerra (com a invasão de Pearl Harbor, é certo, mas entraram!).

    Há pouco tempo vi uma foto de Hitler e de mais nazis a passearem pela zona da Torre Eiffel. Fico arrepiado só de pensar que a sobrevivência do monumento esteve nas suas mãos...

    beijinho.

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    1. fico a imaginar paris cheia de cruzes gamadas, medoooo!
      bjs.

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  6. Como dizia o Arrakis, a história contada por quem a viveu ganha um outro fascínio, porque para além da História, nos traz a "pequena" História de cada um.
    Bjs

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  7. Não conhecia a autora. Obrigado pela dica.
    Este período da guerra é muito apelativo para mim, como tudo o que tem a ver com a História. E como já foi dito atrás, é importante tentar perceber o que se passou realmente em França durante, antes e após a ocupação alemã, o governo de Vichy e tudo isso.

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