domingo, 30 de março de 2014

Eu é mais bolos III

Ontem, o encontro do Eolo correu muito bem, como o Eolo mencionou aqui. Gostei mesmo muito do local (Miguel, vais adorar!), da companhia, dos bolos, das gargalhadas, das histórias, das crianças. Foi uma tarde excelente.

A torta fez um sucesso. Restou uma fatia pequenina, deixei-a lá. Como o Eolo recomendou, eu trouxe um bocadinho de cada bolo para casa.

Partilhei a receita com a senhora do café, eu não me importo. O que é bom é para se divulgar. Já não é bem, bem a receita da família, porque originalmente era maior, tinha mais ovos, mais açúcar (muito mais), mais laranjas. Depois de muitas tentativas e erros, cheguei à receita da 'Torta da Margarida', como o Eolo baptizou, e muito bem.

Segue, então, a receita tal como a fiz e peço ao Eolo que a imprima e dê à senhora do café, porque eu escrevi-a num pedacinho de papel e a minha letra não é famosa e faltavam muitos procedimentos.


Torta de laranja da Margarida - moi même - :D

Ingredientes:
  • 2 laranjas
  • 1 limão
  • 350 gramas de açúcar branco fino
  • 3 colheres e meia de sopa de farinha fina
  • 1 colher mal cheia de sopa de margarina
  • 4 ovos médios

Modo de preparação:
  • Aquecer previamente o forno, escolhendo a temperatura média (o meu é eléctrico, ficou nos 170, 180.º C e apenas a resistência de baixo);
  • Estender uma folha de papel vegetal num tabuleiro e untá-la com óleo (eu uso óleo e um pincel por ser mais rápido do que a margarina. Verto um pouquinho de óleo numa taça e pincelo a folha toda, depois encaixo-a no tabuleiro);
  • Derreter a margarina no micro-ondas em temperatura baixa;
  • Espremer as laranjas;
  • Raspar a casca do limão para um pires;
  • Espremer o limão (eu raspo primeiro e espremo depois por ser muito mais prático);
  • Juntar as raspas do limão ao sumo, juntar o açúcar. Mexer bem;
  • Juntar a margarina arrefecida;
  • Juntar os ovos inteiros um a um, isto é, abrir, juntar, mexer devagar para não levantar espuma, repetir, etc;
  • Juntar farinha colher a colher, devagar, envolvendo bem. Aproveitar que se está com a mão na farinha e polvilhar o papel vegetal untado. Espalhar bem, bater no tabuleiro e o excesso verter para a massa do bolo;
  • Com cuidado, verter a massa para o tabuleiro, colocar no forno aquecido, tapar a massa com uma folha de alumínio para não começar a queimar a parte de cima antes do tempo (o meu forno, apesar de usar apenas a resistência de baixo, é potente, e este bolo é delicado e fica logo cozido);
  • Deixar cozer 50 minutos;
  • Depois do tempo previsto (mais ou menos), abrir o forno, tirar a folha de alumínio, espetar um fósforo para ver se a massa está cozida, voltar a fechar sem a folha em cima. Está na altura de cozer a parte de cima (continuo com uma resistência). Eu vejo pela porta que o bolo começa a pular graças à farinha, mas depois baixa quando abro a porta. Não tem importância, o bolo será para enrolar;
  • Uns cinco, sete minutos depois, é altura de desligar o forno. O bolo fica ainda lá dentro, a absorver o calor e a baixar de volume;
  • Entretanto, desenrola-se uma folha de papel vegetal em cima da bancada de mármore, eu seguro as pontas com copos para não enrolar, polvilha-se com açúcar branco fino;
  • Lá se retira o bolo do forno com as pegas, vira-se o tabuleiro para o papel, ele cai que é uma maravilha (ver foto anterior). Espera-se um pouco até arrefecer;
  • Depois, começa-se a enrolar devagar o bolo com o papel vegetal, formando a torta. Atrás do bolo, eu tinha colocado a travessa para transferir a torta depois deste procedimento delicado;
  • Fica a descansar enrolada;
  • No dia seguinte (eu fiz este bolo à noite), tirei o papel vegetal, o que foi muito fácil, já que estava pegado apenas por uma ponta;
  • Aqueci o ferro de queimar açúcar ao lume e fui queimando aos poucos: aquecer muito bem, colocar em cima do açúcar branco da torta, pressionar um pouco (não muito, não quero lâminas de açúcar queimado, apenas um pouquinho), passo sempre o ferro por água e raspo o excesso do açúcar, volto a colocar no bico do fogão a queimar e repito até o açúcar ficar tostado;
  • Na cozinha, fica um fumo e um cheiro do açúcar queimado, não é mau para uma manhã de sábado :D

Notas importantes daqui da pasteleira armada em perita, agora:
  • O forno deve estar sempre à mesma temperatura. Eu não pré-aqueço a 220.º e depois baixo para 180.º C quando coloco o bolo;
  • Os ingredientes devem ser de boa qualidade. Eu não uso açúcar e farinha das marcas próprias dos supermercados. Já usei e não gostei. Prefiro gastar mais uns cêntimos para o bolo sair como eu quero. O açúcar é fino e a farinha também. A diferença no açúcar, então, é notória.
  • Os ovos devem estar à temperatura ambiente. Eu guardo-os no frigorífico e quando é para usar em bolos, retiro-os uns bons momentos antes.
O truque para enrolar a torta está no papel vegetal. A minha família não tinha o hábito de o usar, mas os bolos, na verdade, eram sempre os mesmos, pão-de-ló, esta torta, bolo de mármore, a torta com massa de pão-de-ló e recheio de geleia de marmelo, que era o melhor bolo que a minha avó fazia :)

E bom apetite. Quando fizerem este receita, digam.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Eu é mais bolos II

Amanhã vou ao encontro boleiro do Eolo. Acabei de fazer o bolo da família há pouco. E descobri que o papel vegetal é o melhor amigo daqui da pasteleira. Forrei o tabuleiro com o dito, passei o pincel com óleo, verti a massa, lá cozeu em forno brandinho (tapei-o com folha de alumínio para não queimar por cima). Depois de cozido, atirei-o para cima de mais papel vegetal polvilhado com açúcar branco fino (a minha avó não conhecia o papel vegetal, enrolava com um pano, mas não funcionou comigo), ficou perfeito, não colou ao papel.

 
E pronto. Esperei que arrefecesse um pouco, enrolei-o devagar, puxando o papel aos poucos. Lá saiu a obra de arte enrolada, mas ainda não terminei. Amanhã dou o acerto final.
 

Quem quiser ir comigo (só uma pessoa sem bolo :D), é favor de me enviar um email.

Quinta-feira sinistra, sexta-feita negra

Ontem, o dia terminou da pior maneira. Caiu uma valente chuvada, mas a minha colega, simpática, emprestou-me o seu chapéu-de-chuva. Fantástico, protegeu-me até chegar à estação de Sete Rios, fechei-o, o raio do chapéu é teimoso que nem uma mula, não fechava, tive que o empurrar contra a coxa.  Fiquei mais molhada e cheia de frio. Lá entrei no comboio, tirei o livro do saco, abri-o e comecei a notar sangue nas mãos e uns riscos nas páginas. Bolas, o livro não é meu, não posso estragá-lo, mas quando olhei para as mãos, tinha quatro golpes - raios, nem sei como fiz aquilo - nos dedos esquerdos, dois no indicador e dois no polegar. A pele levantada, ardia como tudo, eu a enrolar um lenço na mão esquerda, a maldizer-me, o livro até tem uma capa de protecção maneirinha, e agora ficou estragado. Ficarei com ele e vou comprar um novo, sorry ,JM, mas não to posso devolver assim.

Já na minha banda, fui a uma loja da operadora no centro comercial onde tinha comprado o telemóvel, pedi para mo desbloquearem, porque quero mudar de operadora - já o fiz e pedi a portabilidade, porque gosto muito do meu número de telemóvel, a menina desbloqueou-o (nem sei como conseguiu, com aquelas unhas de gel de meio metro, mas enfim, isso transcende-me), eu toda feliz, porque em casa iria inserir o cartão sim da operadora nova. Chez moi, lá inseri, o telemóvel não aceitou o desbloqueamento, mas a loja aceitou os meus quase vinte euros, porque eu não tinha comprado o aparelho com pontos, mas que raio de pontos, eu não tenho pontos. Há anos que não uso pontos. Entretanto, como tinha já pedido a portabilidade, o meu antigo cartão sim, como é óbvio, já não foi aceite no telemóvel, eu furiosa, tão furiosa, porque faz-me falta, mas, mais que isso, com a tempestade de ontem, não tinha internet nem televisão. Não fiz nada do que queria fazer com urgência, nomeadamente ir ao netbanco - se me tiram o netbanco eu morro, porque perder tempo nos balcões ou nas caixas MB a pagar as contas não faz o meu jeito - e nada. Estava com um ataque de fúria tão grande que parecia o Pato Donald a gritar "QUAC!QUAC!QUAC!" e as gatas a esconderem-se, porque se as visse na minha frente, nem sei o que lhes faria, a verdade é essa. Por vezes, tenho dificuldade em controlar a raiva, nem com respirações e iogas e o diabo a quatro o consigo, só lá vai partindo uns pratos. Não parti, mas bati com os punhos na almofada umas cinquenta vezes até acalmar (e tomei uns valdispert também...). Acho que terei de comprar uma pêra de boxe para chutar a ira...

Ora, lá me acalmei por fim, nada mais havia a fazer. Estava um pouco zonza depois disto tudo, tinha perdido horas com esta treta, até que me fui deitar.

Hoje, já tinha internet, o telemóvel, apesar de não aceitar o SIM antigo, tem net, lá vi os mails assim rapidinho, tomei banho, vesti-me, pequeno-almoço tomado, ainda tinha uns resquícios de raiva, afinal, a Elvira adora água e entrou no poliban enquanto eu saía, nem a toalha tinha enrolado e a sacana já a chapinhar e a encher-me de pêlos. Optei por ignorar, enquanto a empurrava para fora, mais uma passagem por água. Nessa hora, não conversei com as gatas, que elas lá gostam de me ouvir, ficam a olhar em cima da tampa da sanita enquanto me arranjo, mas nada, estava mesmo zangada.

A cereja no topo do bolo é que troquei de casaco, o de ontem estava todo  molhado, e, quando cheguei a meio do caminho, vi que não tinha o passe. Só a mim! Alguém me deitou um grande mau-olhado. Nem telemóvel, nem passe, olha que se lixe, furiosa como estou, é melhor nem passar a ponte, não vá a fertagus cair. Assim, resolvi tirar um dia de férias - eles servem para isto. Estou mais calma, vou resolver as porcarias que tenho que resolver - tratar do desbloqueio do telemóvel, se bem que no papel que me deram ontem, se isso não for possível, terá que ir para a revisão, e eu estou a ver que terei que comprar um aparelho novo, só a mim, que até o dinheiro cresce nas árvores, é só esticar a mão...

Mas ainda há mais! Tinha recebido o cartão SIM da nova operadora, já com a portabilidade feita, e estraguei o chip mal o enfiei. Não sei como aconteceu, mas aquela gaita pifou logo. Juro que me lançaram uma macumba, um deixa o telemóvel no tejadilho, outro estilhaça o dito. Vou ter que pedir um cartão novo e estou a ver que perderei a promoção de uns quantos euros em carregamento da nova operadora.

Então, a versão "Readers Digests" é esta: o meu telemóvel só aceita optimus, encontrei um tag antigo, vou carregá-lo com o mínimo possível (via netbanco). Vou à loja para ver se me resolvem o problema, se não resolverem, terei que comprar um aparelho da operadora nova e isto está a correr muito bem, porque está a começar a chover e vai ser um dia óptimo, mesmo óptimo... Por outro lado, ainda bem que não fui trabalhar, porque agora que o stress voou, já fui ao quarto-de-banho umas quantas vezes...

Entrementes, já dei muitos miminhos às gatas, porque, se elas estão assim, senhoras e donas desta chafarica, alguém tem culpas no cartório e não são elas...

quinta-feira, 27 de março de 2014

Dia Mundial do Teatro

International Theatre Institute ITI: World Organization for the Performing Arts:

Dia Mundial do Teatro, Mensagem de 2014: Autor: Brett Bailey

   Desde que existe sociedade humana, existe o irreprimível espírito da representação.
   Debaixo das árvores, nas pequenas cidades e sobre os palcos sofisticados das grandes metrópoles, nas entradas das escolas, nos campos, nos templos, nos bairros pobres, nas praças públicas, nos centros comunitários, nas caves do centro das cidades, as pessoas reúnem-se para comungar da efeméride do mundo teatral que criámos para expressar a nossa complexidade humana, a nossa diversidade, a nossa vulnerabilidade, em carne, em respiração e em voz.
   Reunimo-nos para chorar e para recordar; para rir e para contemplar; para ouvir e aprender, para afirmar e para imaginar. Para admirar a destreza técnica e para encarnar deuses. Para recuperar o fôlego coletivo, na nossa capacidade para a beleza, a compaixão e a monstruosidade. Vivemos pela energia e pelo poder. Para celebrar a riqueza das várias culturas e para afastar as fronteiras que nos dividem.
   Desde que existe sociedade humana, existe o irreprimível espírito da representação.
   Nascido na comunidade, veste as máscaras e os trajes das mais variadas tradições. Aproveita as nossas línguas, os ritmos e os gestos, e cria espaços no meio de nós. E nós, artistas que trabalhamos o espírito antigo, sentimo-nos compelidos a canalizá-lo pelos nossos corações, pelas nossas ideias e pelos nossos corpos para revelar as nossas realidades em toda a sua concretude e brilhante mistério.
   Mas, nesta ERA em que tantos milhões lutam para sobreviver, está-se a sofrer com regimes opressivos e capitalismos predadores, fugindo de conflitos e dificuldades, com a nossa privacidade invadida pelos serviços secretos e as nossas palavras censuradas por governos intrusivos; com as florestas a ser aniquiladas, as espécies exterminadas e os oceanos envenenados.
   O que é que nos sentimos obrigados a revelar?
   Neste mundo de poder desigual, no qual várias hegemonias tentam convencer-nos que uma nação, uma raça, um género, uma preferência sexual, uma religião, uma ideologia, um quadro cultural é superior a todos os outros, será isto realmente defensável? Devemos insistir que as artes sejam banidas das agendas sociais?
   Estaremos nós, os artistas do palco, em conformidade com as exigências dos mercados higienizados, ou será que têm medo do poder que temos para limpar um espaço nos corações e no espírito da sociedade, reunir pessoas, para inspirar, encantar e informar, e para criar um mundo de esperança e de colaboração sincera?


Tradução: Margarida Saraiva; revisão: EV; Escola Superior de Teatro e Cinema.
 

Aproveitem. Existem muitas iniciativas gratuitas ou a preços reduzidos.

Mais informações aqui.

terça-feira, 25 de março de 2014

Melodias míticas

Estou a acabar de ler A Canção de Tróia. De seguida, passarei para O Canto de Aquiles.


Para já, deixarei as baladas de Homero para outra altura.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Tio Galileu

  (...)
 Uma noite Mercedes surgiu no quarto de Betinho. Já deitado, luz apagada. Sentou-se ao pé da cama, casara com tio Galileu por ser velho, o primeiro a anunciar que morria de uma hora para outra. Mentira, para iludir as pessoas e servir-se delas sem pagar. Não sofria do coração, nem sabia o que era coração, a esconder mais dinheiro entre a palha. Ao crepitar o colchão lá no quarto o avarento remexia no tesouro. Tão mesquinho, não havia de morrer antes
que fosse uma velhinha.
    Um bruto, que a esquecia, dormindo em quarto separado, com medo de que, se fechasse os olhos, alguém fosse roubá-lo. Ó diabo, ela o xingou, pesteado como o papagaio louco, que a bicara e lhe deixara, no dedo o sinal. O rapaz inclinou-se para beijar o dedinho gordo. Mercedes ergueu-se e jurou que, se o monstro morresse, daria a Betinho o que lhe pedisse.
    O rapaz não pôde dormir e, meia hora depois, saltou a janela. Agarrou no poleiro o papagaio, cabeça escondida na asa — os piolhos corriam pelo bico de ponta quebrada. Torceu como um lenço molhado o pescoço do bicho e o enterrou no quintal.
    Dia seguinte o homem buscou o papagaio por toda a casa, a assobiar debaixo de cada árvore. Betinho sugeriu que a ave fugira. Foi colocar o vaso sob a cama e, ao tomar a bênção ao padrinho, o piolho correu de sua mão para a do velho — um dos piolhos vermelhos da peste.
    Mercedes voltou ao seu quarto. Reclinada na cadeira, amarrava e desamarrava o cinto.
    Noite quente, queixou-se do calor, abriu o quimono: nua sob o roupão.
    — Vá — disse a mulher. — Vá, meu bem. Primeiro o papagaio. Agora o velho.
    Betinho ficou de pé. Tremia tanto, que ela o amparou até a porta:
    — Vá, meu amor. A vez do velho.
    Hora de pedir a bênção. Betinho subiu a escada. Aos passos no corredor o avarento, entre a bulha do colchão, perguntava quem era. Aquela noite falou. Betinho abriu a porta, avançou lentamente a cabeça. Tio Galileu deitara-se vestido, o saquinho de fumo derramado sobre o colete de veludo. O último cigarro, sem poder enrolar a palha com os dedos trementes...
    Olho arregalado, a boca negra não abençoou Betinho. Fazia-se de morto, nunca mais fingiria.
    Tio Galileu não gritou. Nem mesmo fechou os olhos, mais fácil que com o papagaio.
    Betinho afogou-lhe a boca arreganhada debaixo do travesseiro.
    Os pés descalços de Mercedes desciam a escada. Ele ergueu o colchão, rasgou o pano, revolveu a palha: nada. Deteve-se à escuta: os passos perdidos da mulher. Avisá-la que o velho os enganara. Era tarde, ela abria a janela aos gritos:
    — Acudam. Assassino! Matou Galileu ...

Dalton Trevisan,  Novelas Nada Exemplares, 1959 (ebook).

domingo, 23 de março de 2014

Ode aos livros que não posso comprar

De manhã, gravei um ficheiro de som no telemóvel. De um dos manuais de português que fui buscar às catacumbas, encontrei um poema lindíssimo de Jorge de Sena. Era para o ter enviado ao João Roque, que faz anos, mas não consegui colocá-lo online antes do almoço. Só agora consegui gravar um vídeo, eu a ler o poema, o livro aberto no braço do sofá, enquanto segurava a máquina fotográfica (sim, sou  muito básica nestas coisas). Como o vídeo é pesado, mais de 100 mb, resolvi abrir uma conta no vimeo e fazer o upload para lá. E, assim, cheguei a este fantástico momento de me ouvir a mim própria.

O singelo vídeo está aqui.

Espero que gostes, João. Parabéns.

Nono jota

No meio de um dos livros que fui buscar à arrecadação, encontrei o meu horário do 9.º ano (1987/1988). Se estava num dos livros do secundário, é porque já o tinha encontrado há anos nas mudanças entre casas.



Tinha aulas ao sábado de manhã! Isto já parece a Caderneta de Cromos do outro, mas enquanto uns ficavam em casa a ver os desenhos animados, lá me arrastava, remelosa, para a Comercial, que era assim que chamávamos à Emídio Navarro.

Eu tinha uma letra bonitinha, redondinha. Aprendi a escrever naqueles cadernos pautados de linhas duplas, que obrigavam, isso mesmo, obrigavam, a uma letra pequenina. Anos depois da primária, ouvi dizer que esses cadernos foram proibidos, mas não tenho a certeza se isso é verdade.

Não sei como, a meio desta jornada que se chama vida, acabei por estragar a letra. Agora é assim que assino os meus livros:

sábado, 22 de março de 2014

Mat Kearney

O Mat Kearney é tão fofinho. Depois de estar a ouvir os Iron & Wine, escolhi-o. Engomar não custa tanto, agora :)

Dia Mundial da Poesia II

Na sequência deste post do Horatius, fui à arrecadação procurar os livros de português do secundário. Encontrei quatro livros. Os da fotografia de cima eram do meu irmão. Ele seguiu a área B - Electrotécnia, julgo, e eu fui para a área D - Estudos Humanísticos. São os dois de baixo. O da esquerda não pertencia ao meu ano - 11.º, mas foi dado por uma colega do meu tio, que era professor noutra escola, e eu também estudava por ele. Não sei o que aconteceu aos meus dois livros do 11.º. Provavelmente, dei-os. O do lado direito é o segundo volume de português do 10.º. Já naquela altura eram dois volumes por disciplina. Agora queixam-se que se gastam balúrdios na escola, mas já naquele tempo era uma fortuna. Eu tive S.A.S.E., mas nem sempre davam os livros, forneciam o material escolar e não pagava propinas, acho. Já não me lembro. Na contracapa dos livros está o preço: 900$00 e 980$00 para os do 11.º. Caríssimos. Façam as contas para dois volumes e mais não sei quantas disciplinas...

 

Antero de Quental foi um dos poetas dados. Claro que não podia deixar de o ser, na área D, o português tinha que ser mais aprofundado. E foi. Um dos manuais reservou-lhe as páginas 182-202.


Agradeço ao Horatius por me ter recordado destes tempos. Eu gostei do secundário. Quando acabei o 12.º ano, saí de Viseu e começou a labuta.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Os gatos resguardam-se da chuva

Os gatos resguardam-se da chuva.
Alguém diz o teu nome à janela,
olhando as aves que partem para o sul.

Há uma memória embaciada de outro outono,
cinzas no pátio,
o cheiro de alguma coisa que morre, mas não dói.

Maria do Rosário Pedreira

Hoje é o Dia Mundial da Poesia.

quinta-feira, 20 de março de 2014

terça-feira, 18 de março de 2014

Blue is the warmest color

De regresso a casa muito mais cedo (logo após o almoço), encontro um antigo colega de trabalho que se aposentou há uns dois anos, que mora relativamente perto de mim. Por vezes, encontramo-nos à beira-rio, nas nossas caminhadas. Ficámos a conversar um bocado, sobre os filhos dele, a neta, a vida, enfim, e depois ele seguiu a pé até casa e eu desci a rua até aos correios. Fui levantar uma encomenda. Um livro que comprei há tanto tempo finalmente chegou. Estou feliz. O livro é lindo, mas eu já sabia. :)



Dos amigos

Nos dias menos bons, acordamos e perguntamo-nos por que é que nos aconteceu isto. Lutamos com todas as forças e fingimos que está tudo bem, porque muitas vezes não está. Sorrimos, dizemos que somos fortes e encaramos tudo de frente e enganamos a família, os amigos, dizemos que sim, que conseguimos ultrapassar tudo. Sim, lá conseguimos, com muita dificuldade, porque o que desejamos acima de tudo é aquela pessoa que já cá não está e que nos faz tanta falta; mesmo com muitos ombros amigos ao redor só queremos, apenas, os seus braços.

Por fim, lá acalmamos, temos pessoas que gostam muito de nós e que não nos deixam ir abaixo, que nos seguram e caminham do nosso lado para, assim, podermos sair da cama, viver um dia de cada vez e sorrir ao sol e à lua.

João, nesta fase menos boa, terás de ter muita força. Estende os braços e apanha os raios de sol. Tu consegues.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Fifi...

Jamais consideraria ficar a leste da música vencedora do festival da canção (se bem que, quando passou na rtp 1, eu estivesse a ver 'Os vigaristas de bairro' na 2).

Ora escutem a 'mixórdia de temáticas' de hoje...

domingo, 16 de março de 2014

The Wind Rises


O filme realizado pelo grande mestre de animação Hayao Miyazaki é baseado na biografia ficcionada de Jiro Horikoshi, o engenheiro aeronáutico que projectou os aviões japoneses durante a Segunda Guerra Mundial.

O Francisco teve a gentileza de aceitar o meu convite e fomos vê-lo ao cinema São Jorge, no âmbito da Monstra. Sala esgotada, mas conseguimos um bilhete através de uns jovens que tinham comprado dois e estavam a vendê-los à entrada (pelas 4h os bilhetes já estavam esgotados e eu tinha comprado o meu ontem). Depois, fizemos uma caminhada até ao Saldanha, jantámos comida chinesa e partilhámos uma sobremesa caseira :)

sábado, 15 de março de 2014

Such a perfect morning

Acordar às oito sem resmungos, ginástica feita, abdominais doridos, pequeno-almoço tomado, jiboiar merecido no sofá.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Desafio literário 2014 III


 Mais quatro despachados.

O 'Dicionário de Literatura Gay' foi lido esta noite, embora já tivesse passado pelas minhas vistas anteriormente. Contribui, muito singelamente, para esta edição da Index ebooks.

terça-feira, 11 de março de 2014

Eu é mais bolos...

Foi o segundo bolo que fiz no espaço de duas semanas. Estou a experimentar a receita da família, mas nunca sai bem. Ou porque se parte ao enrolar, ou porque exagero na raspa de limão, ou porque a massa fica agarrada ao tabuleiro...

Este fim-de-semana vou fazer mais uma vez, a última antes de levar o dito ao evento clandestino do Eolo. Se alguém se quiser oferecer para provador-mor, chegue-se à frente :) Aceitem o repto, senão chegarei ao encontro a rebolar com uns quantos quilos a mais, que isto é só ovos e açúcar e sumo e um poucochinho de farinha...

Instantâneos - fragmentos da memória III

Um já está destinado. Segue hoje pelo correio, como prometido.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Cosmos

  
Hoje, às 23h, no National Geographic Channel e em todos os canais Fox.

O mais certo é não ver. Deve repetir, de qualquer forma.

Leiam o resumo de quem já assistiu, o senhor do Bitaites (contém spoilers, depois digam que não avisei).

domingo, 9 de março de 2014

Liberdade


"É um engano catastrófico pensar que só se pode estar a favor ou contra a liberdade, porque a liberdade tem muitos rostos. A imensa quantidade de russos que se mudou para cá para se misturar com o povo letão e lentamente obrigar-nos a submetermo-nos, não teme apenas pelo facto de a sua presença ser questionada. Receiam naturalmente perder todos os privilégios e a história não conhece exemplos de ninguém que voluntariamente desista dos seus privilégios." (...) "Para nós, a liberdade é sedutora, como uma bela mulher irresistível, mas para outros, a liberdade é uma ameaça que tem de ser combatida com todas as armas."
p. 120.


Não cesso de me maravilhar com a coincidência de anteontem ter começado a ler um livro escrito em 1991, há pouco ter lido este trecho e o que está a acontecer neste momento na Ucrânia.

sábado, 8 de março de 2014

Cansei de ser gato...

Do melhor tumblr do mundo.

Aristogatos XXIX

Esta, como sabem, é a Joana. Tem treze anos e meia dúzia de meses. Recolhi-a da rua, um dos muitos gatos alimentados pela minha mãe, teria uns cinco, seis meses, estava doente, demasiado pequena para a idade (cabia na palma da minha mão) e os olhos fechados da coriza (ainda hoje tem sequelas).

Foi esterilizada em adulta, o que não impediu que tivesse um cancro mamário, tendo sido operada há uns anos, fez apenas um tratamento de quimio; quando a Bia morreu, perdeu o pêlo quase todo, recuperou uns meses depois e, felizmente, não aconteceu o mesmo com o Farrusco.

Passados estes meses de convivência com as gatas mais novas, finalmente está a aceitar a foca Elvira, mas aos poucos. Uma vez diva, diva para sempre :)



quarta-feira, 5 de março de 2014

Alice - dois anos depois

Há dois anos, escrevi este post. A Alice tinha uns seis, sete meses quando a trouxe para casa. Fora abandonada à porta de um prédio de uma colega. Ela e o marido se pudessem viveriam com todos os gatos que encontram na rua - e já têm cinco -, mas viram-na tão doente que a levaram ao veterinário, que a operou a uma hérnia e a esterilizou ao mesmo tempo.

A Alice transformou-se numa matulona (como diz a minha colega, com quem eu partilho fotos de vez em quando), com cinco quilos e trezentas gramas, cheia de mimo e muito doce (nem parece a mesma que bebia a água da tartaruga e não parava quieta um segundo. Bem, ainda não pára quieta, com a Elvira sempre atrás dela, mas é uma paz-de-alma).

 

sábado, 1 de março de 2014

Desafio literário 2014 II

Mais cinco lidos. Entretanto, chegaram os livros da Editorial Presença, três gratuitos e dois que estavam em promoção.