sexta-feira, 29 de março de 2013

André Kertész - o prazer da leitura

Rapaz come um gelado enquanto lê a banda-desenhada numa pilha de jornais, Nova Iorque, 1944


A leitura, Esztergom, Hungria, 1915


   
Casal a ler junto à Fonte de Médicis, Paris, 1928
  

 Homem a ler num antiquário, Nova Iorque, 1969


Menina vestida de fada a ler, Nova Iorque, 1938
 
O prazer da leitura, a solidão das pessoas imersas num romance, numa carta, num jornal, imagens belas, poéticas, românticas, de leitores nas ruas, nos cafés, em lojas, em jardins, em esplanadas ou em varandas, estranhos que num momento pessoal foram, para a eternidade, captados pela fabulosa lente de André Kertész (1894-1985). Imagens que nos fazem imaginar, sonhar, que nos transportam para lugares distantes.

'Pessoas a lerem, muitas, uma visão muito particular da leitura, misteriosa, compulsória, e se por um lado temos a fotografia como arte que se compromete com o exterior, por outro lado a leitura, pelo menos a leitura solitária, silenciosa, é pura interioridade. O que é comum a todas as fotos, invisível mas palpável, à medida que as páginas são folheadas, é a 'ausência'. Quando vemos uma foto de uma pessoa a ler apenas sabemos que ele ou ela está 'ausente', mas não sabemos 'onde' poderá estar (S. Petersburgo, Kansas, labirinto de Creta, a imaginação não tem limites).'
[adaptado do artigo que está no primeiro link, sobre o livro com o mesmo nome ('On Reading'), publicado pela primeira vez em 1971 e à venda na Wook.]



'Mestres da Fotografia', BBC, 1983


Para terminar, deixo o desafio:
Alguém sabe identificar o quadro que aparece nesta fotografia que pertence a esta série 'On Reading'?

 Taça com frutos e quadro, Nova Iorque, 1951

(mais: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui)

terça-feira, 26 de março de 2013

Sentimentalmente obtusa

'(... Acho que sofria, isso sim, de uma inabilidade crónica para o amor. Era sentimentalmente obtusa. Mas, claro, eu sou suspeito: doem-me os cotovelos. Afinal de contas fui aquele que Kianda não quis ou não soube amar.)
p. 325

José Eduardo Agualusa, Barroco Tropical, Dom Quixote, 2009, 2.ª edição.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Suite Francesa

'Oh, meu Deus, era aquilo a guerra... Um soldado inimigo nunca parecia estar sozinho - um ser humano diante de outro; era sempre seguido, acossado por todo o lado por um povo inumerável de fantasmas, os fantasmas dos ausentes e dos mortos. As pessoas não se dirigiam a um homem, mas a uma multidão invisível.'
p. 322


Escrito em plena tormenta da História, Suite Francesa descreve quase em directo o Êxodo de Junho de 1940, que reuniu numa desordem trágica famílias francesas de todos os quadrantes, das mais abastadas às mais modestas. Com grande ventura, Irène Némirovsky persegue as inúmeras pequenas cobardias e os fracos gestos de solidariedade de uma população à deriva. Cocottes abandonadas pelos amantes, grandes burgueses enojados com a populaça, feridos abandonados em quintas... Pouco a pouco, o inimigo toma posse de um país inerte e amedrontado.

Ucraniana de origem judaica, IN nasceu em Kiev, em 1903, e conheceu o sucesso aquando da publicação do seu primeiro romance David Golder (1929). Após a capitulação da França em 1940, refugia-se numa aldeia, antes de ser detida pela polícia francesa e ser deportada para Auschwitz e assassinada, no Verão de 1942. Com treze anos, Denise, a sua filha mais velha, leva na sua fuga uma mala com uma dolorosa relíquia: o derradeiro manuscrito da sua mãe.

É um romance assombroso, intimista, implacável, desvelando com uma lucidez extraordinária a alma de cada francês durante a ocupação, para além de estar enriquecido e completado pelas notas e pela correspondência de IN.

sábado, 23 de março de 2013

Aristogatos XVI

O Farrusco tem boca doce. É o único gato (a Alice só cheira, curiosa) que lambe o iogurte, mete a pata, o focinho e lambuza-se todo :)


quinta-feira, 21 de março de 2013

Yo no creo en brujas

Ainda a propósito da oferta da minha monografia à CM de Lisboa, ontem fui ter com a técnica do GEO. Conversa puxa conversa e fiquei a saber que os seus sogros vivem muito perto da minha aldeia. Ela tem a minha idade, mais ou menos, e o filho passa as férias com os avós e costuma ir de bicicleta até ao lugar onde eu passei a minha infância. Onde agora é a ecopista do Dão, antes passava a linha de caminho-de-ferro. Muitas caminhadas fiz eu por aquela linha...

Pois é, yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay...

quarta-feira, 20 de março de 2013

Ossos do ofício

[Situação: Margarida e chefe analisam os pictogramas de uma campanha para ciclistas.]

Margarida: A bicicleta deve ter luzes.

Chefe: Bem notado, bem notado.

Margarida agarra no papel que tinha o boneco sentado de frente na bicicleta e faz um farolim.

Silêncio.

Margarida e chefe reparam no círculo desenhado sobre os tintins do pictograma.

Margarida procura um buraco para se esconder.

terça-feira, 19 de março de 2013

O Pai

   O menino, numa voz límpida como um passarinho que trinava na tília ao lado da oficina, pedia bonecas. Bastara-lhe erguer os olhos. O seu apelo silencioso derreteu, mais uma vez, um pai de rosto imperturbável, maxilar saliente, cabelo grisalho e sobrolho franzido que provocava duas rugas profundas que sulcavam verticalmente o meio das sobrancelhas. E lá iam os dois ao armazém da vila. Eram olhados de lado, as cabeças abanando em desprezo, comentando em voz baixa, um menino pedindo tais coisas quando devia seguir a profissão do pai, ser o sustento do velho quando já não pudesse trabalhar, e ele ainda incentivava tais desvarios. O pai fazia ouvidos moucos e olhava em frente, colocando uma mão protectora nos pequenos ombros da criança.
   O pai nunca sorria com a boca nem com os olhos e o menino, desde muito cedo, aprendera a olhar para os seus lábios direitos como uma aduela e para os seus olhos pretos como telhas de ardósia que abrigavam aquele corpo de um metro e setenta e sete centímetros de altura e oitenta e quatro quilos.
   As mãos do pai eram duas árvores cheias de vida, como que compensando o calor ausente do olhar e da boca. Procuravam a criança, uma mão e outra de cada vez, e cinco enormes dedos, como ramos sedentos, tacteavam o seu rostinho rechonchudo, deixando na pele macia o cheiro a óleo do motor dos automóveis. Cobriam-lhe a cara toda e as unhas farruscas deixavam pequenos sulcos como regatos de água num carreiro seco.
   Sentia o calo na ponta do indicador direito, a cicatriz na palma da mão esquerda, a aspereza dos dois polegares que esfregavam as suas têmporas quando se queixava de dores de cabeça. Os dedos afundavam-se no seu cabelo liso e macio, afagavam-lhe a nuca com um vigor que em outra pessoa, poderia magoar, mas ele gostava.
   Ao pequeno-almoço, uma mão afagava-lhe o cabelo enquanto a outra lhe enchia a caneca com o leite e misturava o chocolate em pó; ao fim da tarde, quando regressava da escola, uma segurava-lhe a mãozinha direita e ensinava-lhe as primeiras letras e a outra apertava-lhe o ombro esquerdo. Aos domingos, atavam-lhe os atacadores dos sapatos brilhantes de graxa preta.
   Era um pai tardio, inesperado aos cinquenta e dois anos. Uma noite, afugentou a solidão numa aldeia vizinha. Nove meses depois, uns dias após os Finados, uma mulher, já mãe de quatro filhos e marido emigrante, depositava-lhe nas mãos um bebé de olhos brilhantes e bochechas rosadas e quentes. A partir desse dia, amava pela primeira vez.
   Felizes, regressavam a casa, um pai idoso, taciturno, vestindo um fato-macaco azul-escuro manchado de óleo e o seu filho de cabelos lisos, rosto macio e olhos cintilantes, abraçado a uma boneca.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Me, myself and I VI

Em 1997, fui bastante poética quando escrevi o índice da monografia apresentada no âmbito da disciplina de Seminário de Investigação do 4.º ano do meu curso. Rezava assim:
  • Agradecimentos.
  • À guiza de prefácio ou confissões da escriba.
  • Introdução: Pena e tinteiro, Malinowski e internet ou propostas metodológicas.
  • Capítulo I: Dos arrabaldes mouriscos à popularidade de um bairro alfacinha ou análise histórico-geográfica da Mouraria; O ano da Peste ou sinopse histórica da Procissão.
  • Capítulo II: Da ermida de São Sebastião à capela de Nossa Senhora da Saúde ou origem da capela do culto; Somos vossos Irmãos e vossas Irmãs ou a Real Irmandade de Nossa Senhora da Saúde e São Sebastião.
  • Capítulo III: Nas vésperas do grande dia ou os preparativos da Procissão da Saúde; Nossa Senhora da Saúde dormiu fora esta noite ou a Procissão de Velas da Mouraria à Sé.
  • Capítulo IV: Velas, promessas música e Militares ou uma Procissão de Acção de Graças; A viagem dos Santos da religião católica ou o papel dos vários santos; Venha a nós o Vosso Reino ou o povo como o grande participante.
  • Considerações Gerais.
  • Bibliografia.
  • Anexos.
E depois, a escriba (:D) abria cada capítulo da seguinte forma:
  • I - Miguel Torga (Diário IV, pp. 22-23): ...'A ciência social não é ainda uma ciência controlada, onde as reacções estejam previstas, com cadinhos para o ouro e chaminés para a escória. Aqui é preciso aceitar tudo, porque trigo e joio fazem parte do mesmo corpo, sem possibilidade de separação. Daí multiplicidade, partidas, controvérsias, oposição. E isto é força, é dialéctica, é criação. A uniformidade social é a monotonia de um batatal. E a história perdoa tudo, menos a monotonia.'
  • II - Eça de Queiroz, A Cidade e as Serras, pp. 94-95.
  • III - Ernst Cassirer, Essai sur l'Homme, p. 43.
  • IV - Marcel Mauss, Ensaio sobre a Dádiva, p. 185.
  • V - Mircea Eliade, Tratado de História das Religiões, p. 582.

Tive 16 valores com esta brincadeira :)


(OMG, eu discuti com o Mesquitela Lima 'a monotonia de um batatal'!)

quinta-feira, 14 de março de 2013

Me, myself and I V

Está uma pessoa a trabalhar muito concentrada e recebe um telefonema sobre a tese de licenciatura que terminou algures no final do século passado (1997). O tema escolhido deveu-se ao facto de, naquela altura, viver na Mouraria e o trabalho de campo estar ali à mão de semear (isto é que é ser prática e não, não é o Fado). 

Fiquei a saber que as teses que estavam na biblioteca da FCSH e escritas antes de 2005 foram destruídas (gostava que me confirmassem isto), incluíndo, assim, a minha. Não existindo em suporte digital, perderam o único estudo (disse-me a pessoa da CM de Lisboa) sobre esse tema.

Com um sorriso de orelha a orelha, respondi que iria procurar a monografia (não lhe disse que estava na arrecadação - já não lhe coloco os olhos há uma década) e oferecê-la ao Departamento de Património Cultural com todo o gosto.

Já (por telefone, ok) me convidaram a colaborar com eles (voluntariamente, claro está). 2013 está a começar muito bem e pode ser que regresse às minhas origens. É cruzar os dedos :)

Comics VIII

terça-feira, 12 de março de 2013

Obrigações de amizade

'Amigos,
Para aqueles a quem eu não dei a boa notícia do nascimento do M. (junto fotografia) ou a quem não desejei um ano de 2013 só com coisas boas e tranquilidade para todos os dias termos um sorriso sem limites para a nossa família e amigos.
A todos um grande abraço,
N.'
 


O N. e eu fomos colegas de trabalho durante muitos anos, não na mesma sala, trabalhávamos em áreas diferentes, mas no mesmo departamento, e acabámos por ficar amigos. O N. é muito especial, digamos, com as suas idiossincrasias. Uma vez, fui ter com ele e reparei que estava a usar o rato com a mão esquerda. Sendo dextro, como eu, achei estranho e perguntei a razão e ele lá respondeu qualquer coisa como exercitar o lado do cérebro (esquerdo, direito?, não me lembro) e a mão. E durante meses, trabalhou assim. Muitas vezes, nas suas costas, tornava-se alvo da troça de outros colegas.

Eu gostava dele, exactamente por ser assim, por não se subordinar ao sistema, por não ir 'em grupos', por se manter na sua; neste aspecto, somos muito parecidos. Para mim, a selecção das amizades no local de trabalho, um micro-cosmos sui generis onde passamos cerca de 8 horas por dia, não é sinónimo de arrogância e desprezo.

Há algum tempo que não tinha notícias suas. Não existe a obrigação de telefonarmos nem de nos vermos amiúde. Por outro lado, acho muito importante que as amizades devam ser estimuladas, daí essa 'obrigação' que ele refere no email e, sempre que possível, provocar-nos um sentimento de felicidade como aquele que eu senti quando li as suas palavras. Dentro de mim, cresceu alguma coisa parecida como um sol radiante, é isso, e fiquei o dia todo com um sorriso nos lábios.

domingo, 10 de março de 2013

Na mira

Os olhos brilhantes observam os pombos saltitando no passeio enquanto debicam o farelo atirado pela janela do rés-do-chão. Os ouvidos atentos captam os sons, a cabeça girando para a direita, seguindo o velhote do quiosque que refila com a velha que alimenta os pássaros, ‘Cambada de porcos que me borram as revistas!’, vocifera, abanando os braços. Parece um helicóptero que tenta levantar vôo, com os braços compridos como duas pás sacudindo o ar tapados pelas mangas do casaco escuro e largo. O olhar curioso detecta o frenesim do homem, andando de um lado para o outro, afastando as aves.

‘Maldita velha!’, ele resmunga, regressando ao cubículo. Ajeita as pilhas de jornais, volta a prendê-las com os oitocentos e cinquenta gramas de chumbo em forma de paralelepípedos. Aos diários generalistas seguem-se os desportivos, depois os sensacionalistas e, por fim, os semanários. Alinhados muito direitos, como se esperassem o sargento para a revista diária. 


Do seu lugar, vêem tudo isso, mas os olhos continuam a procurar outro alvo. Encontram-me sentada na esplanada do café ao lado do prédio. Descobrem-me a olhar para eles, com o pescoço erguido para a janela do segundo andar.


Fixa em mim os olhos, enfrenta-me sem pestanejar, é um duelo silencioso. Debato-me, o coração bate mais rápido, as narinas contraem-se e sei que estou perdida.


Com um golpe final, um sorriso malicioso surge. Baixo os olhos, rendida.


Na mesa, deixo o dinheiro do café e vou ter com ela.

quarta-feira, 6 de março de 2013

O Grande Medo do Pequeno Mundo

É um disco fabuloso do Samuel Úria. Sabem aquele momento em que se escuta uma música e ficamos apaixonados por ela? Pois foi o que me aconteceu, mas não apenas por uma, mas pelo álbum inteiro. 

A voz, as letras poéticas, as melodias, a melancolia, os maravilhosos artistas convidados (entre eles o António Zambujo) encontram-se reunidos nesta pérola.
.
 


 
 
Sim, já o tenho. :)

terça-feira, 5 de março de 2013

Fantasia

'O Aleph', de Jorge Luis Borges, é um livro de contos fantásticos. Um deles, 'A Outra Morte', é sobre Pedro Damián, que morreu duas vezes:

'Modificar o passado não é modificar um só facto; é anular as suas consequências, que tendem a ser infinitas. Por outras palavras: é criar duas histórias universais. Na primeira (digamos), Pedro Damián morreu em Entre Ríos, em 1946; na segunda em Masoller, em 1904. Esta é a que vivemos agora, mas a supressão daquela não foi imediata e motivou as incoerências que narrei. No coronel Dionisio Tabares cumpriram-se as diversas etapas: no princípio, lembrou-se de que Damián agira como um cobarde; depois, esqueceu-o por completo; em seguida, recordou a sua morte impetuosa. Não menos confirmativo é o caso do encarregado do posto, Abaroa; morreu, assim penso, porque tinha demasiadas recordações de Pedro Damián.' 

Lembrei-me de um episódio da 'Quinta Dimensão', sobre um homem que visita a cidade onde cresceu e, a dado momento, deambulando pelo parque da cidade, encontra-se consigo próprio em rapaz. Vai ter à casa da sua infância, avistando um automóvel antigo e questiona-se se não regressou no tempo para o ano de 1934. Toca à porta da casa, mas o seu pai não acredita que seja o filho em adulto. 

Volta a entrar no parque e reencontra o seu 'eu' em miúdo, tenta conversar com ele, mas este assusta-se e tem um acidente no carrossel, ficando coxo para sempre. O pai, finalmente, acredita no filho adulto, depois de ter visto o dinheiro e documentos com a data futura, e aconselha-o a procurar a felicidade em novos lugares.

As cenas finais do episódio apresentam a personagem adulta a coxear e resignada com o seu 'novo' presente.

 
(Procurei o episódio completo, mas apenas encontrei a sua banda sonora, pelo que aconselho a leitura da página da wikipédia que aqui deixo. Passaram muitos anos desde que vi este episódio e nunca mais o esqueci, sendo considerado um dos melhores desta série.)

sexta-feira, 1 de março de 2013

Hiroshima, Meu Amor

Hiroshima, Meu Amor é um filme dramático que conta a história de um homem e de uma mulher que, em 1957, se conhecem em Hiroshima. Ela é actriz, interpretando o papel de enfermeira num filme sobre a paz e ele é um arquitecto japonês. Vivem uma brevíssima (num dia e numa noite), mas intensa aventura amorosa, na qual ela recorda o seu primeiro amor, um soldado alemão da Segunda Guerra Mundial, em Nevers, quando era adolescente.

Os diálogos são longos e tristes, entre a memória de Hiroshima, o absurdo da bomba atómica, a estupidez da guerra, e a história dela. Cruzam-se duas tragédias, a da mulher, individual, e a colectiva, dos japoneses.

Emmanuelle Riva tem um papel extraordinário, grande parte das cenas são reservadas à sua história, com longos planos do seu belo rosto, do seu sofrimento, marcada pelo crime de ter amado o inimigo, acusada de ser colaboracionista.

 
(filme completo)

Saliento dois momentos, entre muitos, todo o filme é forte:
Aos 32',17'': ele, 'Tu dás-me muita vontade de amar'; ela, 'Sempre. Os amores passageiros.'
Aos 55', 50'': ele, 'Então, um dia, meu amor, tu sais da eternidade'. Ela, 'Eu vejo a minha vida que continua, a tua morte que continua.'; 'Começo a esquecer-te...'

Ele é Hiroshima, ela é Nevers, eles são memórias...

Alain Resnais realizou-o e o argumento esteve a cargo de Marguerite Duras. Ainda não li o livro, mas colmatarei esta falha brevemente.