Este quarto, como o conheço bem.
Agora alugam-se quer este quer o do lado
para escritórios comerciais. A casa toda tornou-se
escritórios de intermediários, e de comerciantes, e Sociedades.
Ah este quarto, não é nada estranho.
Perto da porta por aqui estava o sofá,
e diante dele um tapete turco;
ao pé a prateleira com duas jarras amarelas.
À direita; não, em frente, um armário com espelho.
Ao meio a sua mesa de escrever;
e três grandes cadeiras de vime.
Ao lado da janela estava a cama
onde nos amámos tantas vezes.
Estarão ainda os coitados nalgum lugar.
Ao lado da janela estava a cama;
o sol da tarde chegava-lhe até metade.
... De tarde quatro horas, tínhamo-nos separado
por uma semana só ... Ai de mim,
aquela semana tornou-se para sempre.
Konstandinos Kavafis, Poemas e Prosas, Relógio D'Água, 1994.
Gostei, apesar da nostalgia que senti
ResponderEliminarBeijinhos
:) muito bem.
Eliminarbjs.
uma das coisas fantásticas da poesia é que descobrimos sempre um poema, ou mesmo um verso, como se fosse a primeira vez. nunca me tinha fixado neste poema, que é poderoso, como todos os do Velho.
ResponderEliminarsim, foi uma descoberta. obrigada, quarteto :)
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