quarta-feira, 2 de abril de 2014

Ode ao Gato

 
Ode ao Gato

Tu e eu temos de permeio
a rebeldia que desassossega,
a matéria compulsiva dos sentidos.
Que ninguém nos dome,
que ninguém tente
reduzir-nos ao silêncio branco da cinza,
pois nós temos fôlegos largos
de vento e de névoa
para de novo nos erguermos
e, sobre o desconsolo dos escombros,
formarmos o salto
que leva à glória ou à morte,
conforme a harmonia dos astros
e a regra elementar do destino.

José Jorge Letria

23 comentários:

  1. Gosto muito deste, do Eugénio de Andrade:

    É um pequeno persa
    azul o gato deste poema.
    Como qualquer outro, o meu
    amor por esta alminha é materno:
    uma carícia minha lambe-lhe o pêlo,
    outra põe-lhe o sol entre as patas
    ou uma flor à janela.
    Com garras e dentes e obstinação
    transforma em festa a minha vida.
    Quer-se dizer, o que me resta dela.

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    1. tão bonito. :)

      e este, do Manuel António Pina, que adorava gatos:

      Os gatos

      Há um deus único e secreto
      em cada gato inconcreto
      governando um mundo efémero
      onde estamos de passagem

      Um deus que nos hospeda
      nos seus vastos aposentos
      de nervos, ausências, pressentimentos,
      e de longe nos observa

      Somos intrusos, bárbaros amigáveis,
      e compassivo o deus
      permite que o sirvamos
      e a ilusão de que o tocamos

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  2. A foto é belíssima! Apanhaste-a mesmo bem. :)

    Não conhecia esta ode!

    um beijinho.

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    1. adoro as minhas rainhas, mas a Alice é mesmo a minha girl, amo-a tanto, é doce, doce, aguenta tudo, os meus mimos, festas intermináveis, abraços imensos... :)
      tenho tantos gatos diferentes, perdi uns, mas ganhem outros igualmente fantásticos.
      bjs.

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    2. :D

      Nunca dei essa porque não calhou, mas já dei por ela antes de clicar no 'Publicar' em algumas ocasiões (ei / em). Deve ser porque soam quase da mesma forma. O nosso cérebro é uma caixa de surpresas.

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    3. pois.
      desta vez falhou a revisão :(

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  3. Muito bonitas, tanto a foto como a ode! ^^
    Beijinhos :3

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    1. é uma gata e chama-se Alice. em casa só há mulheres, 3 gatas e uma tartaruga fêmea :)

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  5. E que tal juntares as tuas duas paixões, literatura e gatos e começares a fazer, para já uma colectânea de poesias sobre gatos?
    Só aqui já tens 3...

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    1. é uma ideia, mas eu tinha pensado noutro desafio. os amantes de gatos colocariam no seu blogue poemas sobre os ditos :D
      qual seria a tua escolha? ;)

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    2. Não sei, nem faço a menor ideia pois não conheço...

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  6. Eu diria que esse olhar embevecido da gata quase que perece que percebeu o poema. Senão, sabe pelo menos a dona fantástica que tem.

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  7. Brilhante, o poema!; Os - trocados entre vós - que, tal como as palavras e as pessoas, também os gatos são uns místicos.E todos nós transportamos esse instinto - daí a paixão! (Um dia destes publico o repto que fizeste ao João...)

    Também os bolos e a erva |p
    Beijos

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    1. ah, os bolos, recente velha paixão :D
      a erva eheheh :p
      publica, publica. e com a banda sonora respectiva :)
      bjs.

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    2. que belo o poema: :)
      http://aguaagitada.blogspot.pt/2014/04/beau-chat.html
      obrigada.
      bjs.

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  8. O João Roque participou no G+ assim :) :
    «O que espanta num gato é a maneira como combina a neurose, a desconfiança e o medo – para não falar numa ausência total de sentido de humor - com o talento para procurar e apreciar o conforto e, sobretudo, capacidade para dormir 20 em cada 24 horas, sem a ajuda de benzodiazepinas.
    O gato é neurótico mas brinca, (…) Mas, acima de tudo, descobriu o sistema binário da existência. Que é: dormir faz fome. Comer faz sono. Acordo porque tenho sono. Adormeço porque comi. Nos intervalos, faço as necessidades.»

    - Miguel Esteves Cardoso in «Como É Linda A Puta da Vida», ed. Porto Editora

    obrigada!

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