Ósculo
- É a noite mais bela do ano – uma voz soou na escuridão.
Olhou para o lado. O desconhecido mantinha-se afastado. Só a voz suave lhe chegara aos ouvidos.
- Perdão? – inquiriu, enterrando as mãos no fundo dos bolsos da gabardina.
- Hoje é a noite mais bela do ano – o estranho repetiu. - Daqui a cinco minutos, para ser mais preciso - saiu para a claridade do passeio e parou sob a luz amarela do candeeiro.
- Ah…
Tudo o que via era um jovem loiro vestido de branco, no meio da claridade.
- Vai sacrificar-se tanto. Porquê? Nós não o merecemos – murmurou, desencantado, mais para si próprio.
- Por amor – o jovem sorriu. – Não é suficiente?
- Fazemos mal, tanto mal… Não merecemos, não.
- Julga-o louco – o outro sorriu, abanando a cabeça.- Por nos amar tanto assim, incondicionalmente?
Delicadamente, apertou-lhe o braço.
– É a noite da esperança, a noite da alegria.
- Oiça… - tentou soltar-se, sem sucesso. Queria afastar-se, continuar a andar sem rumo, até o cansaço chegar, encostar-se e fechar os olhos uns momentos.
- Nasceu! – o jovem exclamou, de repente.
Como um anjo, brilhava debaixo do candeeiro.
Então, ergueu uma mão com os dedos afastados e esperou. Olhou-o fixamente.
O gesto, por fim, fê-lo sorrir. Devagar, juntou as gemas dos dedos às dele.
- Feliz natal – o jovem riu.
Ecoou na noite mais bela do ano uma melodia tão leve e doce como uma borboleta a beijar uma rosa.
- Feliz natal - respondeu.
Lindíssimo. Um dos meus preferidos. E já com o cheirinho a Natal, hummmmm. :)
ResponderEliminarum beijinho!
sim, também acho. é o último conto. o João passou por tanto, que queria escrever uma história bonita.
Eliminare a noite mais bela do ano, claro.
bjs.
gostei muito. está muito subtil.
ResponderEliminare tens mão para os diálogos.
obrigada :)
EliminarQuerida Margarida, foi uma bela prenda de anos antecipada que me deste! Estou muito emocionado com o conto, adorei! Está lindíssimo!
ResponderEliminarMuito obrigado do fundo do meu coração!
Um beijinho muito grande :)
fico feliz por teres gostado, João.
Eliminartudo vai correr bem. não é fácil, mas vai melhorar, sim.
bjs.
Fabuloso, um dos melhores desta série :)
ResponderEliminarBeijinhos
terminou em beleza esta série :)
Eliminarbjs.
Concordo com o Miguel. Que eu me lembre parece ser a primeira vez que usas o diálogo e ficou muito bem.
ResponderEliminarum dos primeiros contos que escrevi, a virgem maria, também tinha diálogos :)
Eliminarnão me aventuro muito, porque falta-me a segurança. é tentar mais vezes.
Querida Margarida
ResponderEliminarHá um conto de Natal de Miguel Torga, que adoro ler. De vez em quando, abro o livro na página 67, e emociono-me com o velho Garrinchas.
Depois li teu livro “Instantâneos”, que tem um conto que se intitula “Natal”, de que gostei imenso.
Este conto dedicado ao João, tem uma mensagem fantástica, “ ter esperança, acreditar e caminhar de mãos dadas”.
Eu vou lendo o blog do João, e surpreende-me sempre a força e entusiasmo que ele coloca nos textos que partilha connosco, onde regista cada etapa duma enorme escalada. O João merece este conto.
Parabéns Margarida. Um beijinho
esse conto foi um dos meus primeiros :) e eu adoro MT.
Eliminaro João passou por muita coisa triste nos últimos tempos, mas tem uma enorme força de vontade e consegue enfrentar as adversidades. sim, merece.
obrigada pelas bonitas palavras, Lídia.
bjs.
Um conto não para ler, mas sim mas saborear, mastigar e digerir. Parabéns Margarida!
ResponderEliminarobrigada, Horatius :)
EliminarReceei mas houve um final feliz. Adoro finais felizes!
ResponderEliminarLindo conto!
queres dizer que eu não escrevo finais felizes?
Eliminarbem, tens razão. a maior parte das minhas pequenas histórias são tristes e melancólicas.
mas o último conto deste ano teve um final muito feliz e cheio de amor e esperança na humanidade :)
Não, não, não! De forma alguma!
EliminarNeste conto, receei que fosse outro o final. E sabes por quê? Simplesmente, porque a sua escrita faz-me facilmente "entrar no clima". Adoro seus contos!
:) obrigada! festas ao Kibon e ao Tejo, os cães natalícios.
EliminarSerão feitas.
Eliminar:)