sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Nebraska

 
Vocês acreditam que nas últimas semanas não vi a maior parte dos filmes nomeados para a bela da estatueta? Mais especificamente, não fui ao cinema. Ou porque esteve chuva e frio à saída do trabalho e só me apetecia ir para casa, ou porque houve dias em que me sentia mal-disposta - e foram alguns seguidos que me obrigaram a ir ao médico -, ou foi porque estava muito cansada (isto de acordar às seis da matina é um pesadelo).

Bem, é um facto de que os filmes dos óscares ficam em cartaz meses e meses no El Corte Inglés (ainda lá estão Blue Jasmine e Gravity - que vi muito tempo depois da estreia, para não variar) e prefiro ver primeiro os menos comerciais, mais independentes, europeus, asiáticos.
 
Mas o mesmo não aconteceu com Nebraska. Se calhar é porque tenho um fetiche pelo Bruce Dern, ou porque prefiro filmes mais humanos , sobre pessoas comuns, sem grandes e rocambolescas histórias. E assim, ontem, depois do trabalho, lá fui ao Monumental (sempre é mais barato que o ECI e já não tenho pontos suficientes para o bilhete a preço reduzido e na quarta, depois do médico, fui logo para casa). Também já me sinto melhor, visto estar a tomar os medicamentos.
 
E Nebraska é um filme bonito, não bonito no sentido de doce, mas humano, as pessoas e a sua vida, principalmente quando atingem uma certa idade, é que importam, e está filmado a preto e branco, com um grãozinho suave, e tem o Bruce Dern interpretando um velhote rezinza, a caminho da demência, teimoso, alcoólico. E a história começa quando ele pensa que ganhou um milhão de dólares e terá que os ir buscar a Lincoln, Nebraska. E a princípio, vai a pé, tem que ir, afinal, com a morte a aproximar-se, o corpo a definhar, a sua vida tem, finalmente, um significado, ele tem um sonho e não pára até lá chegar.
 
Então, temos o filho mais novo, um homem banal, com uma ex-namorada gorda, sem graça, o filho também não tem assim muito estilo, a família é como se fosse uma daqui da rua, comum. Então, lá vão os dois, pai e filho, passando vários Estados, uma América profunda, até que chegam à terra natal do velhote e este anuncia que é milionário à família, um irmão mais velho e dois sobrinhos imbecis e gordos que passam a vida sentados no sofá a ver tv. E a ganância surge, como não podia deixar de ser, quando exigem parte do prémio da lotaria, que não passa de um esquema para vender revistas.
 
No meio, temos a mulher do velhote, farta do seu comportamento, mas, apesar de tudo, a protegê-lo.
 
Sim, houve lágrima no fim, o velho desencantado e o filho a recompensá-lo e claro que, se pudermos, fazemos tudo para ver os nossos pais felizes, e foi isso que ele fez.
 
Um filme sobre afectos, no fundo, filmado com sensibilidade por Alexander Payne e uma grande interpretação de Bruce Dern e a oportunidade para vermos um leque de bons actores seniores.

14 comentários:

  1. Eu "vivo" os Óscares intensamente e este ano tenho tido a oportunidade de ver vários dos filmes candidatos. Depois dos "12 Anos Escravo", "O Clube de Dallas" e "O Lobo de Wall Street", já consegui ver mais três - "The American Hustler" e ontem vi dois extremamente emotivos e muito bons - "Captain Philips" e "Gravity".
    Tenho cá para ver ainda,:"Her", "Blue Jasmine", "Philomena" , "Ao encontro de Mr.Banks" e este teu "Nebraska", que também me interessa muito. E um dos que mais anseio ver e que será o provável vencedor do melhor filme estrangeiro - "La Grande Belleza".
    Muito e bom cinema visto e para ver (se fossem só estes...) e também muitos livros para ler e os entreténs habituais da net: blogs, redes sociais e cada vez mais o "Pinterest".
    Tudo isto é bom quando se tem o tempo da reforma, mas tira-me tempo que preciso para sair, tirando as coisa habituais do dia a dia (è raro ir a Lisboa, por exemplo).

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    1. eu não 'vivo' os óscares, confesso que não. e lá irei ver estes muito depois da cerimónia; enfim, escolho uns que vejo primeiro, porque tenho uma certa afinidade com a história, uma certa angústia no meio, a solidão, os afectos, mais que filmes de época ou histórias de heróis.
      claro que se eu tivesse a oportunidade que tu tens, também não perdia os filmes :) e a questão monetária também pesa, não posso gastar muito dinheiro no cinema, é um facto. assim, vou vendo conforme as posses e os gostos.

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  2. quero muito ver este filme, mas não estreou cá na parvónia. em compensação, quero ver se aproveito o weekend para ver mais dois :)

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    1. e não será na próxima semana que o irei ver... penso eu.

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  4. Fiquei curioso ;)

    Beijinhos e bom fim de semana

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    1. bem, não sei se faz o teu estilo, :) vê o trailer, primeiro.
      bom fim-de-semana.
      bjs.

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  5. É dos poucos que ainda não vi mas fiquei curioso com a tua opinião. Mas agora, só mesmo depois dos óscares. Dos que vi, o meu favorito é o 'Gravity' e tem que ser visto em cinema. No pequeno écran, perde metade da força.
    Bjs.

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    1. foi o último 3D que vi e vale apenas pela imagem, sim, na grande tela. agora, um filme com este título merecia um pouco mais de rigor científico. enfim, é como eu digo, imagem e silêncio são tudo nesse filme.
      bjs.

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  6. Já não vou ao Monumental há anos. Era um dos meus cinemas preferidos, porque não permitia pipocas e os bilhetes eram mais ou menos acessíveis. Ao Corte Inglès vou às vezes, tirando partido do cartão de estudante (que ainda tenho) e do ar de puto (que também tenho), mas o mais frequente é mesmo o Alvaláxia, que fica aqui perto e é calminho e aceita cartão da Zon. Isto tudo para dizer que dos filmes deste ano, no cinema só vi o Gravity. Shame on me, no ano passado tinha-os visto todos!

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    1. alvalaxia acho que nunca fui... fica muito fora do caminho. e é uma zona esquisita...

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    2. O Campo Grande não é uma zona esquisita. Fica talvez um bocado fora de caminho para ti, para mim passo lá quase todos os dias. Tem o inconveniente de ser o estádio da lagartada, mas eu faço o esforço.

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