Nem sei por onde começar. Eu, uma murakamiana confessa, fiquei desiludida com este último romance de HM. Encontrei pouco, enfim, uns laivos de Murakami, mas onde está a narrativa surreal que tanto me prendera em 'Kafka à beira-mar', ou em 'Crónica do Pássaro de Fogo' ou em 'Em Busca do Carneiro Selvagem', entre outros dos seus livros? Pouco, muito pouco a encontrei. Talvez em Midorikawa, o pianista da história do pai de Haida, nas termas perdidas na floresta, com o seu saquinho misterioso.
Os ingredientes estão lá, a música clássica, neste caso, Liszt e os seus 'Anos de Peregrinação', principalmente a peça 'Le mal du pays'; o personagem principal, o homem solitário de 36 anos, que vive em Tóquio; a prosa de vez em quando verdadeira poesia e os sonhos eróticos (a novidade é começar um sonho com duas raparigas e terminar no amigo Haida, sendo esta a primeira vez nos seus romances em que existem referências homossexuais. Uma outra personagem, na continuação na história, também é homossexual).
O enredo, basicamente, é este: acontecera algo na juventude e os seus amigos, quatro com nomes de cores, afastaram-se abruptamente. E aqui fica muita coisa no ar. A justificação do afastamento parece-me forçada, ficam muitas pontas soltas (o caso da amiga, por exemplo, ou o desaparecimento de Haida na faculdade); o jovem cai numa profunda depressão, longe da personagem forte, embora só, dos seus anteriores romances.
E assim, no presente, graças a uma rapariga por quem nutre fortes sentimentos, terá de enfrentar o passado, procurar os seus antigos amigos e saber a razão do afastamento.
Tsukuru Taszaki, é este o seu nome, é engenheiro e a sua paixão são as estações de comboios. Nada contra, eu também gosto de estações. Todavia, pelo meio, há muita conversa para encher, literalmente, chouriços.
A amizade da adolescência, a nostalgia dos tempos passados, a dor da separação, a sobrevivência no presente fazem parte deste romance, que me soube a pouco, muito a pouco.

Como ainda não me iniciei na leitura de HM, nada posso dizer...
ResponderEliminarse quiseres, posso emprestar-te 'after dark - os passageiros da noite'. é um dos meus preferidos. é um livro pequenino. lê-se bem num dia.
EliminarNão digo que não; para me estrear...
Eliminarlevo-to da próxima vez.
EliminarNão conheço, valeu a dica (ou não-dica!).
ResponderEliminarFeliz 2015!
não perdes grande coisa (eu a dizer isto de um livro de Haruki Murakami... enfim...)
Eliminarbom ano também para ti e teus cãopanheiros.
De qualquer forma, prestei atenção à dica dos outros livros. :)
Eliminar:) amanhã publicarei todos os livros lidos este ano, mas apenas uma lista, sem críticas. poderás tirar mais ideias.
EliminarMargarida como só li ainda o 1Q84 que gostei, acho este mais interessante, mas uma coisa notei logo quando comecei a ler, faltava algo, no entanto este livro diz-me alguma coisa, não tanto pela história mais por certas passagens, e claro partes do livro são muito bonitas, cheias de nuances que só as palavras escritam conseguem transmitir ao leitor.
ResponderEliminarele escreve muito bem. só por isso dei 4* no GR, mas está a anos-luz dos outros.
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