sábado, 28 de dezembro de 2013

Polémica natalícia

Parece que há por aí uma polémica sobre a Cáritas e o calendário 2014 dos Bombeiros Sapadores de Setúbal. Não desmerecendo a iniciativa, abnegada e com as melhores intenções, talvez tivesse sido melhor se se tivessem mantido em silêncio sobre a recusa da Cáritas. Eu não trabalho com esta instituição, mas conheço actividades semelhantes e, sabendo da sua missão e dos seus valores, seria expectável que tal acontecesse.

Sendo a Companhia de Bombeiros Sapadores pertencente à CM de Setúbal, talvez um contacto entre os serviços sociais da edilidade e os Bombeiros tivesse sido mais aprofundado. Digo eu, mas até pode ser que tenham trocado umas palavras, não sei. Setúbal, infelizmente, não tem falta de pessoas que precisam de ajuda, talvez a Cáritas não tivesse sido, de facto, a entidade certa.

Não é porque somos pobres que deixamos de ter o nosso orgulho e valores. Já basta a situação de pobreza e de miséria, para, além disso, recebermos todas as ofertas de mão estendida e agradecermos, humildes, e aceitarmos tudo sem questionar.

Até pode ser que eu compre um ou outro calendário, na minha opinião, não tem mal nenhum, mas é a minha opinião; quando lidamos com pessoas fragilizadas e que perderam tudo ou quase tudo na vida, temos que ter muito cuidado com este tipo de iniciativas. Temos que nos colocar no lugar do outro e acho que foi isso que falhou quando os Bombeiros escolheram a Cáritas.

21 comentários:

  1. Olha, concordo contigo. Apesar de achar um calendário muito interessante,assim como a idéia, creio que existirao outras instituições igualmente necessitadas, e cujo conteúdo não choque com os seus valores. E Tb concordo que não deveriam ter tornado público a instituição que tinha recusado esse apoio...

    Um Beijinho

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  2. A minha Avó tinha uma palavra óptima para estas coisas muito "mbrulhadas". Dizia que eram "chochadas"!!!

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  3. ""
    Sério ?
    Estamos mesmo num Portugal de brandos costumes...
    De resto também penso como tu. Vamos aprendendo.

    ##

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  4. Estes falsos moralismos em Portugal, até dá pena na alma

    digo eu...

    Se os homens estivessem nus, até compreendia. Agora de tronco nu?A! Basta sair à rua num dia de calor.. lololol

    Beijinhos

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    1. compreendo o que queres dizer, mas não altera o facto de ser assim que trabalha a Cáritas, de modo que não há nada que possamos fazer a não ser respeitar. e não faltarão entidades que não se importam em colaborar com esta iniciativa.
      bjs.

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  5. Pois eu discordo em absoluto. Foram bastante mal agradecidos, visto que esta polémica não tem razão de ser. Não se trata de valores. Homens em tronco nu? Absolutamente normal. Aliás, a Cáritas, além mal agradecida, revela uma tremenda falta de humor.

    Que fiquem com o orgulho, então. Espero que outras instituições, porventura mais merecedoras, venham a beneficiar desta ajuda engraçada, leve, descomprometida e útil.

    Detesto falsos moralismos.

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    1. eu detesto muita coisa, mas prefiro respeitar o trabalho de entidades que trabalham no terreno nesta área. como eu referi, é preferível saber quem recebe os donativos a dar por dar. é a minha opinião. se são orgulhosos, não é apenas a Cáritas, mas também muitos dos mais pobres e mais fragilizados. e não é por ser um trabalho engraçado e descomprometido e por serem homens em tronco nú. para mim é normal, mas para muitos não o é e eu sei, porque oiço isso muitas vezes. como oiço em resposta 'é pobre e mal-agradecido'.
      é o país que temos, sim, mas há que respeitar.

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    2. Tens todo o direito em ter o teu ponto de vista, assim como eu o meu.

      Acaso estivesse numa situação de fragilidade e carência, jamais recusaria uma ajuda. Recusar-se um apoio desinteressado, utilizando argumentos pejados de preconceito e moralismo bacoco? Por favor, não consigo conceber tal coisa.
      Por serem homens em tronco nu é que não compreendo, embora aceite. Enfim, somos livres. E, sim, são pobres e mal-agradecidos.

      'Fazer o bem sem olhar a quem', nunca fez tanto sentido como agora. Parabéns aos bombeiros e à sua louvável iniciativa.

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    3. espero que nunca estejas em tal situação, Mark. uma coisa é falar por falar, outra e passar por isso e esquecer tudo. compreendo que seja o teu ponto de vista, mas dos outros, só eles sabem. pobres e mal-agradecidos é a resposta mais triste que oiço, só por serem pobres têm que desistir dos seus valores, do que acreditam, e sim, muitos deles aceitam para não morrerem à fome e pelos filhos, mas acredita que lhes é muito difícil. e se esses pobres são preconceituosos e moralistas, se calhar são, mas quem somos nós para os criticar? não, aceitem, pobres e mal-agradecidos, aceitem tudo.

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  6. Valor um homem em tronco nu? Por favor, Margarida. Não se trata de dinheiro angariado através da prostituição ou algo semelhante. Trata-se de uma iniciativa engraçada, diferente, admito, pouco usual, mas nada mais.

    É um dinheiro limpo, honesto, conseguido à custa de umas fotografias que não têm nada de errado ou de sujo. Lamento, mas esses argumentos caem por terra. Não sou conhecido por defender a nudez ou a libertinagem; aqui, contudo, não vejo nada de errado, como, aliás, qualquer pessoa de bom senso. Valores? Não me falem de valores quando o que está em causa é ajudar! Uma nudez parcial!

    Bom, encerro aqui o assunto porque já se está a extrapolar para os bons e os maus da fita. Não estou nessa situação, hoje, quem sabe amanhã? E, estando, aceitarei de bom grado a ajuda de um bombeiro que se deixe fotografar para me ajudar. E tenho valores.

    um beijinho.

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    1. mais uma vez, concordo, mas é a minha opinião, Mark. mas não a de entidades que trabalham com os mais necessitados e de muitas pessoas que estão nessa situação.
      não há bons nem há maus neste caso. na minha opinião, os bombeiros escolheram mal a entidade, sabendo da sua missão. e também erraram ao divulgá-la. tinham recebido a nega, escolhiam outra e encerravam o assunto. não é a entidade que tem que se adaptar aqueles que oferecem a iniciativa, lamento, mas não é. por isso, há entidades que têm diferentes destinatários, há instituições cristãs, leigas, sociais, culturais, etc.
      e como eu disse, não tenho nada contra bombeiros semi-nús. eu também tenho valores e também aceitaria receber donativos de vendas de fotos de bombeiros, hospedeiras e afins. mas eu sou eu e tu és tu. há muitos que pensam de maneira diferente.
      bjs e boa noite.

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  7. Também não concordo Margarida. Até porque tornar público, o objecto, ou a entidade que se pretende, ajuda a promover a iniciativa, além do que consegue obter mais receitas e é isso que se pretende. Quem recebe a ajuda da Cáritas não quer saber de onde o dinheiro. Que ser ajudado porque precisa. Senão, como ficava o Banco Alimentar? Até porque se formos perguntar a todas as pessoas que a Cáritas ajuda, se calhar, a maioria delas, até apoia a iniciativa e a aplaude. Se dizes, que têm os valores deles, e assim, tens toda a razão. Mas as pessoas que eles ajudam, têm também com certeza outros valores, e não é por isso que se deixa de ajudar. Aliás, o dinheiro do calendário é menos digno, do "outro"? Se queremos ajudar quem precisa (e hoje em dia são muitos, infelizmente) não podemos "apenas" aceitar a ajuda de quem achamos "melhor", mais "aceitável pela sociedade", porque se assim for, então não estamos a ajudar... estamos a ser caridosos... e eu prefiro ser solidário.

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    1. concordo, mas eu já ouvi muita coisa menos meritória. eu percebo e aceito, mas independentemente da nossa opinião e desta iniciativa, que acho válida, a Cáritas não foi a melhor escolha. muitos não querem saber, mas muitos querem, sim, muitos pobres têm uma educação muito conservadora e cristã e para eles é terrível. e é para esses, ou para muitos deles, que a Cáritas trabalha. a Cáritas, não esqueçamos...
      eu prefiro ser solidária, mas nunca exerceria um trabalho de voluntariado para uma organização na qual não me identificasse. e frizo, eu não trabalho para a Cáritas nem em qualquer instituição de cariz religioso.

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    2. Tens razão Margarida! Desculpa-me. Esqueci-me que entre esses que são ajudados, há aqueles que também têm as suas convicções (com as quais não concordo), e que preferem passar fome a aceitar a ajuda vinda de um "calendário de homens em tronco nu". Não tinha pensado nesse "pormenor" e assim, tendo que voltar um bocadinho atrás, e refazer a opinião que já tinha formado. De facto, a Cáritas é uma organização "diferente", que abrange talvez, um faixa de população muito especifica. Tenho pena, que ainda se viva destes preconceitos. Porque no fim de tudo é disso que estamos a falar. De preconceitos.

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    3. esta tarde passei por um placard que dizia 'cáritas diocesana de lisboa'. e sabemos como as instituições religiosas ligadas à icar são conhecidas por serem liberais...

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  8. E vivam os bombeiros que deram o "corpo ao manifesto" por uma causa nobre! Se já eram os heróis por nos defenderem de inúmeras coisas, agora ainda o são mais! [E não, nenhum dos "eleitos" faz o meu género, eu gosto de pessoas mais "comuns" e menos "desenvoltas :P]

    Beijinhos :3

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    1. concordo em absoluto. irão, com certeza, apagar (ou acender? :D) o fogo a muita gente.
      a causa não deixa de ser nobre, é um facto.
      ainda não vi os diferentes meses com detalhe, só fui ao site deles para saber da sua história.
      bjs.

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  9. Se o Papa Francisco soubesse disto despedia o Presidente da Caritas, além de ter os seus princípios e valores é um homem de mentalidade aberta, o que não acontece nos restantes católicos.

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    1. provavelmente. a icar terá que dar uma grande volta.

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