domingo, 28 de dezembro de 2014

A Peregrinação do Rapaz Sem Cor

   Nem sei por onde começar. Eu, uma murakamiana confessa, fiquei desiludida com este último romance de HM. Encontrei pouco, enfim, uns laivos de Murakami, mas onde está a narrativa surreal que tanto me prendera em 'Kafka à beira-mar', ou em 'Crónica do Pássaro de Fogo' ou em 'Em Busca do Carneiro Selvagem', entre outros dos seus livros? Pouco, muito pouco a encontrei. Talvez em Midorikawa, o pianista da história do pai de Haida, nas termas perdidas na floresta, com o seu saquinho misterioso.
   Os ingredientes estão lá, a música clássica, neste caso, Liszt e os seus 'Anos de Peregrinação', principalmente a peça 'Le mal du pays'; o personagem principal, o homem solitário de 36 anos, que vive em Tóquio; a prosa de vez em quando verdadeira poesia e os sonhos eróticos (a novidade é começar um sonho com duas raparigas e terminar no amigo Haida, sendo esta a primeira vez nos seus romances em que existem referências homossexuais. Uma outra personagem, na continuação na história, também é homossexual).
   O enredo, basicamente, é este: acontecera algo na juventude e os seus amigos, quatro com nomes de cores, afastaram-se abruptamente. E aqui fica muita coisa no ar. A justificação do afastamento parece-me forçada, ficam muitas pontas soltas (o caso da amiga, por exemplo, ou o desaparecimento de Haida na faculdade); o jovem cai numa profunda depressão, longe da personagem forte, embora só, dos seus anteriores romances.
   E assim, no presente, graças a uma rapariga por quem nutre fortes sentimentos, terá de enfrentar o passado, procurar os seus antigos amigos e saber a razão do afastamento.
   Tsukuru Taszaki, é este o seu nome, é engenheiro e a sua paixão são as estações de comboios. Nada contra, eu também gosto de estações. Todavia, pelo meio, há muita conversa para encher, literalmente, chouriços.
   A amizade da adolescência, a nostalgia dos tempos passados, a dor da separação, a sobrevivência no presente fazem parte deste romance, que me soube a pouco, muito a pouco.

10 comentários:

  1. Como ainda não me iniciei na leitura de HM, nada posso dizer...

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    1. se quiseres, posso emprestar-te 'after dark - os passageiros da noite'. é um dos meus preferidos. é um livro pequenino. lê-se bem num dia.

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    2. Não digo que não; para me estrear...

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  2. Não conheço, valeu a dica (ou não-dica!).
    Feliz 2015!

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    1. não perdes grande coisa (eu a dizer isto de um livro de Haruki Murakami... enfim...)
      bom ano também para ti e teus cãopanheiros.

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    2. De qualquer forma, prestei atenção à dica dos outros livros. :)

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    3. :) amanhã publicarei todos os livros lidos este ano, mas apenas uma lista, sem críticas. poderás tirar mais ideias.

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  3. Margarida como só li ainda o 1Q84 que gostei, acho este mais interessante, mas uma coisa notei logo quando comecei a ler, faltava algo, no entanto este livro diz-me alguma coisa, não tanto pela história mais por certas passagens, e claro partes do livro são muito bonitas, cheias de nuances que só as palavras escritam conseguem transmitir ao leitor.

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    1. ele escreve muito bem. só por isso dei 4* no GR, mas está a anos-luz dos outros.

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