terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Balanços e desejos

Estes foram os livros que li este ano. As imagens são do Goodreads. Afinal li 56. Não tinha colocado a data do fim da leitura nuns quantos, por isso não apareciam no Desafio.

'O Corredor de Fundo' , da Index ebooks, termina em beleza a lista, o Pedro Xavier está muito bem acompanhado pelo Haruki Murakami e pelo Saul Bellow e o Miguel Botelho encontra-se entre dois autores fantásticos e ambos portugueses (bem, Zimler pode ser considerado um bocadinho nosso, não pode? :) )



Desejo-vos um 2014 pleno de leituras :)
 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Velhos amigos

'Às vezes, a Velha Ama voltava a contar as mesmas histórias, mas nós nunca nos importávamos, se as histórias eram boas. Ela costumava dizer que as velhas histórias são como velhos amigos. Temos de as visitar de vez em quando.'

George R.R. Martin, A Tormenta de Espadas, p. 322.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Aristogatos XXVII e Discworld XII - 2013 em revista

Bia (1996-2013)

Farrusco (1997-2013) e Batá

Alice, Elvira e Joana

Alice e Batá na cena 'há uma linha que separa um mamífero de um réptil...'

Batá e Elvira

Joana e eu

sábado, 28 de dezembro de 2013

Polémica natalícia

Parece que há por aí uma polémica sobre a Cáritas e o calendário 2014 dos Bombeiros Sapadores de Setúbal. Não desmerecendo a iniciativa, abnegada e com as melhores intenções, talvez tivesse sido melhor se se tivessem mantido em silêncio sobre a recusa da Cáritas. Eu não trabalho com esta instituição, mas conheço actividades semelhantes e, sabendo da sua missão e dos seus valores, seria expectável que tal acontecesse.

Sendo a Companhia de Bombeiros Sapadores pertencente à CM de Setúbal, talvez um contacto entre os serviços sociais da edilidade e os Bombeiros tivesse sido mais aprofundado. Digo eu, mas até pode ser que tenham trocado umas palavras, não sei. Setúbal, infelizmente, não tem falta de pessoas que precisam de ajuda, talvez a Cáritas não tivesse sido, de facto, a entidade certa.

Não é porque somos pobres que deixamos de ter o nosso orgulho e valores. Já basta a situação de pobreza e de miséria, para, além disso, recebermos todas as ofertas de mão estendida e agradecermos, humildes, e aceitarmos tudo sem questionar.

Até pode ser que eu compre um ou outro calendário, na minha opinião, não tem mal nenhum, mas é a minha opinião; quando lidamos com pessoas fragilizadas e que perderam tudo ou quase tudo na vida, temos que ter muito cuidado com este tipo de iniciativas. Temos que nos colocar no lugar do outro e acho que foi isso que falhou quando os Bombeiros escolheram a Cáritas.

Pós-natal II

Infelizmente, a gripe não é obstáculo para deixar de enfardar bolo-rei e chocolates à bruta. Todavia, deixei, momentaneamente, as bebidas alcoólicas. Não são compatíveis com a medicação. Tenho uma dor de cabeça descomunal. Não sei se é da ressaca ou da doença, de modo que eu e a minha colónia de micróbios vamos apanhar sol para ver se passa. É aproveitar, que estiveram uns dias medonhos.

Tenho que colocar a leitura em dia. Irei ler com calma, mas não prometo comentários a tudo.

Um bom sábado.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Pós-natal

Tenho que reforçar o meu stock de cápsulas de café, de chocolate (com licor, sem licor, negro, leite, branco ou pasta de cacau com avelãs vindo de Espanha como eu recebia em miúda) e de Baileys.

Vou enfrentar de cabeça erguida e muita coragem (sem medo, mulher!)  um centro comercial cheio de pessoas lindas a trocar presentes de natal comprados com tanto carinho e amor. Desejem-me boa sorte.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O conto do João

   O Segredo da Artemisa!

   Soube que era o certo assim que o viu.
   - É aquele! – exclamou com um sorriso. – Aquele, pai! - apontou com a mão enluvada e correu tropegamente.
   Aproximou-se do pequeno pinheiro, excitada, e abraçou-o. O pai parou o carrinho-de-mão e tirou o velho serrote. Meia dúzia de gestos bastaram para o fino tronco ceder. Colocou-o no carrinho e regressaram a casa. Ela sentara-se ao lado da árvore. Apertara um ramo com toda a força, como se ele fosse a mão do pai, sentindo as finas agulhas a picarem-lhe a palma da mão sobre a luva.
   A mãe olhou o pinheirito, de tronco torto e ramos desengonçados e parcialmente cobertos por uma folhagem verde acastanhada. Acariciou uma agulha e murmurou:
   - Parece tão frágil…
   Nessa noite, o pinheiro de natal brilhava, imponente, encostado à janela, inclinado para um lado como que fazendo uma eterna vénia.
   A menina coxeou até ao sofá, abanando as mãos de um lado para o outro, sentou-se no colo da mãe e poisou a cabeça no seu ombro. O pai acendeu as luzes, que cintilaram como cristais nos olhos de Artemisa. Sentou-se junto delas, feliz.
   A mãe abraçou a filha e beijou-lhe a testa macia e perfumada com a colónia infantil.
   - Ele é como eu – Artemisa sussurrou.
   A mãe pestanejou e engoliu fundo. Abraçou-a muito e conteve as lágrimas.
   - Sim, é a árvore mais bonita do mundo – o pai limpou-lhe um fiozinho de baba, orgulhoso. – Brilhante e forte como tu, Artemisa.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Sábado de manhã

Às dez horas, deixei a Elvira na clínica veterinária para ser esterilizada. Rico presente de natal a minha menina recebe, mas tem de ser.



De regresso a casa, passei por uma feira de livros. Não resisti, uma pechincha. E a árvore de natal dos livros continua a crescer :)

Para terminar, o Solstício de Inverno é hoje às 17h11.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Boas Festas

A singela mesa da minha avó com a árvore de natal de livros que não consegui ler este ano. Em vez da estrela, um dos meus escritores favoritos e um título maravilhoso. Feliz Natal para todos.

A Propósito de Llewyn Davis


'Se nunca foi novo e se nunca envelheceu, então é música folk'.

Nova York, 1961: antes de Bob Dylan, havia Llewyn Davis. Os irmãos Coen em grande forma. A banda sonora perfeita para esta quadra.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Life

Ontem, as tabletes de chocolate Lindt com recheio de whisky e cognac estavam a metade do preço no hipermercado. Trouxe duas.

Cat & mouse

Washington, D.C., circa 1931. "Walt Disney with Mickey Mouse drawing."

One day he'll be bigger than you, cat!

(fonte)

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Index ebooks e 'O Corredor de Fundo'

Li 'O Corredor de Fundo' em meia dúzia de dias. Quase 350 páginas sobre a história de amor de Harlan e Billy, bela e trágica, entre corridas, Jogos Olímpicos, homofobia, activismo, preconceitos, sem esquecer símbolos como Stonewall ou a Continental Baths.

Lê-se extraordinariamente bem, a narrativa é na primeira pessoa, pelo Harlan, o que traduz a simplicidade do discurso, todavia, tudo o que envolve é actual. Podem separar quarenta anos desde a publicação deste romance, mas o que é um facto indiscutível é que em muitos países a homossexualidade continua a ser um crime. E aproximam-se os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, na Rússia, já em Fevereiro próximo, e não podemos esquecer a terrível política anti-gay que aquele país está a implementar.

No lançamento de 'O Corredor de Fundo'  foi lida uma mensagem de Patricia Nell Warren, que podem ler aqui e a Revista TimeOut também publicou um belo artigo sobre a Index ebooks.

E tenho imenso orgulho pelo facto de a Index ser a minha editora, pois brevemente será publicado um livro com os contos que escrevi  :)

sábado, 14 de dezembro de 2013

Vénus de Vison

 

É um dos melhores filmes que já vi este ano. Contrariamente ao meu hábito, sentei-me na terceira fila do cinema, no El Corte Inglés, praticamente entrando pela tela adentro, e adorei.

E de cena em cena, uma actriz fazendo uma audição, e ele o encenador que a acompanha, vão saltando das personagens da peça para as do filme e ela é estrondosa, a mulher de Polanski, absolutamente poderosa e sensual e ele acaba por ficar completamente obcecado por ela. Misturam-se os papéis, os desejos surgem, os diálogos são intensos em interpretações de tirar o fôlego.

Não percam.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O conto do Ricardo

   A Outra Face de Ricardo
  
   Nasci enfezado e baço. O seu peito suado acolheu-me antes de tempo. Fui um funâmbulo, tremendo entre a vida e a morte, no meio de lágrimas, beijos, preces e afagos. Reconheci-lhe a voz, cheirei-a pela primeira vez e fiz do seu odor o meu.
   A sua mão quente afagou-me a cabeça molhada e suja, a voz esgotada e comovida murmurou um nome de rei. Como que aceitando a dádiva, apertei-lhe o dedo e olhei-a através da névoa, o seu sorriso amado envolvendo-me.
   Fazendo jus ao meu nome, sobrevivi. Todos os dias levanto-me, destemido, e recebo a vida com os braços abertos. Trago o sol nos olhos, o calor nos abraços e a ternura nos beijos.
   Todavia, conscientemente, sinto o espectro gelado que paira sobre mim. Sussurra-me palavras acintosas, nega-me a felicidade, como se eu não tivesse o direito de viver. Com tenacidade, enfrento-o sem armadura ou escudo, despido de preconceitos, olhos nos olhos.
   Conquisto sem pudor o meu lugar no mundo. Sinto, vivo e amo incondicionalmente.
   Dizem-me que tenho um sorriso que desarma, pelo que sorrio, sorrio muito. É, talvez, a minha única arma. Sou encantador. Sei que pareço convencido, mas luto com o que tenho. Desta forma, ganho as minhas batalhas contra os infiéis. E continuam a ser muitos.
   Sou Ricardo, coração de leão, alma de guerreiro. Sou filho de uma rainha de mãos calejadas, olhos meigos e corpo cansado. Ela é o meu refúgio, o meu ombro e a fonte da minha invencibilidade.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Ebook 'O Corredor de Fundo' já à venda

 Design: Ricardo Mestre

Já se encontra nos escaparates electrónicos 'O Corredor de Fundo - The Front Runner', o best-seller de Patricia Nell Warren.

Editado pela Index ebooks, conta a história de Harlan Brown, um resistente treinador de atletismo conservador, que tenta afastar-se do seu passado numa pequena universidade americana, e de Billy Sive, um jovem e brilhante corredor que é gay e não se envergonha disso. Quando os dois se apaixonam, entram numa corrida contra o ódio e o preconceito que os levará aos Jogos Olímpicos de 1976 e a um desfecho chocante. Com mais de 10 milhões de exemplares vendidos em sete idiomas, este clássico da literatura gay é a história de amor gay mais popular de todos os tempos .

Sigam o link para mais informações. Boa leitura :)

sábado, 7 de dezembro de 2013

Uma exposição, uma peça de teatro, um livro

Na passada quinta-feira, dei um pulo ao Museu Nacional de Arte Antiga, seguindo a sugestão do João Roque, para ver a exposição 'A Paisagem Nórdica do Museu do Prado', a primeira exposição do Museu do Prado, de Espanha, em Portugal, e inclui obras-primas de Rubens, Brueghel e Lorrain. São 57 obras fantásticas que representam as paisagens flamengas e holandesas do século XVII. Em nove núcleos, podemos apreciar os temas como a montanha, o campo, a paisagem de gelo e neve, Rubens, nos jardins do palácio, paisagens exóticas, paisagens de água e a pintura na Itália.
Neste link (Prado em Lisboa), podem descobrir todos os pormenores desta excelente exposição. Não podem perder, de facto.


Ontem ao fim da tarde, fui ver mais uma peça ao Teatro da Politécnica, desta vez 'A 20 de Novembro', de Lars Norén. Com João Pedro Mamede, um jovem actor a intepretar um adolescente de 18 anos; uma interpretação densa e um murro no estômago, um texto intenso, frio e clínico baseado no diário íntimo de Sebastian Bosse, que a 20 de Novembro de 2006 disparou sobre alunos e professores do seu antigo liceu antes de se suicidar. Mais uma vez, imperdível, dada a sua actualidade. Não há muito tempo, um adolescente numa escola às portas de Lisboa tinha planeado algo semelhante. Ninguém lhe notou os sintomas, vítima de bullying, tímido, família normal. Hoje é o último dia e é às sete da tarde.


Por fim, acabei há uns dias 'Toque de Veludo', de Sarah Waters. Gostei muito mais do livro do que da mini-série da BBC que encontrei no youtube. Bem, fico-me pelo romance. Passa-se nos finais do século XIX, na época vitoriana e descreve, de uma forma picaresca, a vida de Nancy, uma vendedora de ostras de uma localidade à beira-mar no Kent que se apaixona por uma cantora de music-hall, vestida como se fosse um jovem. Vão as duas viver para Londres, têm um duo de sucesso representando e cantando travestidas como homens, fase esta que Nan, a protagonista da história contada na primeira pessoa, aprofunda quando é traída pelo seu amor. Assim, para sobreviver, pois vê-se praticamente sem dinheiro, acaba por se prostituir sempre fingindo ser um jovem e tem como clientes unicamente homens, que desconhecem que ela é uma mulher. Entretanto, conhece uma dama da alta sociedade,  vive com ela como sendo 'o seu rapaz', entre luxos e festas de lésbicas. Claro que isso não podia durar eternamente e Nancy, mais uma vez, volta para a rua, miserável e sozinha. Vai viver com uma família de activistas socialistas, apaixona-se pela jovem trabalhadora e lutadora pelos direitos das mulheres e, finalmente, encontra a felicidade ao lado dela.
É um romance com algumas cenas explícitas, irreverente, sensual, dramático também, mas, na sua essência, dá a conhecer o mundo do teatro, da prostituição, do movimento pelos direitos das classes trabalhadores do anos de 1890. Gostei bastante. Tanto que encomendei outro e os restantes desta autora encontram-se esgotados.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O conto do Arrakis

   Um presente envenenado

   Um barulho de testos, panelas e talheres chegava-lhe aos ouvidos.
Tinha-se postado à entrada da cozinha e olhava, curiosa. O rapaz mexia-se com desenvoltura, enquanto lhe dirigia palavras que não compreendia. Achava simpático o seu tom de voz e gostava do cheiro que entrava pelas suas narinas pequeninas, negras, húmidas, que lhe fazia lamber os beiços, ondular os bigodes e tremeluzir os olhos.
   Como se estivesse numa passerelle, aproximou-se languidamente e roçou o quadril pela sua perna. De seguida, saltou para uma cadeira e ficou a observá-lo, como uma rainha no seu trono. Ele cozinhava, conversava e ela fitava-o muito atenta. Por fim, ele tirou um pires e uma pequena lata do armário debaixo do lava-loiça e abriu-a. Ela espetou as pequenas orelhas com o som. Miando de gula, deu um saltou para o chão.
   - És uma diva! – ele riu, fazendo-lhe uma festa. Como resposta, a cauda bateu caprichosamente na sua perna. – Sim, és – repetiu, regressando ao fogão. Quando virou a cabeça, encontrou um pires brilhando como se tivesse sido lavado e a cozinha vazia. Suspirou. – Comeu e desapareceu, a rainha…
   Muito tempo depois, preparou a mesa da sala com a loiça de natal, os talheres dourados, os copos de cristal. Olhou, então, para o saco de papel que estava tombado junto à lareira. Uma ponta mordiscada de um laço dourado espreitava. – Gata! Oh, gata! – correu para o saco e abriu-o. Lá dentro, em cima da caixa embrulhada e enrolado no laço dourado, jazia um pardalito.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Quando cai a noite na cidade

Um encontro inesperado, um lanche divertido, um café na ILGA, a apresentação de um livro, um mini-espectáculo, a compra de 'Ara', um passeio pela Baixa.


Não está esquecido, mas, até ao próximo encontro, só posso oferecer esta versão :)


Obrigada pelo excelente fim de tarde e pela noite estupenda.