segunda-feira, 30 de junho de 2014

God Save The Queen - dsr - The Show Must Go On 2014

A semana real terminou na passada sexta com o concerto dos 'God Save The Queen/dsr',  tourné 2014 'The Show Must Go On', no Campo Pequeno.

Considerada a melhor banda de tributo pela revista Rolling Stone, os meus receios de não estar à altura dos Queen eram infundados. Gostei muito e a companhia foi excelente. :)

Deste concerto, apenas encontrei um vídeo no youtube:
 
Foi uma bela noite, dois encores, sendo que o último apresentou a minha música preferida :). Para verem e ouvirem terão de ir à página do facebook do evento, aqui.

domingo, 22 de junho de 2014

Delilah


Declaro aberta a semana real. E, para começar, nada melhor que a canção que Freddie dedicou à sua gata querida. Dalila, que bonito nome. Sugiro que cliquem no ícone 'ver no Youtube', pois têm acesso à explicação desta música :)

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Só os amantes sobrevivem II

Ontem voltei a vê-lo.

Somebody tell me what has this man got?
He makes me feel what I don't wanna feel
Somebody tell me what has this man got?
He makes me give what I don't wanna give
On solid ground, I feel myself sinking fast

I grab a hold but I don't think it's gonna last
I'm slowly losing my ground, slowly sinking down
Trapped by this thing called love, ooh, baby
(Hooked on this thing called love)
Somebody tell me what has this man got?

He makes me cry, Lord, I don't wanna cry 

He calls me up and I tell 'em to say that I'm not in
Then I cry all night if he doesn't call again
I'm slowly losing my ground, slowly sinking down
Trapped by this thing called love, ooh, baby

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Mamã

Eu sinto sempre o que escrevo.
Posso muita vez não sentir nem pensar o que digo, mas, o que escrevo, sinto-o sempre, e sempre o penso.

Ângelo de Lima, Poesias Completas.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Monty Phyton Live (mostly)

Já que a Margarida não pode ir a Londres, vem Londres à Margarida. No dia 20 de Julho, pelas 19:00, os cinema UCI irão transmitir, em directo, o imperdível espectáculo 'Monty Phyton Live (mostly)'. Vejam aqui, nos outros cinemas UCI, a disponibilidade de bilhetes.

Pela primeira vez em mais de três décadas, John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones e Michael Palin irão apresentar os melhores momentos dos MP, um espectáculo há muito aguardado pelos milhões e milhões de fãs. :D

Aqui está o link para mais informações. Pode ser que algum felizardo se desloque, entretanto, àquela cidade e tenha a oportunidade de assistir ao vivo e a cores.

Ontem, ainda consegui um bilhete numa cadeira cimeira. Na verdade, a sala maior esgotou nas primeiras semanas, sendo que a menor ainda tem alguns lugares junto ao écran e um ou outro mais abaixo da minha cadeira, mas desconfio que sejam ocupados brevemente.

 

terça-feira, 17 de junho de 2014

Pérolas a Porcos e Bill Watterson

Há uns dias, foram publicadas três tiras da comics norte-americana 'Pearls Before Swine', de Stephan Pastis com desenhos de Bill Watterson, o criador de 'Calvin e Hobbes'.

As tiras são estas:





Como sabem, pelo menos aqueles que seguem este blogue desde o seu início, eu sou fã das 'Pérolas'. Tenho todos os álbuns - infelizmente, apenas nove - publicados em Portugal pela Editorial Bizâncio. Podem ver neste link  que alguns deles encontram-se esgotados.

 Pérolas a Porcos 1 - Adoro Bacon

 Pérolas a Porcos 2 - Nem Tanto Nem Tão Porco
 
 Pérolas a Porcos 3 - De Noite Todos os Porcos São Parcos
 
 Pérolas a Porcos 4 - A Ratvolução Não Passará na Televisão

  Pérolas a Porcos 5 - Uma Zebra por Dia Nem Sabes o Bem Que te Fazia
  
 Pérolas a Porcos 6 - Os Sopratos
 
  Pérolas a Porcos 7 - Muito, Muito Machos

 Pérolas a Porcos 8 - Pérolas de Sábado à Noite

 Pérolas a Porcos 9 - 50 milhões de fãs não podem estar enganados


Por cá, a imprensa deu destaque a esta saída da toca, pelo menos temporária, de Bill Watterson. Podem ler no Público e no Observador.


Claro que a colaboração Pastis&Watterson está a ser bem rentabilizada, sendo que as tiras estão à venda por $39,95. Sim, fanáticos, toca a comprar sem demora (sou fã, não sou fanática, :p não me apanham neste negócio).

domingo, 15 de junho de 2014

Feira do Livro 2014 II

Obrigada pela dica, João. Catorze horas, entrar, comprar e sair. Hora morta, um calor de derreter as pedras da calçada, mas valeu a pena.

Mal me sentei na carruagem do metro, tirei o celofane e folheei, bastante ansiosa, até à Baixa-Chiado.

sábado, 14 de junho de 2014

A minha estante II

Finalmente, limpei o pó à minha estante. Lá teve de ser. As portas protegem imenso, mas depois de meses sem ver um pano, achei que era altura. Dei uma nova arrumação aos livros e este é o resultado final da estante de autores portugueses e lusófonos. Ali no meio está a edição portuguesa da Granta. Quão míngua é a minha selecção, comparada com os livros de autores estrangeiros. Três autores africanos, três brasileiros, pouca poesia. Na Feira do Livro deste ano já me redimi, tendo comprado uns quantos livros em prosa e poesia, mas faltam-me tantos. Aos poucos, irei corrigir esta falha, prometo :)

P.S.: os romances de Richard Zimler estão no outro lado. Escrevendo em inglês, sendo americano com dupla nacionalidade, optei por o colocar na literatura estrangeira.

P.S.2: as fotos são da minha Mãe, da minha Avó e do meu Avô, que não conheci. Quando a minha irmã me viu de cabelo curto, pensou que eu fosse a Mãe. Sim, estou cada vez mais parecida com ela, excepto que ela tinha um pouco mais de 1,50 mt e excesso de peso. De resto, tenho tudo dela, a voz, o nariz (horroroso, já pensei em fazer uma rinoplastia e tudo :D - posso justificar-me com o septo torto e a sinusite), a teimosia, o amor pelos animais, o orgulho, a independência e a frontalidade.

mother nature

Título roubado descaradamente ao Arrakis.

Bom fim-de-semana :)

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Só os amantes sobrevivem

 
Fui ontem ao fim da tarde assistir ao novo filme de Jim Jarmusch, 'Só os amantes sobrevivem' ('Only lovers left alive'). Estou, ainda, com borboletas na barriga. Na verdade, só me apetece voltar a entrar no Monumental e revê-lo vezes sem conta. Estou apaixonada, esta é a verdade. Apaixonada pelo filme, pelas personagens, pelo Adam e pela Eve, um casal de vampiros, pelo seu amor que sobreviveu durante séculos, pela sua paixão louca, sôfrega, apesar de viverem separados por milhares de quilómetros. Tilda Swinton é Eve, vive em Tânger e tem como amigo, mestre e dealer, o que lhe arranja sempre o melhor sangue, (uma grande personagem interpretada por John Hurt), nada mais nada menos que o dramaturgo Christopher Marlowe, contemporâneo de Shakespeare, que ainda reivindica ter sido o autor das obras do Bardo. Adam, Tom Hiddleston, vive nos arredores de uma decrépita, arruinada Detroit, numa mansão decadente, em reclusão completa, saindo, apenas, quando tem de se abastecer do melhor sangue. Para tal, compra-o a um médico que trabalha no hospital. 

Jarmusch escolheu os actores ideais, nunca poderiam ser outros senão a Tilda e o Tom. O filme, lento, navega entre trevas e luz; trevas, porque é filmado inteiramente de noite, numa Detroit arruinada, falida e e Adam é um músico depressivo e angustiado, recordando tempos passados, tem longos cabelos escuros e usa roupa escura; luz é a Eve, uma vampira alta, loira, com um comprido cabelo amarelo palha desgrenhado e preferindo roupas claras (adorei o seu blusão de cabedal bege, quero um igual). Entretanto, no meio desta belíssima história de amor, aparece a irmã mais nova de Eve, uma jovem imatura e tonta, que vai desestabilizar a vida deles.

Adam, um compositor dotado, conviveu com génios, vive rodeado pelos seus fantasmas, por aparelhos vintage, tem o seu próprio gerador de electricidade, colecciona guitarras clássicas e a sua música (fúnebre, como refere), alcança um enorme sucesso no mundo dos zombies (os humanos que destroem o planeta). Um par assombroso, juntos enchem o ecrã, nada mais é preciso, e há uma cena, bem, há várias durante o filme, mas esta é a deles dançando na sala da casa de Adam, que me tocou profundamente.

O filme tem um banda sonora espectacular, é maravilhoso, imperdível, absolutamente indispensável. Ah, a cena em que a Eve lê em minutos, com a ponta dos dedos, o maior número possível de romances de amor que consegue antes de embarcar é tão poderosa.

Só posso dizer que é o melhor filme de Jarmusch e um dos melhores que já vi nos últimos tempos (pronto, confesso, sou uma romântica :p).

E tem partes deliciosas, de um humor refinado, como, por exemplo, quando Eve viaja de Paris para Detroit na 'Air Lumière', ou quando atiram um corpo para o ácido e ela declara qualquer coisa como 'Que visual'. Ou, então, quando Adam se disfarça de médico, o Dr. Fausto. Delicioso.

É a celebração de um profundo e intemporal amor (serem vampiros é secundário) a que se assiste neste filme, uma versão doce, melancólica e fascinante do amor.

Deixo-vos uma das cenas finais, a cantora é libanesa e de cada vez que oiço esta música fico arrepiada.

E claro que irei comprar o DVD mal saia :)

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Alexandria

 
'O Papá não fazia ideia em que parte do mundo ficava esta Alexandria nem o que é que pretendiam dele. Fingiu que não percebia inglês. Fecharam-no num quarto pequeno sem janelas. Mas Mr. Miller não lhe bateu. Talvez até tivesse pena dele.'

Richard Zimler, Meia-Noite ou o Princípio do Mundo.

***


'E a cidade ergue-se uma vez mais na minha mente contra a superfície plana e polida do lago verde e os afloramentos de pedra mole que assinalam os limites do deserto. A política do amor, as intrigas do desejo, o bem e o mal, a virtude e o capricho, o amor e o crime, movendo-se obscuramente nos recantos tenebrosos de Alexandria, nas suas ruas e praças, nos seus bordéis e salões - movem-se como grandes migrações de enguias na vasa das tramas e contratramas.'

Lawrence Durrell, O Quarteto de Alexandria, Balthazar.


Nada une as duas cidades aqui descritas a não ser o nome. Alexandria, no primeiro caso, refere-se a uma cidade americana do Estado da Virgínia. No segundo, é um cidade egípcia na qual decorre grande parte da acção dos quatro livros de LW reunidos neste único volume (adquiri em ebook).

Gosto de coincidências, neste caso um nome de duas cidades diferentes, em romances diferentes, em épocas diferentes.

Poderia pensar nas probabilidades de isto acontecer, tendo em conta que, no que se refere ao primeiro romance, na América do Norte, a escravatura esteve presente em dezenas de cidades.

Encontrei esta imagem bastante esclarecedora neste artigo da Wikipédia (link para mais informações).




 
Quanto ao segundo romance, que dizer? Poderoso, enorme, apenas entrei no segundo volume - Balthazar - ontem (link para mais informações).

terça-feira, 10 de junho de 2014

sábado, 7 de junho de 2014

O gato lembra-se de ti nos intervalos. Espera

O gato lembra-se de ti nos intervalos. Espera
de olhos acesos as histórias que nos contas.
Passeia-se inquieto sobre o meu parapeito e eriça
o pêlo, cúmplice, quando pressente que regressas.

Chegas sempre de noite. Sei quem és e ao que vens
e ofereço-te o silêncio de um pequeno quarto recuado,
as sombras das traseiras na minha pele, o tempo
de repetir um gesto inevitável. Ouço-te contar
a mesma lenda com lábios sempre novos. Aprendo-a
e esqueço-a. Nunca a saberemos de cor, o gato e eu.

Depois partes. Levas contigo a tua voz, mas a música
fica. Eu fecho as portadas devagar. O gato mia baixo
à janela. Ninguém acena: guardamos com os outros
o segredo das tuas visitas. Ambos. O gato e eu.

Maria do Rosário Pedreira, A Casa e o Cheiro dos Livros, em Poesia Reunida.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Mãe, eu quero ir-me embora - a vida não é nada

Mãe, eu quero ir-me embora - a vida não é nada
daquilo que disseste quando os meus seios começaram
a crescer. O amor foi tão parco, a solidão tão grande,
murcharam tão depressa as rosas que me deram -
se é que me deram flores, já não tenho a certeza, mas tu
deves lembrar-te porque disseste que isso ia acontecer.

Mãe, eu quero ir-me embora - os meus sonhos estão
cheios de pedras e de terra; e, quando fecho os olhos,
só vejo uns olhos parados no meu rosto e nada mais
que a escuridão por cima. Ainda por cima, matei todos
os sonhos que tiveste para mim - tenho a casa vazia,
deitei-me com mais homens do que aqueles que amei
e o que amei de verdade nunca acordou comigo.

Mãe, eu quero ir-me embora - nenhum sorriso abre
caminho no meu rosto e os beijos azedam na minha boca.
Tu sabes que não gosto de deixar-te sozinha, mas desta vez
não chames pelo meu nome, não me peças que fique -
as lágrimas impedem-me de caminhar e eu tenho de ir-me
embora, tu sabes, a tinta com que escrevo é o sangue
de uma ferida que se foi encostando ao meu peito como
uma cama se afeiçoa a um corpo que vai vendo crescer.

Mãe, eu vou-me embora - esperei a vida inteira por quem
nunca me amou e perdi tudo, até o medo de morrer. A esta
hora as ruas estão desertas e as janelas convidam à viagem.
Para ficar, bastava-me uma voz que me chamasse, mas
essa voz, tu sabes, não é a tua - a última canção sobre
o meu corpo já foi há muito tempo e desde então os dias
foram sempre tão compridos, e o amor tão parco, e a solidão
tão grande, e as rosas que disseste que um dia chegariam
virão já amanhã, mas desta vez, tu sabes, não as verei murchar.

Maria do Rosário Pedreira, O Canto do Vento nos Ciprestes, em Poesia Reunida, Quetzal Editores, 2.ª edição, Janeiro 2013, pp. 111-112.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Esta manhã o sol atravessou de repente

Esta manhã o sol atravessou de repente
para o outro lado da rua - são tão sombrias

as casas quando delas se perde o nome de
alguém, tão escuros os corações dos que
ficam lá dentro para habitar a dor.

Maria do Rosário Pedreira, Nenhum Nome Depois, em Poesia Reunida, Quetzal Editores, 2.ª edição, Janeiro 2013, p. 209.

Desafio literário IX

  Mais quatro despachados, mas a pilha, em vez de diminuir, aumenta.


Já prevendo a passagem para o próximo ano, a legenda da foto é 'para ler 2014-2015'.

Entretanto, num intervalo entre leituras, li 'Castelo de Sombras', o pequeno grande livro de poemas que está em pé, um reprodução do original de 1923.

[E como um corte de cabelo muda radicalmente uma pessoa :p]

quarta-feira, 4 de junho de 2014

terça-feira, 3 de junho de 2014

domingo, 1 de junho de 2014

Feira do Livro 2014

Claro que eu tinha boas intenções: ficaria pelo Nuno Júdice, José Gomes Ferreira, Tennessee Williams. Pois sim. TW não encontrei, NJ e JGF estavam fora do orçamento, porque eu queria um único volume de poesia e estava dispersa por vários. Três horas depois, as minhas novas aquisições são estas:

 
Ora, vejamos o total: 12 livros, 6 novos e 6 nos alfarrabistas.

Novos:
  • Alan Hollinghurst, A Biblioteca da Piscina, a pechincha do dia, a 4,90 € na Leya (naquela altura, era o último exemplar). 
  • Maria do Rosário Pedreira, Poesia Reunida.
  • Raul Brandão, As Ilhas Desconhecidas (um livro de viagens e influenciada pela peça da passada sexta).
  • Eugénio de Andrade, Primeiros Poemas, As Mãos e os Frutos, Os Amantes sem Dinheiro.
  • Teresa Veiga, O Último Amante (influenciada pela Granta Portugal, 3, que publicou uma história sua que gostei muito - desconhecia esta autora).
  • Junot Díaz, É assim Que a Perdes.
Alfarrabistas:
  • Doris Lessing, O Sonho mais Doce.
  • Yukio Mishima, Confissões de uma Máscara, O Templo Dourado, Morte em Pleno Verão e outros Contos e Sede de Amar.
  •  Soeiro Pereira Gomes, Esteiros (que li pelos meus 14, 15 anos, mas há que tempos que ando à cata para o ter. Esta edição é do Circulo de Leitores e custou 2,00 €).

Contas feitas: por alto, um pouco acima de um bilhete para o Rock in Rio. Aqui está a razão de não ter posto lá os pés.

O Doido e a Morte

 

O serão de sexta-feira foi muito bem passado no Teatro Municipal Joaquim Benite. A casa estava cheia para assistir ao penúltimo dia de representação da peça em um acto 'O Doido e a Morte', de Raul Brandão.

Esta versão híbrida, mistura de teatro e ópera, foi uma encomenda de Lisboa'94, Capital Europeia da Cultura e estreada a 9 de Novembro de 1994, no Teatro Nacional de S. Carlos. Fará vinte anos este ano, então. Com encenações de Joaquim Benite, co-produção do Teatro Nacional de S. Carlos e da Companhia de Teatro de Almada, em 1994, a música e libreto é de Alexandre Delgado. A reposição, desta vez, foi encenada por Rodrigo Francisco e contou, mais uma vez, com a direcção musical de Alexandre Delgado.

Gostei muito, pois nunca tinha assistido a um espectáculo deste género. Na primeira versão, peça de teatro, temos o Governador Civil e o Sr. Milhões, e toda a acção desenrola-se no gabinete do Governador Civil Baltasar Moscoso. Este encontra-se a exercer uma actividade marginal, isto é, a escrever uma peça de teatro e recebe a visita do Sr. Milhões, anunciado como o homem mais rico de Portugal. Traz consigo uma grande mala que contém o mais poderoso dos explosivos e escolhe o Governador Civil como seu companheiro na hora da morte. Num diálogo filosófico, hilariante, cómico e trágico, o Sr. Milhões discorre sobre injustiça e o absurdo da vida: «Há, efectivamente quem diga que estou doido, mas nunca a minha lucidez foi maior. [...] De resto, o que é a loucura e o que é o juízo?»

Na segunda parte (sem intervalo), a mesma peça é apresentada em formato de ópera, sendo interpretada por um tenor (o Governador Civil, que se encontra a escrever uma ópera quando é interrompido), o Sr. Milhões por um barítono e a esposa do Governador Civil, Aninhas, por uma meia-soprano.

Por curiosidade, a primeira vez que esta peça foi representada, em 1 de Março de 1926, no Teatro Politeama, em Lisboa, ficou envolta num clima de polémica, pois o pano caiu antes de o Governador Civil ter tido a oportunidade de dizer a frase com que encerra o texto, «para decência dos ouvidos das senhoras», segundo um dos organizadores da festa de beneficiência para os ardinas (objectivo da realização desta peça). Joaquim de Oliveira, o actor que interpretava o papel de Governador Civil, resoluto, ordenou que o pano voltasse a subir e, no meio dos aplausos, acabou por dizer a triunfante frase final.

No site do Teatro Municipal Joaquim Benite (aqui), encontra-se mais informação sobre esta e outras peças, incluindo a excelente crítica do 'Público'.