quarta-feira, 21 de maio de 2014

'À Margem' - Três Curtas de Tennessee Williams

Em boa hora, a Comuna Teatro de Pesquisa acolhe este espectáculo dirigido por Cucha Carvalheiro e que se encontra em cena apenas mais esta semana, de quinta-feira até ao próximo domingo, 25 de Maio.

'À Margem' junta três peças curtas do dramaturgo americano Tennessee Williams (escreverei sobre as grandes peças que, muito recentemente, li numa outra altura). O título 'À Margem' foi escolhido pelo facto de 'os protagonistas serem pessoas que uma sociedade cada vez mais afastada da solidariedade e dos valores humanistas marginaliza todos os dias: duas crianças que abandonaram a escola em «Propriedade Condenada», um jovem casal de desempregados em «Fala-me como a chuva e deixa-me escutar» e uma prostituta de meia idade e um escritor falido em «A Marquesa de Larkspur Lotion», @ folha de sala do espectáculo.

Os diferentes papéis são interpretados, muito bem interpretados, na minha opinião, pelos jovens actores Mafalda Tavares e Pedro Carvalho. Cucha Carvalheiro junta-se-lhes na última Curta.

Em 'Propriedade Condenada' ('This Property is Condemned'), escrita em 1966 (da qual resultou um filme com o mesmo nome com Natalie Wood e Robert Redford), uma rapariga, Wiilie Starr, conta a Tom, um rapaz que conhece num caminho-de-ferrro abandonado, a história da sua irmã Alva, que morrera algum tempo antes. Passa-se durante os anos 1930, em Dobson, Mississipi.

Em 'Fala-me como a chuva e deixa-me escutar'  ('Talk to Me Like the Rain and Let Me Listen'), escrita em 1953, desenrola-se num quarto quase despojado de mobília - apenas uma cama, um colchão velho, uma cadeira - e envolve um casal pobre, sem nome. TW explora o alcoolismo do homem e o desespero da mulher. Gostei particularmente desta peça.

Por fim, em 'A Marquesa de Larkspur Lotion' (The Lady of Larkspur Lotion'), escrita em 1941, é retratado um conflito entre uma heroína sonhadora, extravagante - à la Blanche DuBois - e a sua senhoria, que quer expulsá-la do quarto.

Três excelentes Curtas, uma hora de uma tarde de domingo muito bem passada. Vale bem a pena assistir a este espectáculo, onde o humor, a ternura, a compaixão estão presentes em papéis tão diferentes uns dos outros.

Aconselho a reservar para o número 911 705 130, pois acaba no domingo.

13 comentários:

  1. Domingo vou ao teatro, sim, mas aqui em Massamá, ver a nova peça do Teatro Esfera.

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    1. confesso que não conheço. qual é a peça?

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    2. já a encontrei. é esta? «Quotidiano Anotado» de Rui Camacho e encenação de Paula Sousa | Teatroesfera

      também irá à Comuna em Junho. está no odisseias a 5 €.

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    3. Sim, é essa.
      Eu sou um apoiante fiel da companhia de teatro da minha terra.

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    4. não conhecia, como disse. e é longe para mim. irei à comuna quando eles lá passarem. comprarei pelo odisseias a metade do preço.

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    1. vale a pena, e é uma peça rápida. demoraram uma hora, mais ou menos, as três curtas.
      um bilhete duplo é mais barato que dois individuais :)

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  3. devia haver uma lei a obrigar-me a ir ver todas as peças do TW que são levadas à cena num raio de 200 km a partir da minha casa. caramba, há leis para tudo...

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    1. pode ser que vá em digressão pelas tuas bandas. a comuna apenas acolheu a peça.
      coincidência eu ter acabado de ler o TW nesse dia :)

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  4. E eu que queria tanto incutir mais teatro (do que interessa) à minha vida e vejo-me sem tempo para nada...

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    1. eu também falho imensa coisa. agora com a gata doente, acabou-se o cinema às 7. ela toma a medicamento de 12 em 12 horas, ou seja, às 6 da matina e logo que chegue a casa, à tarde.

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