domingo, 29 de março de 2015

Domingo de Ramos

   Aos domingos de manhã, a minha Mãe, eu e o meu irmão íamos à missa. Vestíamos a roupa de domingo. Era assim que a minha Mãe dizia, “A roupa de domingo”. Recordo-me bem de uma camisola de losangos verdes e amarelos que recebi num Natal, quando tinha sete ou oito anos, e que usei até me ficar curta, mas bastante curta nos braços. Adorava aquela camisola.
   Recordo-me, também, que, aos domingos, depois do almoço, íamos ao café e a minha Mãe comprava um nougat para mim e outro para o meu irmão; tal como a roupa de domingo, os nougats estavam reservados para aquele dia.
   E, todos os anos, no Domingo de Ramos, a minha Mãe espalhava alecrim à porta de casa.
   Hoje é Domingo de Ramos. Já não há alecrim no chão nem roupa de domingo. Tenho saudades. Tenho saudades da minha Mãe, daqueles domingos especiais e do nougat.

16 comentários:

  1. Um Feliz Domingo de Ramos :)

    Beijinhos

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  2. "Esta palavra saudade,
    aquele que a inventou,
    A primeira vez que a disse
    com certeza que chorou”

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  3. É uma saudade doce. Só sentimos saudades das coisas boas que marcam a nossa vida. Margarida um beijinho. Lídia

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  4. Um grande beijinho, Margarida. Imagino as saudades que tens da tua mãe. Estas festividades são sempre uma pequena tortura para quem perdeu entes tão queridos.

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    1. imensas, Mark. o natal, mesmo quando a minha mãe era viva, pouco me dizia, mas a Páscoa sim. por isso, custa mais.
      bjs.

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  5. O Domingo de ramos é também para mim um dia especial, pelo proprio significado religioso...

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    1. eu só sinto pelo facto de terem sido dias especiais à minha mãe. tinham bastante significado e quando ela me pedia para lhe fazer companhia, eu ia (páscoa, domingo de ramos, missa do galo...).

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  6. Bonita reflexão e uma mais das tuas homenagens à tua Mãe.
    Curioso que a Páscoa fosse para ti mais importante que o Natal.
    Em termos de liturgia talvez até tenhas razão, mas familiarmente o Natal costuma ser mais agregador que a Páscoa.
    Hoje a Páscoa não me diz rigorosamente nada...

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    1. obrigada, João.
      nos últimos anos, mesmo quando a minha mãe era viva, éramos apenas nós, um pequeno núcleo. tínhamos visitas dos meus tios, os irmãos da minha mãe, mas eram muito breves. depois da consoada, nem esperávamos pela meia-noite, abríamos os presentes e pronto. era isso. resumia-se a consumismo. a música enjoativa, montanhas de pessoas com sacos de compras, enfim.
      às vezes, ia à missa do galo com ela. acho a páscoa mais bonita, a temperatura é mais quente, embora com mais recolhimento.

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  7. quando estava na livraria, no domingo de manhã, vi as pessoas passarem na direcção da igreja com os ramos nas mãos. sou muito desligado destas coisas mas lembrei-me que pudesse ser domingo de ramos, mas faltava-me a pessoa a quem costumava telefonar para debater estes assunto. é bem verdade que aqueles a quem tanto amámos andam sempre connosco, mesmo com muitas saudades.

    nunca liguei muito à Páscoa. durante uns anos, era o tempo das viagens longas. mas este ano vai saber bem, vou ver a minha sobrinha neta-afilhada. já não vou lá abaixo desde agosto e estou ansioso.

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    1. ah, páscoa no algarve, o clássico. :) mas este ano, como dizes, vai saber muito bem.
      as saudades andam sempre connosco, mas nestas alturas batem mais forte.

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