quinta-feira, 12 de junho de 2014

Alexandria

 
'O Papá não fazia ideia em que parte do mundo ficava esta Alexandria nem o que é que pretendiam dele. Fingiu que não percebia inglês. Fecharam-no num quarto pequeno sem janelas. Mas Mr. Miller não lhe bateu. Talvez até tivesse pena dele.'

Richard Zimler, Meia-Noite ou o Princípio do Mundo.

***


'E a cidade ergue-se uma vez mais na minha mente contra a superfície plana e polida do lago verde e os afloramentos de pedra mole que assinalam os limites do deserto. A política do amor, as intrigas do desejo, o bem e o mal, a virtude e o capricho, o amor e o crime, movendo-se obscuramente nos recantos tenebrosos de Alexandria, nas suas ruas e praças, nos seus bordéis e salões - movem-se como grandes migrações de enguias na vasa das tramas e contratramas.'

Lawrence Durrell, O Quarteto de Alexandria, Balthazar.


Nada une as duas cidades aqui descritas a não ser o nome. Alexandria, no primeiro caso, refere-se a uma cidade americana do Estado da Virgínia. No segundo, é um cidade egípcia na qual decorre grande parte da acção dos quatro livros de LW reunidos neste único volume (adquiri em ebook).

Gosto de coincidências, neste caso um nome de duas cidades diferentes, em romances diferentes, em épocas diferentes.

Poderia pensar nas probabilidades de isto acontecer, tendo em conta que, no que se refere ao primeiro romance, na América do Norte, a escravatura esteve presente em dezenas de cidades.

Encontrei esta imagem bastante esclarecedora neste artigo da Wikipédia (link para mais informações).




 
Quanto ao segundo romance, que dizer? Poderoso, enorme, apenas entrei no segundo volume - Balthazar - ontem (link para mais informações).

8 comentários:

  1. Conhecia a Alexandria do Egipto, mas nunca tinha ouvido falar da Americana...

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    1. nem eu, confesso. quero dizer, pode ter passado em notícias, leituras rápidas, mas não lhe dei qualquer importância.

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    1. obrigada, Francisco (mas eu ainda trabalho hoje!) grr :(
      bjs.

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  3. Será muito mais fácil ler o livro do Zimler, do que reler "O Quarteto de Alexandria", que no entanto, se nada mais tivesse para ler seria muito curioso, pois penso que era demasiado novo para ter apreciado devidamente esse clássico da literatura moderna.

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    1. seria mais fácil de ler o livro do RZ, sem dúvida, mas acho que não retirarias o mesmo prazer. O Quarteto é absolutamente indispensável. não é de leitura fácil, com as histórias entre passado e o presente. muitas vezes, volto atrás e releio e sublinho. mas as personagens, a cidade, os amores, as amizades, que assombro de escrita!

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  4. Gosto muito da escrita do Zimler e esse livro não o li. A ver se me entusiasmo.

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    1. eu já li vários dele e este não me encheu. e não falo apenas dos erros...

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