terça-feira, 29 de julho de 2014

Quinta da Regaleira e Lisboa

Ontem foi dia de ir até à Quinta da Regaleira, em Sintra. O João F. (do blogue Vírgulas do Destino) visitou a família, que vive aqui perto, e convidou-me para ir com ele a Sintra. Nunca tinha lá ido e não estava nos meus planos de férias (e logo no primeiro dia útil de férias fiz uma maratona que não só contemplou a lindíssima Quinta, como, pela parte da tarde, fomos a Lisboa. Mas já lá vamos).

Apanhámos o mesmo comboio para Sintra, eu em Campolide, ele na Amadora, e antes das 10h00 já estávamos na vila. Foi um pulinho a pé até ao centro histórico, mais outro até à Quinta da Regaleira, demorado para apreciar a vista e tirar umas dezenas de fotos :)

Chegámos cedo, não havia fila, cada um pagou 6 € para a visita livre, que incluía a visita ao palacete. Deixámos a visita à residência para o fim e, mesmo assim, acabámos por não ver tudo. Saímos da Quinta pelas 13h30, mais ou menos, e comemos qualquer coisa em Sintra, antes de regressarmos a Lisboa.

Deixo um pequeno apontamento histórico sobre a Quinta da Regaleira, antes de passar para as fotografias: a Quinta da Regaleira era a residência de veraneio da família Carvalho Monteiro, um exuberante palacete concebido em estilo manuelino. António Augusto de Carvalho Monteiro era conhecido pela alcunha de Monteiro dos Milhões, graças à sua enorme fortuna (para saberem mais sobre esta ilustre personalidade, leiam um resumo aqui). Em finais do século XIX, adquiriu em hasta pública o palacete, que antes tinha pertencido à 1.ª Baronesa da Regaleira (para informações adicionais, consultem esta página).













Na parte da tarde, passeámos por Lisboa. Saímos na estação do Rossio, subimos até ao Largo do Carmo, passámos a Trindade, o Camões, entrámos nas ruelas do Bairro Alto, desembocámos na Rua de O Século, virámos à esquerda na Rua da Academia de Ciências (o João queria ir à Assembleia da República), descemos as escadinhas, lá tirou a foto para recordação, fomos até à Rua de S. Paulo, caminhámos até ao Cais do Sodré, descansámos num banco à sombra, muita gente na relva e à beira-rio. O passadiço de madeira e a Ribeira das Naus estão fantásticos, aquela margem está linda, só apetecia descalçar e molhar os pés, moidinhos de tanto caminharmos, depois, lá subimos o Arco da Rua Augusta.


 Por fim, fomos até Alfama. Lanchámos num café simpático, mistura de loja de recordações e café de bairro, e descemos uma calçada por onde passa o eléctrico 12 até ao Martim Moniz. Do outro lado da praça, fomos até à rua do Hospital de S. José, a Rua do Arco da Graça (eu morei nessa rua há mais de vinte anos), e apanhámos o metro na Praça da Figueira até ao Areeiro. O João tem família na margem sul, pelo que apanhámos o 'meu' comboio até Coina (e é 'Cóina', João, e não 'Côina' - olha a pronúncia do norte :p) e assim se passou um belo dia, embora muito cansativo.

Obrigada pela sugestão da visita à Quinta da Regaleira, aconselho vivamente. E Lisboa também está linda :)

domingo, 27 de julho de 2014

Alice in laundryland

O lugar preferido da Alice para apanhar sol é em cima da máquina de lavar a roupa.

César - o imperador do colo

Informo que o miúdo já se assenhorou do colo, sendo que não é nada fácil actualizar o blogue assim. E ele atento ao que escrevo sobre sua excelência.

Desafio literário X

Mais nove livros lidos. Em cima, à esquerda, os dois últimos policiais da colecção do delegado Espinosa, do escritor brasileiro Garcia-Roza. Os dois receberam cinco estrelas no Goodreads. Globalmente, os nove livros são excelentes e lêem-se muito rapidamente, tirando o último, 'Céu de Origamis', que tem um pouco mais de 200 pp. no kobo. Mas, como estou de férias, não me preocupo com horários (se bem que, pelas sete da matina, tenho uns gatos-despertadores a arranharem a porta).

sábado, 26 de julho de 2014

Snowpiercer - Expresso do Amanhã


O primeiro filme das férias e o terceiro em quatro dias. Depois do Nimas e do Monumental, fico pela minha banda e ao preço simpático de 2 € até ao fim do mês, no RioSul Shopping.

Snowpiercer (leiam a crítica - vá, uma boa crítica, no Cinecartaz aqui) é bom, é muito bom. De facto, é um grande filme de ficção científica. Nas primeiras carruagens, de luxo, vivem os ricos, os que puderam adquirir os melhores lugares, o que têm acesso à melhor comida, a todos os privilégios que o dinheiro pode comprar; nas últimas carruagens subsistem os miseráveis, os pobres cuja mão-de-obra escrava é utilizada sem reservas, controlados pelo medo e pela força das armas.

E, desta forma, vivem duas sociedades desconhecidas uma da outra num comboio que percorre eternamente o planeta gelado, morto, consequência do aquecimento global; não se misturam, sendo que cada um tem o seu lugar, é uma sociedade estratificada, distópica, a humanidade reduzida a umas dezenas de carruagens de um comboio que rola sem fim ao longo do planeta.

Um filme com um final surpreendente e que merece ser visto no grande écran. Conta com excelentes actores: uma irreconhecível Tilda Swinton, John Hurt, Jamie Bell (o Billy Elliot - sim, um rapaz fez-se um belo homem), Chris Evans e Ed Harris (adoro-o).

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Férias!

Apanhar sol...

 
Beber muita água...

 Ler...
 
Escrever...

Violette

Ando em modo de férias há uns dias, isto quer dizer que me deito para lá da meia-noite, mas continuo a levantar-me antes das seis. Ontem não foi excepção;  fui ao Monumental ver o filme 'Violette' e cheguei a casa tardíssimo.

O filme conta a história de Violette Leduc, uma escritora francesa que conhece Maurice Sachs e que a incentiva a escrever, do seu amor não correspondido por Simone de Beauvoir, a sua mentora, que, à semelhança de Sachs, adora a sua escrita, os seus fortes e ousados romances, a sua história conturbada, e estimula-a a escrever sobre as relações lésbicas no colégio interno, o casamento falhado, o aborto, o relacionamento difícil com uma mãe super-protectora. Violette, filha bastarda, considera-se feia e desinteressante e tem medo de ficar sozinha para sempre. Contudo, são essas características e a sua baixa auto-estima que a levam a escrever com tanto arrojo.

Emmanuelle Devos é Violette, Sandrine Kiberlain é Simone, num drama psicológico biográfico sobre uma escritora francesa que não conhecia.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Bat-day

Esta quarta-feira é o dia do Batman, de acordo com o jornal  Público, a ler aqui.

Recupero a foto que coloquei nos primórdios deste blogue, isto é, há mais de dois anos. Certo, não é o super-herói, a não ser que, como o João Roque comentou, o gato se chame Batman :p

 

terça-feira, 22 de julho de 2014

Elvira

Sim, já fez um ano no fim de Maio e está rechonchuda. Parece uma foca. O César corre atrás dela, brincam os dois, mas quando se chateia, bufa-lhe. Assim como que para dizer: já chega, César! E olha-o de uma maneira muito imponente. Ele é um gato muito novo e bastante reguila, mas ela impõe-se. Põe-te quedo, miúdo!

É assim Que a Perdes


Yunior, de 'A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao' está de regresso. Yunior é um jovem dominicano que cresce num arrabalde, oriundo de uma família emigrante e dono de uma linguagem cáustica, ordinária, onde os palavrões abundam com naturalidade.

As histórias retratam a perda de amores, relações falhadas, e Yunior, o garanhão dominicano, faz sexo, não, ele não faz sexo, mas eu omito o palavrão, a torto e a direito, engana a namorada, uma, outra e outra vez.

Díaz tem estilo, se tem, não ficamos indiferentes, rimos com os palavrões, porque é assim que falam os machos latinos, e há uma ironia que perpassa pelos vários contos, mesmo quando estão carregados de tristeza (a morte do irmão, o sofrimento da mãe, a sua ligação à Igreja).

«Olhas para as suas pernas incríveis e para o seu entrepernas, para essa ainda mais incrível pópola que amaste de forma tão inconstante nos últimos oito meses. Só quando ela avança furiosa na tua direcção é que tu sais finalmente do carro. Atravessas descontraidamente o relvado, propulsionado pelo derradeiro gás da tua revoltante sinverguënceria. Hey, muneca, dizes, prevaricando até ao fim. Quando ela se põe aos gritos, tu perguntas: Querida, que se passa? Ela chama-te:

brochista
reles filho da puta
intrujão dominicano

Declara que.
tens um pénis pequeno
não tens pénis sequer
e pior do que tudo, que gostas de ratas em caril

(o que é muito injusto, tentas dizer, já que a Laxmi é da Guiana, mas ela não te ouve.)» 


Em Agosto do ano passado fiz uma directa a ler 'A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao' e escrevi este post. Antes, tinha-o descoberto numa colectânea de histórias sobre a infância e adolescência, de Richard Zimler e Rasa Sekulovic, mencionada aqui. O conto de Díaz, intitulado 'Invierno' é repetido em 'É assim Que a Perdes' e foi aqui que me apaixonei pela sua escrita brutal.

Querem saber quem é Junot Díaz: basta escutarem com muita atenção (e darem umas gargalhadas no fim) este conto lido pelo próprio. Sim, reconhecem a personagem? :)


Junot Díaz: 'How to Date a Brown Girl (Black Girl, White Girl, or Halfie)'

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Always look on the bright side of life - Monty Phyton Live

 

E assim terminou o espectáculo 'Monty Phyton Live (mostly), com transmissão ao vivo da Arena 02 de Londres para todo o mundo em diversas salas de cinema. Era previsível este número final, faltava a memorável canção. Comovi-me, claro. Cinco septuagenários que apresentaram os sketches dos MP que todos conhecemos, que vimos na televisão há décadas, que revemos no youtube vezes sem conta e que sabemos de cor. Sim, já não estão na sua melhor forma, enganaram-se em algumas palavras, riram noutras tantas vezes, retomaram os diálogos deixados a meio depois de uns improvisos, mas que importa? São os Monty Phyton! John Cleese, Terry Gillian, Eric Idle, Terry Jones, Michael Palin e Graham Chapman, que apareceu em diversos clipes. Chapman que desapareceu tão precocemente (1941-1989). Quatro décadas após a sua separação - eu tinha meses - juntam-se e trazem Carol Cleveland, uma actriz que participou na maioria dos seus sketches.

E que momentos hilariantes. Chorei a rir, um dos improvisos que mais me deu gozo foi o boneco dos dois juízes gays que, no momento em eles despem a toga e ficam em lingerie feminina, um deles pergunta se foi o colega quem tratou do divórcio do Cleese. 'Qual, um dos quatro, os quatro?' (sem legendas, os improvisos surgiam inopinadamente). Que delícia! :)

Numa justa homenagem a Chapman, brincaram com a sua ausência, intitulando também este espectáculo de 'One Down, Five To Go'.

E, a não ser que Cleese volte a divorciar-se nos próximos tempos e gaste outra pipa de massa - uma das razões pelas quais eles se juntaram, disseram na brincadeira em conferências de imprensa, mas a brincar, a brincar... - esta foi a derradeira oportunidade de os ver a actuar juntos. Um mimo!

domingo, 20 de julho de 2014

Na Terceira Pessoa

Um filme com excelentes actores: Liam Neeson, Adrien Brody, James Franco, Maria Bello. Mila Kunis tem um papel consistente. Olívia Wilde é a amante, jornalista, futura escritora (e que mulher num estonteante Valentino encarnado, capaz de provocar uma síncope do miocárdio ao coração mais saudável); Kim Basinger a ex-mulher da personagem de Liam, um escritor que, num hotel em Paris, escreve o seu próximo romance. Uma história de perdas, traições, enganos, ou melhor dizendo, várias histórias que se desenrolam em simultâneo, tendo como ponto comum a perda de um filho. E no meio tomamos consciência do que está a acontecer, uma ideia muito interessante, que, dado o naipe de actores vencedores, deveria ter sido mais desenvolvida. Achei as personagens masculinas ocas, sem sentido, as femininas são as únicas que manifestam emoção (amor, dor, tristeza). Paul Haggis realiza, a acção passa-se entre Paris, Roma e Nova Iorque, ou assim o deseja o escritor.

E deixei-me de preconceitos contra o cinema do RioSul Shopping, graças à promoção da Promofans. Até ao fim do mês, os filmes estão a 2 €. Raramente o frequentava, pois apanhei algumas desilusões, mas, ou porque o filme não tinha interesse para a miudagem ou porque fui à sessão do fim da tarde, na sala (vá, nada más as salinhas de cinema, quais cine-estúdios, pequeninas e com écrans bastante bons), éramos meia-dúzia de pessoas. E claro, cinema que é cinema tem intervalo. A foto comprova.

O kobo está sempre na mala. A ler 'Dois Mundos - Um Inimigo', do Pedro Xavier. Acabei-o esta noite e gostei muito.

sábado, 19 de julho de 2014

A Verdadeira História de Barbi

 

Cumpriu o esperado. Uma hora de bom humor, na qual três actores interpretam personagens femininas, a Babá, a Tuxa e a Kika, com os seus tiques de 'tias' de alta sociedade, venenosas, ambiciosas e frustradas. Através de um texto corrosivo, de José Pinto Correia, é criticado um estilo de vida fútil, uma falsa moralidade, que vive dos favores, das cunhas, do 'faz-de-conta' e da ostentação.

Passaram mais de vinte anos desde a sua estreia, em Maio de 1993, no teatro Maria Matos, em Lisboa, e o elenco continua o mesmo: F. Pedro Oliveira, Miguel Abreu e Paulo Ferreira.

É a temporada final das tias mais mordazes do país e o último espectáculo é amanhã às 22 horas. Mais informações aqui.

Letras felinas



Tenham um excelente fim-de-semana :)

sexta-feira, 18 de julho de 2014

O livro do João Roque: Ilha de Metarica - memórias da guerra colonial

Em boa hora o João Roque reuniu as suas memórias do tempo militar neste pequeno livro, editado pela Index ebooks, editora do João Máximo e do Luís Chainho, que li num abrir e fechar de olhos e que eu gostei muito, pois aguardava com muito interesse o seu lançamento.

Dono de um discurso muito intimista, comovente em algumas situações, divertido noutras, pautado por reflexões sobre a guerra colonial, entre exilar-se no estrangeiro e ficar longe da família, e cumprir o serviço militar em África, o João preferiu a segunda e muito difícil escolha. Anos marcantes da vida de um jovem adulto, 'quase quatro anos da minha vida gastos inutilmente; anos importantes, dos 25 aos 29 anos, em que teria feito coisas boas e em que, com certeza, teria definido o meu futuro.' (...) 'Saí da tropa com quatro anos perdidos, é certo, mas munido de algo que não tinha - a capacidade, que desconhecia antes em mim próprio, de resolver questões graves e delicadas.' (...) 'ganhei uma autoestima e um respeito por mim próprio que ainda hoje se mantêm e que muito me tem ajudado ao longo da vida.'

Muitos parabéns ao João Roque, ao João Máximo, ao Luís Chainho, à Patrícia Relvas e, segundo li num comentário no blogue do João, parece que teremos outro livro brevemente. É verdade? :)

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Aristogatos XXXVI




Ainda não passou uma semana e já partilham o sofá. A dormir, o César é um anjinho, um comprido anjinho, como podemos ver, e a Alice suporta-o, tanto que dorme abraçada à cauda amarela :)

As fotos foram tiradas ontem à noite.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Flaca

   'Tu eras a rapariga branca que dançava bachatas, que pertencia às Señoritas Latinas Unidas e que já tinha ido três vezes a Santo Domingo.
   Recordo: costumavas oferecer-me boleia para casa no teu Civic.
   Recordo: à terceira eu aceitei. As nossas mãos tocaram-se entre os assentos. Tentaste falar comigo em espanhol e eu disse-te para parares.
   Hoje falamos um com o outro. Eu digo: Podíamos passar mais tempo com os miúdos, e tu abanas a cabeça. Quero passar mais tempo é contigo, dizes. Talvez na próxima semana, se ainda estivermos bem.
   Isto é o máximo que podemos esperar. Não desistimos de nada, não dizemos nada que possamos recordar durante anos. Olhas para mim enquanto passas uma escova pelo cabelo. Cada fio que se parte é tão comprido como os meus braços. Tu não queres desistir, mas também não queres sair disto magoada. Não estamos no melhor dos barcos, mas que queres que te diga?
   Vamos de carro até Montclair, onde a estrada do parque está quase deserta. Tudo está silencioso e escuro, e as árvores brilham da chuva de ontem. Num dado ponto, a sul das Oranges, a estrada atravessa um cemitério. Milhares de lápides com cenotáfios de ambos os lados. Imagina, digo eu, apontando para a casa mais próxima, que tinhas de viver num sítio destes.
   Aqueles sonhos que tu tinhas, digo eu.
   Estacionamos em frente ao vendedor de mapas e entramos na nossa livraria. Apesar da proximidade da faculdade, somos os únicos clientes, nós e um gato com três patas. Tu sentas-te num corredor e começas a esquadrinhar as caixas. O gato vai directo a ti. Eu percorro a secção de história. És a única pessoa que conheço que consegue passar tanto tempo como eu numa livraria. Uma espertinha; algo que não se encontra facilmente. Quando volto para perto de ti, vejo-te sem sapatos e a arrancar com as unhas calosidades dos pés, enquanto lês um livro para crianças. Eu ponho os braços em volta dos teus ombros. Flaca, digo. O teu cabelo esvoaça e prende-se à minha barba por fazer. Não me barbeio as vezes suficientes, para ninguém.
   Isto pode resultar, dizes. Se a gente quiser.'


Junot Díaz, É assim Que a Perdes, Relógio D'Água, 2013.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Teco Sem-Rabo

Na sequência deste post do Horatius, o primeiro livro que recordo de ter foi uma prenda da minha mãe. Teria uns seis anos e o livro, uma banda-desenhada infantil, claro, chamava-se, se não estou em erro, 'Teco Sem-Rabo na feira popular''.

Lembro-me da capa, mas não posso confirmar se era, de facto, este o título correcto. Encontrei-a neste site, apenas, não há outra imagem em páginas portuguesas.

Fazia parte de uma colecção do Círculo de Leitores. O meu irmão recebeu o 'Teco Sem-Rabo arranja um amigo'. Se não me falha a memória - afinal, já passaram mais de três décadas -, o cachorro chamava-se Max. Aqui está a foto da capa e o link do sítio da literatura infanto-juvenil onde o encontrei.

Memórias de 1979... :)

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Morte em Pleno Verão e outros contos

 
 Comprei o pequeno livro 'Morte em Pleno Verão e outros contos', de Yukio Mishima, na Feira do Livro de Lisboa deste ano. Aliás, comprei vários livros deste autor.

Que escrita maravilhosa. Não há outro adjectivo. Delicada, todavia de uma grande força e capacidade de nos mergulhar nas emoções das personagens.

Este livro reúne três contos: 'Morte em Pleno Verão', 'Patriotismo' e 'Onnagata'. A primeira história centra-se à volta de Tomoko e Masaru, um casal que perde os dois filhos mais velhos, um menino e uma menina, de seis e cinco anos, respectivamente, juntamente com a cunhada Yasue. Yasue era irmã da Masaru e tomava conta das crianças; sem sucesso, tentou salvá-los e, igualmente, perdeu a vida. Culpa, revolta, tensões que surgem no casal e a necessidade de proteger a todo o custo o filho sobrevivente, Katsuo, de três anos, são sentimentos que afloram constantemente em Tomoko. Mas aos poucos, à medida que o tempo passa, o esquecimento da tragédia começa a surgir, cobrindo a dor de Tomoko, e a sua recente gravidez ajuda a mitigar a sua dor.

O meu conto preferido é 'Patriotismo'. Mishima desenvolve uma história absolutamente magistral! Um jovem tenente comete seppuku e a sua esposa acompanha-o. Face a uma revolta, o militar recusa-se a combater e prefere morrer pela pátria, pelo imperador. Cientes de que não há outra saída, encaram a morte com naturalidade, com alegria, até, cumprindo os rituais com determinação. Amam-se, sabendo que será a última vez. 'O tenente puxou a mulher e beijou-a com violência. As línguas misturaram-se na húmida e lisa caverna das bocas; as dores ainda desconhecidas da morte exacerbavam-lhe os sentidos, do mesmo modo que o fogo tempera o aço. As dores que ainda não sentiam, os longínquos horrores da agonia, tornavam mais aguda a sua percepção do prazer'.

Por fim, temos 'Onnagata'. É um conto maravilhoso e conta a história de Masuyama, que ficara fascinado por esta arte de teatro, em que um actor interpreta sempre papéis femininos. Temos, assim, Mangiku como o actor por quem Masuyama se deslumbra.  Mangiku é belo, delicado, incapaz de representar papéis masculinos com sucesso. A sua expressão feminina transmite toda uma miríade de emoções humanas. Um conto que termina de uma forma surpreendente, entre desilusões e ciúmes.

À semelhança do jovem tenente da história, também Mishima cometeu seppuku.

Cinco estrelas no Goodreads e aconselho vivamente a sua leitura.

domingo, 13 de julho de 2014

César, o imperador das alturas

 No armário da cozinha

 No estúdio do 'quarto dos gatos'

 Na estante da sala


Chegou há dois dias e já conquistou três locais. Veni, vidi, vici.

O César do tio Camilo



Esta é a última história do meu livro 'Instantâneos - fragmentos de memória'. Podem ler as restantes 41 aqui.

'Instantâneos' é publicado pela Index ebooks. Mais informações aqui.

sábado, 12 de julho de 2014

Avé, César


Oficialmente registado no cartão de vacinas, o César nasceu fez ontem um ano. Pesa 4,650 kgs. É um europeu comum, de pelagem curta amarela e cá está, já usurpou o cadeirão das gatas.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Joana 2000-2014


 

Joana e César

   Por volta das cinco e um quarto, acordei com um barulho de uma das gatas no quarto-de-banho. Pensei logo na Joaninha que, com imensa força de vontade, lá se arrastava até à areia. Ouvi-a a remexer nas pedrinhas, as pernas bamboleantes, a ofegar, cansada. Levantei-me, abri a porta do quarto e lá estava ela, à porta do seu WC, sentada, respirando com muita dificuldade. A custo, levei-a até à taça da água, mas não conseguiu beber nada. Custa-lhe muito baixar o pescoço. Peguei na taça e levei-a ao focinho, esperei um pouco e lá deu umas lambidelas.
   Piorou. Há dias, ainda comia, embora deixasse de preferir a mousse gourmet e optado pelo atum ao natural. Assim, abria uma lata, colocava num pires um pouquinho e lá comia. Todos os dias tinha que abrir uma embalagem nova, que a Joana não comia nada depois de aberto e guardado no frigorífico. A Alice a a Elvira engordaram bastante, até ter começado a congelar a comida que ela não comia. Tentava alternar entre atum, mousse, pedaços com molho, mas ela preferia sempre o atum. Até há uns dias. Deixou de comer. Debicava, simplesmente. Começaram a aparecer altos na parte de trás do pescoço, os da frente aumentaram muito de tamanho. Emagreceu imenso, perdeu massa muscular, os olhos são imensos no rosto miudinho, as pupilas dilatadas. A medicação já não faz efeito. Esta manhã cheguei ao extremo de colocar água numa seringa e pingá-la na boca, tentando que ela bebesse algo. Lambuzei-a de Nutrigel-Plus, a pasta vitamínica, e coloquei-a na sua cama. Pouco a pouco, lá se deitou.
   Está a despedir-se. Sabe que é uma questão de horas. Sofre imenso, eu sofro por a ver assim e não posso fazer nada para minimizar a sua dor. Quando noto que se ergue um pouco, vou à cozinha, tiro o atum do armário, coloco no pires e aproximo-o do focinho. Lambe mais um pouco, depois afasta a cabeça. Espero, insisto novamente, ela repete um pouco e volta a afastar-se. Depois, nega-se, determinada, volta-me as costas. Só quer que a deixem em paz.
   Penso que chegou a altura de dar o derradeiro passo. Ela é o último laço com a minha vida passada. Foram catorze anos, mais ou menos catorze anos. Nem sei bem quando nasceu, talvez algures no Verão de 2000. Anos atrás, estipulei que Agosto seria o seu mês. Não chegará lá.

   Pedi a tarde de hoje e, após o almoço, vou buscar o César a casa da minha colega, a mesma que me deu a Alice. Ela não se quer ligar muito ao gato, embora o adore, já. Fala-me dele com ternura, imensa, diz que é um mimado, que adora colo, que a segue para todo o lado. Já foi castrado no sábado passado, mas ainda não levou as vacinas. Estou ansiosa e um pouco receosa. Como se portará com as outras gatas e elas com ele?

   Esta tarde, vou com a Joana e o César ao veterinário. Ele levará as vacinas, ela, bem, provavelmente despedir-me-ei da minha menina hoje. Não faz muito sentido adiar o momento. Custa, sim, custa muito, mas de que adianta esperar? Regressar a casa por mais dois, três dias, tentar mais uma vez e na próxima semana voltar lá e deixá-la definitivamente? Ela não melhorará. Não. Chegou a altura.
   O César chega na mesma altura que a Joaninha se prepara para nos deixar. Não substitui, nenhum dos meus gatos actuais substitui os outros, são tão diferentes. Passei por tantos momentos, alegres e tristes, muitas mudanças na minha vida. Esta é mais uma.

   Adeus, Joana. Olá, César.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Agatha Christie

A propósito de um post do Miguel, tenho 25 livros de Agatha Christie e 4 deles reunidos em dois volumes da Vampiro, o que significa que possuo 29 histórias da Dame Agatha. Assim, como apaixonada que sou pelas suas intrigas e mistérios, adquiri 4 colecções de séries (Miss Marple [duas séries, a dos anos 1980 e a mais recente], Parceiros no Crime e Poirot [a série e os telefilmes], para além de todas as amostras dos livros da ASA que se encontram disponíveis na livraria da Kobo (haja disponibilidade financeira para os comprar).

A ITV dedicou-lhe um episódio de 'Perspectives', apresentado pelo querido 'Poirot', quero dizer, David Suchet.


David Suchet interpretou Poirot durante vinte e cinco anos (já aqui escrevi sobre isso e aqui encontram a página da wikipédia com mais detalhes), primeiro na série de televisão e depois em telefilmes, estes tornando-se cada vez mais negros, ao mesmo tempo que saíam de cena personagens como o Capitão Hastings e a Miss Lemon (que só regressam nos últimos filmes). Não resisti e encomendei na Amazon UK a última série, sem legendas em português, e já vi o filme, baseado no derradeiro livro de AC: 'Curtain: Poirot's Last Case' (em português 'Cai o Pano - O Último caso de Poirot'). Aqui, Poirot e Hastings regressam ao local onde aconteceu o seu primeiro crime - também marca o reencontro dos dois amigos depois de tantos anos afastados.

Deixo-vos um pequeno vídeo do youtube. Caso tenham interesse em ver, posso emprestar :).

terça-feira, 8 de julho de 2014

Clube Dumas

Excelente estreia neste autor. Lucas Corso, caçador de livros, corsário, bibliófilo, é contratado para procurar dois exemplares do raro livro 'As Nove Portas do Reino das Sombras', um na posse de um coleccionador em Sintra e outro em Paris. Assim, parte em busca daqueles exemplares, na companhia de uma misteriosa rapariga de longas pernas e cabelo muito curto, que dá pelo nome de Irene Adler (!) perseguidos por um vilão saído de 'Os Três Mosqueteiros', de Alexandre Dumas. Isto porque Corso também guarda na sua bolsa de lona um capítulo manuscrito daquele romance, 'O Vinho de Anjou'.

'Clube Dumas' está cheio de referências a livros de aventuras, policiais, com um cheirinho a livros proibidos. Arturo Pérez-Reverte domina a narrativa de uma forma exemplar, agarrando o leitor do princípio ao fim. Quatro estrelas no Goodreads.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Três Mulheres Altas




'Três Mulheres Altas', do dramaturgo norte-americano Edward Albee, conta com três excelentes actrizes: Catarina Avelar, Inês Castel-Branco e Paula Mora. Gostei tanto desta peça que, pela primeira vez, esperei à porta da entrada dos artistas do Teatro Nacional D. Maria II e pedi-lhes um autógrafo.

A peça mostra-nos três mulheres de diferentes gerações: uma mulher jovem, uma mulher de meia-idade e uma mulher próxima da morte. Esta mulher mais velha, que medita sobre a sua vida, incluindo o afastamento do seu filho (o alter-ego do dramaturgo), mostra-nos uma clareza de espírito que transcende o seu corpo debilitado. Entre arrependimentos, esperanças e confissões, as mulheres reflectem sobre a vida e a morte, a raiva, angústia, preconceitos, humilhação e rancor.

Com personagens fascinantes, Albee (autor da aclamada peça 'Quem tem medo de Virgina Woolf), baseia-se na sua relação com a mãe adoptiva, no distanciamento entre eles, oferecendo-nos o retrato detalhado da vida de uma mulher. Uma peça sombriamente divertida e um murro no estômago. Imperdível!