Quero regressar à minha cidade. Desde há duas semanas que desejo isso. Cada vez mais. É uma ideia que está a criar raízes. Implica uma grande mudança na minha vida, sem dúvida. Uma coisa é ir de férias, outra é mudar-me de vez. Aos dezoito anos, o que ansiava mais era sair de lá. Fi-lo, não sem custo. Era muito ligada à minha mãe e os primeiros anos foram difíceis. Depois, acostumei-me a Lisboa, ao bulício, às multidões, adoro Lisboa. Mas eu não vivo em Lisboa. Diabo, nem sequer trabalho em Lisboa. Para chegar ao meu serviço, demoro mais de uma hora. Isto é, a contar da hora em que saio de casa, 7:05. Marco o cartão do relógio de ponto às 8:25 (mais ou menos, se não houver trânsito na A5). Que qualidade de vida é esta? Passo o tempo em transportes. Chego a casa depois das 7 da noite, isto quando não fico por Lisboa para um programa, cada vez mais raro. No dia seguinte, o despertar é antes das 6.
Estou cansada. Escolhi esta terra, Seixal, por a minha mãe aqui viver depois de vender a casa de Viseu. Mas, com excepção de uns familiares chegados, nada me liga ao Seixal. É bonita, calma, mas é só isso (e nem vivo no Seixal, a minha freguesia é a Arrentela).
Mudar-me para Viseu implica pedir a mobilidade para um serviço de lá. Sou funcionária pública, da administração central, pelo que teria de enviar uma candidatura espontânea (ou concorrer a um pedido de mobilidade, se tal for publicado no Diário da República, como fiz para o actual serviço onde estou, há cinco anos). Esse será o primeiro passo. Não sei se demorará muito ou pouco tempo. Não faço a mínima ideia, de facto. Parece que todos os pedidos têm de ter o aval da Direcção-Geral do Orçamento, embora não haja verba extra, apenas mudança de orçamento de Ministério. Se encontrar trabalho, o segundo passo será colocar esta casa no mercado de arrendamento. Conversei com a minha irmã. Foi a única pessoa com quem falei mais a sério. Aconselhou-me a arrendar a casa e não a vender. Desde que comprei esta casa, ela mudou cinco vezes de casa, sempre arrendada. Eu conseguiria arrendar o andar mobilado por 350 €. O mesmo valor de um apartamento T2 mobilado, como o meu, no centro da cidade de Viseu. Melhor seria se encontrasse um trabalho ao lado de casa :)
Claro que só conheço o centro de Viseu. As novas urbanizações são-me totalmente desconhecidas. Há novas ruas que nem no Google Earth consigo visualizar. Nunca lá passei. E essa zona já é cidade. Tudo cresceu. Mas o centro ficou igual, a minha cidade renovou-se. Certamente que há prédios que precisam de obras, e muitos, o antigo trabalho da minha mãe está fechado há anos e fica numa rua central da cidade. Um enorme casarão, com jardim, estacionamento, cave, primeiro andar e sótão. Lindo, sóbrio e abandonado. Fechado. Não sei se pertence à Câmara se a privados. Enfim, foi um aperto no coração quando passei por lá.
Apesar disto, Viseu é uma cidade jovem, linda, verdejante, rica em cultura, história. E Lisboa, de tanta oferta, uma pessoa dispersa-se e acaba por não ver grande coisa. E eu também não desejo muita coisa: um teatro, uns museus, passeios, enfim, o normal.
Eu sou uma pessoa sossegada, quero paz, qualidade de vida, respirar ar puro e voltar às minhas raízes, pois sei que a minha vida não é aqui.
Será 2015 um ano de mudança?
Podes arrendar a tua casa, aqui na amadora arrendas barato :)
ResponderEliminarficas perto do metro
Grande Mudança essa para Viseu
Beijinhos Grandes
Se for a maior sorte. Se não o for a maior sorte também. O que importa é que tentes buscar a tua felicidade e se te deixar feliz, qualquer que seja a decisão que tomes, estás a ir bem :)
ResponderEliminarsim, Ricardo, a felicidade em primeiro lugar, e fui uns dias bem feliz na terra. :)
Eliminarlogo se verá.
não, Francisco, Amadora não me interessa. nem mesmo Lisboa agora me interessa muito.
ResponderEliminargrande mas necessária. será feita com calma, todavia. não há pressa.
bjs.
O que é mais importante? VIVER a Vida!
ResponderEliminarViva feliz!
isso mesmo, Rosa :)
EliminarEmbora tenha contras e tu conhece-los melhor que ninguém, penso sem querer influenciar-te, que os prós são evidentemente maiores.
ResponderEliminarEstás ainda com um período de vida activa bastante longa e o stress que apontas no que respeita aos horários é enorme.
No que respeita ao teu emprego, penso, sem ter um conhecimento específico do assunto que é sempre mais fácil o deslocamento de um funcinário para o interior do que o inverso.
E depois há a qualidade de vida, que é algo fundamental.
Pelo que conheço de ti, sei que apenas darás passos seguros, não te irás precipitar e decerto decidirás pela melhor solução.
a decisão está a fermentar. resta ter calma. mudar-me implica uma carga de trabalhos e algum dinheiro a investir.
Eliminarmas preciso mudar de vida, como dizia o outro, embora tenha um trabalho que goste, uma boa equipa, bons chefes. caso raro, hoje em dia.
vou deixar rolar os dias e amadurecer a ideia.
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ResponderEliminarPensa no ar que vais respirar!
Os teus gatos vão achar uma delícia a mudança.
A tua cabeça mais leve, a um passo estás no campo, na montanha, no rio, na relva molhada do orvalho. O galo que canta lá longe, o cão que uiva, a passarada que voa sobre os beirais, a brisa do vento que sopra na janela...
A tua felicidade acima de tudo, mas temos que estar preparados para mudar, e sobretudo se esse chamamento vem de dentro, então que a força e o animo não te falte.
MIAU !!!!
Bjs
eheh, basicamente é isso. :)
Eliminarbjs.
Boa noite Margarida. Terça-feira passada conversámos sobre várias coisas, mas muitos temas não ficaram concluídos. Também tocaste nesse tema, mas nem percebi que seria um projeto a curto prazo. A nível de carreira profissional terás boas possibilidades. Se achas interessante a ideia não desistas do teu sonho. Força miúda. Lídia
ResponderEliminarobrigada, Lídia. sim, eu queria mudar-me nas férias do próximo ano. vamos ver como corre :)
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