terça-feira, 5 de agosto de 2014

Viseu

   As origens de Viseu antiga e nobilíssimacidade perdem-se nas brumas do tempo. Aqui estanciaram homens das Idades remotas da pré-história e conviveram Celtas e Lusitanos: aqui se fixaram os Romanos em séculos de prosperidade e paz e por aqui passaram com maior ou menor detença hordas dos povos invasores: Suevos, Godos e Muçulmanos.
   No tempo dos Suevos, em meados do século VI, já Viseu tinha os seus bispos, sufragâneos de Braga. Mais tarde, porém, com a chegada dos Muçulmanos e a derrocada do reino visigodo, o receio das violências dos infiéis obrigou-os a tomar o caminho do exílio e a refugiar-se nas longínquas montanhas das Astúrias. Seguiu-se um longo período nebuloso e trágico, raramente clareado por breves lampejos de paz.
   Mudando frequentemente de mãos, ora em poder de cristãos, ora de maometanos, apenas no ano 1058 a cidade de Viseu, graças à arremetida vitoriosa de Fernando Magno, rei de Leão, logrou recuperar, definitivamente, a sua liberdade. Mas tão desmantelada ficou, forma tão fundas as feridas da rude ofensiva leonesa, que somente em 1147/1148 - cem anos após a reconquista...- estava a Diocese em condições de sustentar bispo próprio. Durante tão longo interregno pontifical, foi a Diocese governada pelos Bispos de Coimbra, por intermédio de Priores, o mais célebre dos quais, pelas suas virtudes, foi S. Teotónio, patrono actual da cidade (estas informações foram retiradas do site da Câmara Municipal de Viseu e aconselha-se uma consulta mais aprofundada aqui).

Como visitei a minha cidade com olho de turista flaneur, na tarde de quinta-feira, sem pressa, sem guia e sem itinerário escolhido, fui andando e fotografando, optando por entrar, apenas, em dois espaços culturais que não conhecia a fundo. O primeiro é a Casa da Ribeira. O outro, que adorei e fiquei com uma enorme pena de lá não trabalhar, é a Casa do Miradouro (aprofundarei esta casa em próximo texto).


 

   Casa da Ribeira é um espaço cultural evocativo de múltiplas memórias de Viseu e da história recente do lugar.
   A ela associam-se a presença dos tradicionais moinhos do rio Pavia, o lagar de azeite e o labor das lavadeiras que coravam e secavam as roupas junto da represa do moinho. A Casa evoca ainda a presença das barcas na Ribeira, que marcaram a vida do rio e da comunidade, em momentos de lazer e num imaginário infantil de aventuras.
  A Casa da Ribeira apresenta à comunidade e aos visitantes um conjunto de exposições e experiências culturais que trata e evoca esse e outros patrimónios de Viseu (texto retirado do site da C.M. de Viseu, aconselhando-se uma leitura aqui).
   A visita é gratuita e o espaço lindíssimo.

Ao lado da Casa da Ribeira, encontra-se a Igreja da Nossa Senhora da Conceição.



      É uma antiga capela construída no século XVII e dedicada a S. Luís, rei de França, que se refez mais tarde e onde se estabeleceu a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição. Com o crescimento da Irmandade, em 1757 deu-se início à renovação deste espaço. A traça deste pequeno templo deve-se, provavelmente, ao mestre António Mandes Coutinho, que lhe imprimiu um cunho cenográfico. Na fachada desenha-se um portal com uma moldura de traço simples, onde se sustenta um frontão enrolado com uma tarja ostentando insígnias marianas. Num registo inferior rasgam-se duas janelas, iluminando desta forma a nave, enquanto que num registo superior se abre um óculo, também ele enquadrado por uma moldura sem valor expressivo, e que desta forma ilumina o coro alto da igreja. O remate é de uma graciosidade pura, imprimindo uma leveza de movimento ao conjunto. Duas urnas coroam as pilastras adossadas ao corpo central. À direita, um campanário com duas ventanas. No seu interior, a separar a nave da capela-mor, existe um arco cruzeiro. Possui três retábulos Rococó, da segunda metade do século XVIII, inspirados nos da Igreja dos Terceiros de S. Francisco. Na parede da nave, um pequeno nicho alberga uma estátua do século XVII, de S. Luís, rei de França. Nos inícios do século XX foi construída a dupla escadaria e o gradeamento do átrio (texto retirado do site da C.M. de Viseu, aqui).

Ao lado, encontra-se uma magnífica casa recuperada (a Casa Nova da N. Sr.ª da Conceição), com as paredes decoradas com cobertura de escamas.

Continuando o périplo, seguindo pela rua da Igreja, do lado direito temos a famosa Cava do Viriato e a Estátua de Viriato.


À beira da Cava de Viriato, ergue-se a estátua de Viriato, o aguerrido herói que a cidade desta forma homenageia. O escultor Mariano Benliure, de nacionalidade espanhola, soube interpretar neste expressivo conjunto escultórico, a alma e o vigor do valente guerreiro, que personificou a luta contra o invasor romano e que Viseu adoptou como personagem do seu imaginário na construção da imponência da cidade (texto retirado do site da C.M. de Viseu, aqui).

14 comentários:

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    1. ainda bem :) tu com Braga e eu com Viseu... ;)
      bjs.

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  2. hum... parece-me bem.. tenho de visitar!

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    1. sim, vai, num fim-de-semana vês muita coisa.

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  3. Um fala de Braga. Outra fala de Viseu. Esta blogosfera adotou o "Venha para fora cá dentro", estou a ver :)

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    1. se combinássemos, não seria melhor :) e ficámos pelo norte. eu gosto muito mais do norte do que do sul, mas é a minha modesta opinião. sei que o sul (refiro-me de Lisboa para baixo), tem coisas maravilhosas.

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    2. Como é óbvio, historicamente falando, o Norte é mais rico, porque aí se concentra uma maioria da nobreza, logo florescem os solares, os castelos, as igrejas.
      A sul floresceu mais a municipalidade, logo há uma maior ausência destes elementos. Penso que (e isto é uma teoria minha macaca, que pode ser facilmente desarmada) que esta ausência de raízes mais solidas, levou a que a sul de Lisboa se procure vestígios de civilizações anteriores à nacionalidade. A norte, estes são abafados pela monumentalidade já de Portugal...

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    3. eu gosto da paisagem do norte, mesmo austera com os penedos. o verde brilhante, as fragas, as minas de água, os ribeiros, os monumentos, sim, também...

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    1. eu sei :D
      e prepara-te que há mais nos próximos dias. tenho que descrever bem a minha cidade.
      e, perdoem-me os restantes leitores, alguns relatos são para vocês, daí do outro lado do Oceano. tive muita pena que não tivessem conhecido Viseu. mais uma ideia para quando cá voltarem. ;)

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  5. aí em finais dos anos 80, recém licenciado em direito e com um emprego da treta onde ganhava pouco mais de 100 euros por mês, ia com muita frequência a Viseu ou passava pela cidade. Acho que nunca mais lá voltei, a não ser uma noite para ir ao Day After (princípios dos anos 90, por aí) e outra para ir jantar a um sítio que tinha fados (já não me lembro que que circunstâncias nem quando). pode ser que em breve tenha excelentes razões para voltar, muitas vezes :)

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    1. ih, o Day After, as tardes dançantes de Domingo, os meus 16 anos... mas o melhor eram as noites. grandes directas, grandes fins dos anos 80, princípios dos 90. e o bar americano. o meu irmão chegou a trabalhar lá. na verdade, começou por ser barman e depois lá está como chef ou sous-chef ou parecido além-mar.
      os fados devem ser na casa do Hilário. eu nunca lá fui em miúda. queria lá saber de fado. agora sim, gosto.
      eu acho que a ideia está a amadurecer, sim, pode ser que para o ano tenha novidades. terá que ser aos poucos, que sou cautelosa. tenho que avaliar bem os prós e contras.

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  6. Gosto de Viseu. É uma boa cidade para se viver.
    Antes ia lá duas vezes por ano, visitar clientes...e aconteciam-me lá coisas muito interessantes...

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    1. :) ah,sim?
      é uma excelente cidade, não fazia ideia da requalificação levada a cabo (quando lá ia era aldeia e pouco mais), está mesmo linda.

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