segunda-feira, 14 de julho de 2014

Morte em Pleno Verão e outros contos

 
 Comprei o pequeno livro 'Morte em Pleno Verão e outros contos', de Yukio Mishima, na Feira do Livro de Lisboa deste ano. Aliás, comprei vários livros deste autor.

Que escrita maravilhosa. Não há outro adjectivo. Delicada, todavia de uma grande força e capacidade de nos mergulhar nas emoções das personagens.

Este livro reúne três contos: 'Morte em Pleno Verão', 'Patriotismo' e 'Onnagata'. A primeira história centra-se à volta de Tomoko e Masaru, um casal que perde os dois filhos mais velhos, um menino e uma menina, de seis e cinco anos, respectivamente, juntamente com a cunhada Yasue. Yasue era irmã da Masaru e tomava conta das crianças; sem sucesso, tentou salvá-los e, igualmente, perdeu a vida. Culpa, revolta, tensões que surgem no casal e a necessidade de proteger a todo o custo o filho sobrevivente, Katsuo, de três anos, são sentimentos que afloram constantemente em Tomoko. Mas aos poucos, à medida que o tempo passa, o esquecimento da tragédia começa a surgir, cobrindo a dor de Tomoko, e a sua recente gravidez ajuda a mitigar a sua dor.

O meu conto preferido é 'Patriotismo'. Mishima desenvolve uma história absolutamente magistral! Um jovem tenente comete seppuku e a sua esposa acompanha-o. Face a uma revolta, o militar recusa-se a combater e prefere morrer pela pátria, pelo imperador. Cientes de que não há outra saída, encaram a morte com naturalidade, com alegria, até, cumprindo os rituais com determinação. Amam-se, sabendo que será a última vez. 'O tenente puxou a mulher e beijou-a com violência. As línguas misturaram-se na húmida e lisa caverna das bocas; as dores ainda desconhecidas da morte exacerbavam-lhe os sentidos, do mesmo modo que o fogo tempera o aço. As dores que ainda não sentiam, os longínquos horrores da agonia, tornavam mais aguda a sua percepção do prazer'.

Por fim, temos 'Onnagata'. É um conto maravilhoso e conta a história de Masuyama, que ficara fascinado por esta arte de teatro, em que um actor interpreta sempre papéis femininos. Temos, assim, Mangiku como o actor por quem Masuyama se deslumbra.  Mangiku é belo, delicado, incapaz de representar papéis masculinos com sucesso. A sua expressão feminina transmite toda uma miríade de emoções humanas. Um conto que termina de uma forma surpreendente, entre desilusões e ciúmes.

À semelhança do jovem tenente da história, também Mishima cometeu seppuku.

Cinco estrelas no Goodreads e aconselho vivamente a sua leitura.

12 comentários:

  1. Qalquer dia tenho de me lançar na leitura de obras orientais. Já pensei no "Peito Grande Ancas Largas", de Mo Yan (acho que é assim, o Nobel da literatura). MAs esta parece-me uma melhor aposta, até pelo seu tamanho...

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    1. é pequenino e lê-se numa tarde :)
      aconselho. podemos trocar cromos no avante :p

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    2. Eu leio principalmente na cama, ao dormir :P
      Ai Camarada, já cheira a Quinta da Atalaia :D

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    3. ainda não comprei, mas ainda há festa ao fundo da rua e vou dar um saltinho à banca do PCP :D

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  2. até é um bocado embaraçoso, mas acho que nunca li nada dele, quer dizer, nenhum livro, assim do princípio ao fim.

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    1. mesmo comentário. e comprei outros dele, mas este é o mais pequeno.

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  3. Já cá o tenho para ler (emprestado pelo João).

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    1. o livro do João tem mais contos que este :)

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  4. Recordo-me de ler o feedback deste livro no blog do João. Lê-lo aqui, redigido por ti, ainda me deu mais vontade de o ter e de ler! :3

    Beijinhos

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    1. comprei-o em segunda mão. o livrinho é muito, muito bom.
      bjs.

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  5. O livro é fabuloso. Como disse a Margarida, o livro que tenho tem mais contos; só não gostei muito de um.
    Mas os três melhores são mesmo os do teu livro.
    "Patriotismo" corta mesmo a respiração.

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