Um belo, emocionante e poético livro de viagens que homenageia os Açores e a Madeira, com trechos verdadeiramente preciosos, como este:
"Há momentos em que o choro é doirado e transparente - o chuveiro cai doirado e muito leve, cai em fiapos de aranha - e logo a cor desaparece no cinzento e só fica diante de mim a floresta gotejando, todas as formas dissolvidas, à medida que o vale foge azul e húmido e se converte em som, até que da paisagem casta e encerrada entre montes, da paisagem oculta e inútil, fica só saudade e o ruído de quem não acaba de chorar - de quem chora devagarinho, doirado e cinzento. Não é uma grande dor. Há mesmo nesta tristeza não sei que inocência. É o momento único em que as crianças passam do choro para o riso, que começa a abrir-se-lhes nos olhos entre a água e na face cheia de lágrimas que a gente tem vontade de limpar..." - p. 74.
Raul Brandão, As Ilhas Desconhecidas, Notas e paisagens, Quetzal, 2013 (1.ª edição, Março 2011).

De facto o texto é lindíssimo.
ResponderEliminarlê-se muito rapidamente, visto estar em forma de diário.
EliminarNão conhecia.
ResponderEliminaré um livro muito bom. em 1924, RB e outros intelectuais viajaram até às ilhas e daí resultou este conjunto de apontamentos, um diário, muito especial, com descrições belíssimas sobre as ilhas, as nuvens, as paisagens, as gentes dos dois arquipélagos. uma bela homenagem e para quem gosta de livros de viagens, recomendo, ainda mais por ser um autor português que escreve sobre a nossa terra.
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