quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Condomínio da Rua em modo solidário

'Condomínio da Rua' é a peça que está em exibição no Teatro D. Maria II até dia 10 de Fevereiro.

Este texto inédito aborda os submundos do ser humano, os seus segredos e dilemas e traz a debate a questão da exclusão social, dos dramas pessoais daqueles que vivem na miséria e as suas implicações patológicas, familiares, culturais e sociais.

Toxicodependentes, um fanático religioso, um combatente da guerra do ultramar, bêbados, loucos, que, durante uma hora e quinze minutos, discorrem sobre a sua situação, num armazém abandonado transformado em lar precário.

No âmbito da campanha de solidariedade que o Teatro D. Maria II levou a efeito no passado domingo, a entrada foi gratuita na troca de alimentos para a Comunidade Vida e Paz.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Bimbox

Todos os dias almoço no meu local de trabalho. Não levo marmita nem almoço no refeitório, porque encontrei uma empresa que confecciona os pratos na bimby e é, não só mais barato, mas também muito melhor.

Agora estão a lançar um novo produto, conforme li no facebook.


Faltam-me as palavras...

domingo, 27 de janeiro de 2013

A mancha e os dedos


A rapariga tinha uma mancha roxa na face esquerda. Começava na pálpebra, descia pela maçã do rosto e terminava num pingo de cor junto ao queixo. Parecia que deus tinha brincado com o tubo de guache e, a dado momento, tivesse carregado com um pouquinho mais de força, derramando um feixe de cor na sua pele alva.

O rapaz tinha seis dedos na mão direita. Junto ao dedo mindinho, existia, mais pequeno, um outro. Talvez deus se tivesse aborrecido de brincar no barro e resolvesse moldar um dedo extra à sua criação.

Ele deslizou a mão de seis dedos pela face esquerda dela, como um dedilhar suavíssimo nas teclas de um piano, tocando uma melodia quase inaudível, ou a espuma que sobeja numa onda rasteira e deixa um beijo tímido na areia.

Ela fechou os olhos e esperou. Com a ponta dos dedos, ele desenhou a ternura naquela tela violácea, num coração cheio de amor e numa flor cujo caule terminava no canto dos lábios. 

Observo-os da janela, entre tragos da bebida. Protegiam-se da intempérie debaixo do toldo do bar. Até eles terem aparecido para se abrigarem da chuva, o anoitecer caía negro, chuvoso e triste. 

Naquele momento, como um fio de cor que escorrega pela lata de tinta, de entre os seis dedos do rapaz que amavam a mancha roxa da rapariga, o amor explodiu num sorriso cor-de-rosa que coloriu os lábios dela e fez cintilar os olhos azuis dele.

A noite, finalmente, brilhou.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Rentaneko (rent-a-cat)

Uma comédia deliciosa. Deste filme, já tinha colocado duas imagens há uns posts atrás.

De megafone na mão, sombrinha e carrinho com os felinos que empurra à beira-rio, uma rapariga anuncia o seu negócio de alugar gatos a pessoas que se sentem sozinhas. De espírito aguçado e tendo em conta as particularidades dos clientes, aluga o gato certo para cada um, preeenchendo, assim, o vazio nos seus corações, seja por morte do cônjuge, afastamento dos filhos ou inexistência de amigos.

Mas ela também se sente sozinha, após a morte da avó. Ninguém conversa com ela, excepto os clientes e um personagem estranho que, de quando em vez, aparece junto a sua casa.

A dada altura, num dos seus passeios, reencontra um antigo colega de escola, um ladrão que também se sente tão só quanto ela.


Um filme ternurento, com gatos, amor e cura para a solidão.

A tradução para inglês é má, as legendas são um misto de inglês-castelhano, mas entendem-se para quem não sabe japonês.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Spectare

O Pedro lançou o SPECTARE - CONCURSO DE TRAILERS LITERÁRIOS das Cidades Sem Céu -  cuja primeira edição decorre de 10 a 31 de Janeiro.

Ora eu fiz um pequeno vídeo inspirado na série de livros fantásticos 'Discworld'. Li-os há muitos anos, não os tenho, atalhando a conversa, podia ter ido à biblioteca requisitar o primeiro volume em português, mas no fim-de-semana passado o São Pedro não esteve pelos ajustes e choveu a cântaros e o vento colocou este pacato país de pantanas.

Tinha lido as instruções do concurso na diagonal (para variar, como se fosse um electrodoméstico, ligo-o, carrego nos botões e depois é que vou ler as instruções), depois descarreguei a amostra em inglês do livro 'A cor da magia' no tablet, li o início e limitei-me a fazer os slides. Não coloquei legendas no vídeo, logo, relidas as instruções (está visto que fiz asneira...) estou desqualificada, isto é, desqualifiquei-me sem mesmo enviar para o Pedro.

Mas não dou o meu trabalho como vão! Aqui está o vídeo. Espero que se divirtam :)

video

domingo, 20 de janeiro de 2013

O café da minha aldeia

Descíamos o outeiro, passávamos a ponte, descíamos mais uma ladeira e virávamos à direita. Abríamos o desengonçado portão de ferro, de um verde azeitona descolorido pela passagem do tempo, mas vibrante da energia de milhares de mãos que, ao longo dos anos, o agarraram.

Era a entrada num novo mundo, o do café. A avó não saía do outeiro nos dias de semana, pois a caminhada era longa, e aguardava pelo regresso da filha à aldeia, aos fins-de-semana. 

Nessas alturas, íamos todos ao café, a avó, a mãe, o tio, eu, o meu irmão, os dois netos da tia-avó Adozinda e, muitas vezes, um casal de irmãos da quinta em frente à nossa casa, os nossos companheiros de aventuras na infância.

Aí, os adultos colocavam a conversa em dia, entre a fumarada dos mata-ratos dos velhotes que, compenetrados, jogavam à sueca, e nós saíamos para a esplanada, após choramingarmos por caramelos e algumas moedas de cinquenta centavos. Felizes com a boca cheia de doces, que se prendiam nos dentes banhados de saliva, circundávamos, excitados, a velha mesa de matraquilhos.

Aquelas chapas castanhas enormes valiam uma fortuna. Com cada uma, tínhamos direito a cinco bolas brancas de chumbo, sujas por anos de manuseamento. Com as mãos crispadas e o sobrolho franzido, defendíamos a baliza ou atacávamos a meio campo e, de um golpe ágil do punho e manobras dignas de Chalanas de nove anos, cinzelávamos para a eternidade momentos brilhantes de risos e gritos de vitória. 

Conto enviado para o 'Crónicas on the rockse publicado hoje. Obrigada, Carlos.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

The Versatile Blogger Award

O Kuma, autor do blogue 'Vírgulas do Destino', agraciou-me com mais um prémio. O sad eyes, por outro lado, também me escolheu em idêntico post. Agradeço aos dois, mas vou contornar as regras e não nomear 15 (15!) blogues, conhecemos mais ou menos os mesmos e iríamos repetir as escolhas.

Então, aqui estão sete coisas sobre mim:

I - Adoro gatos (tenho quatro), mas o único gato de quatro patas que dorme comigo é mesmo este:

II - No dia do fim do mundo, ofereceram-me esta capa felina. Safou-me do cataclismo. O próprio susto teve medo e deu meia volta.

III - Tenho um péssimo sentido de orientação. Já me perdi muitas vezes em cidades que conheço pela primeira vez. Por outras palavras, não sei ler um mapa.

IV - Não conduzo. Tirei a carta nos anos 90, mas nunca tive dinheiro para comprar um carro (e manter)

V - Não gosto de cozinhar

VI - Também não gosto de limpar a casa. 

VII - Sou adepta dos modos suaves. Adoro andar de comboio e caminhar sem rumo pela cidade. Já fui de Entrecampos até à Pampulha; da Rua do Arco do Carvalhão, por trás da ETAR, junto à Avenida de Ceuta, subi até Campo de Ourique. O normal é andar das Amoreiras até à Politécnica, descendo a Rua do Sol ao Rato. Também fui de Xabregas até aos Bombeiros Voluntários do Beato e Olivais e regressei. Tinha tempo de sobra até à peça no Teatro Ibérico.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Palácio do Fim

Foi a primeira peça deste ano, nos Artistas Unidos, no Teatro da Politécnica, a que assisti na passada quarta-feira, dia de estreia, logo, gratuita.

Encenada por Pedro Carraca a partir de um texto da dramaturga canadiana Judith Thompson, apresenta três monólogos que contam a história de três vidas reais antes da invasão do Iraque pelas tropas americanas.

A primeira personagem é uma militar americana que acabou julgada em tribunal marcial por ofensas a prisioneiros de Abu Ghraib (as fotos das pirâmides humanas correram mundo). Um monólogo violento, cru, raivoso.

A segunda personagem é um inspector de armas britânico que colocou em causa a capacidade bélica do regime de Saddam Husseim e que, misteriosamente, se suicidou.

"Uma coisa é morrer durante seis anos, outra coisa é morrer para sempre."

A última personagem é uma militante comunista que sobreviveu à tortura pela polícia secreta do ditador iraquiano em 1963, num antigo palácio que albergava as salas de tortura de Saddam (o Palácio do Fim) e que acabou por morrer durante os bombardeamentos americanos a Bagdad. A parte das torturas ao seu filho de oito anos provocou-me um nó na garganta e lágrimas que a custo contive.

Não foi nada fácil assistir a 1h40 de uma peça controversa e polémica, horrível em algumas partes. É tão diferente das que costumo assistir. Saí de lá com um sentimento de impotência e de tristeza tão grandes e a pensar por que é que as pessoas cometem tamanhas atrocidades.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Plasticina, lagarta, formiga

Sou da geração que passava horas sentada em frente à televisão a ver os bonecos de plasticina checoslovacos - seriam mesmo checoslovacos ou seriam polacos, russos? E filmes de cobóis, devorava os filmes do Roy Rogers, aos sábados à tarde. 

A preto e branco, eram assim as duas Grundigs que existiam, uma de caixa vermelha em nossa casa e outra verde azeitona em casa da avó, na aldeia. Era lá que eu e o meu irmão passávamos todas as férias até ao Natal dos meus onze anos.

Antes de irmos morar para Viseu, vivíamos num lugar ermo, longe de tudo, não havia quase nada para além das casas, um mini-mercado, a padaria da Dona Gena, a escola primária que nunca frequentei, porque fui para o magistério primário, mesmo em frente do trabalho da minha mãe, uma garagem, um parque infantil com uns baloiços e uma grande aranha de ferro que dava para fazer acrobacias e de onde me espetei cara no chão várias vezes. A paragem da camioneta, os cafés, as lojas, a igreja ficavam a uns dois quilómetros, palmilhados, então, de segunda a sexta e ao domingo, dia do senhor deus e de ida obrigatória à missa.

Dessa altura, o que mais me recordo, para além dos quilómetros caminhados, são das lagartas dos pinheiros, pois vivíamos bem perto deles, junto a um pinhal onde brincávamos, filas de lagartas no chão, e das borbulhas que eu apanhava por causa delas.


Também a casa da avó, na aldeia, ficava num outeiro, afastada do centro do povo e aí não havia mesmo nada, excepto uma pequenina capela. Os cafés, a loja que vendia de tudo um pouco, a igreja, a estação do caminho-de-ferro, o cemitério ficavam muito longe.

Havia liberdade para andar na aldeia, nos campos, no nosso pinhal, que ainda tínhamos umas terras nessa altura, e apanhávamos pinhas com que enchíamos sacos de serapilheira e depois colocávamos no carrinho-de-mão. Bem o tentávamos empurrar, mas éramos miúdos demais e isso ficava a cargo do meu tio até casa.

Havia doces maravilhosos, que a avó tinha uma mão para a doçaria e nunca mais comi uma geleia de marmelo ou um doce de abóbora como ela fazia, mesmo com formigas que subiam pelo frasco, se o deixassse aberto na mesa da cozinha. E dei voltas à cabeça até recordar de onde tinha lido sobre formigas, sim, foi em 'No Meu Peito Não Cabem Pássaros', e se há algo que me prendeu a este livro, para além da escrita maravilhosa, foi a avó [a minha avó não foi exactamente uma avó como a descrita nem existiam antepassados famosos, com excepção, tavez, do Capitão L., segundo a placa que está na parede do cemitério e das inúmeras ruas com esse nome por este Portugal fora (mas julgo que não é do meu ramo da família, mas de outro, bem, parente afastado, assim sendo)].

'As formigas do Verão: São as formigas que trazem o Verão para casa. Dividem-no em partes muito pequenas e carregam-no às costas por caminhos só delas. Quando chegam, vão até à cozinha e descarregam-no nos doces e na fruta. O Verão é doce porque está nas coisas doces, mas às vezes é também amargo porque se trincam as formigas' - No Meu Peito Não Cabem Pássaros, Nuno Camarneiro.

Havia uma lareira na cozinha e o resto da casa da avó era gelado no inverno e a braseira circulava inúmeras vezes da cozinha para a sala, onde era depositada em lugar próprio, no suporte debaixo da grande mesa redonda, que se tapava com uma linda toalha azul e depois com outra de renda, feita pela avó, e lá ficávamos, à sua volta, nas longas tardes invernosas, chuvosas e frias, não só a ver televisão, eu e o meu irmão, e muitas vezes um casal de irmãos da casa da frente, que tinham mais ou menos a nossa idade, mas também a jogar ludo, muito ludo foi jogado naqueles tempos, às cartas, a ler o pato donald, o tex e a queimar a ponta das meias grossas, porque aproximávamos os pés das brasas ainda incandescentes.

Por essa altura, os desenhos animados japoneses eram (e ainda são) os meus preferidos. 'Conan, o rapaz do futuro', 'As aventuras de Tom Sawyer', 'Belle e Sebastião' são alguns desses exemplos.

Hoje em dia, o gosto por este género de desenhos animados permanece, claro, e se não revejo estas séries é porque tiveram um momento próprio, dos cinco, seis anos, até aos doze, treze. 

Estando a terminar a década dos trinta anos, todavia, não deixo de gostar de desenhos animados, sendo um dos meus filmes favoritos 'O Castelo Andante'. Anda por casa há anos o dvd em japonês, muito melhor que a versão encontrada no vídeo colocado.
 

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Abalado de ventos e as mulheres

'fique com a mão aí por um bom tempo, segure como deve ser para não mostrar ao ar o que lhe está aberto, se lhe entra ar fica abalado de ventos e a cabeça vai-lhe aérea e inválida. foi como o segurei, incansado a redimir-me do acto e a imaginar nuvens e mais nuvens a entrar por aquele buraco adentro até que o meu pobre e fiel teodolindo ficasse burro de vez.' - p. 54.

'as mulheres só são belas porque têm parecenças com os homens, como os homens são a imagem de deus. não é heresia, pensa bem, se se parecessem mais com cabras do que com homens nem natureza para nós teriam. precisam de nos parecer sem alcançar igualdade, que para isso estamos cá nós.' - p. 121.

valter hugo mãe, o remorso de baltazar serapião, QuidNovi, 2006.

Acabei de o ler. Primeiro custou entrar no estilo de escrita de vhm, diferente, tão diferente como incluir os diálogos no mesmo parágrafo, sem pausas, a pontuação subvertida, como na escrita de Saramago.

Não há pausas, há amor ciumento, doentio, de baltazar pela sua bela ermesinda, no Portugal feudal, ermesinda mulher formosa que, ao longo do tempo, vai ficando estropiada, desfigurada.

Há, também, a sarga que é uma vaca, mais humana que os humanos, tão bestializados nesta prosa. Não desgostei, mas não será para reler, confesso. 

domingo, 6 de janeiro de 2013

Um ano depois


É altura de remodelar o blogue. Os gatos aspiram o chão e eu pinto as paredes. Novas cores, o violeta é uma das minhas preferidas. Ajeitam-se as prateleiras, arquivam-se os assuntos com jeitinho e apruma-se, então, este canto para mais um ano.

O primeiro post que publiquei foi o vídeo dos Queen 'Don't stop me now' e não sabendo que nome escolher, escolhi o 'sem nome'. O pinguim comentou-o, claro.

A opção de imediato tomada foi não me esconder atrás de um nome fictício e agregar o blogue ao correio electrónico pessoal, mas usado há alguns anos. Por outro lado, também é verdade que não o divulguei. Ninguém sabe, nem amigos, nem colegas de trabalho, nem familiares. Se alguém o conhece, nunca mo comunicou e entra mudo e sai calado (por norma, os anónimos não comentam).

Fui desvendando, aos poucos, a minha vida, quando senti que estava mais à vontade. De posts sobre livros, gatos, músicas, reivindicações, manifestações (ainda hoje não entro no pingo doce), comecei a referir a família (com excepção de um dos primeiros posts sobre a minha irmã, que faz anos a 15 de janeiro), um irmão, um sobrinho, doença. Foram imensos os posts lamurientos em outubro. 

Outros assuntos, no entanto, ficam omissos, comentei-os, mas ao de leve, são realizações muito especiais e reservo-as para mim, para já.

2013 é um ano de viragem, para pior, certamente. A altura não é fácil, mas vou tentar encontrar momentos de paz e serenidade que me darão forças para enfrentar as adversidades.

Para terminar, se no início tive necessidade de escrever todos os dias, várias vezes, até, a partir deste ano, os posts serão mais espaçados, de dois em dois dias, de três em três; se se justificar, publicarei diariamente, mas será a excepção e não a regra.

Se comecei este post com um gif do meu animal favorito, termino com o meu poeta do coração (publiquei-o no dia 19 de junho, mas é tão bonito que repito) e obrigada pela vossa presença.



Acontecimento 
Aí estás tu à esquina das palavras de sempre
amor inventado numa indústria de lábios
que mordem o tempo sempre cá
E o coração acontece-nos
como uma dádiva de folhas nupciais
nos nossos ombros de outono
Caiam agora pálpebras que cerrem
o sacrifício que em nossos gestos há
de sermos diários por fora
Caiam agora que o amor chegou 

Ruy Belo, Todos os Poemas, Aquele Grande Rio Eufrates, Círculo de Leitores, 2000

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Put on a happy face

 

(continuando a desejar um bom ano, que enquanto se escutam coisinhas boas como esta, esquece-se o resto)

take off the gloomy mask of tragedy,
it's not your style;
you'll look so good that you'll be glad
ya' decide to smile!