segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Fados

   O nosso Miguel publicou mais um livro.
   Começando pela capa e terminado no 'Soneto para um Fado de Coimbra', uma edição de luxo. Este pequenino grande livro reúne 18 poemas para letras de fados que abordam os temas que todos conhecemos: amor, saudade, perda ou a dor.
  Uma publicação para imprimir e guardar. A maravilha da escrita do Miguel aliada ao profissionalismo da INDEX ebooks. 
   Podem encomendar o livro aqui, na página da editora.
   Aqui deixo três poemas para aguçar o apetite.

   Fado da Rima

   Fosse coreografia
   E tivesse um final feliz,
   A vida seria um dia
   Como a noite que se cria
   Pelo nome que se diz
   Asa, voo de perdiz,
   Anjo de melancolia,
   Ou foco traçado a giz,
   Se a vida como ela diz
   Fosse coreografia


   ***

   Fado da Metade

   Se do que tenho, a metade
   Do que me dás, é o meio
   De ti, só tenho a saudade
   O vento vazio da tarde
   O livro em branco que leio
   Inteira é a minha lembrança
   Das muitas noites que tive
   Mas da folia da dança
   Não resta ténue esperança
   No pouco que sobrevive
   Tu dás-me pouco, e receio
   Que da tua mão aberta
   Escorra por entre o veio
   Da metade, só o meio
   Que entre os dedos se liberta

   ***

   Fado do Abraço

   Nunca negues um abraço
   A quem o queres oferecer
   No desenho do teu braço
   O gesto imprime o traço
   Fica impresso o teu querer
   Quisera eu dar-te um abraço
   Apertado e com ternura
   Mas hesito se te maço
   E temo o gelo do aço
   Que respondas com secura
   Mas à noite armo o laço
   Se a sombra te sinto cruzar
   Sem cuidar que me desgraço
   Desvairado, estugo o passo
   E corro para te abraçar

   Um abraço apertado e com ternura ao Miguel.

8 comentários:

  1. Muito bonitos estes poemas. Lídia

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    1. são, sim, Lídia. irás ter oportunidade de comprovar :)

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  2. obrigado Margarida. enches-me de orgulho.
    e gosto que tenhas escolhido o fado da rima, é muito especial

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    1. sabes, Miguel, não leves a mal por não ter mencionado a quem este livro é dirigido. eu não me esqueci. apenas sinto-me constrangida em mencionar esse assunto muito difícil aqui, neste blogue, e a razão porque agora este livro te é muito especial. tu já escreveste sobre isso.
      assim como não o esqueci que copiei as tuas palavras.
      é uma crítica literária e muito justa, e foi apenas nessa vertente que aqui a publiquei.

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    2. ora essa Margarida, acho que fizeste muito bem. o livro é o livro, aí está ele 'pró que der e vier', independentemente das minhas razões com ele. palavra. prefiro assim, sem contextos ou outros adereços :)

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  3. Assim não vale.
    Aqui está uma das razões porque eu não vou muito com as transcrições; mas neste caso, num pequeno livro de poemas é estragar o prazer de uma leitura que quero fazer por inteiro.
    Fiz um esforço e não li nenhum destes três fados.
    Desculpa a minha franqueza...

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    1. não tens nada de pedir desculpa, é a tua opinião, muito válida. mas olha, eu penso exactamente o contrário. se lesse estes belos poemas num outro blogue, mesmo sem saber quem seria o autor, iria procurar logo o livro. e leria muitas e muitas vezes :)

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