O nosso Miguel publicou mais um livro.
Começando pela capa e terminado no 'Soneto para um Fado de Coimbra', uma edição de luxo. Este pequenino grande livro reúne 18 poemas para letras de fados que abordam os temas que todos conhecemos: amor, saudade, perda ou a dor.
Uma publicação para imprimir e guardar. A maravilha da escrita do Miguel aliada ao profissionalismo da INDEX ebooks.
Podem encomendar o livro aqui, na página da editora.
Aqui deixo três poemas para aguçar o apetite.
Fado da Rima
Fosse coreografia
E tivesse um final feliz,
A vida seria um dia
Como a noite que se cria
Pelo nome que se diz
Asa, voo de perdiz,
Anjo de melancolia,
Ou foco traçado a giz,
Se a vida como ela diz
Fosse coreografia
***
Fado da Metade
Se do que tenho, a metade
Do que me dás, é o meio
De ti, só tenho a saudade
O vento vazio da tarde
O livro em branco que leio
Inteira é a minha lembrança
Das muitas noites que tive
Mas da folia da dança
Não resta ténue esperança
No pouco que sobrevive
Tu dás-me pouco, e receio
Que da tua mão aberta
Escorra por entre o veio
Da metade, só o meio
Que entre os dedos se liberta
***
Fado do Abraço
Nunca negues um abraço
A quem o queres oferecer
No desenho do teu braço
O gesto imprime o traço
Fica impresso o teu querer
Quisera eu dar-te um abraço
Apertado e com ternura
Mas hesito se te maço
E temo o gelo do aço
Que respondas com secura
Mas à noite armo o laço
Se a sombra te sinto cruzar
Sem cuidar que me desgraço
Desvairado, estugo o passo
E corro para te abraçar
Um abraço apertado e com ternura ao Miguel.

Muito bonitos estes poemas. Lídia
ResponderEliminarsão, sim, Lídia. irás ter oportunidade de comprovar :)
Eliminarobrigado Margarida. enches-me de orgulho.
ResponderEliminare gosto que tenhas escolhido o fado da rima, é muito especial
sabes, Miguel, não leves a mal por não ter mencionado a quem este livro é dirigido. eu não me esqueci. apenas sinto-me constrangida em mencionar esse assunto muito difícil aqui, neste blogue, e a razão porque agora este livro te é muito especial. tu já escreveste sobre isso.
Eliminarassim como não o esqueci que copiei as tuas palavras.
é uma crítica literária e muito justa, e foi apenas nessa vertente que aqui a publiquei.
ora essa Margarida, acho que fizeste muito bem. o livro é o livro, aí está ele 'pró que der e vier', independentemente das minhas razões com ele. palavra. prefiro assim, sem contextos ou outros adereços :)
Eliminar:)
EliminarAssim não vale.
ResponderEliminarAqui está uma das razões porque eu não vou muito com as transcrições; mas neste caso, num pequeno livro de poemas é estragar o prazer de uma leitura que quero fazer por inteiro.
Fiz um esforço e não li nenhum destes três fados.
Desculpa a minha franqueza...
não tens nada de pedir desculpa, é a tua opinião, muito válida. mas olha, eu penso exactamente o contrário. se lesse estes belos poemas num outro blogue, mesmo sem saber quem seria o autor, iria procurar logo o livro. e leria muitas e muitas vezes :)
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