- Tens de te habituar aos homens e não aos ideais. O cargo de Comissário é espinhoso, por isso mesmo. O curioso é que vocês, na vossa tribo, até esquecem que são da mesma tribo, quando há luta pelo posto.
- O que não quer dizer que não há tribalismo, infelizmente. Aliás, não me venhas dizer que com os kikongos não se passa o mesmo.
- Eu sou kikongo? Tu és kimbundo? Achas mesmo que sim?
- Nós, não. Nós pertencemos à minoria que já esqueceu de que lado nasce o Sol na sua aldeia. Ou a confunde com outras aldeias que conheceu. Mas a maioria, Comandante, a maioria?
- É o teu trabalho: mostrar tantas aldeias aos camaradas que eles se perderão se, um dia, voltarem à sua. A essa arte de desorientação se chama formação política.
p. 21.
Pepetela, Mayombe, D. Quixote, 12.ª edição, Agosto de 2013.
De Pepetela só li A Parabola do Cágado Velho. Não é mau, mas ja li coisas que gostei bem mais...
ResponderEliminarquando tinha 15, 16 anos li 'as aventuras de Ngunga' e gostei muito. há muitos anos li (e tenho) 'a geração da utopia' e há uns 3 anos li 'o quase fim do mundo' (tambem tenho).
Eliminareste ofereceram-me no natal.
gostei de todos. este livro retrata um período do MPLA no qual os guerrilheiros têm as suas dúvidas, contradições, medos, convicções, enquanto lutam na densa floresta tropical que dá o nome ao romance.
Tinha esse livro para ler na faculdade... e digamos que "fugi"!
ResponderEliminarnão me digas :p
EliminarDe Pepetela li precisamente "As aventuras de Ngunga", que até penso que está autografado, mas não delirei muito com o livro. De escritores angolanos, não me salta nada à memória. Já de moçambicanos, o Mia Couto é incontornável.
ResponderEliminare o Agualusa? ele é muito bom. claro, o Mia é imperdível. também já li.
EliminarQue me lembre, nunca li nada do JEA. Mais uma falha.
Eliminar:)
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