Vozes vizinhas vindas da infância
através do sotaque de quem fala aqui ao lado
o sol inexorável sobre as águas
pressentimentos vindos com o vento
a velha fortaleza a vista da baía
a maré cheia a tarde as nuvens o azul
memória disto tudo noutro verão noutro lugar
e pelo meu olhar visivelmente vitimado
tudo possível pela mesa e pela esferográfica
pelo papel desculpa ó minha amiga pelo bar
a solidão assegurada pela multidão
a luz a hora as férias o domingo
o cruzeiro de pedra o largo o automóvel
tudo isto não importa importam só
as mínimas e únicas palavras que me ficam disto tudo
e tudo isto fixam: «tempo suspenso» ou «mar imóvel»
ou «sinto-me bem » ou - que sei eu? - «alguém morreu»
Ruy Belo, Transporte no Tempo

Lindo poema
ResponderEliminarBeijinhos
é Belo :)
Eliminarbjs.
Poema lindo!
ResponderEliminarFoto: Antigo aterro em Loures??
Ana Raquel, é a vista do alto da biblioteca do Seixal, na margem sul. ao fundo é o rio.
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