quinta-feira, 8 de maio de 2014

Tio Camilo - parte II

Quando escrevi a história do tio Camilo, sabia que não terminaria aí. Era uma personagem demasiado rica para ter um fim tão abrupto. Sabemos que morre, a sobrinha vai relatando a sua vida e a do gato César (a história foi revista para o livro 'Instantâneos'), mas há muito mais a contar.

Tenho o enredo praticamente todo na cabeça. Sei quem são as personagens principais e queria aproveitar pedaços da história da minha família para esta ficção. Poderia o pai do tio Camilo ser semelhante ao meu avô Baltazar, chefe de estação em Viseu? Na verdade, não me importa muito a profissão do pai, mas sim o local dos encontros anti-regime, em finais dos anos 1950, na famosa 'casa de meninas' daquela cidade e que a minha mãe costumava contar. Sei onde ficava, mas não revelarei a exacta localização, se bem que passado meio século a rua nem exista mais e o sítio, que antes seria nos arrabaldes, há muito que foi aglutinado pela expansão da cidade.

A história, romance, novela, sei lá, começa com o tio Camilo já doente, internado no hospital. Aí, contaria à sobrinha o seu primeiro amor. O nome do rapaz ainda não sei (tenho o nome dos pais do tio Camilo, dos seus irmãos e até da tia, a irmã da mãe. O da dona da 'casa de meninas' também já o anotei), mas ele conta que morreu devido a um incêndio à 'casa de meninas', por obra da PIDE. A mãe do jovem seria a madame, o rapaz teria uns 18, 19 anos, o tio Camilo uns 17, teria acompanhado o pai a uma reunião clandestina pela primeira vez e conheceram-se lá. A meio desta história, o tio Camilo lembra-se do incêndio nos Armazéns Grandela, no Chiado, pois era lá que trabalhava. Entretanto, a sobrinha vai ouvindo e, embora soubesse de outros relacionamentos que o tio tinha tido, era a primeira vez que ouvia aquela história.

Isto está tudo na cabeça, penso em como poderei desenvolver todo este amor tão jovem e bonito entre os rapazes, numa Viseu conservadora sem o tornar demasiado lamechas e previsível (amor impossível, os preconceitos, a reacção da família do tio Camilo). E aquela perda e tudo o que significa para ele. E não sei se acabarei por fazer uma referência à Guerra Colonial, pois o tio poderia ir lá parar, como muitos jovens de então.

E basicamente é assim a história do tio Camilo. Resta passar das palavras aos actos, ou seja, escrever, escrever e parar de procrastinar, :p

(inclui este texto na etiqueta 'Contos das 250 palavras', porque afinal será um conto mais dia menos dia, embora espero que tenha muito mais de 250 palavras).

20 comentários:

  1. Parar de procrastinar! Muito bem... Apoiado! :)

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  2. Foi delicioso poder entrar assim no teu "pensamento de escritora" :)

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    1. :)
      entretanto estava a ler um novo ebook e encontrei o nome do jovem. menos um problema. :)

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  3. Deliciado com o que acabei de ler e muito curioso, com o que daí virá :)

    Beijinhos

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  4. Prós deste post: aguçaste-me a curiosidade.
    contras: já constas-te o geral da história. agora será só descobrir as "minudências", que por vezes conseguem ter mais interesse que o final ;)

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    1. a história há muito que está contada. ele morreu, a sobrinha fica com o gato :)
      o resto, são pormenores, muito mais interessantes, sim. agora, vamos ter de esperar.

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  5. É um princípio de algo novo. Saudemos o acontecimento.

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    1. obrigada. resta colocar no papel, agora :)

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  6. Eu jurava que o tio e o gato eram reais. Pra mim, serão! :-)

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    1. a sério?! fico contente por a história ter sido bastante realista, então :)
      não, posso ter-me baseado aqui e ali em pessoas e factos, como é normal, mas é uma história, apenas.

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  7. gostei muito deste post por 2 razões:
    a primeira é porque promete que tu em breve vais voltar a escrever com a força toda;
    a segunda é porque parece que este post é mais para ti do que para o leitor, uma espécie de bloco de notas onde pões em ordem o teu trabalho criativo antes de meter as mãos à obra, um blueprint daquilo que aí vem.

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    1. é isso mesmo. uma nota para mim :)
      e bem, apesar dos empurrõezinhos por aqui, o passo final tem de ser meu.

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  8. Esperemos, então, que a ideia se materialize.

    um beijinho.

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  9. Fico também a aguardar pela concretização! Teria um imenso gosto em ler!

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    1. foi mesmo para colocar as ideias em ordem.
      vai demorar ainda para nascer :)

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