terça-feira, 30 de julho de 2013

Gisela João


Rendi-me há uns tempos. Que voz, que presença!

Aconselho a leitura do artigo no 'Mesa de Mistura' e a escuta do novo álbum via Spotify. Escutem e deliciem-se :)

Agradeço também ao Paulo, que me indicou há umas semanas, via G+, a entrevista imperdível da Gisela João no 'Bairro Alto'. Ela é tão simples, tão humilde, com tanta piada, com um sorriso maravilhoso, que fiquei deslumbrada.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Amigos, teatro e livro


Aceitei o repto do Francisco, o Mark aceitou o meu e ontem fomos ao teatro Tivoli BBVA ver a peça 'O Grande Salão'. Encontrámo-nos pelas sete da tarde, comprámos os bilhetes (à quinta-feira é mais barato e não há lugares marcados), fomos ao centro comercial ao lado e passámos o fim da tarde e o jantar (jantámos por lá), a conversar, a conhecermo-nos melhor, a partilhar histórias de vida e a rir bastante. Por coincidência, fez ontem dois meses desde a última vez que nos encontrámos, no jantar dos blogues.

Que excelente momento passámos, em muito boa hora o Francisco se lembrou do teatro, e foi a desculpa perfeita para uma deliciosa reunião. A blogosfera é um ponto de partida, mas há vida, e muita vida para lá dela. No meu caso, este blogue é apenas uma ínfima parte. O resto, e muito foi dito ontem, conta-se aos amigos, ao vivo, cara-a-cara, assim o momento seja propício.

Quanto à peça, gostei muito, fartei-me de rir, é sobre a transposição e a reprodução do Facebook, a maior rede social do mundo, para o palco. Foi encenada por Martim Pedroso, desenvolvendo uma colagem de comentários, partilhas, diálogos e gostos, tendo desenhado uma grande sala, onde todos têm voz, se assim o desejarem.
 

Em cena, 18 actores sucedem-se em discursos filosóficos, crítica social, pensamentos mais profundos ou frases da mais pura banalidade. Há cabaré e discursos políticos, há quem fale de sexo, de amor ou dos seus queridos filhos. Há quem fale a verdade e quem finja ser o que não é. Há quem se queira matar e quem se queira encontrar.

Ao meu lado tinha dois moços que se divertiram tanto quanto eu e foi uma noite muito bem passada e agradeço ao Francisco o lamiré no seu blogue, porque, se não fosse ele, esta divertida peça tinha-me passado completamente ao lado e, mais importante, não teria acontecido um belo serão.

Antes de me encontrar com o Francisco e com o Mark, dei uma saltada à Bertrand do Chiado e folhei este livro de Paul Bowles.

Imediatamente me lembrei do Miguel e de como ele gosta deste género de literatura. Folheei-o, li umas partes, vi as fotografias e fiquei mesmo tentada em comprar. Mais encantada fiquei quando cheguei a casa e dei uma leitura rápida pelo facebook e depois pelo feedly e lá estava uma citação no 'um voo cego a nada'. Pois sim, a probabilidade era enorme e mais me aguçou o apetite :)

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Fósforo

'tenho o dom de despertar o melhor nos outros, mas não em mim própria. Tem a ver com a minha personalidade. Sou a parte áspera de uma caixa de fósforos.'

Haruki Murakami, Norwegian Wood

terça-feira, 23 de julho de 2013

All work and no play makes Margarida a dull girl

Depois dos estores esfregados e das janelas limpas, mereço uma recompensa.

A tradução é pobre, falta-lhe a centelha da poesia. Está a anos-luz do excelente trabalho da Maria João Lourenço, da Casa das Letras.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Idade

Há uns dias, fui comprar um creme anti: anti-idade, anti-fadiga, anti-flacidez, anti-realidade-como-se-tivesse-trinta-anos-para-sempre. Sim, não parecer a idade que tenho dá muito trabalho, embora lavar o rosto com água fria ajude. Não é verdade que a criogenia preserva?
 

Pois estava eu a ler as letras miudinhas da embalagem e tive que a afastar bem dos olhos, assim bem um meio-braço. Na verdade, tive que regular a distância até as conseguir ler. E vai daí lembrei-me de quando mudei de óculos, em Abril passado. Aumentei um pouco a graduação e disse à médica a minha idade: 'quase nos quarenta' e sai ela com esta pérola: 'daqui a nada terá que tirar os óculos para ler.

Pois estou a dois meses e picos de fazer os quarenta...

quarta-feira, 17 de julho de 2013

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Kafka à beira-mar


Um moderno conto edipiano num romance que recebeu excelentes críticas. Afastado da personagem comum dos seus anteriores livros, homem na casa dos trinta anos, aqui encontramos um rapaz de quinze anos em fuga da profecia do pai (matar o pai e dormir com a mãe e a irmã), um velhote que fala com gatos, chuvas de peixes e de sanguessugas, personagens estranhas, amizade, amor, livros e música.

Kafka, o adolescente, encontra refúgio numa biblioteca privada nos subúrbios de uma cidade, junto a um pinhal e a uma praia, o local perfeito para o sonho se misturar com a realidade, e torna-se amigo de um jovem homossexual transgénero. Nakata, por seu lado, vive na cidade, conversa com gatos, mata uma personagem estranhíssima e parte em busca de um objectivo, na companhia de um jovem camionista que vê nele a figura do seu amado avô. 

Relê-se passados uns anos e continua a ser muito bom.

'Ela parece mergulhada nos seus pensamentos. Ou no meio de um longo e profundo sonho. Não, ela própria é um longo e profundo sonho.' - p. 305.


Já agora, entre as páginas 348 e 351, dou de caras com uma cena hilariante de uma estudante de filosofia que é prostituta em part-time, e que cita Henry Bergson e Hegel de modo a retardar a ejaculação do Hoshino. Quando acaba, o jovem reencontra o chulo vestido de Coronel Sanders, a figura icónica do KFC, e, afinal, tudo não passa de uma revelação. Quase no fim do capítulo, o moço arrisca uma tirada filosófica, que traduz o fantástico sexo que ele acabara de ter. Fartei-me de rir!

Haruki Murakami, Kafka à beira-mar, Casa das Letras, 2006, 2.ª edição.

Haruki Murakami com Kafka.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

I Go Back to May 1937



 
I see them standing at the formal gates of their colleges, 
I see my father strolling out
under the ochre sandstone arch, the 
red tiles glinting like bent 
plates of blood behind his head, I 
see my mother with a few light books at her hip 
standing at the pillar made of tiny bricks with the 
wrought-iron gate still open behind her, its 
sword-tips black in the May air,
they are about to graduate, they are about to get married, 
they are kids, they are dumb, all they know is they are
innocent, they would never hurt anybody.
I want to go up to them and say Stop, 
don't do it - she's the wrong woman, 
he's the wrong man, you are going to do things 
you cannot imagine you would ever do, 
you are going to do bad things to children,
you are going to suffer in ways you never heard of, 
you are going to want to die. I want to go 
up to them there in the late May sunlight and say it,
her hungry pretty blank face turning to me,
her pitiful beautiful untouched body, 
his arrogant handsome blind face turning to me,
his pitiful beautiful untouched body,
but I don't do it. I want to live. I 
take them up like the male and female 
paper dolls and bang them together 
at the hips like chips of flint as if to 
strike sparks from them, I say
Do what you are going to do, and I will tell about it.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Aos meus amigos

Aos amigos que tive a felicidade de conhecer nos últimos tempos,
aos amigos que ainda não conheço, mas não perdi a esperança,
aos amigos que passam por aqui e dizem 'olá',
aos amigos que nada dizem, mas gostam de ler,
aos amigos que têm saudades dos contos,
aos amigos que vivem do outro lado do oceano,
aos amigos que vivem aqui ao pé,
aos amigos que têm gatos e tartarugas,
aos amigos que preferem cães,
aos amigos que lêem, escrevem, desenham, dançam e sonham
aos amigos que me deram tanto e partilham comigo um sorriso.


I knew a man Bojangles
And he danced for you
In worn out shoes
With silver hair, a ragged shirt
And baggy pants, the old soft shoe
He jumped so high, he jumped so high
Then he lightly touched down

I met him in a cell in New Orleans

I was down and out
He looked at me to be the eyes of age
As he spoke right out
He talked of life, he talked of life
He laughed, and slapped his leg a step

Mr. Bojangles, Mr. Bojangles

Mr. Bojangles, dance!

He said his name, Bojangles

then he danced a lick across the cell
He grabbed his pants
a better stance
Oh, he jumped up high
he clicked his heels
He let go a laugh, he let go a laugh
Shook back his clothes all around

He danced for those

At minstrel shows and county fairs
Throughout the south
He spoke with tears of 15 years
How his dog and he traveled about
His dog up and died, he up and died
After 20 years he still grieves

Mr. Bojangles, Mr. Bojangles

Mr. Bojangles, dance!

He said I dance now

At every chance in honky tonks
For drinks and tips
But most of the time
I spend behind these county bars
He said I drinks a bit

He shook his head

And as he shook his head
I heard someone respectfully ask
Please

Mr. Bojangles, Mr. Bojangles

Mr. Bojangles, dance!

domingo, 7 de julho de 2013

Ler é...

Poesia

Foto de Correia dos Santos, 1968

Esta Gente

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo

sábado, 6 de julho de 2013

BFF

Coluna de ar comprada há anos.

O maravilhoso comando da coluna (três velocidades, temporizador e oscilação) e a maravilhosa antologia da Natália Correia.
Quente! :P
E os dedos saltitam entre um e outro. De resto, nem me mexo...

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Ataque de literatura

 pp. 26-27
Antonio Tabucchi, O Tempo Envelhece Depressa, D. Quixote, 2012.

(Tão bom. A digitalização é fraquinha e colei a frase de cima, que estava no fim da p. 26, mas este trecho está cheio de sublinhados e ondinhas verticais a lápis.)

Winter is coming

A sugestão do Speedy para este calor.

Li os quatro primeiros livros e tenho dois em lista de espera.