domingo, 7 de julho de 2013

Ler é...

Poesia

Foto de Correia dos Santos, 1968

Esta Gente

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo

10 comentários:

  1. Sophia na sua luta política constante. :) Sophia era uma mulher convicta, determinada, politizada. Teve ficha na PIDE, bem como o marido, o inesquecível Francisco Sousa Tavares, anti-salazarista assumido (amigo do avô). Todavia, como eram de 'bem', sempre conseguiram manter a liberdade e integridade física.

    Este poema é disso exemplo. O 'abutre', oh! o 'abutre', que tanta inspiração deu a Sophia.

    (para quem leia e não saiba, António de Oliveira Salazar)

    beijinho.

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    1. como sempre, comentas muito bem.
      este poema estava aqui há semanas, resolvi colocar agora devido aos recentes acontecimentos.
      bjs.

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    2. É verdade, que belo comentário Mark.
      Eu estive este fim de semana no miradouro da graça junto ao busto dela e lembrei-me dos passeio por Lisboa que ando para organizar ; )
      Bjs

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    3. ficamos à espera desse passeio, sad :)
      bjs.

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  2. Na escola primária, os textos eram todos desta Grande Senhora :)

    Gostei muito ;)

    Beijinhos

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    1. os contos infantis foram tantas vezes lidos na primária e não só. :)
      obrigada.
      bjs.

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  3. Podes pôr muitos poemas da Sophia que eu nunca me canso.

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