segunda-feira, 26 de maio de 2014

O Peso do Paraíso - Rui Chafes no CAM

Confesso a minha ignorância no que diz respeito às Artes. Prefiro livros, como sabem, e uma ou outra peça de teatro. Cinema, nos últimos tempos, tem sido raro. Escultura, pintura, dança. música clássica, pouco sei.

Nunca tinha visto nada de Rui Chafes, um dos melhores artistas portugueses, a celebrar vinte e cinco anos de actividade. Assim, no passado 18 de Maio, Dia Internacional dos Museus, fui ao Centro de Arte Moderna (CAM), com o objectivo de visitar a sua mais recente exposição, 'O Peso do Paraíso'. Era o último dia da exposição e aproveitei o facto de se realizar uma visita guiada. Eu pensei que fosse guiada, afinal, era de demonstração, intitulada 'Um olhar sobre o peso e a leveza na obra de Rui Chafes, usando a aguada como técnica'. A visita, que durou cerca de hora e meia, embora bastante interessante e com algumas explicações sobre o trabalho de RC,  resumiu-se a uma aula prática de pintura em aguarela, carvão e guache, não existindo propriamente uma visita guiada à exposição.

Assim, pelas onze horas desse belo dia de domingo, um grupo bastante heterogéneo (desde um aluno da ESBAL, passando por alunos do curso de desenho e seguidores do 'Sketchers', a curiosos como eu, que desconheciam que iriam pegar em pincéis), recebeu uma pasta com material de desenho e, depois de uma introdução à obra de RC pela artista Ana João Romana, estabeleceu como local de trabalho a grande janela da nave que dá para o jardim .

Sentámo-nos em bancos ou no chão e, de acordo com instruções da artista, utilizando aguarela, carvão e guache, demos largas à imaginação e pintámos a paisagem à frente (o jardim, o lago, as árvores, a escultura).

Nunca tinha tido a oportunidade de ver uma exposição de Rui Chafes. Foi a grande antologia do artista, que, colocando as peças na grandiosa nave do CAM, qual folha em branco, apresentou as suas obras como se fosse uma escrita. Assim, estão presentes dualidades como o chão e o teto, o cheio e o vazio, a suspensão e a queda, o alto e o baixo. Algumas esculturas de ferro pintadas de cinzento ou de negro são atravessadas pela luz, criando a noção de leveza e fragilidade. E foi importante a explicação da Ana João, pois o que o artista quis criar foi a sensação de desaceleração do dia-a-dia, de lentidão que muitas vezes é esquecida. Informação massiva é recebida por nós todos os dias, a grande velocidade, o que não nos permite compreender tudo. Desacelerar, respirar fundo, interpretar a vida, o corpo através da obra de RC é o que se pretende, assim.

Segundo a biografia de RC, a sua data de nascimento é 1266 (e não 1966), em plena Idade Média, sendo o seu ofício o de escultor numa oficina. 

Aqui ficam algumas imagens da exposição:
 
                                        

                                         

15 comentários:

  1. Respostas
    1. que nos fazem pensar. tem muito a ver com o sono...
      esqueci-me de referir que RC rasga os esboços das suas obras. não os mostra, pois são como partes de um diário e um diário é muito íntimo.

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    2. Por falar em esboços, como ficaram os teus?

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    3. :D
      magníficas obras de arte. tão boas que não divulgo. quando falecer, as minhas gatas ganharão um belo pé-de-meia.

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    4. e é sonho e não sono... sonho lento é o nome da primeira peça da esquerda, fazendo par com a escultura no jardim em frente.

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  2. ||||
    Gostei do conceito "Desacelerar". Sem dúvida que a nossa vida reflexo da sociedade de os nossos antepassados nos criaram, e que mais fizemos foi continuar "acelerar" até chegar-mos a um abismo de vida sem sentido cheias de miseralismos decadentes. Por isso acho o termo desacelerar muito interessante, sobretudo reflectir para onde queremos ir, o que queremos fazer para o nosso bem estar...

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    1. é a metáfora desta obra.
      apropriado. mas tive que comprar a brochura da exposição. :)

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  3. Ainda me lembro de uma festa de universidade na Esbal :D

    O que me lembrei lololololololo

    Beijinhos

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  4. gostei muito desta exposição. apesar de achar que as peças ficavam um bocadinho desamparadas na nave do CAM, as do jardim resultavam melhor. mas o trabalho do RC inspira-me muito, fala comigo :)

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    1. sim, no jardim estavam mais no seu elemento. a nave é enorme e se não fosse a breve explicação da guia, eu pouco saberia das intenções de RC, apesar de ter comprado a brochura.

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  5. Já falei sobre o Rui noutro post LOL

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